março 08, 2006

Balanço mundial de 2005

Balanço mundial de 2005 (I) Meio Ambiente
Por Arthur Soffiati publicado na Folha da Manhã, Campos dos Goytacazes em Fevereiro de 2006

Num pequeno artigo publicado na Folha de São Paulo, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos conseguiu fazer um balanço sucinto de 2005, enfocando mais as questões estruturais que conjunturais. Como não tenho seu poder de síntese, pretendo fazer um balanço em três artigos. O primeiro examinando o estado planetário do meio ambiente; o segundo tratando de economia e sociedade; o terceiro dedicado às relações internacionais. Qualquer pessoa pode fazer balanços, a começar de sua vida pessoal e chegando ao plano global. Fiando-me nisto é que me atrevo a fazer os comentários seguintes.

Aquecimento global.

Este assunto deixou de ser polêmico, a não ser no pensamento provinciano, pois os grandes cientistas chegaram à quase unanimidade de que as temperaturas do planeta estão subindo perigosamente. Claro que, na história da Terra, já houve momentos mais quentes e mais frios do que o momento atual, de elevadas temperaturas. A diferença é que, no passado, as oscilações climáticas deviam-se a processos naturais. O atual está sendo causado por atividades humanas coletivas, principalmente pelos Estados Unidos e pela China, os dois grandes viciados no consumo de combustíveis fósseis. As Conferências de Estocolmo (1972) e do Rio de Janeiro (1992) alimentaram a ilusão de desacelerar o processo de consumo de petróleo, carvão mineral e gás natural. A velocidade de extração e queima só aumentou.

2005 foi o ano mais quente da fase industrial da história humana e 2006 promete ser mais quente ainda. O aumento de temperatura provoca o derretimento de geleiras marinhas e continentais, elevando o nível dos mares e ameaçando as cidades costeiras e as ilhas. O aumento da produção e da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera, sobretudo de CO2, acidificam os oceanos e inibem sua capacidade de produzir oxigênio. As mudanças climáticas são imprevisíveis, podendo aquecer ou esfriar pontos do planeta, aumentando o trabalho dos microorganismos responsáveis pela liberação de mais gás carbônico, produzindo fenômenos desastrosos como os furacões, alterando as correntes oceânicas e provocando a migração de espécies animais.

O Tratado de Kioto já nasce morto, pois não dá conta de enfrentar o problema climático. James Lovelock, o grande cientista inglês, criador da Teoria de Gaia, acredita que os níveis de aquecimento planetário chegaram a um ponto irreversível.

Desmatamento.

As florestas tropicais, que prestam bem mais serviços ambientais planetários que as florestas temperadas, estão sendo devastadas em velocidades espantosas. As comemorações do governo brasileiro, em 2005, pela diminuição do desmatamento da Amazônia, e as palavras cândidas de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, não são convincentes. A verdade é que a devastação da Amazônia alcançou um ponto preocupante. Sendo ainda a maior floresta tropical do mundo (mesmo porque as do Congo, da Malásia e da Indonésia já foram dizimadas), ela está intimamente ligada à questão climática. Quanto menos floresta, mais emissão ou menos retenção de CO2 e menos produção de oxigênio, ainda que a grande floresta não supere os oceanos em ambos os serviços.

Empobrecimento da biodiversidade.

A destruição dos ecossistemas e dos biomas está ameaçando cada vez mais a existência de espécies dos cinco reinos. Não vamos ficar apenas no direito que cada espécie tem à vida, mas no papel ecológico que elas cumprem. A vida e as atividades humanas tornam-se impossíveis sem a operosidade das bactérias, dos protozoários, dos fungos, dos vegetais e dos animais. Quanto maior a diversidade, melhor a qualidade de vida humana. Quanto mais pobre a biodiversidade, pior para a humanidade. Basta dizer que, sem o trabalho das bactérias, os sistemas vitais sofrem profundos abalos. Sem as plantas, o equilíbrio do ambiente se quebra.

Acidentes.

A civilização industrial plantou bombas de efeito retardado em todo o planeta. Com freqüência cada vez maior, elas explodem. Foram assustadoras a poluição do rio Songhua por uma explosão numa das fábricas da companhia PetroChina, com grande vazamento de benzeno, e a explosão de um depósito de combustível perto de Londres, causando o maior acidente na Europa em tempos de paz. E outras minas mais deverão detonar a nossos pés.

Epidemias.

A economia capitalista na sua fase de globalização está ampliando as condições favoráveis à eclosão de epidemias, como são os casos da gripe aviária, das febres maculosa e aftosa. E a tendência é que surjam outras.

Escassez de recursos.

Ao contrário do que o pensamento europeu dos séculos 17 e 18 pensavam, os recursos são esgotáveis e deve-se considerar a ameaça de fome e miséria que a escassez representa para a maior parte da humanidade. A exploração deles se acentua. A concentração das riquezas geradas por eles aumenta e a demanda cresce em progressão geométrica. É preciso entender o neomalthusianismo por outra perspectiva, agora que tocamos nos limites planetários: não é possível um crescimento ilimitado dentro de um sistema limitado. Temos uma Terra apenas.


*******************************************
Folha da Manhã,
Campos dos Goytacazes,
12 de Fevereiro de 2006

Balanço mundial de 2005 (II): economia e sociedade
Arthur Soffiati

No contexto de uma economia neoliberal globalizada, o crescimento mundial, em 2005, chegou a 4,3%, segundo recente relatório do Fundo Monetário Internacional. Talvez agora, com a elevação do preço do barril de petróleo de US$ 55 para US$ 65, a taxa de crescimento tenha diminuído. Era de se esperar, com este bom desempenho da economia, uma correspondência no plano social. No entanto, não foi o que se verificou. Antes, a situação das pessoas piorou assustadoramente. Recorro a um relatório da Organização Internacional do Trabalho, órgão da ONU.

Situação mundial dos trabalhadores.

Entre 1995 e 2005, o número de trabalhadores cresceu 6,5%. De 2004 para 2005, este crescimento alcançou o percentual de 1,5%. O mundo conta, atualmente, com 2,8 bilhões de trabalhadores. Todavia, a metade deste número, ou seja, 1,4 bilhão, vive abaixo da linha de pobreza, recebendo cerca de US$ 2 por dia. Insira-se neste número 500 milhões de trabalhadores vivendo em estado de miséria, com US$ 1 por dia. Em 2005, apenas 14,5 milhões ultrapassaram este patamar de miséria.

Por outro lado, as cifras relativas ao desemprego estarrecem. Em 2004, havia 189,6 milhões de trabalhadores que foram demitidos ou não conseguiram postos de trabalho. Em 2005, este número subiu para 191,8, isto é, um aumento de 2,2 milhões. Dos 191,8 milhões, metade é representada por jovens, que encontram mais dificuldade de conseguir emprego.

O desemprego por regiões.

As regiões do mundo em que o desemprego mais aumentou em 2005, ainda segundo o relatório da OIT, foram América Latina e Caribe, passando de 7,4% em 2004 para 7,7% em 2005. As taxas no Oriente Médio e norte da África são as mais altas do mundo, no entanto deve-se considerar seu caráter crônico. Lá, houve uma pequena elevação: de 13,1% em 2004, passou-se a 13,2% em 2005. Na África Subsaariana, registrou-se um pequeno recuo. Em 2004, a taxa de desemprego alcançava 9,9% em 2004, caindo para 9,7% em 2005. Na União Européia e nas outras economias mais poderosas do mundo, houve uma redução do desemprego de 7,1% em 2004, para 6,7% em 2005.

O emprego por setores da economia.

O relatório da OIT mostra que a agropecuária é o setor que mais gera emprego. Em 1995, 44,4% dos trabalhadores do mundo dependiam dela. Em 2005, esta cifra caiu para 40,1%, equivalente a 1,1 bilhão de empregos. O setor de serviços ocupa o segundo lugar, respondendo por 34,5% dos postos de trabalho em 1995 e 38,9% em 2005. Quanto à indústria, mínima foi sua contribuição para a geração de empregos em dez anos. Em 1995, ela empregava 21,1%. Em 2005, este número caiu para 21%. Pode-se interpretar que o aumento de postos de trabalho no setor de serviços corresponde à redução de trabalhadores do setor agropecuário, que não passam pela indústria. Na Ásia e na África Subsaariana, a agropecuária responde por 60% dos postos de trabalho.

O Caso da China.

O crescimento da economia chinesa vem impressionando e assustando governos e empresários dos países ricos e emergentes. Em 2004, o crescimento da economia chinesa chegou a 10,1%. Em 2005, o produto interno bruto da China atingiu 9,9%, equivalendo a 18,2 trilhões de yuans (US$ 2,3 trilhões). Ela alcançou o quarto PIB mundial, ficando atrás somente dos Estados Unidos, do Japão e da Alemanha e ultrapassando de uma só vez a França e o Reino Unido. O segredo deste crescimento acelerado e perigoso é muito simples. Ele combina mão-de-obra abundante e barata, enormes investimentos em infraestrutura e tecnologia, um mercado interno em rápido crescimento, preços baixos, exportações e investimentos estrangeiros.

Interpretação.

O relatório da OIT mostra que, no capitalismo, notadamente na sua fase neoliberal globalizada, crescimento econômico não significa geração de trabalho e renda que possa melhorar a qualidade da vida humana. Bem ao contrário, o que se verifica são as sofríveis condições de quem tem um posto de trabalho e a miséria de quem não tem. O aviltamento dos salários e a automação concorrem para o empobrecimento da maioria da população e para o agravamento das injustiças sociais. Nunca houve, na história da humanidade, tanta desigualdade, pobreza e miséria. Na China, já existe uma população com padrões de vida norte-americanos, mas a maioria vive em condições degradantes. O consumo de energia e de matéria prima para promover este crescimento, seja com automação ou com trabalho barato, acelera a crise ambiental planetária. Em síntese, a revolução industrial criou modos de vida ecológica e socialmente insustentáveis. E a maioria das pessoas ainda não tomou a devida consciência desse desastre. Ao Estado cabe um papel de extrema importância: disciplinar e transformar a economia de modo que ela se enquadre nos limites da natureza e atenda às necessidades básicas do ser humano. Ele não pode ficar de fora.


********************************************
Folha da Manhã,
Campos dos Goytacazes (RJ),
19 de Fevereiro de 2006

Balanço mundial de 2005 - (III A): política internacional
Arthur Soffiati


A má e a boa globalização.

Melhor que tentar deter o processo de globalização é tentar mudar seu curso, como ensina Edgar Morin. Não se trata de um acordo de civilizações em que todas entram com o mesmo peso, mas de um processo de ocidentalização imposto ao mundo a partir do século 15. A má globalização caminha a passos largos. Ela favorece as corporações transnacionais, que só têm compromisso com lucros e dependem de estados nacionais que facilitem seus interesses. Esta globalização destrói cada vez mais os ecossistemas do planeta e gera desigualdades sociais e pobreza. Nenhum acordo em favor do meio ambiente e dos pobres pode avançar. Já a boa globalização, que engatinha, pleiteia um pacto entre humanidade e natureza, como preconizam Michel Serres e Stephen Jay Gould, o enfraquecimento do estado nacional em prol de uma confederação e de um poder mundial para corrigir as distorções sociais. Estamos longe deste ideal.

A reforma da ONU.

Alguns países, tendo à frente o Brasil, vêm pleiteando uma reforma na Organização das Nações Unidas nada mais do que pífia. Ela visa tão somente a inclusão dos reivindicadores como membros permanentes no Conselho de Segurança. A ONU está velha e não poderá mais atender às demandas do mundo enquanto o poder não se transferir progressivamente para a Assembléia Geral.

América Latina.

A resistência de Cuba como um fóssil socialista, ao lado da Coréia do Norte, é uma pedra no sapato dos Estados Unidos, mas não machuca como machucou no passado. Agora, Hugo Chaves, presidente da Venezuela, parece mais ameaçador. Sua aparência de ditador nos engana, pois ele governa de acordo com a constituição do país. Lula e o PT fracassaram. Só o tempo dirá se ambos vão se recuperar. A novidade fica por conta de eleições recentes na Bolívia e no Chile que levaram presidentes nacionalistas e socialistas. Na Bolívia, a maioria da população é mestiça e conseguiu eleger Evo Morales, líder cocaleiro como seu presidente. O movimento de mestiços na Bolívia me fez recordar o movimento Taqui Ongo, no século 16, e de Tupac Amaru, no século 18, mas difere de ambos porque o processo de aculturação já mudou bastante as culturas nativas.

Se, no Brasil, elegeu-se um operário, na Bolívia elegeu-se um operário de origem indígena, o que não garante o sucesso do seu governo. Enquanto isto, no Chile, elegeu-se uma mulher socialista que não pretende repetir Allende. Cabe ainda chamar a atenção para as dificuldades do Haiti, o mais pobre país da América Latina e mergulhado numa crise crônica. Não bastam eleições limpas para começar uma democracia. É preciso atacar os gravíssimos problemas ambientais e sociais do país.

Mundo islâmico.

Desde Khomeini, o mundo islâmico vem buscando uma via estranha que mistura retorno ao Islã fundamentalista e tecnologia ocidental. Como no judaísmo e no cristianismo, dos quais deriva, o islamismo tem uma raiz intolerante que, atiçada pela presença econômica e política do ocidente, vem assustando os países dominantes. Mas esta onda não referenda a tese de Samuel P. Huntington sobre o choque de civilizações. Existem dois focos desastrosos de instabilidade que teriam solução diplomática caso deixassem a ONU ser mais forte. Um deles é a questão palestina, que começou em 1948, quando foi fundado o Estado de Israel. As quatro investidas militares de Israel contra os palestinos e países árabes vizinhos acirraram os ânimos dos palestinos, que pleiteiam a criação de um Estado próprio ou o não reconhecimento do estado de Israel pelos grupos mais extremistas. Por incrível que pareça, a solução estava
a caminho pelo reacionário e militarista Ariel Sharon e pelo governo da Autoridade Nacional Palestina quando o primeiro sofreu grave acidente vascular cerebral e a segunda foi alcançada pelo Hamas, ala intransigente. Outro problema foi causado pela arrogância norte-americana depois do ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque. A invasão do Afeganistão e do Iraque foi alicerçada em motivos mentirosos e agora os Estados Unidos não sabem como sair da arapuca. Se, por um lado, a Síria terminou uma ocupação de 29 anos no Líbano, as tensões aumentaram com o anúncio do Irã em promover o enriquecimento de urânio.

******************************************
Folha da Manhã,
Campos dos Goitacases (RJ),
26 de Fevereiro de 2006

Balanço mundial de 2005 - (III B): política internacional
Arthur Soffiati

União Européia.

Immanuel Wallerstein vê numa Europa unida a única força, no momento, capaz de fazer frente ao poder imperial norte-americano, que, segundo ele, está em franco declínio. No entanto, a recusa de sancionar a Constituição da EU por alguns países, a começar pela França, enfraqueceu a organização. Mas nem tudo está perdido. A aliança pode voltar a se fortalecer. Difícil é crer que o bloco atue unido, já que alguns países, à frente o Reino Unido, apoiaram os Estados Unidos na invasão do Iraque. Agora, a eleição conturbada de Angela Merckel, na Alemanha, divide mais ainda a frágil unidade. Outro fator apontado por Wallerstein é a invasão branca da Europa por imigrantes africanos e asiáticos. Este avanço pacífico tornou-se violento na França,
em 2005, e vem favorecendo o crescimento da extrema direita em vários países.

China e Índia.

Estes dois países despontam como potências econômicas emergentes e assustam o G-8, que reúne os sete países tradicionalmente mais ricos do mundo e a Rússia. Os governantes de quase todos os países, em suas propostas e planos de governo, prometem e desejam o melhor de dois mundos. Por exemplo, crescimento econômico com justiça social e proteção ao meio ambiente. Boaventura de Sousa Santos, em seu balanço de 2005, mostra que a China busca o pior de dois mundos. De um lado, opta por um crescimento econômico rápido e a qualquer custo, aprofundando as desigualdades sociais e destruindo o meio ambiente.

De outro, mantém um governo centralizador e autoritário bem próximo das ditaduras declaradas, mas de orientação pragmática na economia. Já a Índia está longe do ideal de Gandhi de retomar as formas tradicionais de vida. Nehru deu-lhe outra orientação, buscando ocidentalizar o país. Hoje, a Índia faz parte do clube atômico, junto com o Paquistão, país vizinho com o qual mantém antiga contenda desde 1947 por conta da região de Caxemira. Pelo menos, o governo é escolhido por eleições.

África.

Debilitou-se, na África, aquele sentimento de otimismo e de esperança existente no início do processo de descolonização. Mesmo com lutas e sofrimento, as lideranças africanas esperavam criar Estados Nacionais que prosperassem. Todavia, a dependência econômica aos países centrais e as lutas internas provocaram uma devastação no continente. Do ponto de vista ambiental, a opulência dos biomas africanos beira ao esgotamento. Ao mesmo tempo, a maioria da população se empobrece mais e se torna vítima de doenças. Confrontando hoje o mapa da pobreza com o mapa da AIDS, fica claro que estamos diante de uma doença da pobreza e da ignorância, dois traços marcantes do continente africano. Dos cerca de 40 milhões de pessoas contaminadas no mundo, dois terços estão na África. Mais que pobreza, reina a miséria neste continente.

Existem guerras surdas, mas genocidas, que os países ricos e a grande imprensa internacional esquecem. A mais destruidora é a da República Democrática do Congo, que já matou quatro milhões desde 1998. O norte de Uganda enfrenta uma guerra de 18 anos e o Sudão padece com a mais longa guerra da África, que já dura vinte anos. Há problemas graves ainda na Libéria, na Costa do Marfim, e na Serra Leoa. Na última reunião do G-8, em 2005, ocorrida Gleneagles, Escócia, os integrantes do grupo decidiram aumentar a contribuição financeira para ajuda humanitária na África de US$ 25 bilhões para US$ 50 bilhões, com a advertência de que os países tenham juízo na aplicação dos recursos.

De fato, as crises nos países africanos favorecem a corrupção, mas juízo também falta aos países do G-8, que descartaram a África até da globalização.

março 06, 2006

O fato consumado como regra do jogo

Por Washington Novaes

Espaço Aberto

Há duas semanas, quando da aprovação no Congresso do projeto de lei sobre concessão de florestas públicas na Amazônia, comentou-se aqui a prevalência, na mal chamada área ambiental, da "teoria do já que" - querendo dizer que já que não se consegue fazer o melhor, já que não se consegue fazer prevalecer o mais racional, já que não se consegue vencer resistências político-econômicas, já que não se consegue estabelecer as regras mais adequadas, capazes de realmente levar ao uso sustentável dos serviços e recursos naturais, aceita-se, como mal menor, uma legislação questionável pela ciência e/ou pelo bom senso, que se dobra diante de fatos ou situações que considera consumados, irreversíveis.

As últimas semanas foram fartas em episódios dessa natureza. Pode-se começar pela resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que alterou as regras para ocupação e utilização de Áreas de Preservação Permanente (APPs), como beiras de rios, nascentes, veredas, reservatórios, áreas indígenas, manguezais, dunas e topos de morros. Embora as novas regras só prevaleçam para ocupações consumadas até julho de 2001, "são um retrocesso", como definiu o procurador Antônio Herman Benjamin, com longa e competente experiência na área.

Vai-se permitir, por exemplo, a legalização de ocupações humanas (favelas, quase sempre) em áreas de nascentes e reservatórios - e aí vale lembrar que só a cidade de São Paulo tem mais de 1 milhão de pessoas ocupando áreas desse tipo com suas casas. Como elas são irregulares, o poder público não pode implementar ali infra-estruturas, inclusive saneamento básico. Mas também "não há recursos para removê-las" e assentá-las de forma adequada em outros lugares. E, já que é assim, permite-se a legalização - condicionada à regularização da posse e ao licenciamento ambiental. Mas como este não exigirá que já haja garantia de recursos para as infra-estruturas, corre-se o risco de simplesmente legalizar a ocupação e continuar sem redes de esgotos e sem outras infra-estruturas. O mesmo raciocínio do "já que" vale para as ocupações de APPs por mineradoras e outros empreendimentos. E essas decisões foram apoiadas por boa parte das organizações ambientalistas, honestamente convencidas de que não há alternativas viáveis.

Mas os riscos não terminam aí. Está para ser votado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3.057/2000, a chamada Lei de Responsabilidade Territorial, em que os problemas são ainda maiores, mas que contam com o apoio de destacados e respeitáveis movimentos sociais. Os críticos do projeto mencionam muitos dispositivos que consideram inconvenientes, entre eles: retira dos órgãos ambientais (como o Conama) poder de legislar sobre parcelamentos urbanos (reconhece competência exclusiva dos municípios nas questões de parcelamento do solo); permite legalizar loteamentos e construções em topos de morros; admite loteamentos em várzeas, desde que se faça o escoamento das águas; dispensa o loteador de implementar infra-estruturas como iluminação pública e pavimentação; reduz a área de preservação de matas ciliares; dispensa da manutenção de APPs regularizações fundiárias urbanas; dispensa manter vegetação em certas áreas de mananciais; permite regularizar ocupação de praças públicas.

Claro que também neste caso, em defesa do projeto, há fortes argumentos na linha do "já que". E o principal deles é o de que não se consegue dar outras soluções ao problema das habitações de baixa renda na "cidade real", que seria responsável pela acomodação de 30% a 70% da população dos municípios em áreas em geral impróprias à moradia e que causam risco à saúde ou à segurança dos moradores.

É até possível que, na realidade político-econômica brasileira de hoje, não se tenha encontrado outro caminho. Mas é muito preocupante. Pode significar, na prática, uma desistência de políticas transformadoras do quadro dramático de concentração de renda no País, assim como conformidade com a impotência atual do poder público para dar prioridade a essas questões, premido que está pela quase falência orçamentária e por políticas econômicas que privilegiam outros caminhos, ditados pela lógica financeira.

Não é muito diferente o caso do Projeto de Lei 107/03, aprovado pelo Senado e que vai ser votado pela Câmara dos Deputados. Com base na mesma linha de raciocínio do fato consumado, esse projeto - apoiado por organizações e pessoas muito respeitáveis - abre possibilidades para corte ou supressão de "vegetação secundária ou em estágio médio de regeneração" (seja lá o que isso for) na mata atlântica. Permite também "aluguel" - a terceiros que não mantiveram a reserva legal - de parte da área de vegetação que exceda o mínimo exigido por lei numa propriedade. Admite ainda o projeto a "exploração seletiva de espécies de floresta nativa em áreas de vegetação secundária" para "exploração sustentável, de acordo com projeto técnico e cientificamente fundamentado".

Não se vai retornar aqui às numerosas questões exatamente de ordem científica levantadas por numerosos especialistas no caso do projeto de concessão de florestas na Amazônia - quase todas elas válidas também para a mata atlântica e nenhuma respondida satisfatoriamente até aqui. Mas não se pode deixar - com forte preocupação - de concluir que estamos abandonando a pretensão de construir novos padrões de produção e consumo sustentáveis, novos modos de viver, capazes de enfrentar a crise planetária (e brasileira) dramática para a qual a própria Organização das Nações Unidas nos adverte. E de que vamos de fato consumado em fato consumado. Até onde?

Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

(www.ecodebate.com.br) artigo originalmente publicado no O Estado de São Paulo de 03/03/2006

março 04, 2006

Lula sanciona lei que estimula produção de madeira legal e a presença do Estado na Amazônia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na quinta-feira (2) a Lei de Gestão de Florestas Públicas que, entre outras medidas, cria o sistema de concessão de uso dos recursos florestais, em lugar da alienação da propriedade de terras públicas atualmente em vigor. As concessões terão prazos que vão de cinco a 40 anos, mas apenas para aquelas atividades que não causem desmatamento, entre elas o manejo florestal para a produção de madeira e produtos não-madeireiros, como óleos, essências, frutos e sementes. A cada cinco anos, as áreas concedidas serão submetidas a auditorias independentes.

A nova lei regulamenta a exploração dos recursos florestais em terras da União, de estados e municípios, cria um órgão regulador da gestão das florestas públicas – o Serviço Florestal Brasileiro – e um fundo destinado a incentivar o desenvolvimento florestal sustentável. Lula sancionou a lei com veto a emendas que, segundo as ONGs do GT - Grupo de Trabalho Florestas do FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais, ameaçavam os objetivos da proposta.

O Greenpeace considera que a lei ajudará a regularizar a tensa situação fundiária na Amazônia, ao desestimular a grilagem de terras públicas e incentivar madeireiros a respeitar a legislação. "Com a nova lei, o poder público se reapropria de suas próprias terras, que ao longo da história sofreram saques perpetrados por grileiros, madeireiros e fazendeiros", disse Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace. "Numa região marcada pela ausência do Estado, isso já é altamente positivo", observou.

Segundo Adario, a indústria madeireira não poderá mais alegar que opera na ilegalidade por falta de áreas de florestas privadas economicamente viáveis. "O setor madeireiro está sendo desafiado a respeitar a lei e a praticar o manejo florestal, explorando a floresta de forma sustentável", disse. Adario adverte, no entanto, que a lei só poderá ajudar efetivamente na proteção das florestas brasileiras "se o poder público investir nos órgãos envolvidos na sua implementação, fortalecer as instituições encarregadas de fiscalização da atividade florestal, tais como o Ibama e a Polícia Federal, aprofundar o combate à corrupção e assegurar a participação da sociedade civil no monitoramento da atividade florestal nas concessões."

De acordo com o Greenpeace, a regularização fundiária e a implementação de áreas protegidas e de uso sustentável são fundamentais para que o projeto possa trazer paz à floresta e melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais.

As atividades agropecuárias, carro-chefe das exportações brasileiras, estão excluídas das concessões em áreas de florestas públicas. Já atividades de baixo impacto ambiental, como eco-turismo, serão permitidas. O projeto aprovado garante o acesso público aos dados e às áreas sob concessão e estabelece penalidades pelo não cumprimento dos contratos.

A meta do Ministério do Meio Ambiente, responsável pela proposta, é ter, nos próximos dez anos, 13 milhões de hectares sob concessão. Isso corresponde a cerca de 3% da Amazônia. (Greenpeace)

Edital traz privatização da água mineral à tona

Por Mariana Perozzi
02/03/2006
ComCiência SBPC/Labjor

A abertura do edital para exploração de fontes de água mineral no sul de Minas Gerais, no dia 16 de fevereiro, traz à tona a discussão sobre a privatização e a internacionalização da água no país, em específico das águas minerais. No Brasil, o aproveitamento comercial das fontes de águas minerais requer autorizações sucessivas de pesquisa e de lavra. As pesquisas destinam-se a conhecer o valor econômico e terapêutico da fonte, enquanto a autorização de lavra envolve as atividades de captação, condução, distribuição e aproveitamento de águas. Embora esse modelo esteja estabelecido desde 1945, gera cada vez mais polêmica. De um lado, os defensores da exploração privada da água mineral apontam seus benefícios econômicos e ambientais. Já os críticos à privatização insistem na água como um bem público, dotado de importância política e social.

Carlos Alberto Lancia, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam), concorda com a exploração privada das fontes. Em sua opinião, trata-se de uma atividade que exige altos investimentos em instalação, distribuição, processos e tecnologias de qualidade, assim como na proteção dos aqüíferos e na preservação ambiental. "Cada fonte gera dezenas ou centenas de empregos diretos e indiretos e mantém inviolável um bem cada vez mais valioso no planeta, que é a água potável de qualidade, num cenário em que a poluição prevalece sobre todos os demais recursos hídricos. Tudo isso tem um preço e exige responsabilidades que somente a iniciativa privada tem condições de arcar. Vale observar que, no Brasil, 98% das fontes estão nas mãos de empresas familiares e somente duas ou três empresas atuam em âmbito nacional", argumenta.

Com cerca de 700 fontes, o Brasil produziu 5,3 bilhões de litros de água mineral (o sexto maior produtor do mundo) e faturou aproximadamente R$ 650 milhões em 2004. O país ainda importa cerca de 500 mil litros por ano e exporta 385 mil litros. O setor gera cerca de 200 mil empregos. A média do consumo per capita nacional é de 31 litros, segundo a Abinam. Mundialmente, o mercado é dominado pelas gigantes Nestlé e Coca-Cola, seguidas pela Dannone e Pepsi, movimentando mais de US$ 40 bilhões por ano. Apenas as duas primeiras atuam no mercado brasileiro.

"Via de regra, a empresa multinacional, pelo seu poder de investimento e distribuição, é naturalmente danosa a empresas nacionais, sobretudo em países como o Brasil, onde a maioria das fontes são micro e pequenas empresas. O pior é que as multinacionais preferem investir em outra categoria de produto: a água tratada (de qualquer origem) e mineralizada artificialmente. Isso significa para o Brasil, de um lado, a desvalorização das estâncias hidrominerais - da sua economia e da sua cultura - e, de outro, o abandono das fontes e da proteção ambiental", avalia Lancia.

Quem concede as autorizações de pesquisa e lavra de água mineral no Brasil é o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME). O DNPM gerencia todas as questões relativas à água mineral no Brasil desde 1945, quando foi assinado o Código das Águas Minerais (Decreto-Lei nº7.841, de 20 de agosto), que caracteriza a água mineral como um recurso mineral, e não hídrico.

Lancia explica que, ao ser classificada como bem mineral, a água mineral se distingue de outros recursos hídricos não apenas pelas suas características físico-químicas, mas também pela proibição legal de não sofrer nenhum tratamento. Ou seja, a água mineral deve chegar ao mercado tal como foi "produzida" pela natureza. "Isso é extremamente valioso para o consumidor. A desvantagem é a carga de impostos que recai sobre a atividade, ao ser taxada na origem como mineral e no mercado como bebida", diz.

Críticas
Na outra ponta, estão os que acreditam que a água mineral deva ser entendida como um bem público, de acesso livre à população. Para Roberto Malvezzi, coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra, o gerenciamento das águas ficou relegado às leis de mercado sob o pretexto da escassez e da poluição. Segundo ele, "a lógica capitalista passa a aparecer como a melhor forma de gerenciar a água - quem tem dinheiro acessa, quem não tem fica fora". E completa: "antes, a água era de acesso livre à população. Qualquer um podia chegar com seu galão e levar a água para casa, ou banhar-se na fonte. À medida que se faz concessão de lavra, a água mineral passa a ser de uso privado".

Malvezzi ainda destaca que a água é explorada de forma insustentável e, muitas vezes, predatória, e cita o exemplo da Nestlé. A multinacional suíça é proprietária, desde 1992, do Parque das Águas da cidade de São Lourenço, que faz parte do Circuito das Águas mineiro e é economicamente vinculada às águas minerais. Em São Lourenço, a Nestlé foi acusada de secar uma fonte, demolir outra, perfurar um poço sem autorização legal e não aproveitar a água que dali jorrou por dois anos, uma vez que esta tinha elevado teor de ferro e, portanto, era imprópria para consumo. Posteriormente, ainda, a empresa teria alterado a composição química desta água, retirando o ferro para comercializá-la, procedimento considerado ilegal no país - a lei proíbe qualquer alteração no teor mineral das águas.

Como alternativa à privatização, Malvezzi defende que a água mineral seja gerenciada pelo Sistema Nacional de Recursos Hídricos (SNGRH) e não pelo Departamento Nacional de Produção Mineral. O SNGRH é responsável por implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos e entende a água como um bem de domínio público, que deve ser gerida de forma descentralizada, com a participação do poder público, dos usuários e das comunidades, embora seja dotada de valor econômico (e, portanto, passível de cobrança pelo uso) por ser um recurso natural limitado. Se a água fosse mantida como bem público, diz Malvezzi, seria necessário pensar na melhor forma de engarrafamento e distribuição do produto. "Por enquanto, ninguém sequer formulou uma proposta alternativa", admite.

Edital
Os interessados na exploração das águas minerais Araxá, Cambuquira, Caxambu e Lambari, no sul de Minas Gerais, tiveram até 14 de fevereiro para retirar o edital de concorrência pública na sede da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais), em Belo Horizonte. As propostas poderão ser enviadas para a Codemig a partir do dia 16 de fevereiro, sem data definida para o encerramento. A empresa que ganhar a concessão terá direito ao arrendamento, por 15 anos, renováveis por mais 15, dos direitos minerários, dos equipamentos e das instalações de envasamento das quatro marcas citadas.

Leia mais:
-Diretor do Ippur critica mercantilização da água
http://www.comciencia.br/entrevistas/2005/02/entrevista2.htm

-Hidronegócio
http://www.comciencia.br/reportagens/2005/02/15.shtml

-Falta regulamentação para o uso da água mineral subterrânea
http://www.comciencia.br/200404/noticias/4/agua.htm


(www.ecodebate.com.br) Fonte - ComCiência SBPC/Labjor - 02/02/2006
in http://www.comciencia.br/comciencia/?section=3¬icia=45

março 03, 2006

Soja afeta ambiente e trabalhadores no MA

Relatório de direitos humanos diz que expansão das plantações no leste do Maranhão ameça os recursos naturais e aumenta a migração

MARÍLIA JUSTE
da PrimaPagina

Produtores de soja da região do Baixo Parnaíba, no leste do Maranhão, estão infringindo os direitos humanos ao derrubar árvores ameaçadas de extinção e destruir nascentes de água, e também ao forçar a saída de populações tradicionais de seus locais de origem. A denúncia consta de um relatório apoiado por uma rede de organizações da sociedade civil, a Plataforma DhESCA Brasil (Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais). Os relatores alertam que, se não for revertida, a degradação pode resultar em mudanças climáticas na região — uma área típica de Cerrado, próxima da Floresta Amazônica e do Semi-Árido nordestindo.


A Plataforma DhESCA Brasil divulgou em meados de fevereiro um estudo sobre a situação dos direitos humanos no país, o Relatores Nacionais em Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais. Os pesquisadores envolvidos tiveram seu trabalho financiado pelo PNUD e foram acompanhados por um assistente ligado ao Programa de Voluntários da ONU. A DhESCA Brasil tem como membros, entre diversos órgãos, agências da ONU, a Comissão Justiça e Paz de São Paulo e o Movimento Nacional de Direitos Humanos.


A visita ao Baixo Parnaíba — mais especificamente, ao município maranhense de Chapadinha, a 170 quilômetros de São Luís — foi feita por dois relatores: Flávio Luiz Valente, do direito humano à alimentação, água e terra rural, e Lia Giraldo, do direito humano ao meio ambiente. O texto no relatório foi assinado por Valente e sua assistente, a voluntária Valéria Burity.


A expansão da cultura da soja, de acordo com Valente, está causando problemas “muito graves” na região. O relator afirma que visitou as fazendas e verificou pessoalmente a “destruição do meio ambiente”. Ele também foi procurado por dezenas de famílias que se queixavam de ter sido expulsas de seus locais de origem pelos fazendeiros e de ter dificuldade de acesso a recursos florestais como sementes e frutas — destruídas pelas lavouras de soja.


”Correntão”


A principal crítica dos relatores é sobre o fato de os fazendeiros usarem o “correntão” para a derrubada de árvores. Essa técnica consiste em prender cada uma das pontas de uma grande corrente em dois tratores, que andam em paralelo. Arrastada dessa maneira, a corrente derruba árvores de todos os tamanhos e espécies, afeta cursos d’água e ameaça pequenos animais. A prática é classificada, no relatório, como uma “clara violação aos direitos humanos ao meio ambiente, à água e à terra rural”.


Vilson Ambrozi, presidente da APACEL (Associação dos Produtores do Cerrado Leste Maranhense) — que reúne os fazendeiros de Chapadinha —, admite que a maioria dos membros da entidade faz uso do correntão. “Essa é a técnica mais barata para derrubar a mata e nós temos que usar o método mais barato disponível”, afirma. Mas, segundo Ambrozi, os produtores têm autorização do IBAMA para desmatar. “Ninguém é irresponsável aqui. Não só pela preocupação com o ambiente, mas porque nos preocupamos com nossos negócios. Ninguém é louco de fazer nada fora da lei. Se com a autorização do IBAMA, já temos um monte de ambientalistas reclamando, imagine sem? Ninguém ia poder trabalhar”, declara.


O relator diz que, de fato, alguns produtores têm documentos que autorizam a derrubada de árvores para o plantio da soja. Mas afirma que o que a maioria deles tem feito vai além da permissão do órgão federal. “Quem tem autorização pode desmatar uma pequena área, controlada. Mas não tem fiscalização disso. Então eles destroem uma área muito maior do que a que o IBAMA permitiu”, acusa. Valente afirma também que o instituto não autoriza, "de maneira alguma", a derrubada de árvores ameaçadas de extinção ou a destruição de mananciais. “Eu vi árvores de espécies em extinção já derrubadas, cortadas, prontas para virar carvão. É claro que eles deixam uma aqui e ali para poderem dizer que as preservam. Mas a maioria delas vai para o chão”, afirma.


O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) confirma que a licença de desmatamento realmente não dá permissão para que espécies ameaçadas sejam derrubadas. E as áreas de nascentes, pela legislação brasileira, são consideradas “de preservação permanente”. No entanto, não existe qualquer restrição ao uso do correntão, já que as autorizações de desmatamento não especificam qual técnica pode ou não ser usada. No relatório, Valente sugere que a prática seja proibida pelo governo federal e que o IBAMA intensifique a fiscalização das autorizações de desmatamentos para evitar abusos por parte dos produtores.


Migração


Outra denúncia feita pelo relatório diz respeito ao modo como as comunidades extrativistas locais são tratadas pelos fazendeiros. Segundo os moradores, a expansão da cultura de soja tem impedido que eles continuem a viver em seus locais de origem. Ambrozi, da APACEL, rebate essa crítica. “Ninguém morava nas áreas onde foram estabelecidas as fazendas. A população não está deixando Chapadinha por causa da expansão da soja. A população está deixando Chapadinha porque Chapadinha é pobre. Estamos em uma das regiões mais pobres do Estado mais pobre do país”.


Valente afirma que os produtores podem até não saber que havia pessoas nas terras que ocuparam, “mas isso não significa que elas não estavam lá”. “A população tradicional do Baixo Parnaíba é extrativista. Elas andam pelo território, tirando seu sustento daqui e dali. Quando a mata vira plantação de soja, elas não têm mais para onde ir nem de onde tirar suas subsistência”, afirma.


A posse das terras pelos fazendeiros também é alvo de discussões. Ambrozi afirma que todos os títulos de terras são legais. Mas, segundo Flávio Valente, há indícios de falsificações dos títulos.


Em defesa dos produtores rurais, Vilson Ambrozi afirma que os relatores responsáveis pelos estudos não visitaram as fazendas nem ouviram os fazendeiros. “Não é possível que um pesquisador faça uma acusação dessa gravidade ouvindo apenas um dos lados”, reclama. Valente afirma que convidou os membros da APACEL para todas as reuniões de elaboração do seu relatório. Em nenhuma delas eles compareceram. “Eles não podem dizer que não foi dada a oportunidade de serem ouvidos. Eles simplesmente não se manifestaram”, afirma.


O relatório recomenda que o governo federal investigue os problemas da expansão do agronegócio no Baixo Parnaíba. Na próxima quarta-feira, 8 de março, os relatores se encontram com representantes da Casa Civil e do Ministério do Meio Ambiente para apresentar suas recomendações para a região.

Entre o Sol e a Terra

Por Heitor Shimizu


Agência FAPESP - Que o Sol é a fonte de energia fundamental para a existência de vida na Terra, não é novidade para ninguém. Mas o que pouco se conhece é o real impacto no planeta de eventos ocorridos na estrela a 150 milhões de quilômetros de distância. Sabe-se que explosões solares podem afetar sistemas de telecomunicações, mas qual é o peso de tais eventos no clima ou mesmo para a população?

Muito se tem falado sobre as mudanças ambientais no planeta e em suas formas de vida, assunto que motiva discussões e eventos grandiosos, como a 8ª Conferência da Convenção sobre Diversidade Biológica das Partes, que será realizada em março, em Curitiba. Mas se o ambiente global tem sido debatido à exaustão, o mesmo não se pode dizer de outro ambiente extremamente importante, o espacial.

Para aumentar a compreensão atual do ambiente espacial, o Comitê Científico Internacional de Física Solar-Terrestre (Scostep) lançou o programa Cawses (Climate and Weather of the Sun-Earth System), para ser conduzido por pesquisadores de diversos países – entre os quais o Brasil – no período de 2004 a 2008.

Os progressos conseguidos pelo programa até o momento serão apresentados no 11º Simpósio Internacional sobre Sol, Ciência Espacial e Clima (STP-11), que começa na segunda-feira (6/3), no Rio de Janeiro. A programação do simpósio, que vai até 10 de março, está dividida nas quatro principais áreas temáticas no programa Cawses: Influência do Sol no clima; Clima espacial: ciência e aplicações; Processos de acoplamento atmosférico; Climatologia espacial.

“A realização do STP no Brasil é um acontecimento muito importante para a ciência brasileira, uma vez que o simpósio, que é realizado a cada quatro anos, apresenta os mais novos estudos sobre ambiente espacial”, explica Pierre Kaufmann, coordenador do centro de Radioastronomia e Astrofísica da Universidade Presbiteriana Mackenzie e presidente do comitê organizador do evento.

Embora o ambiente solar-terrestre seja geralmente considerado em termos de domínios físicos separados – como Sol, Terra, heliosfera, magnetosfera ou atmosfera –, trata-se de um sistema cujo estado em um determinado tempo e em uma região específica resulta de uma combinação de múltiplos processos físicos, que ocorrem simultaneamente ou em seqüência em vários domínios.

Segundo Kaufmann, há indícios de que fenômenos como explosões solares tenham grande influência no clima terrestre, além de provocar danos ou problemas em equipamentos. Como exemplos, cita o desligamento de disjuntores em linhas elétricas, motivando apagões, ou falhas nos satélites da constelação GPS, que podem deixar de funcionar por algum tempo. Dependendo do nível, a explosão solar pode até mesmo queimar componentes dos satélites em órbita da Terra.

Em setembro de 2005, em outro exemplo, os efeitos da quarta mais forte explosão solar em 15 anos foram sentidos em diversas partes das Américas do Sul e do Norte, resultando em panes momentâneas nas transmissões de rádio em alta freqüência.


Radiação no espaço

Apesar de o estudo da física solar-terrestre ser antigo – Galileu observou manchas solares no século 17 –, a importância da área cresceu especialmente nos últimos anos, quando os cientistas passaram a estudar com mais profundidade o ambiente espacial, em busca de entender melhor seus efeitos no ambiente terrestre.

Um exemplo de pesquisa recente vem da Inglaterra, feita por Giles Harrison e David Stephenson, da Universidade de Reading, e publicada em janeiro nos Proceedings of the Royal Society. Os dois analisaram dados de 50 anos de radiação solar, medidos em diversos pontos do planeta, para concluir que os raios cósmicos têm influência no clima.

Segundo o estudo, em dias com maiores níveis de radiação, as chances de o tempo ficar nublado aumentam em 20%. Os pesquisadores contam que, ao atingir a atmosfera terrestre, os raios solares produzem partículas carregadas que aparentemente estimulam o crescimento de nuvens. Para Harrison e Stephenson, se comparadas com os gases que provocam o efeito estufa, a influência da radiação solar é pequena, mas pode ajudar a explicar algumas das misteriosas mudanças no clima terrestre ocorridas no passado.

O Simpósio Internacional sobre Sol, Ciência Espacial e Clima ganha destaque também por ocorrer próximo à viagem do primeiro astronauta brasileiro, que deve seguir para a Estação Espacial Internacional em 30 de março.

A influência do ambiente espacial no ser humano é outro assunto que vem sendo estudado pela física solar-terrestre. Na superfície da Terra, a atmosfera protege o homem dos efeitos da radiação solar – ainda que isso não impeça as queimaduras na pele pelo excesso de exposição. Mas, no espaço, sem essa barreira natural, os raios atingem diretamente as naves. O que representa um grande problema para a exploração espacial.

“Nem precisa ir tão longe. Empresas aéreas já submetem as tripulações a exames periódicos para medir os efeitos da radiação”, diz Kaufmann. Se dentro de uma espaçonave ou estação espacial os efeitos da radiação solar podem ser significativos – embora não se saiba exatamente quanto –, ao sair dos veículos os astronautas estão muito mais sujeitos a riscos. E é essa uma das maiores preocupações da Nasa, a agência espacial norte-americana, que pretende enviar missões tripuladas à Lua e a Marte, nas próximas décadas.

Para destacar a relevância da física solar-terrestre, 2007 será o Ano Heliofísico Internacional, exatamente meio século após o Ano Geofísico Internacional, comemorado em 1957, mesmo ano em que foi lançado o primeiro satélite, o Sputnik soviético, dando início à exploração do espaço pelo homem.

STP-11: www.grahnoperator.com.br/events/scostep

Estudo deve pedir fechamento do porto de empresa dos EUA na Amazônia, prevê ambientalista

Brasília – O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) deve concluir pelo fechamento do porto construído pela empresa norte-americana Cargill, acredita André Muggiati, militante da organização ambientalista Greenpeace. De acordo com ele, o estudo deverá mostrar os impactos sofridos desde a instalação do porto, em 2003, na cidade de Santarém, às margens do rio Tapajós, no norte paraense.

A Justiça determinou a realização de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) na área em que a empresa nortea-americana Cargill construiu um porto para grãos. Após três anos de funcionamento o Tribunal Regional Federal da 1º Região derrubou os recursos da Cargill, especializada na produção de grãos, contra ação movida pelo Ministério Público Federal que pediu a realização do EIA. O estudo não foi exigido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Pará (Sectam) quando autorizou o funcionamento do porto.

"Não existe compensação, como você vai compensar milhares de hectares de floresta que vem sendo desmatado ano a ano", questiona Muggiati. Dados do Greenpeace apontam que entre 2003 e 2004 foram desmatados 53 mil hectares de florestas em Santarém como conseqüência do aumento do cultivo de soja na região. Outro problema é que a área do porto é um sítio arqueológico ainda não estudado onde foram encontrados vestígios de cerâmica de civilizações pré-colombianas.

Os impactos são também sociais, de acordo com Muggiati. Ele conta que o porto atraiu produtores de soja de outras regiões que passaram a comprar e grilar terras, acabando assim com a agricultura familiar que antes ocupava Santarém. Esse movimento, segundo ele, empurrou os agricultores para as periferias da cidade. "Essas pessoas hoje vivem na periferia, não têm formação para obter um emprego e a maioria dos empregos que a Cargill criou são ocupados por pessoas vindas de fora", afirma.

A Cargill informou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai comentar a decisão do Tribunal Regional Federal que foi publicada no Diário de Justiça do dia 03 de fevereiro. Com sede nos Estados Unidos, a Cargill é uma empresa fornecedora de alimentos, produtos agrícolas e de gerenciamento de risco.

Yara Aquino


Local: Brasília - DF
Fonte: Radiobrás
Link: http://www.radiobras.gov.br

março 02, 2006

Carnaval Populacional

Por Marcelo Leite em Ciência em Dia

Hoje (25/2/2006) em torno das 21h16, quando a Unidos do Peruche estiver se aquecendo para entrar no Sambódromo Adoniran Barbosa com o enredo em homenagem ao centenário do vôo de Santos Dumont com o 14-Bis, o mundo vai ganhar o seu 6.500.000.000º habitante. Não sei se a notícia vai estar em algum jornal brasileiro, mas é MUITO mais importante que os peitos da Sabrina Sato (nada contra eles, claro).

Foi graças ao blog 3quarksdaily que li a reportagem da MSNBC sobre a projeção do Birô do censo dos Estados Unidos. É CLARO que essas projeções têm uma enorme margem de erro, como assinala a matéria. Mas o que importa é em algum momento desses dias, semanas ou meses o planeta vai ultrapassar mais uma marca simbólica acachapante. Pense bem: 6,5 bilhões de pessoas.

Um outro terço disso se divide entre China e Índia. Embora a fertilidade nesses países esteja caindo vertiginosamente, em especial na China, eles ainda guardam uma grande quantidade de momento populacional, como dizem os demógrafos. Simplificando, um montão de gente entrando ainda em idade reprodutiva. Mesmo que cada casal tenha um só filho, ainda vai nascer um bocado de asiático antes que a mortalidade desequilibre a balança em favor da diminuição da população (coisa que já acontece em muitos países da Europa, Itália em destaque).

Seis bilhões e meio é muito? Não vão faltar cabeças-de-planilha ou jornalistas que gostam de épater l'écologiste para dizer que não, que o mercado vai dar um jeito (vai, mesmo, disso não resta dúvida - mas a que preço?). Não há porém tecnologia, mercado futuro ou de derivativos que dê conta da finitude dos recursos da Terra, que os mais otimistas acreditam ser capaz de sustentar somente uns 4 bilhões de pessoas. Por sua complexidade, no entanto, trata-se de um sistema com grande inércia, que demora a reagir, mas que também tarda a responder quando se trata de corrigir alguma rota - como o iceberg da mudança climática, por exemplo.

De todo modo, anote aí algumas informações bacanas do estudo:
- a cada segundo nascem 4,4 pessoas;
- foi necessária só uma dúzia de anos para que mais 1 bilhão de pessoas fosse acrescentado à população da Terra;
- às 18h36 de 18 de outubro de 2012, ano-limite para os países desenvolvidos cumprirem suas metas de redução de gases-estufa previstas no Protocolo de Kyoto, a Terra ganhará seu 7.000.000.000º humano;
- até 2050, possivelmente, a população da Terra alcançará um pico de 9 bilhões ou 10 bilhões, quando então começará a declinar.

Quem viver verá.

Ver para crer: uma guerra pela água pode estar prestes a ser travada

Por Clarissa Taguchi

Quantos de nós parecem se incomodar com a falta de água para beber, tomar banho, cozinhar ou apertar o botão da descarga? Não parece, mas somos muitos. Somos muito mais do que aqueles que reclamam quando a cisterna seca no ápice do verão. Somos aqueles que vivem em cidades menores, que dependem diretamente da água de rios, riachos, nascentes e de poços artesianos. Somos aqueles que vivem em bairros esquecidos das cidades maiores, onde o saneamento básico (água e esgoto) ainda não chegou.

Somos mais de 45 milhões de brasileiros sem acesso à água potável e mais de 90 milhões sem acesso à rede de esgoto (dados do IBGE em 2004). No mundo somos 1,197 bilhão de pessoas sem acesso à água potável e 2,742 bilhões sem saneamento básico (dados do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2004). De acordo com a ONU, 41% da superfície atual do planeta é formada por áreas secas, como o semi-árido brasileiro, e 2 bilhões de pessoas vivem nessas áreas. Somos todas essas pessoas, de regiões secas ou úmidas, que não têm acesso à água para beber.

Imagine então, quando nos multiplicarmos. Imagine além, quando a desertificação for intensificada pelas mudanças climáticas. E imagine mais, quando a água cristalina que vemos embalada em garrafas pet, ou que sai da torneira de nossas casas, for contaminada pelos sistemas de esgoto mal tratados, pelo uso de agrotóxico das lavouras, pelo descarte de lixo tóxico das indústrias.

Saiba que não é preciso imaginar. Todos os dias, rios, riachos, lençóis e aqüíferos são contaminados. Todos os dias a estiagem atinge regiões onde antes não atingia, chegando a durar o dobro de tempo do que em décadas passadas. E todos os dias, em qualquer parte do planeta, nascentes são adquiridas por empresas transnacionais. Mas saiba também, que todos os dias seguem, um atrás do outro, sem parar nem por um segundo.

Mesmo assim não doeu?

Talvez seja uma boa idéia guardar a conta de água de hoje, a notinha da garrafa pet de água de hoje, moldurar na parede, e contar os dias daqui para frente. Contar também, quantas garrafas de água dava para comprar, e quantas outras coisas dava para comprar. Porque se considerarmos todos os bens de consumo que dependem da água para serem fabricados, sobra o quê?

Pensando assim, Michael McCarthy, editor de meio ambiente do jornal inglês The Independent, deu início a uma série de artigos colocando a água como próximo motivo de conflito entre as Nações. “As sociedades industrializadas do Oeste ainda não perceberam, que o recurso água encontra-se cada vez mais escasso para a maioria das populações pelo mundo, cerca de 1.1 bilhão de pessoas não tem acesso à água limpa, e isso tende a piorar”, diz.

“A maioria das pessoas quando pensa em água, visualiza o globo terrestre composto de dois terços de água, mas a maioria não sabe que apenas 2,5% dessa água não contém sal e dessa quantidade de água, dois terços encontram-se nas geleiras e glaciais. O que está disponível, em lagos, rios, aqüíferos e pela chuva, sofre uma pressão cada vez maior”, lembra McCarthy.

Em 2003, um relatório das Nações Unidas previu, na pior das hipóteses, que no meio deste século, 7 bilhões de pessoas em 60 países enfrentariam escasses de água. Se todas as medidas políticas forem cumpridas, esse número cairia para 2 bilhões em 48 países. Mas é preciso lembrar que em 2003, período em que o relatório foi lançado, o maior colaborador do fenômeno desertificação não havia sido devidamente reconhecido: as mudanças climáticas provocadas pelas ação de gases do efeito estufa emitidos pelas atividades humanas no planeta. Para McCarthy, é provável que as mudanças climáticas aumentem em 50% as condições para escasses de água.

A posição da Inglaterra

Segundo o jornal The Independent, “o Ministro da Defesa da Grã-Bretanha, John Reid, fez uma previsão sombria de que a violência e conflito político se tornarão mais prováveis nos próximos 20 ou 30 anos, na medida em que aumentar a desertificação, o derretimento das calotas polares e o envenenamento de fontes de água”. John Reid apontou as mudanças climáticas como o motivo dos conflitos violentos causados com o crescente aumento da população e a diminuição das reservas de água.

As declarações de Reid fizeram com que a pressão exercida por ambientalistas e especialistas do clima aumentasse com relação às emissões de gases do efeito estufa. Os ativistas esperam modelar uma nova campanha para exercer ações sobre as mudanças climáticas aos moldes da campanha ‘Make Poverty History’ do ano passado, que exerceu imensa pressão popular. O Primeiro Ministro Tony Blair já declarou que “o aquecimento global é a maior ameaça a longo prazo enfrentada pelo planeta”.

Para o Ministro da Defesa, as mudanças climáticas podem ser consideradas tão ameaçadoras para os próximos 20 e 30 anos quanto o terrorismo internacional, as mudanças demográficas e a demanda energética. “As Forças Armadas Britânicas deverão estar preparadas para enfrentar conflitos de recursos em escasses, deveremos estar preparados para dar alento humanitário aos desastres, medidas de segurança e pacificação em locais abalados politicamente e socialmente como conseqüência de desastres da mudança climática”, diz.

Em contrapartida, Charlie Kornick, coordenador da campanha sobre o clima da organização ambientalista Greenpeace, diz que “bilhões de pessoas já enfrentam a pressão da escassês de água devido às mudanças climáticas na África, Ásia e América do Sul, se os políticos perceberem o tamanho da gravidade que o problema pode se tornar, por que as emissões de gases CO2 na Inglaterra ainda continuam aumentando?”.


Os conflitos

De acordo com o mesmo jornal inglês, os conflitos tendem a vir das seguintes Nações:

Israel, Jordânia e Palestina: 5% da população do mundo sobrevive com 1 por cento da sua água disponível no Oriente Médio, nesse contexto ainda há a guerra entre árabes e israelenses. Isso poderia contribuir para crises militares adicionais enquanto o aquecimento global continua. Israel, os territórios palestinos e a Jordânia necessitam do rio Jordão mas Israel o controla e corta suas fontes durante épocas do escassês.. O consumo palestino é restringido severamente por Israel.

Turquia e Síria: Os projetos da Turquia para construir represas no rio de Euphrates levaram o país à beira de um conflito com a Síria em 1998. Damasco acusa Ancara de usar deliberadamente sua fonte de água enquanto o rio desce pelo país que acusa a Síria de proteger líderes separatistas curdos. A falta de água ocasionadas pelo aquecimento global aumentará a pressão nesta volátil região.

China e Índia: O rio de Brahmaputra já causou tensão entre Índia e China e pode se tornar uma faísca para dois dos maiores exércitos do mundo. Em 2000, Índia acusa China de não compartilhar informações sobre o funcionamento do rio desde o Tibet que causou inundações no nordeste da Índia e em Bangladesh. As propostas chinesas para desviar o rio também concernem à Deli.

Angola e Namíbia: As tensões aumentaram entre Botswana, Namíbia e Angola em torno da vasta bacia de Okavango. As secas fizeram a Namíbia reativar projetos para um encanamento da água de 250-milhas para fornecimento à capital. Drenar o delta seria letal para comunidades locais e para o turismo. Sem a inundação anual do norte, os ‘swamps’ encolherão e a água sangrará até o deserto de Kalahari.

Etiópia e Egito: O crescimento populacional no Egito, Sudão e Etiópia está ameaçando um conflito ao longo do rio mais comprido do mundo, o Nilo. A Etiópia está pressionando por uma parte maior da água azul do Nilo mas isso prejudicaria o Egito. E o Egipto está preocupado com a parte branca do Nilo que corre através de Uganda e Sudão, e que poderia ser esgotado também antes que alcance o deserto de Sinai.

Bangladesh e Índia: As inundações no Ganges causadas pelo derretimento das geleiras do Himalaia chegam à Bangladesh o que leva a uma ascensão na migração ilegal à Índia. Isto fez com que a Índia construísse uma imensa cerca na beira do rio na tentativa de obstruir os imigrantes. Cerca de 6.000 pessoas cruzam ilegalmente pela beira do rio em direção à India a cada dia.

Os fatos, segundo Michael McCarthy

 Em nosso planeta aquoso, 97.5% da água é salobra, inadequada para o uso humano.
 A maioria da água fresca está presa nas geleiras e glaciais.
 A necessidade básica recomendada de água por a pessoa num dia é 50 litros. Mas as pessoas podem utilizar algo perto de aproximadamente 30 litros: 5 litros para alimento e bebida e uns outros 25 para a higiene.
 Alguns países usam menos de 10 litros de água por pessoa ao dia. Gambia usa 4.5, Mali 8, Somália 8.9, e Moçambique 9.3.
 Em contraste o cidadão médio dos EUA usa 500 litros de água por dia, e a média britânica é 200.
 No oeste, é utilizado cerca de aproximadamente 8 litros para escovar os dentes, 10 a 35 litros para nivelar a descarga, e 100 a 200 litros para tomar banho.
 Litros de água necessários para produzir 1 Quilo de:
-Batata 1.000 L
-Milho 1.400 L
-Trigo 1.450 L
-Galinha 4.600 L
-Carne 42.500 L


Matérias selecionadas do jornal inglês The Independent:

World's most precious commodity is getting even scarcer
Ask yourself what the world's most precious commodity is, and you might say gold; you might say diamonds. You'd be wrong on both counts. The answer is water. By Michael McCarthy, published at 28 February 2006 [http://news.independent.co.uk/environment/article348195.ece]

Water Wars: Climate change may spark conflict
John Reid warns climate change may spark conflict between nations - and says British armed forces must be ready to tackle the violence. By Michael McCarthy, published at 28 February 2006 [http://news.independent.co.uk/environment/article348177.ece]

Armed forces are put on standby to tackle threat of wars over water
Yesterday, Britain's Defence Secretary, John Reid, pointed to the factor hastening the violent collision between a rising world population and a shrinking world water resource: global warming. By Ben Russell, and Nigel Morris, published at 28 February 2006 [http://news.independent.co.uk/environment/article348196.ece]

Organizações lançam campanha contra a construção das usinas do Complexo Rio Madeira

5 mil cópias de uma cartilha sobre o assunto começaram a ser distribuídas gratuitamente

Manaus, AM – O lançamento de uma cartilha com os impactos socioambientais previstos com a construção das usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, deu início nesta quarta-feira (22) a uma mobilização contra esse projeto.

O presidente da organização ambientalista Rio Terra, Alexis Bastos, disse que a cartilha Viva o Rio Madeira Vivo "é o começo de uma campanha popular de mobilização contra essas obras". O texto de 22 páginas será apresentado no Fórum de Debates sobre Energia de Rondônia (Foren) em Porto Velho. "Aqui no estado só o lado bom do empreendimento está sendo apresentado às pessoas, por Furnas, pela mídia e pelo governo", disse.

O organizador do texto, Artur Moret, doutor em Planejamento Energético e professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), disse que é preciso "mostrar o que está por trás da construção dessas usinas, que modelo de integração da Amazônia é esse, que não inclui as pessoas e só se preocupa com o capital".

Moret explicou que foram feitas 5 mil cópias da cartilha, que serão distribuídas gratuitamente em escolas, faculdades, organizações não-governamentais (ONGs), movimentos sociais e veículos de comunicação. "O texto é voltado para formadores de opinião, ele é difícil para quem não tem hábito de leitura", esclareceu Moret. "Mas já estamos trabalhando em uma outra cartilha, mais ilustrada e com linguagem mais simples".

O local do lançamento da campanha é estratégico: na Praça da Estrada de Ferro Madeira Mamoré - Porto Velho, ferrovia que será parcialmente alagada pelas barragens. Além da perda do patrimônio histórico, outros problemas que o empreendimento trará ao estado, apontadas pela cartilha, são o reassentamento de dois mil ribeirinhos, que terão suas casas alagadas, enfrentarão dificuldades em conseguir indenização (porque não possuem documento da terra) e perderão sua fonte de renda (a pesca); o inchamento populacional de Porto Velho; o assoreamento do rio Madeira, nos trechos anteriores às barragens; as alterações ambientais nocivas aos animais e plantas protegidos pelas estações ecológicas de Moji Canava e Serra Dois Irmãos, que ficam na área de influência das usinas.

A capacidade de geração das novas hidrelétricas será de 6,45 mil megawatts, mais da metade da energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu (a maior do Brasil, com potencial de gerar 11,20 mil megawatts) e 20 vezes o atual consumo total de energia em Rondônia. A construção das duas barragens faz parte da viabilização da hidrovia do rio Madeira, que vai permitir o transporte da soja do Centro-Oeste pelo Oceano Pacífico, passando pela Bolívia e pelo Peru.

As obras devem demorar de oito a dez anos - e só serão iniciadas após a obtenção da licença ambiental prévia, seguida da concorrência pública para sua execução (por meio dos chamados leilões de energia). O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ainda analisa o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) elaborado pelas Furnas Centrais Elétricas e pela construtora Odebrecht. A audiência pública em Rondônia está prevista para abril.

O site www.riomadeiravivo.org deverá trazer informações e ações da campanha Rio Madeira Vivo. Fazem parte do fórum o Grupo de Pesquisa em Energia Renovável e Sustentável da Unir, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a ong ambientalista Canindé, a rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), a Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR), a ONG Rio Terra e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).


Fonte: Agência Brasil

março 01, 2006

James Lovelock: The Earth is about to catch a morbid fever that may last as long as 100,000 years

Each nation must find the best use of its resources to sustain civilisation for as long as they can

Published: 16 January 2006

Imagine a young policewoman delighted in the fulfilment of her vocation; then imagine her having to tell a family whose child had strayed that he had been found dead, murdered in a nearby wood. Or think of a young physician newly appointed who has to tell you that the biopsy revealed invasion by an aggressive metastasising tumour. Doctors and the police know that many accept the simple awful truth with dignity but others try in vain to deny it.

Whatever the response, the bringers of such bad news rarely become hardened to their task and some dread it. We have relieved judges of the awesome responsibility of passing the death sentence, but at least they had some comfort from its frequent moral justification. Physicians and the police have no escape from their duty.

This article is the most difficult I have written and for the same reasons. My Gaia theory sees the Earth behaving as if it were alive, and clearly anything alive can enjoy good health, or suffer disease. Gaia has made me a planetary physician and I take my profession seriously, and now I, too, have to bring bad news.

The climate centres around the world, which are the equivalent of the pathology lab of a hospital, have reported the Earth's physical condition, and the climate specialists see it as seriously ill, and soon to pass into a morbid fever that may last as long as 100,000 years. I have to tell you, as members of the Earth's family and an intimate part of it, that you and especially civilisation are in grave danger.

Our planet has kept itself healthy and fit for life, just like an animal does, for most of the more than three billion years of its existence. It was ill luck that we started polluting at a time when the sun is too hot for comfort. We have given Gaia a fever and soon her condition will worsen to a state like a coma. She has been there before and recovered, but it took more than 100,000 years. We are responsible and will suffer the consequences: as the century progresses, the temperature will rise 8 degrees centigrade in temperate regions and 5 degrees in the tropics.

Much of the tropical land mass will become scrub and desert, and will no longer serve for regulation; this adds to the 40 per cent of the Earth's surface we have depleted to feed ourselves.

Curiously, aerosol pollution of the northern hemisphere reduces global warming by reflecting sunlight back to space. This "global dimming" is transient and could disappear in a few days like the smoke that it is, leaving us fully exposed to the heat of the global greenhouse. We are in a fool's climate, accidentally kept cool by smoke, and before this century is over billions of us will die and the few breeding pairs of people that survive will be in the Arctic where the climate remains tolerable.

By failing to see that the Earth regulates its climate and composition, we have blundered into trying to do it ourselves, acting as if we were in charge. By doing this, we condemn ourselves to the worst form of slavery. If we chose to be the stewards of the Earth, then we are responsible for keeping the atmosphere, the ocean and the land surface right for life. A task we would soon find impossible - and something before we treated Gaia so badly, she had freely done for us.

To understand how impossible it is, think about how you would regulate your own temperature or the composition of your blood. Those with failing kidneys know the never-ending daily difficulty of adjusting water, salt and protein intake. The technological fix of dialysis helps, but is no replacement for living healthy kidneys.

My new book The Revenge of Gaia expands these thoughts, but you still may ask why science took so long to recognise the true nature of the Earth. I think it is because Darwin's vision was so good and clear that it has taken until now to digest it. In his time, little was known about the chemistry of the atmosphere and oceans, and there would have been little reason for him to wonder if organisms changed their environment as well as adapting to it.

Had it been known then that life and the environment are closely coupled, Darwin would have seen that evolution involved not just the organisms, but the whole planetary surface. We might then have looked upon the Earth as if it were alive, and known that we cannot pollute the air or use the Earth's skin - its forest and ocean ecosystems - as a mere source of products to feed ourselves and furnish our homes. We would have felt instinctively that those ecosystems must be left untouched because they were part of the living Earth.

So what should we do? First, we have to keep in mind the awesome pace of change and realise how little time is left to act; and then each community and nation must find the best use of the resources they have to sustain civilisation for as long as they can. Civilisation is energy-intensive and we cannot turn it off without crashing, so we need the security of a powered descent. On these British Isles, we are used to thinking of all humanity and not just ourselves; environmental change is global, but we have to deal with the consequences here in the UK.

Unfortunately our nation is now so urbanised as to be like a large city and we have only a small acreage of agriculture and forestry. We are dependent on the trading world for sustenance; climate change will deny us regular supplies of food and fuel from overseas.

We could grow enough to feed ourselves on the diet of the Second World War, but the notion that there is land to spare to grow biofuels, or be the site of wind farms, is ludicrous. We will do our best to survive, but sadly I cannot see the United States or the emerging economies of China and India cutting back in time, and they are the main source of emissions. The worst will happen and survivors will have to adapt to a hell of a climate.

Perhaps the saddest thing is that Gaia will lose as much or more than we do. Not only will wildlife and whole ecosystems go extinct, but in human civilisation the planet has a precious resource. We are not merely a disease; we are, through our intelligence and communication, the nervous system of the planet. Through us, Gaia has seen herself from space, and begins to know her place in the universe.

We should be the heart and mind of the Earth, not its malady. So let us be brave and cease thinking of human needs and rights alone, and see that we have harmed the living Earth and need to make our peace with Gaia. We must do it while we are still strong enough to negotiate, and not a broken rabble led by brutal war lords. Most of all, we should remember that we are a part of it, and it is indeed our home.

The writer is an independent environmental scientist and Fellow of the Royal Society. 'The Revenge of Gaia' is published by Penguin on 2 February

Tradução:

James Lovelock: A Terra está prestes a ficar com uma febre mórbida que talvez dure 100 mil anos.
Toda Nação precisa encontrar a melhor forma de usar seus recursos naturais de maneira a sustentar a civilização pelo maior tempo possível.

Publicado em 16 de Janeiro de 2006.

Imagine uma jovem policial trabalhando no cumprimento de sua vocação, depois imagine-a tendo que dizer a uma família cuja criança desaparecida foi encontrada morta, assassinada num bosque da redondeza. Ou então imagine um jovem fisiologista recém contratado ter que lhe dizer que a sua biópsia revelou uma invasão de um tumor em estado agressivo de metástase. Os médicos e a polícia sabem que muitos aceitam verdades terríveis com dignidade enquanto outros tentam em vão negá-la.

Qualquer que seja a reação, trazer notícias tão ruins raramente se tornam fáceis para quem cumpri sua tarefa, alguns a temem, inclusive. Nós livramos os juízes da horrível responsabilidade de aplicar a pena de morte, mas ao menos eles tinham algum conforto nas freqüentes justificativas morais. Médicos e policiais não têm como escapar ao seu dever.

Este é o artigo mais difícil que escrevi e pelas mesmas razões. Minha Teoria Gaia enxerga o comportamento da Terra como se ela estivesse viva, e claramente, como qualquer ser vivo pode gozar de boa saúde ou sofrer de alguma doença. Gaia fez de mim um fisiologista da Terra e eu levo minha profissão à sério, e agora, também tenho más notícias a trazer.

Os centros de estudo do clima ao redor do mundo, que equivalem ao laboratório de patologia de um hospital, tem reportado as condições de saúde da Terra. Especialistas do clima a vêem seriamente comprometida, e logo o aumento das temperaturas será mórbido podendo durar longos 10 mil anos. Eu devo lhe dizer, como membros da família Terra que somos, que você e especialmente a civilização corre grande perigo.

Nosso planeta manteve-se saudável e adequado à vida, assim como um animal faz, por grande parte dos seus mais de 3 bilhões de anos de existência. Foi má sorte começarmos a poluir no momento em que o Sol está quente de mais para ajudar. Demos à Gaia um estado de febre e logo sua condição irá piorar a um estágio de coma. Ela já esteve lá e se recuperou, mas isso levou mais que 10 mil anos. Nós somos responsáveis e sofreremos as conseqüências: enquanto o século caminha, a temperatura deverá subir 8o celsius em regiões de clima temperado e 5o celsius em regiões tropicais.

A maior parte das regiões tropicais se transformará em deserto e áreas secas, não servindo mais à regulação do clima. E isso se adiciona aos 40% de superfície terrestre que devastamos para nos alimentar.

Curiosamente, a poluição poe aerossóis do Hemisfério Norte reduziu o aquecimento global ao refletir a luz solar de volta ao espaço. Este ‘escurecimento global’ é transitório e tende a desaparecer em alguns dias, como a fumaça que é. Isso nos deixará totalmente expostos ao calor da estufa global. Nós estamos numa traquinagem climática, acidentalmente mantida mais fria pela fumaça; e antes que o século acabe, bilhões de nós morreremos e muito poucos remanescentes das raças que sobrarem estarão no Ártico onde o clima ainda permanecerá tolerável.

Ao falharmos em perceber que a Terra auto-regula seu clima e sua composição, nos enganamos tentando fazer isso nós mesmos, agundo como se estivéssemos em posição de fazê-lo. E assim, condenamos a nós mesmos a pior forma de escravidão. Se escolhêssemos ser como ferramentas da Terra, então teríamos que ser responsáveis pela manutenção da atmosfera, dos oceanos e da superfície terrestre, ideais para a vida. Tarefa que logo veríamos como impossível de ser realizada – tratamos Gaia tão mal enquanto ela deliberadamente fez tudo por nós.

Para entender o quanto é impossível, pense sobre como você faria para regular a sua própria temperatura ou a composição do seu sangue. Aqueles com rins comprometidos sabem a diária dificuldade sem fim de balancear a quantidade de água, sal e proteína a ingerir.

Meu novo livro ‘A vingança de Gaia’ expande esses pensamentos, mas ainda nos perguntamos como a ciência levou tanto tempo para reconhecer a verdadeira natureza da Terra. Penso que isso se deve à visão de Darwin que foi tão boa e clara que mesmo nos dias de hoje não é completamente entendida. No seu tempo, pouco se sabia sobre a química da atmosfera e oceanos, então, menos razões ainda para que ele questionasse se são os organismos que mudam o meio ambiente além de se adaptarem a ele.

Se fosse conhecido que a vida e o ambiente formam um casal tão próximo, Darwin teria visto que a evolução envolve não apenas os organismos, mas toda a superfície do planeta. Nós precisamos ver a Terra como se ela estivesse viva, e sabendo que não podemos poluir o ar ou usar sua pele – suas florestas e o ecossistema dos oceanos – como mera fonte de recursos para fabricação de produtos para nos alimentar e mobilhar nossas casas, nós sentiríamos instintivamente, que os ecossistemas precisam ser deixados intocados porque eles são parte da Terra viva.

Então o que devemos fazer? Primeiro, devemos ter em mente o incrível ritmo de mudança e perceber o pequeno tempo que temos sobrando para agir, e então cada comunidade e nação precisa encontrar seus melhores recursos disponíveis para sustentar a civilização pelo maior tempo possível. A civilização usa intensamente energia e não podemos nos desligar sem uma queda brusca, então, necessitamos da segrança de uma diminuição energética. Nas Ilhas Britânicas, nos acostumamos a pensar em toda a humanidade e não apenas em nós mesmos, a mudança no meio ambiente é global, mas temos que lidar com as conseqüências daqui do Reino Unido.

Infelizmente, nossa nação é no momento tão urbana, como uma imensa cidade, que temos apenas uma pequena porção de agricultura e florestas. Somos dependentes do comércio mundial para nossa subsistência, as mudanças climáticas irão nos negar o suprimento regular de comida e combustíveis vidos de outros continentes.

Poderemos produzir o suficiente para uma dieta da 2a Guerra Mundial, mas a noção de que será necessário separar terras para o cultivo de biocombustíveis, ou fazendas de energia eólica é ridículo. Nós faremos o melhor para sobreviver, mas infelizmente eu não vejo os Estados Unidos ou as economias emergentes da China e Índia voltando no tempo, e eles são os grande emissores. O pior irá acontecer e os sobreviventes deverão se adaptar num clima infernal.

Talvez a parte mais triste seja que Gaia irá perder muito mais do que nós. Não apenas a vida silvestre e seu inteiro ecossistema irá se extinguir, mas na civilização humana o planeta tem um recurso precioso. Não somos apenas uma doença, nós somos através de nossa inteligência e comunicação, o sistema nervosos do planeta. Através de nós, Gaia pôde ver-se do espaço e começar a conhecer seu lugar no Universo.

Deveríamos ser o coração e a mente da Terra, e não sua moléstia. Então, sejamos bravos e paremos de pensar somente nas necessidades e direitos dos homens, vejamos que prejudicamos a Terra viva e que precisamos fazer as pazes com Gaia. Precisamos fazer isso enquanto ainda somos fortes o suficiente para negociar e não uma turba desmanchada liderada por brutais senhores da guerra. Acima de tudo, precisamos lembrar que somos parte dela e que ela também é nossa casa.

The writer is an independent environmental scientist and Fellow of the Royal Society. 'The Revenge of Gaia' is published by Penguin on 2 February
http://panoramaecologia.blogspot.com/2006/03/james-lovelock-earth-is-about-to-catch.html
http://comment.independent.co.uk/commentators/article338830.ece

Armed forces are put on standby to tackle threat of wars over water

By Ben Russell, and Nigel Morris
Published: 28 February 2006
Across the world, they are coming: the water wars. From Israel to India, from Turkey to Botswana, arguments are going on over disputed water supplies that may soon burst into open conflict.

Yesterday, Britain's Defence Secretary, John Reid, pointed to the factor hastening the violent collision between a rising world population and a shrinking world water resource: global warming.

In a grim first intervention in the climate-change debate, the Defence Secretary issued a bleak forecast that violence and political conflict would become more likely in the next 20 to 30 years as climate change turned land into desert, melted ice fields and poisoned water supplies.

Climate campaigners echoed Mr Reid's warning, and demanded that ministers redouble their efforts to curb carbon emissions.

Tony Blair will today host a crisis Downing Street summit to address what he called "the major long-term threat facing our planet", signalling alarm within Government at the political consequences of failing to deal with the spectre of global warming.

Activists are modelling their campaign on last year's Make Poverty History movement in the hope of creating immense popular pressure for action on climate change.

Mr Reid used a speech at Chatham House last night to deliver a stark assessment of the potential impact of rising temperatures on the political and human make-up of the world. He listed climate change alongside the major threats facing the world in future decades, including international terrorism, demographic changes and global energy demand.

Mr Reid signalled Britain's armed forces would have to be prepared to tackle conflicts over dwindling resources. Military planners have already started considering the potential impact of global warming for Britain's armed forces over the next 20 to 30 years. They accept some climate change is inevitable, and warn Britain must be prepared for humanitarian disaster relief, peacekeeping and warfare to deal with the dramatic social and political consequences of climate change.

Mr Reid warned of increasing uncertainty about the future of the countries least well equipped to deal with flooding, water shortages and valuable agricultural land turning to desert.

He said climate change was already a contributory factor in conflicts in Africa.

Mr Reid said: "As we look beyond the next decade, we see uncertainty growing; uncertainty about the geopolitical and human consequences of climate change.

"Impacts such as flooding, melting permafrost and desertification could lead to loss of agricultural land, poisoning of water supplies and destruction of economic infrastructure.

"More than 300 million people in Africa currently lack access to safe water; climate change will worsen this dire situation."

He added: "These changes are not just of interest to the geographer or the demographer; they will make scarce resources, clean water, viable agricultural land even scarcer.

"Such changes make the emergence of violent conflict more rather than less likely... The blunt truth is that the lack of water and agricultural land is a significant contributory factor to the tragic conflict we see unfolding in Darfur. We should see this as a warning sign."

Tony Juniper, the executive director of Friends of the Earth, said: "The science of global warming is becoming ever more certain about the scale of the problem we have, and now the implications of that for security and politics is beginning to emerge."

He said the problems could be most acute in the Middle East and North Africa.

Charlie Kornick, head of climate campaigning at the pressure group Greenpeace, said billions of people faced pressure on water supplies due to climate change across Africa, Asia and South America. He said: "If politicians realise how serious the problems could be, why are British CO2 emissions still going up?"

Tony Blair will be joined by the Chancellor Gordon Brown, the Environment Secretary, Margaret Beckett, and the International Development Secretary, Hilary Benn, at today's talks in Downing Street.

They will be meeting representatives of the recently created Stop Climate Chaos, an alliance of environmental groups including Greenpeace, Friends of the Earth and Oxfam. It will also meet opposition parties.

The alliance will call for the Government to commit itself to achieving a 3 per cent annual fall in carbon dioxide emissions.

The facts

* On our watery planet, 97.5 per cent of water is salt water, unfit for human use.

* Most of the fresh water is locked in the ice caps.

* The recommended basic water requirement per person per day is 50 litres. But people can get by with about 30 litres: 5 litres for food and drink and another 25 for hygiene.

* Some countries use less than 10 litres per person per day. Gambia uses 4.5, Mali 8, Somalia 8.9, and Mozambique 9.3.

* By contrast the average US citizen uses 500 litres per day, and the British average is 200.

* In the West, it takes about eight litres to brush our teeth, 10 to 35 litres to flush a lavatory, and 100 to 200 litres to take a shower.

* The litres of water needed to produce a kilo of:

Potatoes 1,000

Maize 1,400

Wheat 1,450

Chicken 4,600

Beef 42,500

Mike McCarthy

Michael McCarthy: World's most precious commodity is getting even scarcer

Ask yourself what the world's most precious commodity is, and you might say gold; you might say diamonds. You'd be wrong on both counts. The answer is water.

If by "most precious" we mean what's most desired by most people, nothing comes close to water - fresh, clean water, that is.

This basic truth has been hidden from us in the rich Western countries because we have long had such a plentiful supply. But much of the rest of the world has had no such luxury.

Across the globe, perhaps a third of all people suffer from "water stress". There are 1.1 billion people lacking access to clean water, 2.4 billion lacking access to improved sanitation, and half the world's hospital beds at any one time are thought to be occupied by people suffering from water-borne diseases. You think this is bad? It's going to get worse.

In 2003 a UN report predicted that by the middle of the century - in the worst case - 7 billion people in 60 countries could be faced with water scarcity, although if the right policies were followed this might be brought down to (merely) 2 billion, in 48 nations.

It doesn't take much to realise that with such a commodity in desperate demand, fights are going to break out.

The essence of the problem is that there is only so much water to go round, and as the world population mushrooms upwards, we are at last coming up against the limits of it.

You might not think so from a picture of the Earth, more than two-thirds of it water, making us the blue planet. But only about 2.5 per cent of it is freshwater, while the rest of it is salt. And of the freshwater, two-thirds is locked in glaciers and permanent snow cover. What is available, in lakes, rivers, aquifers (ground water) and rainfall runoff, is increasingly coming under pressure .

Population growth is the biggest pressure. Even though growth has slowed, the world population of 6.3 billion is likely to about 9.3 billion by 2050.

Demand comes not just from drinking, washing and human waste; the greatest calls come from industry in the developed world, and in the developing world, from agriculture. Irrigating crops in hot, dry countries accounts for 70 per cent of use. Pollution from industry, agriculture and human waste, adds fierce pressure. Finally, climate change will probably account for about a fifth of the increase in water scarcity. While rainfall is predicted to get heavier in winter in high latitudes, such as Britain and northern Europe, in many already-drought-prone countries and even some tropical regions it is predicted to fall.

Other pressures will also make themselves felt, such as the growing move of the world population into urban areas (which concentrate wastes) and the increasing privatisation of water resources.

But the combined effect of population growth, pollution and climate change will probably be enough to bring world water supplies to a critical point.

Although the issues of water and sanitation are now on the international agenda, thanks to being included in the Millennium Development Goals, the UN believes that the true scale of the potential world water crisis is still eluding world leaders. A nasty wake-up call may be on the way.

Water Wars: Climate change may spark conflict

John Reid warns climate change may spark conflict between nations - and says British armed forces must be ready to tackle the violence
Published: 28 February 2006

Israel, Jordan and Palestine

Five per cent of the world's population survives on 1 per cent of its water in the Middle East and this contributed to the 1967 Arab -Israeli war. It could fuel further military crises as global warming continues. Israel, the Palestinian Territories and Jordan rely on the River Jordan but Israel controls it and has cut supplies during times of scarcity. Palestinian consumption is severely restricted by Israel.

Turkey and Syria

Turkish plans to build dams on the Euphrates River brought the country to the brink of war with Syria in 1998. Damascus accused Ankara of deliberately meddling with their water supply as the country lies downstream of Turkey, who accused Syria of sheltering key Kurdish separatist leaders. Water shortages driven by global warming will pile on the pressure in this volatile region.

China and India

The Brahmaputra River has caused tension between India and China and could be a flashpoint for two of the world's biggest armies. In 2000, India accused China of not sharing information of the river's status in the run up to landslides in Tibet which caused floods in northeastern India and Bangladesh. Chinese proposals to divert the river have concerned Delhi.

Angola and Namibia

Tensions have flared between Botswana, Namibia and Angola around the vast Okavango basin. And droughts have seen Namibia revive plans for a 250-mile water pipeline to supply the capital. Draining the delta would be lethal for locals and tourism. Without the annual flood from the north, the swamps will shrink and water will bleed way into the Kalahari Desert

Ethiopia and Egypt

Population growth in Egypt, Sudan and Ethiopia is threatening conflict along the world's longest river, The Nile. Ethiopia is pressing for a greater share of the Blue Nile's water but that would leave downstream Egypt as a loser. Egypt is worried the White Nile running through Uganda and Sudan, could be depleted as well before it reaches the parched Sinai desert.

Bangladesh and India

Floods in the Ganges caused by melting glaciers in the Himalayas are wreaking havoc in Bangladesh leading to a rise in illegal migration to India. This has prompted India to build an immense border fence in attempt to block newcomers. Some 6,000 people illegally cross the border to India every day.

Israel, Jordan and Palestine

Five per cent of the world's population survives on 1 per cent of its water in the Middle East and this contributed to the 1967 Arab -Israeli war. It could fuel further military crises as global warming continues. Israel, the Palestinian Territories and Jordan rely on the River Jordan but Israel controls it and has cut supplies during times of scarcity. Palestinian consumption is severely restricted by Israel.

Transgênicos na mesa

RIO DE JANEIRO.- A internacional Via Camponesa prometeu uma ampla mobilização contra os cultivos transgênicos, por ocasião de uma conferência mundial sobre Reforma Agrária, que acontecerá de 7 a 10 de março, em Porto Alegre, e de outra sobre Biosegurança, também em março, de 13 a 17, em Curitiba.

Além dos riscos ambientais, está em jogo o direito dos agricultores de produzir suas próprias sementes, monopolizadas por algumas empresas multinacionais com a liberação dos transgênicos, explicou ao Terramérica João Pedro Stédile, coordenador do Movimento dos Sem-Terra, integrante da Via Camponesa.

O MST critica a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que promove a conferência agrária, por considerar os produtos geneticamente modificados um fator de desenvolvimento agrícola.

Mantega afirma que a construção do complexo Madeira 'está decidida'; especialistas divergem

Declarações controversas do presidente do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Guido Mantega, no jornal Valor Econômico mexeram com a discussão sobre a construção de hidrelétricas no complexo Madeira. Afirmando que a construção das hidrelétricas "está decidida" e deve ser o "filé migon" dos projetos de expansão da oferta de energia no país para o longo prazo, o ex-ministro garantiu que espera a aprovação do licenciamento ambiental prévio até maio e que não há qualquer impacto fiscal com as obras, uma vez que seriam oferecidas à iniciativa privada.

A posição do presidente do banco é oposta ao que se tem discutido para o complexo Madeira. A diretora da ONG Atla - Associação Terra Laranjeiras Telma Delgado Monteiro, que integra o GT Energia do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais na discussão regional sobre IIRSA, reagiu às declarações de Mantega primeiro lhe questionando a competência para avaliar pontos como o impacto ambiental. "Ele atropelou o Ibama, puxando para si a atribuição do relatório de Impacto Ambiental; despreza, inclusive as audiências públicas sobre essa questão", aponta.

Talvez Mantega não devesse ter investido numa seara fora da sua, de fato, como ela sugere. Para Roberto Smeraldi, Diretor de Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, o presidente do BNDES parece muito mal informado em todas as suas premissas: "Ambientalmente, sendo que o licenciamento de uma obra desse tipo vai demorar anos; geograficamente e economicamente, sendo que seria no mínimo extravagante ligar a usina com 'todas as capitais da Região Norte', que distam entre mil e 2 mil quilômetros do local e não dispõem de linhas de transmissão; e socialmente, pois no Brasil de hoje não se tomam decisões pelo Presidente da República sem discussão", explica.

Na área econômica, mais deslizes - Em coro com Smeraldi, Telma acrescenta que mesmo as análises da viabilidade econômica da obra pelo presidente do BNDES parecem equivocadas. "Como ele diz que não vai haver ônus fiscal para o Estado? De onde vai sair o dinheiro do financiamento dessas obras?", questiona. Segundo a matéria do jornal, o BNDES deve financiar de 30 a 40% das obras, que, já tendo os custos das eclusas subtraídas dos custos, estariam estimadas em R$ 18 bilhões. Smeraldi provoca: "alguém que carece de informações tão básicas já resolveu investir 8 bilhões?"

Outros custos, da ordem de US$ 1 bilhão, como o da linha de transmissão, que, pelo projeto, deverá se estender por pelo menos 1500 quilômetros para chegar a Cuiabá, onde será interligada com o Sistema Nacional de Energia, sairão de investimento público. Mas Mantega prefere dizer é que "outra besteira que se diz é que ele é longe das fontes de consumo. Isso não é verdade. A 200 km tem a cidade de Porto Velho. O complexo vai abastecer todas as capitais da Região Norte. Então, não sei qual é o problema". Talvez seja o fato de que a interligação entre as capitais do Norte demanda mais uma média de cinco mil quilômetros de linha, como aponta a ambientalista Telma.

Quanto a vantagens econômicas para o Sistema de Nacional de Energia, talvez Mantega esteja contando com vantagens superdimensionadas, argumenta Telma. Se o presidente do banco está contando com uma redução de "R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões nos encargos da conta CCC - Conta de Consumo de Combustível, estimada em cerca de R$ 4,5 bilhões este ano", a longo prazo as conseqüências podem não ter sido medidas. Depois de ter lido e estudado o Estudo de Impacto Ambiental das obras, Telma aponta um dado importante sobre o real aproveitamento da projetada hidrelétrica de Santo Antônio, por exemplo. Segundo os índices de carga de sedimentação do rio Madeira, entre os mais altos do mundo (500 a 600 milhões de toneladas por ano), o açoreamento do rio na área alagada levaria a uma queda de 53% do potencial energético da usina só nos 28 primeiros anos de funcionamento.

A questão parece estar em torno, também, da idéia social que o presidente do BNDES tem a respeito de tomadas de decisão desse calibre, como aponta a própria colunista do jornal. Desavisado do acompanhamento que setores da sociedade civil têm dado a questões como essa. "O 'filé mignon' que Guido Mantega tenta fazer a sociedade 'comer' e que insiste em divulgar como a 'menina dos olhos' do governo vai custar muito mais caro para a sociedade", lamenta Telma. (Amazônia.org)

Clima pode levar a guerras por acesso a água

Mudanças climáticas no planeta podem provocar conflitos ligados ao acesso a fontes de água entre países, diz o jornal britânico The Independent nesta terça-feira (28).

"No mundo todo, elas estão vindo: as guerras pela água. De Israel à Índia, da Turquia a Botsuana, estão em andamento discussões sobre fontes de água em disputa que podem, em breve, eclodir em conflito aberto", comenta o The Independent.

"O Ministro da Defesa da Grã-Bretanha, John Reid, fez uma previsão sombria de que a violência e conflito político se tornarão mais prováveis nos próximos 20 ou 30 anos", na medida em que aumentar a desertificação, o derretimento das calotas polares e o envenenamento de fontes de água, diz o jornal.

Ativistas pela ecologia exigiram que o governo britânico redobre seus esforços para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa, diz o jornal, que reproduz dados atribuídos à ONU - Organização das Nações Unidas sobre o suprimento de água.

"Em 2003, um relatório da ONU previu que até o meio do século, na pior das hipóteses, 7 bilhões de pessoas em 60 países poderão ter que enfrentar escassez de água, embora, se as políticas certas forem seguidas, isso pode ser reduzido a meros 2 bilhões em 48 nações." (BBC Brasil/ Estadão Online)