março 20, 2006

Destruição de mudas abre debate sobre eucalipto no Brasil

Brasília, 18/3/2006 da Agência Brasil

Brasília - A destruição de mudas de eucalipto da empresa Aracruz Celulose por agricultoras da Via Campesina, no Rio Grande do Sul, no dia 8 de março, expôs o debate em torno do impacto ambiental das grandes plantações.

Os trabalhadores rurais classificam as florestas de eucalipto como "desertos verdes", em referência à eliminação da biodiversidade. Cientistas e gestores concordam que a cultura de eucalipto não deve ser a única opção de reflorestamento, mas de forma sustentável podem trazer benefícios para áreas totalmente devastadas.

Originário da Austrália e outras ilhas da Oceania, o eucalipto foi trazido para Brasil na segunda metade do século 19. O setor de construção civil queria utilizar a madeira para produzir os dormentes utilizados nas primeiras linhas férreas.

Atualmente, o país possui a maior área plantada de eucaliptos do mundo (mais de 3 milhões de hectares). De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil é o maior produtor mundial de celulose (cerca de 6,3 milhões de toneladas por ano).

O eucalipto brasileiro se destina basicamente à produção de celulose e papel e ao carvão que abastece as siderúrgicas. As indústrias brasileiras que usam o eucalipto como matéria prima para a produção de papel, celulose e demais derivados representam 4% do Produto Interno Bruto, 8% das exportações e geram aproximadamente 150 mil empregos.

O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério da Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, acredita que é possível conciliar os interesses econômicos e a proteção ambiental. "O eucalipto não é uma espécie danosa. O problema é quando uma espécie qualquer é utilizada de forma inadequada", ressalta Capobianco.

Segundo Capobianco, a imagem negativa que se criou do eucalipto é conseqüência de projetos do passado. Ele lembrou que na década de 70, principalmente, com os incentivos fiscais do governo federal, houve um estímulo ao plantio do eucalipto em grande escala, sem planejamento e sem cuidados ambientais, o que levou à destruição de extensas áreas de Mata Atlântica e de Cerrado.

Capobianco vê a possibilidade de tornar a plantação de eucalipto uma alternativa viável ambiental, econômica e socialmente. Existem projetos em estudo para a inclusão dos agricultores familiares na atividade.

"Qualquer monocultura é danosa, seja de eucalipto, seja de uma espécie nativa. Mas, não há, em princípio, nenhum problema em se ter o uso do eucalipto em determinadas regiões da Amazônia que já foram degradadas no passado. Ela pode, ao contrário, trazer benefícios ambientais e sociais."

Por Juliana Andrade e Bianca Paiva
Colaborou Irene Lôbo

A commodity água, por Gilberto Alves da Silva

Pode parecer absurdo falar em falta de água quando a terra tem 70% de sua superfície coberta por este líquido. Entretanto, é bom lembrar que a maior parte dele, 97,5%, é água salgada dos mares e oceanos, imprópria para o consumo humano e produção de alimentos. Os 2,5% restantes, água doce, também não estão, totalmente, disponíveis para uso. A sua maior parte, 68,9%, está nas calotas polares e nas geleiras. 29,9% são águas subterrâneas e 0,9% são relativas a umidades dos solos e dos pântanos. Só 23 países detêm dois terços das reservas de água potável e 47% dos recursos hídricos estão na América do Sul, sendo que deste total, mais da metade, cerca de 53%, estão no Brasil.

De acordo a ONU, mais de um bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e perto de 2,5 bilhões não dispõem de qualquer tipo de saneamento. Como resultado, 8 milhões de pessoas morrem por ano por causa de doenças relacionadas com a água, das quais 50% são crianças. Ainda, segundo este mesmo órgão, dentro de 25 anos existirão 4 bilhões de pessoas sem água para satisfazerem as suas necessidades básicas. Continuando esta tendência, acredita-se que este líquido deva tornar-se uma mercadoria de elevado valor no Mercado Internacional nos próximos 40 anos. Lembremo-nos que o preço, hoje, de uma garrafa de 500 ml de água está em torno de R$ 1,00, quanto custará daqui a algumas décadas?

Esta escassez está ligada a dois fatores importantíssimos para o futuro: o crescimento populacional que, segundo a ONU, hoje somos seis bilhões e a previsão é que cheguemos aos nove bilhões nos próximos 50 anos. Afirma esta entidade que são os países em desenvolvimento, aí englobados os detentores deste recurso, que mais sofrerão, uma vez que quase a totalidade deste crescimento se dará neles. O outro fator está ligado à degradação do meio ambiente motivada pela intensa urbanização, pelo desmatamento e pela contaminação por atividades industriais.

A ONU estima que dentro de 20 anos a guerras serão por causa da água. É bom lembrar que desde 3.100 a.C. já existia guerras por causa deste precioso líquido.Nessa época, surgiu na Mesopotâmia a civilização Sumeriana que fazia a administração geral das águas dos Rios Tigre e Eufrates com o Poder Público. Era uma questão militar em todas as principais cidades sumérias e nunca teve solução. Em 1997, houve a crise entre a Malásia e Singapura. A Malásia controla metade da oferta de água de Singapura e ameaçou cortar o suprimento, após críticas formuladas ao seu governo. Na África, as relações entre Botsuana e Namíbia ficaram estremecidas por causa dos planos da Namíbia de construir um aqueduto para desviar águas do Rio Okavango, comum aos dois Países.

Além da água ser vida, o seu uso é muito diversificado. Cabe aqui, introduzir um novo conceito para este líquido que é o de ''Água Virtual''. Esta é a água gasta para produzir um bem, um produto ou serviço. Ela está embutida no produto, não apenas no sentido visível, físico, mas também no sentido ''virtual'' considerando a água necessária aos processos produtivos. Atualmente, em discussões técnicas, esta água está sendo avaliada como um instrumento estratégico na política de água.

O comércio agrícola promove uma enorme transferência de água de região onde ela se encontra de forma abundante e de baixo custo para outras regiões onde é escassa, cara e seu uso compete com outras prioridades. É visível que este comércio crescerá futuramente, junto com o esgotamento e contaminação deste recurso. Para se ter idéia do que afirmamos, a China importa em torno de 18 milhões de toneladas de soja por ano, a um custo de 3,5 milhões de dólares que carregam 45 milhões de m3 de água. Em 2003, o Brasil exportou 1,3 milhões de toneladas de carne bovina, com uma receita de 1,5 milhões de dólares e exportou, também, 19,5 km3 de água virtual.

A conclusão que chegamos é que a escassez transformará a água, atualmente um direito, em uma Commodity valiosa. Neste caso, os Governos dos Países detentores devem adotar políticas e procedimentos que garantam a manutenção das suas reservas e que, também, viabilizem o fornecimento deste líquido de uma forma subsidiada, de maneira que os pobres possam ter acesso a ele, cobrando daqueles que podem pagar. Não deixar de lado a educação que é fundamental para a sua conservação e para evitar o desperdício.

O Brasil detém mais da metade da água doce do planeta e não será por isto que continuaremos a desperdiçá-la, polui-la como viemos fazendo até agora.

Gilberto Alves da Silva, Professor

(www.ecodebate.com.br) artigo originalmente publicado no Jornal do Brasil de 18/03/2006

Preso maior acusado de devastar florestas do Pará

O Ministério Público calcula que José Donizetti Pires de Oliveira tenha derrubado uma área superior a 1,8 mil campos de futebol

Carlos Mendes

BELÉM - O empresário José Donizetti Pires de Oliveira, denunciado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como o maior predador das florestas do oeste do Pará nos últimos dez anos, foi preso neste sábado em Santarém. Pires, que é presidente da Associação de Produtores Agroindustriais de Santarém, é acusado de derrubar uma área superior a 1,8 mil campos de futebol.

O Ministério Público Federal reuniu provas documentais e imagens de vídeo contra Oliveira, e pediu, assim sua prisão preventiva. Os advogados do empresário, porém, garantem que ele não é grileiro de terras públicas nem devastador de florestas.

Ativistas do Greenpeace e agricultores da região fizeram uma manifestação há cerca de 15 dias contra a grilagem de terra e extração ilegal de madeira feitas por Pires dentro de uma área chamada de Gleba Pacoval.

A Gleba Pacoval tem cerca de 400 mil hectares e é coberta por uma floresta riquíssima em espécies vegetais e animais. Segundo Paulo Adário, coordenador do Greenpeace na Amazônia, a área integra um dos últimos grandes fragmentos florestais desta região do Pará, e está sob grande pressão de fazendeiros, madeireiros e grileiros. O desmatamento anual nos municípios de Belterra e Santarém pulou de 15 mil para 28 mil hectares entre 2002 e 2004 com a chegada da soja. Oliveira foi transferido para a Penitenciária de Cucurunã.

(www.ecodebate.com.br) Fonte - Estadão Online - 19 de março de 2006 - 17:40

Primeiro, a floresta. Depois, a faixa
Fazendeiro que destruiu 1 000 hectares de mata amazônica usa sua picape para
atropelar protesto de ambientalistas

Daniel Beltra/Reuters

A audácia e a criatividade nas manifestações em defesa do meio ambiente são características do Greenpeace. Na semana passada, um grupo de cinqüenta ativistas da organização viajou cinco horas por estradas de terra para estender sobre uma área de floresta recém-desmatada uma faixa de dimensões inusitadas: quadrada, com 50 metros de lado, ocupava uma extensão de 2.500 metros quadrados. Com os dizeres "100% crime", imitava o selo normalmente colado sobre caixas usadas para exportação. Tratou-se de um duplo protesto. O primeiro, contra o desmatamento propriamente dito. No início de janeiro, imagens de satélite revelaram uma área de 1 000 hectares, ou mais de sessenta estádios de futebol, recém-aberta na Floresta Amazônica a 120 quilômetros da cidade de Santarém, no Pará. O segundo foi contra o plantio de soja, que o Greenpeace considera inadequado à região amazônica. "Não achamos certo acabar com a Amazônia para produzir comida de vaca", diz Paulo Adário, coordenador do Greenpeace na Amazônia.

Técnicos do Ibama foram ao local desmatado e constataram outro crime ambiental: a destruição de mais de 1.000 castanheiras, árvores que chegam a atingir 60 metros de altura e cujo corte é proibido. O Ibama responsabilizou pelo desmatamento o presidente da Associação dos Produtores Agrícolas de Santarém, José Donizetti de Oliveira, e o multou em 1,5 milhão de reais. No ano passado, ele já tinha sido autuado pelo desmatamento sem autorização de 650 hectares para o cultivo de grãos na mesma região. Irritado com a manifestação do Greenpeace, Oliveira avançou com sua picape contra a faixa, até deixá-la em frangalhos. A foto aérea desse momento de fúria, publicada ao lado, foi feita pelo fotógrafo do Greenpeace. "O mais espantoso é que a área desmatada não é propriedade de Donizetti, mas da União", diz Pedro Aquino, superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O Incra trabalha num projeto de transformação da área rica em castanheira numa reserva extrativista. Precisará se apressar, pois corre o risco de não sobrar floresta alguma em Santarém.

(www.ecodebate.com.br) Fonte - revista VEJA - Edição 1947 . 15 de março de 2006

Cisternas para água da chuva beneficiaram 440 mil no Semi-Árido

Rio, 18/03/2006 da Agencia brasil
Cerca de 440 mil moradores de áreas rurais do Semi-Árido brasileiro foram beneficiadas com a construção de cisternas com placas de cimento para armazenar água da chuva, utilizada em períodos de seca.

Até o dia 31 de janeiro deste ano, ficaram prontas 88 mil cisternas, pelos cálculos do diretor do departamento de gestão integrada de Políticas da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Luiz Anselmo Pereira de Souza.

As áreas de Semi-Árido se localizam nos estados do Piauí, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Bahia e no Vale do Jequitinhonha.

"No Nordeste chove bem em apenas um curto período de tempo. A melhor forma de conviver com esta situação é saber aproveitar os momentos", disse o diretor do MDS, em entrevista ao programa .Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.

Souza esclareceu que cada cisterna tem a capacidade de armazenar 16 mil litros de água, quantidade suficiente para garantir o consumo de uma família de até sete pessoas por um período de oito meses.

Para construir as cisternas, o Programa Fome Zero estabelece parcerias com organizações da sociedade civil, como a Articulação do Semi-Árido (Asa), envolvendo cerca de 800 organizações não-governamentais, sindicatos de trabalhadores rurais e dioceses em todo o Nordeste e em Minas Gerais. O trabalho também inclui parcerias com alguns municípios.

A grande vantagem do programa seria envolvimento das pessoas beneficiadas durante o processo de construção das cisternas, que começa com a escolha das famílias. Têm prioridade famílias com mulheres à frente do sustento, crianças em idade escolar e renda inferior a meio salário mínimo.

Por Cristina Índio do Brasil

EcoDebate, www.ecodebate.com.br, 20/03/2006

Nota do EcoDebate

O apoio do MDS ao P1MC - "Programa 1 milhão de Cisternas" tem sido de fundamental importância, tendo em vista que, no semi-árido, fome e sede são indissociáveis.

Se não fossem os seguidos contingenciamentos de recursos orçamentários o programa já teria atingido um numero significativamente maior. De qualquer forma, é um apoio importante e deve ser reconhecido.

Recomendamos aos leitores que acessem o sítio da ASA, Articulação no Semi-Árido Brasileiro, http://www.asabrasil.org.br/, para que melhor conheçam a iniciativa e a importância de programas de convivência com a seca no semi-árido.

Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
Coordenador do EcoDebate

março 17, 2006

O terror vem de Minas Gerais

17/3/2006
Por Arthur Soffiati
Jornal do Meio Ambiente

Sem nenhuma espécie de rancor, tenho clareza, desde 1971, que a Revolução industrial, no final do século 18, criou uma concepção e uma prática econômicas insustentáveis pela natureza. Esta percepção não é apenas minha. No século 19, elas foram denunciadas em vários países, inclusive no Brasil, como mostra José Augusto Pádua em Um Sopro de Destruição. Não se tocava ainda no cerne mais profundo da questão, como se passou a fazer a partir dos movimentos políticos de 1968. Tanto o capitalismo quanto o socialismo são contranaturais em sua avidez de extrair do ambiente mais do que ele pode repor e lançar nele mais que sua capacidade de asorção.

Quando uma parte dos recursos financeiros de uma empresa de alto impacto ambiental é aplicada na construção de sistemas de tratamento de rejeitos, o perigo se reduz, mas, potencialmente, ele continua lá. Quando nenhuma medida é tomada neste sentido, o risco aumenta.

Esta é a situação do capitalismo em Minas Gerais. Lá, os governos criaram facilidades excessivas para atrair empresas poluentes e afrouxaram a fiscalização para não criar empecilhos a um crescimento econômico a qualquer custo. Os territórios dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro estão infestados de empresas poluentes, mas, até o momento, em nenhum dos dois, ocorreu uma catástrofe das dimensões das três que vieram de Minas Gerais, a origem dos desastres ambientais que assolam o Estado do Rio de Janeiro.

A primeira ocorreu em 1982. A empresa Paraibuna Metais, sediada em Juiz de Fora, deixou vazar um descomunal volume de cádmio, zinco e chumbo que desceu pelo rio Paraibuna e chegou ao rio Paraíba do Sul, produzindo profundos ferimentos no meio ambiente e afetando a economia e a sociedade. Este derramamento mobilizou a população campista, que foi em peso para as ruas e permaneceu de prontidão cerca de 15 dias, no Conselho Comunitário de Campos. Nenhuma providência drástica foi tomada.

Em 2003, aconteceu o maior de todos os desastres na bacia do Paraíba do Sul: mais de um bilhão de litros de lixívia negra vazou de um depósito da empresa Cataguases celulose. Este depósito estava repleto de material poluente e abandonado. Avaliações feitas por especialistas alertaram quanto ao risco de rompimento da barragem. O Ibama nacional, o Ibama/MG, o órgão de meio ambiente do Estado de Minas Gerais, o governo municipal de Cataguases e a direção da empresa sabiam de tudo. Porém, uma negligência criminosa permitiu a catástrofe. A lixívia desceu pelo rio Pomba e atingiu vários municípios, matando animais aquáticos, obrigando o fechamento de captação de água pelas estações de tratamento, trazendo prejuízos elevados à economia pesqueira e agropecuária e deixando as autoridades governamentais completamente atônitas e perdidas.

Depois de tudo, novamente estamos diante de outro desastre. Desta vez, foi o rompimento de um tanque de contenção de rejeitos da lavra de bauxita da empresa Rio Pomba Mineração Ltda, localizado na cidade de Mirai.

Sempre que atentados terroristas chegam de Minas Gerais, o Ibama/Brasília corre a chorar pelo leite derramado, prometendo providências. O Ibama/MG, a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas e os governos municipais minimizam a tragédia. Os governos do Estado do Rio de Janeiro e dos Municípios atingidos botam a boca no trombone e reclamam indenizações. Os Ministérios Públicos Federal e Estadual, já meio cansados de atacar as agressões ao meio ambiente, tomam ânimo e, por conta própria, instauram inquéritos civis públicos.

No entanto, nada se faz em termos de prevenção. Nenhuma varredura dos focos de poluição junto aos rios da bacia é efetuada para traçar-se um mapa das atividades de risco, de modo a exigir sua desativação. Continuamos a caminhar sobre um terreno repleto de minas (com duplo sentido, por favor) sem saber onde elas estão, correndo o risco de pisar em mais uma e detoná-la.

março 14, 2006

Projeto do Governo Federal vira carvão


O presidente da FUNAGUAS, Judson Barros denunciou, em visita à Rádio Verdes Campos Sat, que o Projeto do Governo Federal de implantação de fábrica de biodiesel no Piauí, explorado pela empresa carioca Brasil Ecodiesel, em vez de plantar a mamona, estão produzindo carvão.

Segundo Judson, o Núcleo de Produção Comunitária Santa Clara, entre os municípios de Canto do Buriti e Eliseu Martins no PI, era para ser um projeto modelo do Governo Federal.

Lá, informou, o Governo do Estado “deu” 100 mil hectares de terra, com recursos envolvidos, através de financiamentos, na ordem de R$ 80 milhões.

"Grande parte dessa área já está desmatada. A lenha já está estocada, em aproximadamente 40 mil metros quadrados e a Brasil Ecodiesel, embora eu já tenha telefonado em busca de informações, não deu conhecimento sobre o Projeto Santa Clara, que é para plantar mamona, esteja na realidade produzindo carvão”, disse.

Disse ainda que, no Projeto Santa Clara, já existe toda uma estrutura praticamente montada, inclusive com a construção de oito fornos para a queima de madeira nativa. “O carvão vegetal é mais atrativo para a empresa porque dá mais dinheiro tanto no mercado nacional quanto no internacional, com aplicação nas indústrias de siderurgia. Acredito que este seja um projeto clandestino”.

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Devastação dos cerrados no sul do Piauí e no Maranhão já chegam a 90%
Por Wesslley Sales

De acordo com o presidente da Fundação das Águas (Funáguas), Judson Barros, a devastação da região dos cerrados do Piauí e Maranhão já atingiu índices preocupantes. Os rios estão secando por conta do assoreamento que é grande.

Ele também diz que os lagos e rios estão envenenados, matando os peixes. E que 16 trabalhadores rurais morreram no final do ano passado vítimas de envenenamento, em uma das fazendas de soja da área.

"A safra está bastante comprometida. A Bunge vai ter dificuldades de produção este ano. Ela já está parada por causa da produção do ano passado, que não houve na escala necessária", declara Judson Barros.

O presidente da Funáguas está na Assembléia Legislativa, onde espera o início da audiência sobre a criação do Estado do Gurguéia.

Projeto Mamona é uma farsa

Judson Barros denunciou que o projeto Mamomas é uma farsa. O projeto dos governos estadual e federal visa um combustível alternativo, para resolver o problema do pretróleo no país. Mas, de acordo com Judson, as famílias, cerca de 750, que foram contratadas para plantar a mamona estão vivendo em ritmo de escravidão.

"O governo paga uma bolsa de R$ 150,00 para cada família, devolver o dinheiro em produção, mas, o dinheiro não está dando para elas se manterem e nem produzirem como eles desejam. Essa renda também não garante vínculo empregatício, por isso não possuem direito trabalhistas", explica o presidente da Funáguas.

Ele denuncia também que cerca de 100 mil hectares já foram desmatados para plantação da mamona, porém, apenas três mil foram plantadas pelas famílias.


http://www.portalverdescampos.com.br/noticias.asp?e=Geral&nid=15051

março 13, 2006

Multinacionais da água em retirada

Por Diego Cevallos*

Diminui o investimento privado no manejo hídrico na América Latina, devido aos altos riscos políticos e financeiros, alertam especialistas.

MÉXICO.- Grupos ativistas afirmam que as multinacionais cravam cada vez mais suas presas nos serviços de água da América Latina, mas estudos da Organização das Nações Unidas e especialistas desmentem: essas empresas batem em retirada e, talvez, não regressem. Reclamações de governos e mobilizações sociais, como as registradas nos últimos anos na Argentina e Bolívia, a impossibilidade de cobrar por seus serviços em alguns países e o surgimento de normas que vetaram sua participação no Uruguai, acabaram desestimulando as multinacionais.

Agora, se afastam ou reduzem a envergadura de seus negócios, pois percebem elevados riscos políticos e financeiros, afirma o último informe da ONU sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, apresentado previamente ao IV Fórum Mundial da Água, que acontecerá na capital mexicana entre os dias 16 e 22 de março. Na década de 90, as multinacionais investiram cerca de US$ 25 bilhões em países em desenvolvimentos em setores relativos ao manejo da água, sobretudo na América Latina e Ásia, diz o documento. Porém, nos últimos anos os investimentos estão em queda.

“É difícil para companhias privadas de água fazer dinheiro quando as pessoas não podem pagar pelo recurso”, disse ao Terramérica Gordon Young, coordenador do Programa das Nações Unidas, que produziu o relatório. Embora este documento reconheça que a atuação do setor privado “não atendeu às expectativas dos países doadores e dos governos nas nações em desenvolvimento”, afirma que seria um erro descartar sua participação. Observadores consultados pelo Terramérica disseram que a retirada das empresas estrangeiras da América Latina, aonde chegaram animadas pelas reformas de privatização empreendidas pelos governos nos anos 80 e 90, poderia ser definitiva.

“Não creio que voltem. Estão em meio a uma reorganização corporativa e destinando seus recursos ao muito mais lucrativo setor de energia”, disse Sara Grusky, pesquisadora do não-governamental Food and Water Watch, com sede em Washington. Poderosas firmas, como as francesas Suez Lyonnaise de Eaux e Veolia Environnement (antiga Vivendi), a britânica Thames Water e a espanhola Águas de Barcelona, incursionaram no mercado da água no mundo em desenvolvimento.

Para Ralph Daley, diretor da Rede Internacional sobre Água, Meio Ambiente e Saúde, da Universidade da ONU, com sede no Canadá, “as companhias privadas estão deixando a América do Sul e outras regiões porque os riscos são muito altos”. Entretanto, diversos grupos de ativistas insistem em que é impossível de parar a onda de privatização da água e preparam uma bateria de ações paralelas ao Fórum Mundial da Água, o qual acusam de promover a participação de multinacionais no manejo hídrico.

A água é um bem público e um direito básico que não deve estar sujeito “à lógica do custo-benefício”, por isso deve ser mantida sob manejo do Estado e com participação social, disse ao Terramérica o diretor do não-governamental Tribunal Latino-Americano da Água, Javier Bogantes. Na região, onde há ingentes recursos hídricos, são os governos, municípios e as autoridades locais que majoritariamente manejam a água. Entretanto, não conseguem fazer com que chegue a todos.

Diversos estudos indicam que 77 milhões de habitantes da América Latina e do Caribe carecem de acesso adequado à água potável e que apenas um em cada seis conta com redes adequadas de saneamento. O Fórum do México é o quarto, depois dos de Marrocos (1997), Holanda (2000) e Japão (2003). Seu principal propósito é definir caminhos adequados para garantir a distribuição universal e sustentável do recurso, afirmam seus organizadores.

O encontro é organizado pelo governo do presidente Vicente Fox em acordo com o Conselho Mundial da Água, criado em meados dos anos 90 por figuras ligadas aos setores empresarial, acadêmico, científico e social. Miguel Solanes, assessor regional em Legislação de Águas e Serviços Públicos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), disse ao Terramérica que é o momento de reconhecer que na região existe “certa prudência em relação às privatizações” dos serviços hídricos.

Essa atitude cautelosa não se observa apenas nos governos, mas também nas multinacionais, “que não desfrutaram muito a situação que produziram na Argentina ou na Bolívia”, segundo Solanes. No primeiro, a empresa Águas Argentinas, controlada pela francesa Suez, se envolveu em uma disputa com o governo, em 2002, e apresentou queixa perante um tribunal do Banco Mundial por não lhe permitir aumentar as tarifas do serviço de água potável. Embora essa companhia – acusada de duplicar, nos anos 90, suas tarifas sem melhorar nem ampliar a cobertura dos serviços de saneamento e água potável – já tenha retirado a queixa, mantém firme a decisão de abandonar a Argentina.

Na Bolívia, a Suez também enfrentou problemas em 2005. O governo boliviano rescindiu o contrato de prestação de serviços depois que a multinacional enfrentou protestos da população pobre, que reclamava das altas tarifas e do mau serviço. A Suez também apresentou queixa contra a Bolívia no tribunal do Banco Mundial, denominado Centro Internacional de Acerto de Diferenças Relativas a Investimentos.

Por outro lado, no Uruguai, foi aprovada por plebiscito, em 2004, uma reforma constitucional que define a água como bem de domínio público e estabelece que os serviços de abastecimento para o consumo humano devem ser prestados “exclusiva e diretamente por pessoas judiciais estatais”. Já no México, a presença do setor privado na área da água “está mais ou menos estática”, reconheceu Jesús Campos, subdiretor de Infra-Estrutura Hidráulica da estatal Comissão Nacional da Água.

Empresas privadas participam da distribuição do recurso em apenas três cidades do país e em uma dezena mais se envolveram no tratamento de esgoto, explicou o funcionário. Campos sugere não satanizar o setor privado. “Não devemos brigar com a idéia de nos associarmos com uma empresa privada quando for conveniente”, disse. Solanes, da Cepal, concorda: “Não existe nenhum problema em alguém (empresa privada) ganhar dinheiro, mesmo fornecendo um serviço público”. Entretanto, recomendou que os Estados ditem regulamentações adequadas para a participação privada e que o façam considerando o contexto econômico e social de seus países.

“Em si, a privatização é tão boa ou tão ruim quanto a economia na qual se insere, o cuidado com que é feita e a sociedade em que está”, acrescentou Solanes. O especialista recordou casos com do Chile, onde a privatização “teve mais ou menos êxito”. O Chile (onde empresas privadas operam em 100% do mercado de água potável) conseguiu uma cobertura de serviço de água potável e saneamento quase total. No setor operam com ampla liberdade tanto multinacionais quanto grupos econômicos locais.


* O autor é correspondente da IPS. Com colaborações de Stephen Leahy (Canadá) e María Cecília Espinosa (Chile).

Patrimônio genético gera divergência de posições no governo

Mauro Zanatta De Brasília

Segundo Capobianco, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, há espaço para discussões

Depois de longa batalha política em torno da Lei de Biossegurança, uma nova briga entre ruralistas e ambientalistas ganha corpo no governo por causa das discussões sobre a nova lei que regulamentará o acesso ao patrimônio genético do país.

Os ruralistas acusam os ambientalistas de dificultar as pesquisas de desenvolvimento tecnológico para controlar a concessão de licenças da chamada bioprospecção na agricultura e alimentação. O objetivo da manobra seria restringir, por meios transversos, pesquisas com organismos geneticamente modificados. "Eles querem dar o troco porque foram derrotados na aprovação da Lei de Biossegurança", acusa o recém-eleito presidente da Comissão da Agricultura da Câmara, Abelardo Lupion (PFL-PR). "É um prato feito, uma tentativa de regular os transgênicos fora da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança)".

A briga de bastidores entre os ministérios ferve. Pressionado por ONGs e movimentos ambientalistas, o Ministério do Meio Ambiente corre para anunciar os termos do projeto de lei até o fim da reunião sobre a Convenção da Diversidade Biológica, que começa nesta segunda-feira, em Curitiba.

O Ministério da Agricultura não concorda com o projeto e ameaça abandonar as discussões no governo para derrubar o projeto no Congresso com a ajuda da bancada ruralista. "O projeto amarra o desenvolvimento tecnológico, impede pesquisas para produção de transgênicos genuinamente brasileiros e inibe investimentos do setor privado na bioprospecção de fármacos, cosméticos, nutracêuticos, alimentos e perfumaria", diz a especialista em recursos genéticos da Embrapa, a pesquisadora Maria José Sampaio. Para ela, a lei atual não funciona por excesso de burocracia.

O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirma que não está "inventando nada", que tudo está previsto numa lei atual e nega as divergências. "Não há troco nem prato feito nenhum (...). Nada está concluído e temos muito espaço para discutir", diz. "Mas a Agricultura não pode querer isenção de regulação de atividades com fins industriais e comerciais".

Segundo apurou o Valor, Capobianco teve uma discussão áspera com o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos Guedes Pinto, em reunião entre as partes na Casa Civil, na segunda-feira. "Eles queriam atropelar para impor as regras", diz Maria José.

O projeto de lei em análise na Casa Civil substituirá a Medida Provisória nº 2.186, de 23 de agosto de 2001. Hoje, o acesso ao patrimônio genético depende de uma autorização do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), comandado pelo Meio Ambiente. Um contrato entre as partes regula a remuneração pelo desenvolvimento de novos produtos a partir do material genético.

O secretário-executivo do CGEN e diretor do Departamento de Patrimônio Genético do Meio Ambiente, Eduardo Vélez Martin, defende as mudanças. "Vamos simplificar o processo para baixar custos", diz. Segundo Martin, é preciso saber quem está fazendo pesquisas para garantir a repartição dos benefícios. "Não queremos abrir uma guerra de competências". Em 2005, o CGEN concedeu autorização para a realização de apenas 12 pesquisas em todo o país. Algumas delas tramitavam no conselho desde 2002. "Demoramos um ano para mandar amostras de feijão ao exterior. E eles ainda querem impor uma taxa para licenciar as pesquisas", diz a pesquisadora.

Estudo põe vantagem econômica da soja alterada em xeque no país

SÃO PAULO - Levantamento da consultoria Agra FNP mostra que a adoção de sementes transgênicas de soja oferece margens de lucro muito próximas às obtidas com sementes convencionais no país. De acordo com o estudo, que avalia a rentabilidade na safra atual, o custo de produção com sementes geneticamente modificas varia de R$ 951 a R$ 1.200 por hectare, e de R$ 976 a R$ 1.225, com a adoção de sementes convencionais.

Conforme o levantamento, o plantio da soja Roundup Ready gera margem de lucro levemente superior à soja convencional no Rio Grande do Sul (2,34%), Paraná (3,25%) e São Paulo (5,98%). O ganho é praticamente nulo no Mato Grosso do Sul (0,03%) e Bahia (0,14%) e a rentabilidade é menor que a obtida com soja convencional no Mato Grosso (0,19%) e em Minas (9,08%).

Daniel Dias, pesquisador da Agra FNP, observou que os custos com pagamento de royalties sobre o uso da tecnologia Roundup Ready encarecem o custo de produção da soja em mais de 10%. "E a produtividade das lavouras é praticamente a mesma", afirmou Dias.

No caso do algodão, as margens de rentabilidades são maiores, mas o cálculo não inclui o pagamento de royalties pelo uso de sementes transgênicas. Conforme a estimativa da Agra FNP, as margens de lucro da semente modificada sobre a convencional chegam a 18,39% no Mato Grosso e 13,3% em Goiás. Dias observou que entre os países que aprovaram o uso de transgênicos, só no Brasil os royalties são pagos pelos agricultores. Nos demais países, a cobrança é rateada entre pelos multiplicadores e indústrias sementeiras.

No front externo, outro estudo desfavorável aos transgênicos também saiu ontem. Primeiro relatório produzido a partir de dados do Registro de Contaminação Transgênica - iniciativa conjunta das organizações Gene Watch UK e Greenpeace - identificou 88 casos de contaminação, 17 liberações ilegais e oito relatos de efeitos negativos de culturas transgênicas sobre a agricultura no mundo desde 1996. Naquele ano, começaram a ser produzidos em larga escala, nos EUA, os primeiros OGMs - organismos geneticamente modificados.

Conforme o relatório, na última década 39 países registraram algum dos três incidentes com transgênicos. Em 2005, houve casos em todos os países da União Européia.

Do Valor Econômico

VÍTIMA DE PULVERIZAÇÃO POR AGROTOXICOS NA CÚPULA DE BIODIVERSIDADE

Curitiba, Brasil, 13 a 21 de Março 2006

BAIRRO REVOLTADO CONTRA A SOJA TRANSGENICA NA ARGENTINA

Apresentação nas Cúpulas do Protocolo de Biosseguridade (MOP3) e da Convenção da Biodiversidade (COP8) do testemunho de Sofia Gatica, representante do grupo de Mães de Ituzaingo, um bairro cercado por soja transgênica na ciudade de Cordoba, Argentina. A pulverização indiscrimada dos campos de sojaRR trouxe desastrosos resultados à saúde desta comunidade.

O GRUPO de REFLEXION RURAL, junto as organizações GRAIN e Red por una América Latina Libre de Transgénico (RALLT) estão coordenando uma delegação de ¨Vítimas dos Agronegócios¨ para denunciar os impactos socio-ambientais do modelo agroexportador baseado nas monoculturas de transgênicos. Sofia Gatica apresentará seu testimunho junto a outras pessoas afetadas pela violência e contaminação por causa das monoculturas de transgênicos no Paraguai e México.

As atividades organizadas são:

Quarta-feira 15, 13.15-15.00h: Evento Paralelo dentro do MOP3

“Responsabilidade Corporativa das Culturas Transgênicos na América Latina, Testemunhos de Vitimas dos Agronegocios.”

Segunda 20, 9-13.30h: Painéis no Foro Alternativo

“Repassando a agenda da Monsanto e suas conseqüências na América Latina. Testemunhos de Paraguai, Argentina e Mexico”. Organizado pela Rede do Observatorio dos Agronegocios por uma Agricultura Humana.

A Sra. Gatica estará disponível para entrevistas desde o dia 13 até 21 de Março.

Contato: Email: contacto@grr.org.ar, javierarulli@yahoo.com Tel: (por confirmar)

Fotos, artigos, comunicados de imprensa estão acesiveis na página do Grupo de Reflexión Rural www.grr.org.ar


Argentina conta com 17 milhões de hectáres de OGM das quais 15 milhões são soja da variedade Roundup Ready, patenteada pela Monsanto. O Grupo de Reflexión Rural declara "Desde os anos 90, o processo de Globalização impos à Argentina um modelo de país exportador, produtor de forragens transgênicas. As consequencias são: imensos territorios vazios de suas populações rurais, centenas de povoados em estado de extinção, uma Agricultura sem agricultores e dependientes de pacotes tecnológicos com grande dependencia de insumos, sementes OGMs, herbicidas da Monsantoe e caríssimas maquinarias de semeadura direta". O éxito deste modelo econômico se traduz imediatamente como maior pobreza, indigência e fome para as populações e aumento exponencial da devastação florestal e perda de (agro)biodiversidade.

O bairro Ituzaingó vem sofrendo faz anos pelas pulverizações nos campos de sojaRR que o cercam por três lados. A saúde tanto dos adultos como das crianças tem sido gravemente afetados, os agrotóxicos se encontram inclusive nos tanques de agua potável. Exames realizados em 30 crianças detetaram concentrações significativas de agrotóxicos tais como endosulfan e heptacloro. No bairro com uma população de 5000 pessoas há mais de 400 doentes de cancer e inumeraveis casos de doenças sanguíneas como leucemia, lupus e anemias hemolíticas. Sofía Gatica denúncia que quando o pulverizador aplica plaguicida “o vento leva as substancias perigosas ao bairro, onde sofremos ardor na garganta, sequia na língua, lacrimejamento e reações alérgicas”.

Devido às pressões da população, a prefeitura fez um levantamento epidemiológico em 2005, sob a responsabilidade de Edgar Schinder, membro do CONICET, Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina. Schinder declarou em Fevereiro deste ano que os resultados demonstram que o bairro deve considerar-se inabitavel e ser evacuado. O governo de Córdoba rechazou este estudo e pretende que a solução passe através da construção de uma sala de pronto socorro em vez de restringir as monoculturas de soja transgênica.



A expansão da Soja GM está repitindo a situação do Bairro Ituzaingó em dezenas de pequenos povos rurais argentinos. A expansão das monoculturas industriais causa a desaparição dos tradicionais cinturões verdes hortícolas e pastagens que antes protegiam as zonas urbanas dos impactos da agricultura extensiva. A soja chega à primeira rua das cidades e as pulvrizações aéreas impactam impiedosamente as comunidades.

Governo já liberou o cultivo de soja e algodão transgênico

Somente um tipo de soja e de algodão, ambos geneticamente modificados, podem ser legalmente cultivados no Brasil. A decisão é da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que presta apoio técnico ao governo na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa à organismos geneticamente modificados.

O cultivo da soja RR foi liberado inicialmente em 1998, e depois em 2004, após diversas manifestações judiciais contra a medida. Já o algodão BT teve seu cultivo liberado em março do ano passado. A importação de milho também foi liberada, mas apenas para ração animal. O plantio cont inua proibido.

No caso da soja, a porcentagem de organismos geneticamente modificados é livre, mas o fabricante de produtos alimentícios deve informar que no produto há elementos transgênicos. O algodão tem um caráter especial de autorização da CTNBio, originado pela escassez de sementes do produto em 2004 e pela contaminação de algumas sementes.

A organização não-governamental Greenpeace é contra a liberação dos produtos transgênicos. "O Brasil é centro de origem de algodão e a contaminação por transgênicos dessas espécies que são nativas e cultivadas há milhares de anos causaria o que a gente chama de perda de biodiversidade", afirma a ativista Gabriela Couto, que coordena a campanha de engenharia genética da ONG.

O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco, afirma que o governo brasileiro ainda não tem uma posição definida sobre os transgênicos. "Em relação aos rótulos, o MMA defende que a inform ação seja completa, ou seja, que ao exportar, qualquer país, entre eles o Brasil, devem informar com detalhes aquilo que está exportando", afirma Capobianco.

Segundo ele, há também no governo opiniões de que a informação nos rótulos não precisa ser detalhada, apenas geral, como um "pode conter transgênico". "Mas achamos que isso não é suficiente", afirma o secretário. Atualmente, 11 solicitações de liberação de organismos geneticamente modificados estão sendo avaliados pela CTNBio.


Fonte: Agência Brasil 11/03/06

Environmentalism's Shadow History

By Matthew Klingle and Joseph E. Taylor III, Grist Magazine. Posted March 13, 2006.

[Editor's Note: This article is part of Grist Magazine's seven-week series on Poverty and the Environment.]

North Americans love their heroes, and environmentalists are no exception. The hall of fame includes some of the biggest hitters from our nation's past: John Muir, David McTaggart, Marjory Stoneman Douglas, Paul Watson, David Brower, Rachel Carson, and Edward Abbey, to name just a few. Every Earth Day, speakers invoke these legends, yet there are also the lesser lights of the green pantheon: Alice Hamilton, the scientist who studied industrial lead poisoning and founded the modern discipline of occupational health; Crystal Eastman, the settlement-house worker who brought attention to the dilapidated housing of Pittsburgh's working classes; and Lois Gibbs, the homemaker-turned-activist who decried the poisoning of a blue-collar suburb in upstate New York called Love Canal.

What united the latter, unsung group and others like them was a commitment to the dispossessed and the poor. In contrast, some of the most venerated conservationists and environmentalists demonstrated a decidedly misanthropic streak. Therein lies a startling and unsettling tension within the history of environmental activism.

The relationship between inequality and environmentalism is vexing. It inheres in some of North America's most troublesome conflicts: efficiency versus equity, individual liberty versus the common good, abundance versus scarcity. Environmentalists have passionately defended things endangered or in short supply, but have rarely considered the hard truths about who benefits from saving wilderness, eliminating pollution, or halting logging and fishing. When we put a human face on the environment, the choices seem less obvious. All too often, that historical face has been poor and dispossessed.

It is an old problem. In the mid-19th century, people began to confront nature's limits. Centuries of development had turned a seeming Eden into a wasteland of stumps and gullies. Immigration, natural reproduction, a market economy, and industrialization transformed a wilderness into commodities with astonishing rapidity. "Nor could it be imagined," the English colonial historian Edward Johnson wrote in 1653, "that this Wilderness should turn a mart for Merchants in so short a space."

By the time the continent came of age, the Jeffersonian ideal of the yeoman farmer, feet planted firmly in the soil of his own virtuous labor, was vanishing with the forests and fields that had sustained the myth. By 1864, George Perkins Marsh, a Vermonter who had seen the denuded farmlands of Italy, warned, "we are, even now, breaking up the floor and wainscoting and doors and window frames of our dwelling." Marsh urged immediate action if the New World was to avoid the ruin of the Old.

The ensuing story is familiar. By the close of the 19th century, concerned citizens had stood up to stop the slaughter of the bison, stay the logger's axe, and set aside scenic places with the help of that greatest of American inventions, the national park.

Yet who were the people behind the original conservation and preservation movements? They were the upper crust, or aspirants to high status, the new middle class. And why did they fight so hard to conserve and preserve? The answers lead us into a shadow history that few environmentalists know or want to admit.

This land is my land

Hunters and fishers, including some of the continent's most powerful individuals, were among the first conservationists to seek protections for what we now call environmental amenities. The Boone and Crockett Club, for example, founded in 1887 by Theodore Roosevelt, dedicated itself to protecting game animals and their habitat -- in part by taking aim at the rural poor. Roosevelt was a crack shot who championed the "fair chase" principle of hunting game with minimal equipment and an eye on the sporting experience.

His generosity toward prey did not extend to people whom he and other high-class hunters deemed unsporting: poor whites and blacks who shot egrets for plumes coveted by milliners and hat-loving women; italian immigrants who sought songbirds for food; native peoples who caught walleye and salmon with spears and nets.

William Temple Hornaday, director of the New York Zoological Park, called these marginal people the "regular army of destruction," and hunters and fishers like him had the money and political connections to persuade state and provincial legislatures to do their bidding. In its original guise, conservation amounted to regulating hunting and fishing in ways that restricted poor people's access to nature. States mandated the purchase of licenses, prohibited equipment favored by people who depended on wildlife for subsistence, and restricted the spaces and times of harvest. Some measures did protect imperiled fauna, but their intention and effect was also to reserve the best of nature for the best of people.

Setting aside wildlife for the worthy to consume was only one tactic that discriminated against marginalized groups. Preserving scenic places was another. The new national parks had a simple premise at their core: wilderness was a place apart from humans. Writing in 1894, John Muir described the Indians of the Yosemite as "mostly ugly, and some of them altogether hideous." Their very presence disturbed his quest for "solemn calm" in the wilderness. They "seemed to have no right place in the landscape." This view was widely shared among preservationists, who turned out Natives from the very places that gave them identity. Beginning with Yellowstone in 1872, officials forcefully expelled Indians, in violation of treaty obligations, to uphold the wilderness ideal.

The fixation on wilderness and wildlife also had a perverse impact on the urban poor, who -- as with their rural counterparts -- became victims of conservationists' intentions. Frederick Law Olmsted, the mastermind of the modern urban park, believed that beautiful landscapes could yield responsible citizens. Olmsted viewed cities as engines of inequality. Like other reformers, he looked askance at the masses crowded into tenements and worried about the effects that living in such squalor would have upon American urban life. He designed his most famous creation, New York's Central Park, to ameliorate the animosities of class and nationality through the healing properties of grassy lawns, shady trees, and open spaces.

Unfortunately, Olmsted's ideas worked too well. His parks became real-estate magnets, driving up land values and compelling local residents to push for restrictions against uncouth workers and strangely clothed foreigners. Urban parks were inexorably cut off from the people Olmsted most wanted to reach through "Keep Off the Grass" signs and vagrancy laws. Some of these edicts are still enforced to keep out the homeless today.

The intersecting boundaries of race and class did more than exclude the poor and minorities from amenities. They also inspired the modern zoning laws and technological systems that made cities more habitable by driving noxious industries such as tanneries, slaughterhouses, and foundries to the physical and social margins. Modern sewage systems saved countless lives by vanquishing the sources of waterborne diseases such as cholera and typhoid, yet waste, like smelly and noisy businesses, had to go somewhere. All too often that meant poor and minority neighborhoods. Back of the Yards in Chicago, Brightside in Hamilton, Ont., the Duwamish Waterway in Seattle, and Newtown Creek in Brooklyn became sites where industry and poverty merged to create unholy toxic messes.

Well before the mid-20th century, the color line was also the green line separating those who enjoyed clean water, beautiful parks, and fresh air from those who did not. Poor lands had become the natural home for poor people. What environmentalists have not yet recognized is that the root biases of conservationist and preservationist politics remain central to the modern movement.

We do need another hero

As a distinct cultural and political phenomenon, environmentalism did not emerge until the Cold War, when North Americans living in the shadow of atomic warfare and facing rising levels of traffic and pollution began to fear the loss of the continent's remaining open spaces. By the first Earth Day in April 1970, mainstream environmentalism had arrived in full-throated form, persuading even President Richard Nixon, eager to snatch suburban voters from the Democrats, to support the Endangered Species Act and the Environmental Protection Agency. It helped that the mainstream media had pushed the environment onto the stage through made-for-television crises such as Cleveland's burning Cuyahoga River and flocks of oil-smeared birds along Santa Barbara beaches.

Once again, mostly white, middle-class people aligned with the movement. Only rarely did issues transcend racial and class lines. Cesar Chavez's famous produce boycotts, launched to protect Chicano farmworkers from pesticide exposure and unsanitary conditions, was the exception that proved the rule. More typical was environmentalists' flat-footed response to the furor over Paul Ehrlich's

Thus environmentalism's own troubled history contributed to the fractured political landscape we see today. In cities and among communities of color during the 1970s and 1980s, another movement emerged. While the Sierra Club focused on wilderness and endangered species, environmental-justice activists concentrated on largely urban and industrial problems such as pollution, heavy metals, toxics, unsafe food and water, illegal waste disposal, and dangerous working conditions. Meanwhile, rural residents in the western United States built a funhouse-mirror version of environmental justice. Fed up with environmentalists and government agencies, the Wise Use movement turned green rhetoric inside out, claiming that local farmers, ranchers, loggers, fishers, and miners knew best how to care for the land because they had worked it longest. When environmentalists dismissed Wise Users as dupes of corporate interests, they once again bared their ignorance of the countryside's pent-up resentment toward meddlesome urbanites and weekend warriors.

Since the 1990s, many mainstream environmental groups have begun to reach out. The Sierra Club and the National Wildlife Federation now have staffers and programs dedicated to environmental justice. Grassroots efforts such as the Quivira Coalition in New Mexico are mending fences between ranchers and environmentalists. Yes, there have been missteps; witness the anti-immigration proposal put forward by a vocal minority in the Sierra Club, or the repeated attempts to find common cause with unionized autoworkers over fuel-efficiency standards. But the hasty alliance between unionists, civil-rights activists, and greens before the 1999 World Trade Organization meeting in Seattle suggests that something more than occasional collaboration might be possible. And it is more necessary than ever: the winds and waves that ravaged New Orleans and the Gulf Coast last August washed away any sense that race, class, and the environment do not intersect in 21st century North America.

Many scholars have tried to draw attention to the narrowness of traditional environmentalism, with mixed results. Environmental history is a fast-growing field, and most college classes on the subject are popular. Yet when historians such as William Cronon question the slavish devotion to an unattainable wilderness ideal, as he did in his 1995 essay "The Trouble with Wilderness," most environmentalists still reflexively dismiss them as naive or dangerous. Such misguided retorts squander opportunities for honest and perhaps transformative debates at the very time we need them most.

The environmental movement has achieved great things. Without John Muir or David Brower, there would be fewer national parks and wilderness areas. Had Rachel Carson not written Silent Spring, we very well could have forgotten the warble of songbirds in the morning. David Suzuki's tireless work has inspired millions to consider the fate of the earth their own. These and other activists deserve the hero label -- but we also need to expand our notion of what constitutes nature and who speaks on its behalf. Unless environmentalists take a full reckoning of their past to find other voices to remember and celebrate, the movement may grow ever more narrow and irrelevant. Maybe, just maybe, it's time to find some new heroes.

Matthew Klingle is an assistant professor of history and environmental studies at Bowdoin College in Brunswick, Maine, and Joseph E. Taylor III is a Canada Research Chair in environmental history at Simon Fraser University in Burnaby, B.C.

Exploração privada na Amazônia gera dúvidas

Por Mario Osava para ENVOLVERDE.

Treze milhões de hectares de floresta tropical brasileira serão entregues em concessão a empresas privadas, segundo uma nova lei. Analistas temem que se acelere a destruição das florestas.

RIO DE JANEIRO.- A decisão do Brasil, de conceder a empresas privadas locais autorização para explorar 13 milhões de hectares na Amazônia na próxima década, continua causando polêmica. Alguns especialistas consideram que em lugar de frear o desmatamento, ela poderá agravá-lo. Após prolongados e acesos debates, a Lei de Gestão de Florestas Públicas foi sancionada, no dia 3 de março, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa permite outorgar concessões a empresários sobre 3% do território amazônico, em uma tentativa de deter a exploração ilegal e a constante destrição da floresta.

Leia a matéria completa clicando no título.

Falta água potável para 1,1 bilhão no mundo

O mundo possui muitas fontes de água potável, apesar de estar má distribuída. Entretanto, segundo o Relatório das Nações Unidas Sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, gestões equivocadas, recursos limitados e mudanças climáticas têm trazido sérios problemas: um quinto da população do planeta não possui acesso à água potável e 40% não dispõe de condições sanitárias básicas.

O estudo trienal é a mais abrangente e completa avaliação sobre as fontes de água para consumo humano no mundo. Ele foi apresentado à imprensa nesta quinta-feira(09), na Cidade do México, véspera do 4ª Fórum Mundial da Água (a ser realizado também na Cidade do México, nos dias 16 a 22 de março). Intitulada “Água: uma Responsabilidade Compartilhada”, esse recente edição concentra-se na importância da governança na gestão dos recursos hídricos e no combate à pobreza.

Segundo o relatório, um sistema de governança “determina qual, quando e como é distribuída a água e decide quem tem direito ao recurso e outros serviços adjacentes”. Tais sistemas não estão limitados ao “governo”, incluem também autoridades locais, setor privado e sociedade civil. Da mesma forma, eles tratam de uma série de questões intimamente ligadas à água, de saúde e segurança alimentar ao desenvolvimento econômico, uso da terra e preservação dos ecossistemas naturais, dos quais nossas fontes de água dependem.

O Relatório destaca que:

— Apesar de haver progressos significantes e estáveis, e que “em escala global há abundância de água potável”, as estimativas do Programa de Monitoramento Conjunto da OMS/UNICEF indicam que 1,1 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a fornecimentos adequados de água potável. O Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, para 2015, de diminuir pela metade a proporção de pessoas sem saneamento básico, não será alcançando globalmente se as atuais tendências persistirem. De acordo com o estudo, “a má gestão, a corrupção, a falta de instituições apropriadas, a inércia burocrática e a carência de novos investimentos na construção de capacidades humanas assim como em infra-estruturas físicas” são amplamente responsáveis por esta situação.

— A má condição da água é fator chave para problemas de subsistência e saúde globais. Doenças relacionadas à diarréia e a malária mataram cerca de 3,1 milhões de pessoas em 2002. Noventa por cento dessas mortes foram de crianças com menos de cinco anos de idade. Aproximadamente 1,6 milhão de vidas poderiam ser salvas anualmente com o fornecimento de água potável, saneamento básico e higiene.

— A qualidade dos recursos hídricos está piorando em muitas regiões. Evidências indicam que a diversidade de espécies e de ecossistemas ligados à água potável está se deteriorando mais rapidamente que os ecossistemas terrestres e marítimos. O relatório aponta que o ciclo hidrológico, do qual a vida depende, necessita de um ambiente saudável para funcionar apropriadamente.

— Noventa por cento dos desastres naturais são relacionados à água e eles estão aumentando. Muitos são resultados do uso inapropriado da terra. A trágica e crescente seca do Leste Africano, onde houve um grande desmatamento das florestas para a produção de carvão e madeira para combustível, é um triste exemplo. O relatório também cita o caso do Lago de Chad na África, que já diminuiu 90% desde a década de 1960 principalmente devido à exploração excessiva do solo, ao desmatamento e a grandes projetos insustentáveis de irrigação. Duas em cada cinco pessoas vivem em áreas suscetíveis às enchentes e ao aumento dos níveis do mar. As nações em maior perigo são Bangladesh, China, Estados Unidos, Filipinas, Holanda, Índia, Paquistão e as pequenas nações insulares. O estudo ressalta que as mudança climáticas irão ampliar esta situação.

— O mundo necessitará de 55% mais comida em 2030. Isso deve ser traduzido em uma demanda crescente de irrigação, que já utiliza cerca de 70% de toda a água para consumo humano. A produção de alimento teve um grande crescimento nos últimos 50 anos, entretanto 13% da população mundial (850 milhões de pessoas, a maioria da área rural) ainda não dispõem de alimentos suficientes.

— Metade da humanidade se concentrará em cidades e municípios em 2007. Em 2030, esse número crescerá para perto de dois terços, produzindo um drástico aumento da demanda por água nas áreas urbanas. Cerca de 2 bilhões dessas pessoas viverão em assentamentos irregulares e em favelas, configurando-se, assim, na parte da população urbana que, geralmente, sofre com a falta de água potável e saneamento.

— Mais de 2 bilhões de pessoas dos países em desenvolvimento não têm acesso a formas de energia confiável. A água é a principal fonte de geração de energia que, em contrapartida, é vital para o desenvolvimento econômico. A Europa utiliza cerca de 75% de seu potencial hidro-energético. A África, onde 60% da população não possui acesso à eletricidade, desenvolveu apenas 7% deste potencial.

— Em muitos lugares do mundo, um enorme percentual de 30% a 40% dos recursos hídricos são desviados por escapes de água por canos ou via canais e por conexões ilegais.

— Apesar de não haver informações precisas, estima-se que a corrupção política custa ao setor hídrico milhões de dólares a cada ano e enfraquece os serviços relativos à água, sobretudo aqueles oferecidos às camadas pobres. O relatório cita uma pesquisa realizada na Índia, na qual 41% dos consumidores que responderam disseram ter realizado pequenas irregularidades, nos últimos seis meses, para falsificar a leitura de consumo de água; 30% pagaram irregularmente para acelerar trabalhos de reparação e outros 12% pagaram irregularmente para acelerar novas conexões de água e saneamento.

Reconhecendo o papel vital da água potável no desenvolvimento e na segurança humana, o Plano de Implementação de Johannesburg, adotado pelos Estados Membros da UNESCO, e a Cúpula Mundial Sobre Desenvolvimento Sustentável (Johannesburg, 2002), convidou os países a desenvolverem gestões integradas dos recursos hídricos e planos eficientes para 2005. O relatório indicou que apenas 12% dos países os fizeram, apesar de muitos terem iniciado o processo.

As fontes de financiamentos para água também não mostram avanços. De acordo com o estudo, o total da Assistência de Desenvolvimento Oficial para o setor da água nos últimos anos foi, em média, US$ 3 bilhões por ano, com um adicional de US$ 1,5 bilhão em empréstimos não-concessionais efetuados, principalmente, pelo Banco Mundial. Entretanto, apenas uma pequena proporção (12%) desses fundos chega aos mais necessitados. E apenas 10% é direcionado para o desenvolvimento de políticas de água, planejamento e programas.

Somado a isso, os investimentos do setor privado em serviços de água estão diminuindo. Durante a década de 1990, este setor investiu cerca de US$ 25 bilhões em suprimento de água e saneamento nos países em desenvolvimento, principalmente na América Latina e Ásia. Contudo, muitas companhias multinacionais de água começaram a recuar ou diminuir seus investimentos no mundo em desenvolvimento devido aos altos riscos políticos e financeiros.

Apesar das constantes falhas de performances no sentido de unir as expectativas dos governos de países em desenvolvimento e a de países doadores, o relatório ressalta que “seria um erro” cancelar os investimentos do setor privado. Governos financeiramente sensíveis e com regulamentações fracas, ressalta o relatório, “são alternativas precárias para responder às questões da má gestão dos recursos hídricos e suprimentos inadequados de água”.

Durante o século XX, a utilização da água cresceu seis vezes, duas vezes mais do que a taxa de crescimento populacional. Nossa habilidade para lidar com o contínuo crescimento da demanda global, ressalta o relatório, dependerá da boa governança e gestão dos recursos disponíveis.

“Uma boa governança é essencial para a gestão dos suprimentos de água potável e indispensável no combate à pobreza”, disse o Diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura. “Não há um modelo de boa governança, que é complexa e dinâmica. Mas nós sabemos que isso deve incluir instituições adequadas – nacional, regional e localmente fortes, com uma estrutura legal efetiva e recursos humanos e financeiros suficientes”, disse.

Isso também requer “liberdades essenciais, como liberdade de expressão e o direito de organização”, diz o relatório. Segundo o estudo, “se os cidadãos não podem ter acesso às informações básicas sobre a qualidade e a quantidade da água, limita-se seriamente a chance deles intervirem em projetos de água ambientalmente prejudiciais ou chamar à responsabilidade as agências governamentais relevantes”.

O Relatório das Nações Unidas Sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo é um esforço conjunto de 24 agências do sistema ONU e entidades envolvidas na gestão da água*. Ele foi produzido sob os cuidados do Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos das Nações Unidas (WWAP), o qual a secretaria é sediada na UNESCO, e que considera a água prioridade. Seus 15 capítulos, preparados por várias agências participantes, apresentam uma análise detalhada da situação em todas as regiões do mundo baseadas no mais recentes dados, mapas e gráficos disponíveis. São 17 estudos de caso e numerosos exemplos de boas e más práticas de governança dos recursos hídricos.

O “Água, uma Responsabilidade Compartilhada” será formalmente apresentado pelo Diretor-Geral da UNESCO, em nome das Nações Unidas, durante o 4ª Fórum Mundial da Água, em 22 de março, na Cidade do México.
(Envolverde/ONU- Brasil)

Rondônia pode virar um deserto até 2016

Em Rondônia, a desertificação pode ser constatada em diversos locais, mas a situação está pior em Pimenta Bueno, a 560 quilômetros de Porto Velho. A areia é visível em trechos onde antes havia floresta. No solo seco, agora só crescem arbustos e mato. Durante as chuvas, parte do areal nas imediações da cidade fica alagado e pode ser usado para cultivar arroz - desde que o solo seja tratado.

Alguns quilômetros ao sul, ainda em Pimenta Bueno, a situação se complica mais. Com o desmatamento, em lugares onde antes havia árvores com mais de 40 metros há agora areia e erosão. O técnico em meio ambiente Felinto Ribeiro explica que a única alternativa para combater a desertificação é parar já todas as derrubadas.


"Depois de suprimida, a vegetação nativa não volta a crescer, devido à qualidade do solo e à falta de água. Durante o inverno ainda há pasto no lugar, mas no verão tudo seca", diz.


No distrito de Urucumacuã, um areal tomou conta de diversos pontos onde a floresta foi devastada. A administradora do distrito, Terezinha da Rocha, diz que utilizando adubo e calcário para corrigir a acidez do solo é possível plantar abacaxi.


O filho da administradora, Alisson da Rocha, de 12 anos, mostrou que mandioca e abobrinha também nascem na areia. Mas a principal atividade no distrito não é a agricultura, e sim a extração de madeira, principalmente a itaúba. Outro local onde já aparece areia é em Vilhena, a cerca de 700 quilômetros de Porto Velho. Na saída da cidade, uma vegetação rala se formou em cima de um areal.


Se o desmatamento não for reduzido, alertam especialistas, em menos de dez anos essas áreas poderão constituir um verdadeiro deserto.


O alerta para a possibilidade de desertificação na Amazônia havia sido dado na década de 90, com a implantação do Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia (Planafloro). Técnicos do programa constataram que em Rondônia há diversos pontos onde o solo é paupérrimo. Sem cobertura vegetal, em algumas áreas não crescerão árvores novamente. Análises de solo confirmaram que podem aparecer desertos também em Cujubim, a cerca de 200 quilômetros a oeste de Porto Velho, e em Nova Mamoré, a aproximadamente 280 quilômetros a noroeste da capital. A ação de madeireiras tem sido intensa nesses locais.


Nesses pontos, há uma fina camada de terra em cima de areia. A floresta se alimenta de si mesma, principalmente das folhas que caem.


TIRO NO PÉ - O superintendente do Ibama em Rondônia, Oswaldo Pitaluga, afirma que madeireiros promovem derrubadas ilegais em locais onde não deveria ser retirada nenhuma árvore, por causa do solo pobre. Outro problema causado pelo desmatamento é o assoreamento. Isso acontece porque na Amazônia há muitos lugares onde há mais água na superfície do solo do que embaixo. Quando a cobertura vegetal é retirada, a água evapora. Nos locais onde o solo é arenoso, aparecem os desertos.


"Em áreas como União Bandeirantes, distrito de Porto Velho, não serão permitidas derrubadas porque estudos do Planafloro apontam para uma área muito frágil. Apesar disso, muita madeira foi retirada daquele local", lamenta Pitaluga.

Fonte: Agencia Estado - Nilton Salina, enviado especial

Sementes transgênicas: a questão é simples fornicar ou não fornicar?

A produção de sementes com genes introduzidos entre espécies distintas parece ser o grande ringue da 8a Conferência de Partes sobre a Biodiversidade (COP 8) e a 3a Reunião de Partes sobre o Protocolo de Cartagena (MOP 3) que acontece nas próximas semanas em Curitiba.

Claro que assuntos com a mesma relevância como a 'Repartição de Benefícios' e a utilização sustentável de recursos da biodiversidade serão defendidos, assim como a questão das sementes transgênicas, mas lembre-se sempre que: onde há debate entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, e principalmente entre pobres e ricos, a arena esquenta e a fera da economia ataca.

Biodiversidade e organismos geneticamente modificados não são a mesma coisa. A primeira é a vida já existente, é a vida como ela é, as espécies cruzando entres seus pares, se auto dividindo como bactérias, atravessando o hemisfério nas asas de andorinhas, soltando seus esporos pelo vento.

A biodiversidade é assim, não tem passaporte, se der para viajar ela viaja, e se ela gostar, ela fica.

Já as criaturas paridas num laboratório genético tem um criador humano. Se ninguém desconfiasse que um ser transgênico fosse no mínimo um esquisito, teríamos centenas de cientistas se arrumando para a foto como papais e mamães da recém chegada criatura. E claro, se seus inventos não tivessem um dono maior, o dinheiro que banca o laboratório.

O dinheiro não permite que papais e mamães saiam por aí contando seus segredos. E para proteger de forma global esse segredo, o dinheiro mandou o senso comum colocar clausulas de propriedade intelectual, chamadas patentes, em documentos que regem as leis de comércio entre países. Assim, se sair da dieta de engorda, o dinheiro se esconde e deixa muita gente a ver navios.

Glutão do jeito que é, o dinheiro está tentando dar na COP, uma das suas novas cantadas (talvez a última), afinal ele não cansa de comer a biodiversidade do planeta. Sabendo que suas fontes de energia podem estar se esgotando, o dinheiro está desesperadamente atrás do restante, ele agora quer comer tudo que é vivo.

E para tudo que é vivo não sair por aí sem pagar nada, o dinheiro quer porque quer regular a fornicação. Se o pé de milho não fornicar com outro pé de milho, e só fornicar quando ele engordar, aí pode. Se o pé de soja só resolver ter bebê, se ele engordar, então pode. Feliz mesmo, o dinheiro vai ficar quando tudo que for pé, braço, perna, pena, olho e membrana só fornicar, se ele engordar.

Então por enquanto, ele finge que não vê. Deixa uns ou outros fornicando suas sementes sem sua permissão, dá bronca em outras, mas no geral só berra quando não aumenta. Esperto que é, ele sabe que a biodiversidade só durou até os dias de hoje por causa disso. Foi fornicando, fornicando e fornicando... até que acaba todo mundo com um pedaço de ADN de todo mundo. E ele sabe que o dia que ele regular, a sacanagem acaba e aí essa briga de pobre e rico cessa. Todo mundo só vai fornicar, se ele deixar.

O dinheiro sabe esperar, mas não sabe fechar a boca. Se metendo na fornicação alheia, quem sabe assim ele se sacia e explode? Assim ele deixa o que sobrar, voltar a fornicar, tranqüilo, tranqüilo, igual papai e mamãe fazia no tempo que éramos amebas.

C.Tag

março 10, 2006

Pior seca em 30 anos afeta 2 milhões em MG

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais dividiu as suas ações para atender populações em situações opostas. Enquanto no norte e nordeste o problema é a seca que afeta 2 milhões de pessoas, a pior dos últimos 30 anos, na região central a atenção é com as chuvas.

Os temporais nos últimos dias atingem principalmente a região metropolitana de Belo Horizonte nos períodos da tarde e da noite. Nos últimos seis dias, duas pessoas morreram e duas estão desaparecidas na região em decorrência das cheias de córregos.

O drama maior, no entanto, é o das populações das cidades do norte e do Vale do Jequitinhonha, as duas regiões mais pobres de Minas Gerais. A seca já levou 47 municípios a decretarem situação de emergência, mas o número de municípios atingidos é maior.

A situação abrange quase todos os municípios da área mineira da extinta Sudene: 165, onde vivem aproximadamente 2 milhões de pessoas, segundo o coronel James Ferreira Santos, chefe do Gabinete Militar do governador Aécio Neves (PSDB) e coordenador estadual da defesa civil.

"A determinação do governador é que aquela área seja prioridade do Estado a partir de agora. Todos os esforços serão feitos para minimizar os efeitos da seca, que normalmente tem início entre maio e junho", disse.

Levantamento da Emater (empresa vinculada à Secretaria da Agricultura) em apenas 86 cidades do norte, a perda da safra 2005/06 beira os 100%. São 93 mil pequenos produtores que ficarão agora sem renda.

Eles perderam 184,9 mil toneladas de milho, feijão, arroz, algodão soja e sorgo. E 90% das pastagens também estão perdidas. Os agricultores estão tendo que vender o gado que possuem para evitar mais prejuízos.

Dados do 5º Distrito de Meteorologia, vinculado ao Ministério da Agricultura, mostram que entre outubro e novembro choveu aproximadamente 30% do volume esperado nesses cinco meses (entre 700 mm e 800 mm).

A Defesa Civil está levando água para consumo humano, mas a distribuição ainda é limitada. Por isso, segunda-feira (6), em Montes Claros, ocorreu uma reunião com prefeitos e representes de órgãos estaduais e federais para discutir o que fazer e agilizar as liberações de recursos e ajuda material.

Estado e municípios querem que a União amplie os recursos para o programa Saúde da Família e que os agricultores familiares sejam incluídos no Bolsa Família. (Paulo Peixoto/ Folha Online)

março 09, 2006

Às vezes na pindaíba somos mais ecológicos

Em matéria divulgada no valor econômico de ontem, o óleo diesel tem sido misturado ao óleo de soja por agricultores em todo o Brasil. Do jeito que a grana tá curta, antes comer uma batata frita, vamos pensar duas vezes.

Abaixo comentário do engenheiro mecânico Thomas Fendel que com suas habilidades transforma motores à diesel em motores à 100% óleo vegetal. Não é nada muito complicado, afinal o primeiro motor diesel funcionava com óleo de amendoim...


"Esse texto confirma a pesquisas alemãs, de que se pode adicionar 50% de óleo vegetal refinado, bem misturados a 50% de Diesel a qualquer motor Diesel no verão, e 30% de óleo vegetal no inverno.Só faltou informar a existência de tecnologia mundial para se utilizar 100% de óleos vegetais nos motores Diesel, e que para isso, basta instalar um kit, dos quais tem mais de 50 fabricantes no mundo, sendo um deles www.fendel.com.br , e que na década de 80 e empresa alemã ELSBETT junto ao grupo brasileiro Caravelo, iriam produzir aqui no Brasil, o fantástico, revolucionário e eficiente motor ELKO alemão, que conseguia a proeza de, num carro do tipo Santana, fazer 40 km com apenas 1 litro de óleo de fritura.

Bioabraços
Fendel"
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Óleo de soja se transforma em combustível
9/3/2006

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Óleo de soja ganha espaço nos tanques

Marli Lima

Em meados de fevereiro, o agricultor Geraldo Campagnolli, de 69 anos, foi a um supermercado de Maringá, no noroeste do Paraná, e comprou 80 frascos de óleo de soja. Ele não planejava mudar de profissão e abrir um restaurante, nem fazer estoque do produto.

Queria, como outros colegas, experimentar um combustível mais barato. O primeiro teste foi em sua caminhonete ano 1990. Alguns dias depois, foram usados como "cobaias" quatro tratores, que no plantio de milho na propriedade que possui em Floresta (PR) foram abastecidos com 50% de óleo diesel e 50% de óleo de soja. Aprovada a mistura, ele se prepara para usá-la em duas colheitadeiras.

Campagnolli é um dos muitos produtores rurais do país que, para baixar custo em um período de vacas magras, estão ampliando os testes com esse combustível não só no Paraná, mas também em Goiás, Mato Grosso e Minas, entre outros Estados. Particularmente no Centro-Oeste, onde as longas distâncias resultam em custos elevados, a aposta ganhou relevância desde 1994, quando a maré no mercado de soja começou a mudar.

A estratégia não esperou adaptações de motores ou a descoberta da melhor fórmula para substituir o diesel por óleo de soja. Misturado em diferentes proporções ao derivado de petróleo ou usado puro, o produto deixou a cozinha e tem sido colocado no tanque dos veículos. "Comecei a usar há seis meses, meio a meio. Hoje uso 20% de óleo de soja e faço uma boa economia", contou o também paranaense Vicente Gesualdo.

Estudos e experiências da substituição tinham sido feitos em geradores de energia e outros motores, mas o movimento em direção às lavouras é mais recente. A Cocamar, cooperativa de Maringá, percebeu a demanda no fim de 2005, quando cooperados passaram a comprar latas com 18 litros de óleo de soja, embalagem normalmente vendida para restaurantes.

A pedido dos produtores, em janeiro passado ela iniciou a venda do produto a granel, em tambores de 200 litros. Até agora, vendeu cerca de 40 toneladas do produto para uso em máquinas agrícolas.

A granel, o litro do óleo de soja é vendido pela cooperativa por R$ 1,33, enquanto nos postos da região o litro do diesel sai por R$ 1,90.

"Não temos a expectativa de ter demanda alta nesse segmento", ressalvou o superintendente da Cocamar, Celso Carlos dos Santos Júnior, que considera absurda essa diferença de valores, criada a partir do aumento de preço dos derivados de petróleo e da queda da soja.

O executivo informou que uma caixa com 20 frascos de óleo costuma custar o mesmo preço de um saco do grão, que em 2004 chegou a ser negociado por R$ 54 e, hoje, vale aproximadamente R$ 24.

Santos Júnior estima em 50 o número de cooperados que estão abastecendo suas máquinas com óleo de soja da Cocamar. Mas novos usuários chegam a cada dia na região. "Falei para um amigo que estava usando e ele passou a usar", disse Campagnolli, que chegou a experimentar óleo de soja puro em sua caminhonete e citou duas razões para incentivar o uso do produto. "Além de diminuir o custo de quem vive da lavoura, o aumento no consumo pode melhorar o preço da soja".

Na área de atuação da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), de Rio Verde, houve uma febre de uso de óleo vegetal como combustível no fim de 2005. Mas, segundo o superintendente José Walter Vilela de Lima, ela esfriou um pouco. "Soubemos que algumas pessoas tiveram problema porque o motor não consegue queimar a glicerina do óleo de soja, que fica acumulada no motor". A granel, a cooperativa vendeu cerca de 20 toneladas.

"Recebo consultas sobre o assunto do Brasil inteiro", disse o pesquisador Bill Jorge Costa, gerente da Divisão de Biocombustíveis do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), ligado ao governo do Estado. Em resposta, ele avisa que o motor funciona com óleo vegetal, mas não foi concebido para o uso desse produto, e sim para o diesel. Por isso não são descartados problemas posteriores.

"Essa prática se acentuou nos últimos meses e algumas pessoas argumentam que, mesmo que o motor estrague, compensa o uso, mas temos sugerido cautela", contou Costa, que no mês passado escreveu o artigo "Cuidado: óleo vegetal puro não é biodiesel", para colocar no site do instituto.

(www.ecodebate.com.br) Fonte - Valor Econômico - 08/03/2006

Most Offspring Died When Mother Rats Ate Genetically Engineered Soy

By Jeffrey M. Smith, author of Seeds of Deception


The Russian scientist planned a simple experiment to see if eating genetically modified (GM) soy might influence offspring. What she got, however, was an astounding result that may threaten a multi-billion dollar industry.

Irina Ermakova, a leading scientist at the Institute of Higher Nervous Activity and Neurophysiology of the Russian Academy of Sciences (RAS), added GM soy flour (5-7 grams) to the diet of female rats. Other females were fed non-GM soy or no soy at all. The experimental diet began two weeks before the rats conceived and continued through pregnancy and nursing.

Para leitura completa clique no título.

março 08, 2006

Balanço mundial de 2005

Balanço mundial de 2005 (I) Meio Ambiente
Por Arthur Soffiati publicado na Folha da Manhã, Campos dos Goytacazes em Fevereiro de 2006

Num pequeno artigo publicado na Folha de São Paulo, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos conseguiu fazer um balanço sucinto de 2005, enfocando mais as questões estruturais que conjunturais. Como não tenho seu poder de síntese, pretendo fazer um balanço em três artigos. O primeiro examinando o estado planetário do meio ambiente; o segundo tratando de economia e sociedade; o terceiro dedicado às relações internacionais. Qualquer pessoa pode fazer balanços, a começar de sua vida pessoal e chegando ao plano global. Fiando-me nisto é que me atrevo a fazer os comentários seguintes.

Aquecimento global.

Este assunto deixou de ser polêmico, a não ser no pensamento provinciano, pois os grandes cientistas chegaram à quase unanimidade de que as temperaturas do planeta estão subindo perigosamente. Claro que, na história da Terra, já houve momentos mais quentes e mais frios do que o momento atual, de elevadas temperaturas. A diferença é que, no passado, as oscilações climáticas deviam-se a processos naturais. O atual está sendo causado por atividades humanas coletivas, principalmente pelos Estados Unidos e pela China, os dois grandes viciados no consumo de combustíveis fósseis. As Conferências de Estocolmo (1972) e do Rio de Janeiro (1992) alimentaram a ilusão de desacelerar o processo de consumo de petróleo, carvão mineral e gás natural. A velocidade de extração e queima só aumentou.

2005 foi o ano mais quente da fase industrial da história humana e 2006 promete ser mais quente ainda. O aumento de temperatura provoca o derretimento de geleiras marinhas e continentais, elevando o nível dos mares e ameaçando as cidades costeiras e as ilhas. O aumento da produção e da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera, sobretudo de CO2, acidificam os oceanos e inibem sua capacidade de produzir oxigênio. As mudanças climáticas são imprevisíveis, podendo aquecer ou esfriar pontos do planeta, aumentando o trabalho dos microorganismos responsáveis pela liberação de mais gás carbônico, produzindo fenômenos desastrosos como os furacões, alterando as correntes oceânicas e provocando a migração de espécies animais.

O Tratado de Kioto já nasce morto, pois não dá conta de enfrentar o problema climático. James Lovelock, o grande cientista inglês, criador da Teoria de Gaia, acredita que os níveis de aquecimento planetário chegaram a um ponto irreversível.

Desmatamento.

As florestas tropicais, que prestam bem mais serviços ambientais planetários que as florestas temperadas, estão sendo devastadas em velocidades espantosas. As comemorações do governo brasileiro, em 2005, pela diminuição do desmatamento da Amazônia, e as palavras cândidas de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, não são convincentes. A verdade é que a devastação da Amazônia alcançou um ponto preocupante. Sendo ainda a maior floresta tropical do mundo (mesmo porque as do Congo, da Malásia e da Indonésia já foram dizimadas), ela está intimamente ligada à questão climática. Quanto menos floresta, mais emissão ou menos retenção de CO2 e menos produção de oxigênio, ainda que a grande floresta não supere os oceanos em ambos os serviços.

Empobrecimento da biodiversidade.

A destruição dos ecossistemas e dos biomas está ameaçando cada vez mais a existência de espécies dos cinco reinos. Não vamos ficar apenas no direito que cada espécie tem à vida, mas no papel ecológico que elas cumprem. A vida e as atividades humanas tornam-se impossíveis sem a operosidade das bactérias, dos protozoários, dos fungos, dos vegetais e dos animais. Quanto maior a diversidade, melhor a qualidade de vida humana. Quanto mais pobre a biodiversidade, pior para a humanidade. Basta dizer que, sem o trabalho das bactérias, os sistemas vitais sofrem profundos abalos. Sem as plantas, o equilíbrio do ambiente se quebra.

Acidentes.

A civilização industrial plantou bombas de efeito retardado em todo o planeta. Com freqüência cada vez maior, elas explodem. Foram assustadoras a poluição do rio Songhua por uma explosão numa das fábricas da companhia PetroChina, com grande vazamento de benzeno, e a explosão de um depósito de combustível perto de Londres, causando o maior acidente na Europa em tempos de paz. E outras minas mais deverão detonar a nossos pés.

Epidemias.

A economia capitalista na sua fase de globalização está ampliando as condições favoráveis à eclosão de epidemias, como são os casos da gripe aviária, das febres maculosa e aftosa. E a tendência é que surjam outras.

Escassez de recursos.

Ao contrário do que o pensamento europeu dos séculos 17 e 18 pensavam, os recursos são esgotáveis e deve-se considerar a ameaça de fome e miséria que a escassez representa para a maior parte da humanidade. A exploração deles se acentua. A concentração das riquezas geradas por eles aumenta e a demanda cresce em progressão geométrica. É preciso entender o neomalthusianismo por outra perspectiva, agora que tocamos nos limites planetários: não é possível um crescimento ilimitado dentro de um sistema limitado. Temos uma Terra apenas.


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Folha da Manhã,
Campos dos Goytacazes,
12 de Fevereiro de 2006

Balanço mundial de 2005 (II): economia e sociedade
Arthur Soffiati

No contexto de uma economia neoliberal globalizada, o crescimento mundial, em 2005, chegou a 4,3%, segundo recente relatório do Fundo Monetário Internacional. Talvez agora, com a elevação do preço do barril de petróleo de US$ 55 para US$ 65, a taxa de crescimento tenha diminuído. Era de se esperar, com este bom desempenho da economia, uma correspondência no plano social. No entanto, não foi o que se verificou. Antes, a situação das pessoas piorou assustadoramente. Recorro a um relatório da Organização Internacional do Trabalho, órgão da ONU.

Situação mundial dos trabalhadores.

Entre 1995 e 2005, o número de trabalhadores cresceu 6,5%. De 2004 para 2005, este crescimento alcançou o percentual de 1,5%. O mundo conta, atualmente, com 2,8 bilhões de trabalhadores. Todavia, a metade deste número, ou seja, 1,4 bilhão, vive abaixo da linha de pobreza, recebendo cerca de US$ 2 por dia. Insira-se neste número 500 milhões de trabalhadores vivendo em estado de miséria, com US$ 1 por dia. Em 2005, apenas 14,5 milhões ultrapassaram este patamar de miséria.

Por outro lado, as cifras relativas ao desemprego estarrecem. Em 2004, havia 189,6 milhões de trabalhadores que foram demitidos ou não conseguiram postos de trabalho. Em 2005, este número subiu para 191,8, isto é, um aumento de 2,2 milhões. Dos 191,8 milhões, metade é representada por jovens, que encontram mais dificuldade de conseguir emprego.

O desemprego por regiões.

As regiões do mundo em que o desemprego mais aumentou em 2005, ainda segundo o relatório da OIT, foram América Latina e Caribe, passando de 7,4% em 2004 para 7,7% em 2005. As taxas no Oriente Médio e norte da África são as mais altas do mundo, no entanto deve-se considerar seu caráter crônico. Lá, houve uma pequena elevação: de 13,1% em 2004, passou-se a 13,2% em 2005. Na África Subsaariana, registrou-se um pequeno recuo. Em 2004, a taxa de desemprego alcançava 9,9% em 2004, caindo para 9,7% em 2005. Na União Européia e nas outras economias mais poderosas do mundo, houve uma redução do desemprego de 7,1% em 2004, para 6,7% em 2005.

O emprego por setores da economia.

O relatório da OIT mostra que a agropecuária é o setor que mais gera emprego. Em 1995, 44,4% dos trabalhadores do mundo dependiam dela. Em 2005, esta cifra caiu para 40,1%, equivalente a 1,1 bilhão de empregos. O setor de serviços ocupa o segundo lugar, respondendo por 34,5% dos postos de trabalho em 1995 e 38,9% em 2005. Quanto à indústria, mínima foi sua contribuição para a geração de empregos em dez anos. Em 1995, ela empregava 21,1%. Em 2005, este número caiu para 21%. Pode-se interpretar que o aumento de postos de trabalho no setor de serviços corresponde à redução de trabalhadores do setor agropecuário, que não passam pela indústria. Na Ásia e na África Subsaariana, a agropecuária responde por 60% dos postos de trabalho.

O Caso da China.

O crescimento da economia chinesa vem impressionando e assustando governos e empresários dos países ricos e emergentes. Em 2004, o crescimento da economia chinesa chegou a 10,1%. Em 2005, o produto interno bruto da China atingiu 9,9%, equivalendo a 18,2 trilhões de yuans (US$ 2,3 trilhões). Ela alcançou o quarto PIB mundial, ficando atrás somente dos Estados Unidos, do Japão e da Alemanha e ultrapassando de uma só vez a França e o Reino Unido. O segredo deste crescimento acelerado e perigoso é muito simples. Ele combina mão-de-obra abundante e barata, enormes investimentos em infraestrutura e tecnologia, um mercado interno em rápido crescimento, preços baixos, exportações e investimentos estrangeiros.

Interpretação.

O relatório da OIT mostra que, no capitalismo, notadamente na sua fase neoliberal globalizada, crescimento econômico não significa geração de trabalho e renda que possa melhorar a qualidade da vida humana. Bem ao contrário, o que se verifica são as sofríveis condições de quem tem um posto de trabalho e a miséria de quem não tem. O aviltamento dos salários e a automação concorrem para o empobrecimento da maioria da população e para o agravamento das injustiças sociais. Nunca houve, na história da humanidade, tanta desigualdade, pobreza e miséria. Na China, já existe uma população com padrões de vida norte-americanos, mas a maioria vive em condições degradantes. O consumo de energia e de matéria prima para promover este crescimento, seja com automação ou com trabalho barato, acelera a crise ambiental planetária. Em síntese, a revolução industrial criou modos de vida ecológica e socialmente insustentáveis. E a maioria das pessoas ainda não tomou a devida consciência desse desastre. Ao Estado cabe um papel de extrema importância: disciplinar e transformar a economia de modo que ela se enquadre nos limites da natureza e atenda às necessidades básicas do ser humano. Ele não pode ficar de fora.


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Folha da Manhã,
Campos dos Goytacazes (RJ),
19 de Fevereiro de 2006

Balanço mundial de 2005 - (III A): política internacional
Arthur Soffiati


A má e a boa globalização.

Melhor que tentar deter o processo de globalização é tentar mudar seu curso, como ensina Edgar Morin. Não se trata de um acordo de civilizações em que todas entram com o mesmo peso, mas de um processo de ocidentalização imposto ao mundo a partir do século 15. A má globalização caminha a passos largos. Ela favorece as corporações transnacionais, que só têm compromisso com lucros e dependem de estados nacionais que facilitem seus interesses. Esta globalização destrói cada vez mais os ecossistemas do planeta e gera desigualdades sociais e pobreza. Nenhum acordo em favor do meio ambiente e dos pobres pode avançar. Já a boa globalização, que engatinha, pleiteia um pacto entre humanidade e natureza, como preconizam Michel Serres e Stephen Jay Gould, o enfraquecimento do estado nacional em prol de uma confederação e de um poder mundial para corrigir as distorções sociais. Estamos longe deste ideal.

A reforma da ONU.

Alguns países, tendo à frente o Brasil, vêm pleiteando uma reforma na Organização das Nações Unidas nada mais do que pífia. Ela visa tão somente a inclusão dos reivindicadores como membros permanentes no Conselho de Segurança. A ONU está velha e não poderá mais atender às demandas do mundo enquanto o poder não se transferir progressivamente para a Assembléia Geral.

América Latina.

A resistência de Cuba como um fóssil socialista, ao lado da Coréia do Norte, é uma pedra no sapato dos Estados Unidos, mas não machuca como machucou no passado. Agora, Hugo Chaves, presidente da Venezuela, parece mais ameaçador. Sua aparência de ditador nos engana, pois ele governa de acordo com a constituição do país. Lula e o PT fracassaram. Só o tempo dirá se ambos vão se recuperar. A novidade fica por conta de eleições recentes na Bolívia e no Chile que levaram presidentes nacionalistas e socialistas. Na Bolívia, a maioria da população é mestiça e conseguiu eleger Evo Morales, líder cocaleiro como seu presidente. O movimento de mestiços na Bolívia me fez recordar o movimento Taqui Ongo, no século 16, e de Tupac Amaru, no século 18, mas difere de ambos porque o processo de aculturação já mudou bastante as culturas nativas.

Se, no Brasil, elegeu-se um operário, na Bolívia elegeu-se um operário de origem indígena, o que não garante o sucesso do seu governo. Enquanto isto, no Chile, elegeu-se uma mulher socialista que não pretende repetir Allende. Cabe ainda chamar a atenção para as dificuldades do Haiti, o mais pobre país da América Latina e mergulhado numa crise crônica. Não bastam eleições limpas para começar uma democracia. É preciso atacar os gravíssimos problemas ambientais e sociais do país.

Mundo islâmico.

Desde Khomeini, o mundo islâmico vem buscando uma via estranha que mistura retorno ao Islã fundamentalista e tecnologia ocidental. Como no judaísmo e no cristianismo, dos quais deriva, o islamismo tem uma raiz intolerante que, atiçada pela presença econômica e política do ocidente, vem assustando os países dominantes. Mas esta onda não referenda a tese de Samuel P. Huntington sobre o choque de civilizações. Existem dois focos desastrosos de instabilidade que teriam solução diplomática caso deixassem a ONU ser mais forte. Um deles é a questão palestina, que começou em 1948, quando foi fundado o Estado de Israel. As quatro investidas militares de Israel contra os palestinos e países árabes vizinhos acirraram os ânimos dos palestinos, que pleiteiam a criação de um Estado próprio ou o não reconhecimento do estado de Israel pelos grupos mais extremistas. Por incrível que pareça, a solução estava
a caminho pelo reacionário e militarista Ariel Sharon e pelo governo da Autoridade Nacional Palestina quando o primeiro sofreu grave acidente vascular cerebral e a segunda foi alcançada pelo Hamas, ala intransigente. Outro problema foi causado pela arrogância norte-americana depois do ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque. A invasão do Afeganistão e do Iraque foi alicerçada em motivos mentirosos e agora os Estados Unidos não sabem como sair da arapuca. Se, por um lado, a Síria terminou uma ocupação de 29 anos no Líbano, as tensões aumentaram com o anúncio do Irã em promover o enriquecimento de urânio.

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Folha da Manhã,
Campos dos Goitacases (RJ),
26 de Fevereiro de 2006

Balanço mundial de 2005 - (III B): política internacional
Arthur Soffiati

União Européia.

Immanuel Wallerstein vê numa Europa unida a única força, no momento, capaz de fazer frente ao poder imperial norte-americano, que, segundo ele, está em franco declínio. No entanto, a recusa de sancionar a Constituição da EU por alguns países, a começar pela França, enfraqueceu a organização. Mas nem tudo está perdido. A aliança pode voltar a se fortalecer. Difícil é crer que o bloco atue unido, já que alguns países, à frente o Reino Unido, apoiaram os Estados Unidos na invasão do Iraque. Agora, a eleição conturbada de Angela Merckel, na Alemanha, divide mais ainda a frágil unidade. Outro fator apontado por Wallerstein é a invasão branca da Europa por imigrantes africanos e asiáticos. Este avanço pacífico tornou-se violento na França,
em 2005, e vem favorecendo o crescimento da extrema direita em vários países.

China e Índia.

Estes dois países despontam como potências econômicas emergentes e assustam o G-8, que reúne os sete países tradicionalmente mais ricos do mundo e a Rússia. Os governantes de quase todos os países, em suas propostas e planos de governo, prometem e desejam o melhor de dois mundos. Por exemplo, crescimento econômico com justiça social e proteção ao meio ambiente. Boaventura de Sousa Santos, em seu balanço de 2005, mostra que a China busca o pior de dois mundos. De um lado, opta por um crescimento econômico rápido e a qualquer custo, aprofundando as desigualdades sociais e destruindo o meio ambiente.

De outro, mantém um governo centralizador e autoritário bem próximo das ditaduras declaradas, mas de orientação pragmática na economia. Já a Índia está longe do ideal de Gandhi de retomar as formas tradicionais de vida. Nehru deu-lhe outra orientação, buscando ocidentalizar o país. Hoje, a Índia faz parte do clube atômico, junto com o Paquistão, país vizinho com o qual mantém antiga contenda desde 1947 por conta da região de Caxemira. Pelo menos, o governo é escolhido por eleições.

África.

Debilitou-se, na África, aquele sentimento de otimismo e de esperança existente no início do processo de descolonização. Mesmo com lutas e sofrimento, as lideranças africanas esperavam criar Estados Nacionais que prosperassem. Todavia, a dependência econômica aos países centrais e as lutas internas provocaram uma devastação no continente. Do ponto de vista ambiental, a opulência dos biomas africanos beira ao esgotamento. Ao mesmo tempo, a maioria da população se empobrece mais e se torna vítima de doenças. Confrontando hoje o mapa da pobreza com o mapa da AIDS, fica claro que estamos diante de uma doença da pobreza e da ignorância, dois traços marcantes do continente africano. Dos cerca de 40 milhões de pessoas contaminadas no mundo, dois terços estão na África. Mais que pobreza, reina a miséria neste continente.

Existem guerras surdas, mas genocidas, que os países ricos e a grande imprensa internacional esquecem. A mais destruidora é a da República Democrática do Congo, que já matou quatro milhões desde 1998. O norte de Uganda enfrenta uma guerra de 18 anos e o Sudão padece com a mais longa guerra da África, que já dura vinte anos. Há problemas graves ainda na Libéria, na Costa do Marfim, e na Serra Leoa. Na última reunião do G-8, em 2005, ocorrida Gleneagles, Escócia, os integrantes do grupo decidiram aumentar a contribuição financeira para ajuda humanitária na África de US$ 25 bilhões para US$ 50 bilhões, com a advertência de que os países tenham juízo na aplicação dos recursos.

De fato, as crises nos países africanos favorecem a corrupção, mas juízo também falta aos países do G-8, que descartaram a África até da globalização.