maio 23, 2007
Das gerações que não são mais futuras, são presentes.
maio 18, 2007
Onde está de fato a nossa riqueza
“Recursos e serviços naturais tendem a valorizar-se a cada dia. Ainda mais que sua contribuição é e será decisiva para que não se agrave o problema mais dramático do nosso tempo, que está nas mudanças climáticas”
Washington Novaes é jornalista especializado em meio ambiente (wlrnovaes@uol.com.br). Artigo publicado em “O Estado de SP”:
Numa de suas últimas viagens ao Brasil, a escritora norte-americana Hazel Henderson - que, com seus conhecimentos econômicos e financeiros, tem desmontado tantos raciocínios que tentam sustentar o insustentável - disse que, “se você olha para o mundo real, e não para números loucos, vê que, numa análise per capita, o Brasil é um dos países mais ricos do mundo”.
De fato, como classificar de outra forma um território continental onde estão de 10% a 20% da biodiversidade do planeta, 12% do fluxo superficial de água, sol o ano inteiro, uma zona costeira com milhões de quilômetros quadrados?
Principalmente lembrando o estudo feito na Universidade da Califórnia por Robert Constanza e mais um grupo de economistas, para mostrar que, se fosse preciso substituir por ações humanas os recursos e serviços que a natureza presta gratuitamente (fertilidade do solo, regulação do clima, serviços hidrológicos, etc.), se chegaria a um custo de até três vezes o total do produto bruto mundial num ano. Isto é, esses recursos e serviços valeriam hoje até US$ 120 trilhões anuais.
Examinada a questão por outro ângulo, vê-se que recursos e serviços naturais são, cada vez mais, o fator escasso no mundo. Porque, de acordo com relatórios já citados aqui, estamos consumindo 25% além da capacidade de reposição da biosfera, com o déficit crescendo ano a ano.
E, sendo assim, esses recursos e serviços naturais tendem a valorizar-se a cada dia. Ainda mais que sua contribuição é e será decisiva para que não se agrave o problema mais dramático do nosso tempo, que está nas mudanças climáticas.
A conclusão óbvia seria a de que esses recursos e serviços deveriam ocupar um lugar central na estratégia política, econômica e social brasileira, com a definição dos caminhos mais apropriados para preservá-los e utilizá-los racionalmente, evitando perdas, desperdícios e incompetências.
Quem, entretanto, acompanhe o noticiário verá exatamente o contrário. Começará tomando conhecimento da irritação do presidente da República porque não obteve licença prévia um projeto altamente problemático - para dizer o mínimo - de implantação de mega-hidrelétricas na Amazônia.
Irritação seguida da ameaça de implantar em substituição uma usina nuclear, de energia caríssima, insegura e sem destinação para o dramaticamente perigoso lixo nuclear.
Verá também o Ibama sendo fatiado, supostamente porque seria culpado do não-licenciamento daquelas hidrelétricas - e não o incompetente e insuficiente estudo de impacto ambiental das usinas, feito pelos empreendedores.
Em seguida, verá - provavelmente com olhos esbugalhados - o presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica propor que “projetos estratégicos considerados prioridade nacional” na área de energia (assim definidos pela Presidência da República) sejam eximidos de licenciamento ambiental e enviados por um Conselho de Defesa Nacional à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, para ali serem autorizados.
“Trata-se de um retrocesso sem precedentes no trato da questão ambiental”, comentou uma representante do Ministério Público Federal, Sandra Cureau.
De fato. Em 2003 o Ibama concedeu 145 licenças ambientais, em 2006 foram 278. Mas se faz de conta que o problema está apenas ali, não nas inconveniências de projetos ou na omissão e incompetência de tantos estudos de impacto que lhe são submetidos.
Como quem não quer nada, e se fazendo de surda às vozes e a estudos competentes que mostram a desnecessidade de novas usinas, tantas são as possibilidades de economizar energia ou obtê-la por caminhos mais adequados, a Casa Civil da Presidência vai tramando também mudar a Resolução 237/97, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para criar exceções convenientes às regras para licenciamento ali estabelecidas.
Para completar, por meio de projetos ou anteprojetos de um novo estatuto para o índio, regras para mineração em áreas indígenas ou áreas de preservação, extração de petróleo em áreas de conservação, vai-se tentando abrir à exploração descuidada ou predatória aqueles recursos e serviços naturais.
Só para que se tenha idéia do vulto do que está em jogo, o Mapa da Geodiversidade no Brasil, feito pelo Serviço Geológico nacional, lista 587 garimpos em áreas de proteção ambiental, dos quais 207 em áreas indígenas, 56 em parques nacionais, 292 em áreas de proteção permanente, 32 em outros tipos de reserva. E assinala 1.906 ocorrências minerais, 20% delas “intocadas”.
Não por acaso, na recente visita do papa, a Articulação dos Povos Indígenas fez chegar a ele carta em que mostra que “falta regularizar 61,76% das áreas indígenas no país, onde vivem 241 povos, com 734 mil pessoas que falam 180 línguas”. Uma riqueza e uma diversidade cultural sem paralelo no mundo.
E ainda considerada, em todos os relatórios do gênero, o caminho mais adequado para a conservação da biodiversidade no país, tais os resultados vistos na prática. Mas, em lugar de reconhecimento, esses povos continuam a assistir ao assassinato de seus líderes (257 em dez anos), ao suicídio em massa em grupos acuados.
Sempre que esse tema entra em discussão, não falta quem diga que “índio já tem terra demais” (até um ex-presidente da Funai entrou por esse caminho).
Esquecido de que qualquer pessoa no Brasil, após alguns poucos anos de ocupação de uma área de terra, tem o direito de reivindicar sua propriedade definitiva, por usucapião. Mas índios, que ocupavam todo o território nacional há séculos, não teriam esse direito.
Se não fosse pelo direito dos índios, deveríamos ter o cuidado de pelo menos lembrar que eles são os melhores guardiães de nossas maiores riquezas. E deixá-los em paz.
(O Estado de SP, 18/5)
maio 13, 2007
Environmental warning on biofuels
The drive to switch over to biofuels could lead to rising food prices and deforestation, a report has warned.
The government and EU have said by the year 2020 they want 10% of all fuel in cars to come from biofuels.
But a study by the Co-op Insurance Society suggests achieving this could have a severe environmental impact.
It comes days after a UN report with similar warnings said that biofuels are more effective when used for heat and power, rather than in transport.
Biofuels can be anything made with vegetable matter that burns.
They are seen as a potential solution to climate change because they can reduce emissions of greenhouse gases.
'Radical effects'
The Co-op report claims there is a future for biofuels, but current targets for growing so much fuel could have unintended consequences, BBC correspondent Damian Kahya says.
Professor Dieter Helm, a senior advisor to the British government, told the BBC: "The sort of targets being set for biofuels will have quite radical effects on agriculture and therefore will have very substantial consequences for food prices and agriculture more generally."
The report says that around nine per cent of the world's agricultural land may be needed to replace just 10% of the world's transport fuels.
This means the production of biofuels could lead to a decrease in land available for food production in countries where famine already exists.
"People are felling rainforests to plant crops to grow energy fuels, biofuels," Professor Helm said.
"Think of the energy involved in felling those rainforests. Think about the damage to the climate being done by the loss of those trees. Think about the ploughing and the cultivation of fields.
"Think about the transport of those fuels, and you start to realise the carbon imprints are about much more than simply what happens to grow in a particular field at a particular point in time."
maio 08, 2007
Futuro do etanol nos EUA vai depender da oferta de fertilizantes
| Enviado por bonamigo em 29/03/07 14:28 Notícias do mesmo autor |
Há nos Estados Unidos um outdoor mostrando um fazendeiro norte-americano ao lado de um xeique do petróleo árabe, com a pergunta: "De quem você deseja comprar a sua gasolina?". |
Comida X Combustível
No mundo, a produção de energia tira espaço dos alimentos no campo e recoloca o Brasil no injusto papel de vilão ambiental
EXAME O etanol passou do papel de mocinho para o de bandido em poucas semanas. De alternativa de energia ecologicamente correta capaz de livrar o mundo da dependência do petróleo e aliviar a emissão de poluentes na atmosfera, virou um elemento com potencial para bagunçar o sistema agrícola mundial e inflacionar o preço dos alimentos. Essa percepção negativa foi manifestada recentemente por vários políticos e especialistas. No início do mês passado, por exemplo, um artigo publicado pelos economistas C. Ford Runge e Benjamin Senauer na respeitada revista americana Foreign Affairs alertava que a produção do álcool pode levar a um aumento do preço da comida, agravando o problema da fome nos países mais pobres. Dias depois, durante a 1a Cúpula Energética Sul-Americana, realizada na Venezuela, o presidente do país anfitrião, Hugo Chávez, pressionou para que o documento final do encontro fizesse um alerta sobre os problemas que poderiam ser causados pela expansão do biocombustível, mas a diplomacia brasileira barrou a idéia. Até o ditador cubano Fidel Castro, afastado do governo por problemas de saúde, resolveu meter sua colher na polêmica. Num texto publicado pelo jornal oficial Granma, Fidel caprichou na retórica apocalíptica, classificando a política de investimento no etanol como a "internacionalização do genocídio".
Por ser um dos maiores produtores de etanol do mundo, o Brasil encontra-se hoje sob a mira dos críticos. Na visão de muitos deles, o aumento do uso da cultura da cana para a fabricação de etanol representa uma ameaça à produção de alimentos para o país e para todo o mundo. Com isso, o país foi recolocado no posto de vilão ambiental do planeta (veja Vida Real na pág. 44). Além de uma imagem injusta, o raciocínio de que o investimento nacional em etanol vai agravar o problema da fome no mundo não encontra lastro na realidade. Embora tenha aumentado a destinação de matéria-prima para a produção de combustível, o Brasil não reduziu seu ritmo de produção de alimentos. Pelo contrário. A atual safra de grãos, de 125 milhões de toneladas, bateu recorde histórico. Além disso, o país tem hoje as melhores condições para multiplicar as áreas de canaviais, sem prejuízo de outras culturas. Um grupo do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República identificou 12 novas fronteiras adequadas ao plantio da cana-de-açúcar, sem qualquer tipo de impedimento legal ou ambiental. Elas se concentram em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás e totalizam quase 80 milhões de hectares, área equivalente à soma dos territórios de Alemanha e Espanha. "Além de termos terra sobrando, somos campeões de produtividade em etanol", afirma Eduardo Carvalho, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar.
Em boa parte, as preocupações a respeito dos efeitos colaterais da expansão do etanol têm sido baseadas no comportamento dos preços mundiais de alguns grupos de alimentos nos últimos meses. Um episódio emblemático ocorreu em fevereiro, quando dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de dez cidades do México para realizar o protesto que ficou conhecido como a marcha das tortillas. Prato de resistência da culinária local, a iguaria teve seu preço aumentado em 400% nos últimos meses. A variação foi provocada pelo aumento de seu principal ingrediente, o milho, que no caso mexicano é importado dos Estados Unidos. Como os americanos estão transformando em etanol boa parte dos grãos produzidos em seu território, o alimento está cada vez mais escasso para exportação. Com isso, a tortilla se tornou vítima de uma alta gerada pela clássica lei da oferta e da procura. De um ano para cá, a cotação do milho nas bolsas de Chicago e Nova York sofreu valorização de 50%. O alto preço da commodity pode afetar uma extensa cadeia de empresas que utilizam a matéria-prima na fórmula de seus produtos ou como ração para animais. A lista inclui leite, carne de frango e refrigerantes, entre outros itens.
| Estados Unidos (Milho) | |
| Total destinado à produção de alimentos (em %) | |
| 2005 | 86 |
| 2010(1) | 71 |
| 2014(1) | 64 |
| Total destinado à produção de etanol (em %) | |
| 2005 | 14 |
| 2010(1) | 29 |
| 2014(1) | 36 |
| (1) Projeção Fontes: USDA, Unica e Agroconsult | |
| Brasil (Cana-de-açúcar) | |
| Total destinado à produção de alimentos (em %) | |
| 2005 | 53 |
| 2010(1) | 41 |
| 2014(1) | 33 |
| Total destinado à produção de álcool (em %) | |
| 2005 | 47 |
| 2010(1) | 59 |
| 2014(1) | 67 |
| (1) Projeção Fontes: USDA, Unica e Agroconsult | |
Outro dos efeitos colaterais da corrida em busca dos combustíveis verdes são as queimadas que estão destruindo largas porções de florestas nativas na Ásia, sobretudo na Malásia e Indonésia. Isso ocorre para que a mata possa ser ocupada por plantações de palmeiras de dendê, cujo óleo é uma das matérias-primas para o biodiesel. No Brasil, o que preocupa os ecologistas é a expansão dos canaviais, que estaria empurrando a pecuária para áreas de preservação ambiental. "Mato Grosso do Sul é um dos exemplos de locais onde esse processo está ocorrendo", afirma Sérgio De Zen, professor de economia e administração da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em São Paulo.
À luz da alta recente de preços alimentares e de problemas ambientais, cada vez mais gente tem embarcado no pessimismo quando o assunto é etanol. Segundo essa corrente, o mundo estaria conhecendo hoje apenas os primeiros sintomas de uma doença muito mais grave, pois os investimentos na fabricação do etanol vêm se multiplicando. No Brasil, quase metade da cana-de-açúcar que entra no processamento das usinas já é destinada exclusivamente à produção de etanol, avançando sobre a fatia antes usada para o açúcar. Segundo as estimativas do setor, até 2014 a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de combustível deve chegar a quase 70% (veja quadro). O dado fica mais impressionante quando se considera que o país deverá dobrar no período a área desse cultivo. Nos Estados Unidos, ocorre um fenômeno semelhante. Atualmente, apenas 14% do milho plantado vira etanol. Em 2014, a proporção vai subir para 36%.
O avanço das culturas destinadas à produção do combustível realmente impressiona, mas isso não significa que o planeta corre o risco de virar um grande milharal e canavial. Em suas previsões apocalípticas sobre o tema, muitos críticos simplesmente estão ignorando o efeito do avanço tecnológico na produção agrícola. Isso fica claro quando se analisa o cenário brasileiro. A curto prazo, o país tem boas chances de evoluir rapidamente na produção de etanol com a aprovação e o uso de novas variedades de sementes transgênicas. Elas têm potencial de aumentar em média 4,5% ao ano a produtividade das culturas de cana-de-açúcar. Outra forma que está sendo utilizada para melhorar a performance no campo é a transformação da pecuária extensiva em semi-intensiva. Com isso, largas áreas ocupadas por gado podem ser utilizadas para cultivo de produtos agrícolas. Além de não prejudicar a produtividade da pecuária, esse sistema aumenta a rentabilidade do produtor. "Ganho dinheiro arrendando parte das minhas terras para uma usina de álcool da região e economizo em ração, pois meu gado passou a ser alimentado com bagaço de cana-de-açúcar", afirma o fazendeiro Francisco Junqueira, um dos maiores pecuaristas de São Paulo. Há dois anos, quando firmou um acordo com a usina, metade dos 7 000 hectares de suas propriedades em Lins, no interior paulista, deixou de servir de pasto. No lugar, hoje se vêem tapetes de canaviais. Junqueira continua criando as mesmas 10 000 cabeças de gado, mas numa área muito menor.
| Oportunidades para o Brasil |
| À medida que os agricultores americanos se dedicam a expandir as plantações de milho para a produção de etanol, em prejuízo de outras culturas, surgem espaços no mercado dos Estados Unidos que podem ser aproveitados pelos produtores brasileiros |
| Milho Com as plantações nos Estados Unidos canalizadas para a produção de combustível, começa a faltar milho no país para alimentação. Em razão disso, o preço do produto já aumentou 40%. O Brasil é o país que tem maiores possibilidades de suprir essa demanda |
| Soja As plantações do grão perdem espaço para o milho nos Estados Unidos. A tendência é uma valorização da soja, e o único país capaz de expandir rapidamente a fronteira é o Brasil |
NO CASO DO PRINCIPAL concorrente brasileiro no mercado do combustível verde, o cenário é outro, a ponto de a revista inglesa The Economist, num artigo recente, usar as expressões bom e mau etanol para ilustrar a diferença. Segundo a revista, a produção brasileira está no campo positivo e, a americana, no negativo. Nos Estados Unidos, a briga por espaço no campo entre culturas destinadas à comida e à energia é uma realidade. Como o terreno para a expansão agrícola é bem mais restrito por lá, as plantações de milho só podem crescer se roubarem espaço de outras culturas, como a de cevada, o que pode levar as cervejas a sofrer o efeito tortilla. Em razão das quantidades cada vez maiores de grãos canalizados para a fabricação de etanol, os avicultores também enfrentam problemas. Estima-se que seus custos vêm crescendo à média de 1,5 bilhão de dólares por ano em razão da alta de preço do milho utilizado nas rações. As mudanças no agronegócio americano são tão abruptas que a capital do gado, o Texas, transformou-se na terra do etanol. Duas das maiores usinas de álcool do país estão sendo construídas no estado e devem entrar em operação até dezembro. Ao todo, os Estados Unidos estão investindo 16 bilhões de dólares na construção de 80 novas usinas para a fabricação de combustível nos próximos anos.
Apesar da facilidade que a maior potência econômica tem para injetar dinheiro no negócio, está cada vez mais claro que o modelo em que ele se sustenta hoje é equivocado. Além de provocar transformações negativas no agronegócio americano, a fabricação de etanol com base no milho está longe de ser um exemplo em termos de eficiência. O combustível obtido no Brasil com a cana-de-açúcar leva vantagem no preço final (25% mais barato) e na produtividade de litros por hectare (o dobro da média americana). Se não bastasse, a cana-de-açúcar gasta quatro vezes menos energia do que o milho para que se fabrique o etanol (ou seja, não adianta nada ter um combustível verde que precisa de uma quantidade enorme de diesel para ser fabricado). Os Estados Unidos vêm comendo poeira nessa área mesmo com o governo George W. Bush injetando subsídios no setor (foram 9 bilhões de dólares só no ano passado). Para proteger o mercado interno, Bush ainda dificulta a importação do produto impondo barreiras -- cada galão de etanol brasileiro paga 0,54 dólar de "pedágio" para entrar nos Estados Unidos.
Mas a evolução tecnológica também pode mudar as coisas por lá -- pelo menos é o que apostam algumas das figuras mais destacadas da sociedade americana. "A atual geração de etanol envolve uma certa polêmica, mas, se trabalharmos corretamente, em cinco anos teremos uma nova geração de combustíveis verdes", afirmou numa palestra recente o ex-vice-presidente americano Al Gore. Um dos produtos mais promissores dessa nova geração é o chamado etanol celulósico, que pode ser feito de qualquer tipo de planta, incluindo a palha de milho e o bagaço da cana-de-açúcar. Na visita recente de George W. Bush ao Brasil, os dois países firmaram um acordo que prevê parcerias em pesquisa para o desenvolvimento comercial do produto. As previsões de quando isso pode acontecer variam de cinco a dez anos. "Com essa tecnologia, vai ocorrer uma expansão vertical da produção", afirma Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). "O combustível obtido da celulose vai permitir dobrar a produtividade do etanol, atualmente de 7 000 litros por hectare."
Em razão dos benefícios que os avanços tecnológicos devem trazer a esse campo, é mais fácil Fidel Castro se naturalizar cidadão americano do que o etanol gerar uma "internacionalização do genocídio". Em termos de futuro, o que é líquido e certo é que o mapa agrícola mundial nunca mais terá a mesma cara depois do advento dos biocombustíveis. No Brasil, além da expansão da cana-de-açúcar, a tendência é ocorrer um investimento maior na cultura do milho, a fim de suprir a demanda dos Estados Unidos de grãos para alimentação (veja quadro). Num futuro próximo, largas porções da Ásia e da Europa devem privilegiar culturas destinadas a irrigar a produção de biodiesel.
A velocidade das transformações no mapa agrícola mundial vai depender do aumento da demanda pelos combustíveis verdes. Nos Estados Unidos, a intenção do presidente Bush é que, dentro de uma década, eles representem 15% do total consumido por carros e caminhões no país. Na Europa, a idéia é que eles substituam 6% do diesel atualmente consumido até 2010. Planos semelhantes vêm sendo adotados em outros países, como o Japão, com o objetivo de reduzir a emissão de poluentes na atmosfera. Alguns analistas entendem que, mesmo se o movimento conduzir a um pequeno aumento de preço dos alimentos -- por ora algo ainda no terreno das hipóteses --, não será necessariamente uma coisa ruim. Faz sentido. Não há mesmo como chamar de catástrofe um processo que pode, ao mesmo tempo, melhorar a renda no campo e a qualidade de vida no planeta.maio 05, 2007
Biofuels - the next big threat to Africa
Dear Friends and Colleagues,
This year has seen the beginning of what promises to be the next new large-scale threat to Africa's food, land, environment and farmers - Biofuels.
The reality of Climate Change has now been accepted by world governments and industry, and with it, acceptance that Carbon Dioxide (CO2) from burning fossil fuels is responsible for heating the planet's atmosphere and changing weather patterns.
Everyone agrees that CO2 emissions must be reduced, but one of the solutions proposed is likely to create more social and environmental problems, and probably more CO2, than they claim to solve. As Europe in particular looks to alternatives to fossil fuels such as oil and coal, Biofuels from crops such as maize, sugar, soya and palm oil, are being promoted as the new "green" solution.
However, Europe does not have enough land to grow its fuel needs. For example, even if the UK were to turn over all of its land to growing biofuels instead of food, it would need 4 times the amount of land to make enough fuel to meet its current needs. Europe is therefore looking to Africa to provide the land that will grow the fuel.
Already, we hear of large-scale biofuels projects mushrooming across Africa, with the supports of governments keen to believe that this is the economic boom of Africa's future. Tanzania, Uganda, Ethiopia, South Africa, Zambia, Ghana, Benin and other countries are at the forefront of the new Biofuels Boom.
However, the negative stories follow these projects just as quickly. Protests, riots and arrests broke out in Uganda last month over the government's plans to degazette Mabira Forest, the largest rainforest area in the country. The forest was to be handed over and cut down for sugar plantations - some of which would go to producing biofuel ethanol. Other news shows that land grabs, deforestation and increasing food prices come about as a result of growing fuel instead of food.
Using land to grow fuel instead of food, rising grain prices, and the displacement of rural communities will lead to greater food insecurity in Africa. Any environmental benefits from using biofuels instead of fossil fuels will be cancelled out as forests, peatlands, mangroves and protected areas are cut down, burned, and converted to farmland. And the GM industry intends to use this as an opportunity to promote GM biofuels, to gain a foothold into Africa where there has been hard-fought resistance to GM contamination of food.
While campaigns in Europe against increased biofuel targets are just starting up (see www.biofuelwatch.org), African farmers, communities, civil society and governments also urgently need to wake up and raise awareness about the threats. We need to act before the land is given away, the forests are cut down, and the food priced out of the reach ofthe poor.
Best wishes,
Teresa
******************************
1. Rural Communities Express Dismay: "Land Grabs Fuelled by Biofuel Strategy."
Statement from South African Civil Society. Date: March 2007
[see also: http://www.stopbp-berkeley.org
2. Biofuels Boom Spurring Deforestation
Article from Inter Press Service. Date: 22 March 2007
Stephen Leahy
http://ipsnews.net/news.asp
3. Biofuel Demand Makes Food Expensive
Article from BBC. Date: 23 March 2007
Nils Blythe
http://news.bbc.co.uk/2/hi
4. The Next Genetic Revolution?
Article from The Ecologist. Date: 29 March 2007
Robin Maynard and Pat Thomas
http://www.theecologist.org
5. If We Want to Save the Planet, We Need a Five-Year Freeze on
Biofuels
Article from the Guardian. Date: 27 March 2007
George Monbiot
http://www.guardian.co.uk
6. Biofuel Crop Rejected
Article from Cape Times. Date: 28 March 2007
Melanie Gosling
http://www.int.iol.co.za/index
O último capítulo
03.05.2007
A última parte do que vem sendo considerado o mais importante documento sobre as mudanças climáticas será divulgada às 13h desta sexta-feira em Bancoc, na Tailândia (para desespero da redação de O Eco, três da manhã no horário de Brasília). Trata-se do terceiro segmento do quarto relatório (AR4) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Desde segunda-feira, diplomatas têm se debruçado sobre as 24 páginas do seu sumário executivo,
que fala sobre as medidas de mitigação dos efeitos do aquecimento global. O teor da seção tem sido adiantado há algum tempo pela imprensa, com o vazamento de informações do rascunho preparado por um grupo de 190 cientistas de todo o mundo. Agora esse documento está nas mãos de delegações de mais de cem países, que negociam modificações no texto com os pesquisadores.
O relatório preparado pelos cientistas pede mudanças bruscas no uso mundial de energia, sob a ameaça de que as emissões cresçam no mínimo 40% entre 2000 e 2020, se os governos cruzarem os braços. Para evitar uma catástrofe, dizem os membros do painel, só agindo rapidamente. E o tempo está se esgotando. Segundo uma notícia publicada recentemente pela agência Reuters, as soluções propostas são velhas conhecidas: passam pela mudança para combustíveis menos poluentes, diminuição das emissões da agricultura (proveniente do uso de
químicos) e tudo relacionado à eficiência energética, como edificações e iluminação que gastem menos eletricidade.
O relatório também sugere a captura de carbono em usinas a carvão, o uso de energias renováveis, como solar e dos ventos. Como adiantou a O Eco o engenheiro Roberto Schaeffer, um dos autores do relatório, o documento tem capítulos sobre transporte, indústria e edificações, focando os usos finais da energia. Entre outras coisas, o uso de janelas duplas em países frios pode diminuir a necessidade de aquecimento artificial e há grande potencial
para fabricação de eletrodomésticos mais econômicos. Para o professor de planejamento energético da Coppe/UFRJ, a importância do relatório está em chamar atenção para o fato de que há, hoje, tecnologia suficiente para realizar as mudanças necessárias. E que será preciso incorporar as mudanças climáticas em qualquer política de desenvolvimento que se pense daqui para frente. "É possível aos países continuar a se desenvolver com menos emissões", diz o
cientista.
Os custos das medidas não são nada absurdos: ficam entre 0,2 % e 3% do Produto Interno Bruto mundial. Isso até 2030. O gasto aumenta de acordo com a rapidez que se quer fazer no corte de emissões. E quanto maior o corte, também mais caro. As conclusões confirmam as afirmações do economista Nicholas Stern, que divulgou no ano passado um relatório sobre os custos da ação contra o aquecimento: ele pode chegar a 20% do PIB se o mundo empurrar o problema
com a barriga. "Os esforços de mitigação pelas próximas duas ou três décadas vai determinar em larga medida o aumento na temperatura média a longo prazo e os impactos da mudança climática correspondente que podem ser evitados", diz a primeira versão do sumário, segundo o The New York Times. Não importa o que se faça, entretanto, os especialistas dizem que haverá um aumento mínimo de temperatura entre 2ºC e 2,4ºC.
Ainda segundo o rascunho, os países em desenvolvimento oferecem boas oportunidades para se evitar novas emissões, uma vez que estão diante de uma potencial aceleração da industrialização e construção. Pode-se evitar o crescimento da poluição escolhendo bem as usinas de geração de energia e o design dos edifícios. Mas, nas negociações, são justamente esses países que querem tirar o corpo fora das grandes ações de combate ao aquecimento. A idéia é preservar as regalias adquiridas desde o Protocolo de Kioto, que estabelece que os países desenvolvidos são mais responsáveis pelo aquecimento uma vez que basearam sua industrialização no uso de energias sujas e, por isso, são eles que devem se esforçar para desfazer o estrago. O tratado, que não obriga os países em desenvolvimento a fazer reduções, vai ser rediscutido em 2012.
Pano para manga
Desta vez, o movimento começou com a China, cujos delegados apresentaram a maioria das 1.500 propostas de modificação do rascunho. O país deve se tornar ainda este ano o maior emissor mundial de gases do efeito estufa. E o governo não quer se ver atado a compromissos de redução de emissões "uma vez que a maior parte de sua energia é gerada pela queima de carvão, o combustível que mais emite gases poluentes " quando novas ações forem propostas em fóruns internacionais.
Segundo uma reportagem da revista britânica New Scientist, um dos principais pedidos dos chineses é "que seja feita uma inserção no último parágrafo que culpe as nações industrializadas pela maior parte da poluição" segundo os asiáticos 75% da culpa. E eles não estão sozinhos. Brasil e Índia resolveram apoiar as suas demandas. O fato acabou acirrando um certo "conflito entre
ricos e pobres", que tem aparecido com freqüência nas discussões sobre o aquecimento global. Schaeffer diz que o relatório lembra a disparidade entre emissões per capta de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Para o pesquisador, há coerência das exigências com o princípio de "responsabilidades comuns, porém diferenciadas" que regeu as discussões na Eco 92. "Há que envolver os países em desenvolvimento [nas metas de redução], mas não no mesmo pé de igualdade", opina o engenheiro.
O fato é que as negociações políticas têm se tornado cada vez mais acirradas a cada encontro do IPCC realizado. À medida em que sobem as certezas dos cientistas quanto ao fenômeno, maior a divergência política entre os países, que querem se livrar de responsabilidades que criem empecilhos às suas economias. Como mostra uma outra reportagem da Reuters, o painel da ONU não tem forças para mudar a realidade na prática. "O IPCC não tem músculos, só massa cinzenta", disse o presidente do grupo, Rajendra Pachuri, a repórteres da agência. Mas fazer algo, para ele, é urgente. "A ciência certamente dá muitas e forçosas razões para agir".
* Felipe Lobo colaborou com esta reportagem.
maio 03, 2007
‘Choradeira’, só se for pelo meio ambiente
Usar a mídia deles contra eles próprios. Esta foi a forma que o Greenpeace achou para protestar contra a multinacional Kimberly-Clark, que produz o papel Kleenex e outros produtos de papéis descartáveis com árvores de antigas florestas ('ancient forests'), incluindo a Floresta Boreal do Canadá.
Em uma das campanhas de mídia da Kimberly-Clark, as pessoas eram convidadas a sentar em um sofá colocado no meio de uma movimentada rua de Nova Iorque. A idéia era fazer com que as pessoas falassem sobre assuntos pessoais de triste lembrança e, ao chorarem, utilizassem os lenços Kleenex.
Os ativistas fizeram, então, uma ação durante as gravações. Uma das integrantes do grupo se ofereceu para falar, sem anunciar que era ativista do Greenpeace, ao mesmo tempo em que seus colegas preparavam cartazes da campanha, que pedia mudanças na política ambiental da Kimberly-Clark. O resultado está no vídeo abaixo.
Os ativistas também ocuparam a fábrica da multi em Ontário, no Canadá, e intervieram em reuniões de acionistas e conselheiros da empresa, no Texas, Estados Unidos. As ações foram em fevereiro deste ano, mas a campanha continua. O Greenpeace prometeu que irá continuar a interromper as operações da Kimberly-Clark e mobilizar os seus clientes até que o seu CEO Thomas Falk e a sua empresa parem de destruir a Floresta Boreal.
O vídeo está disponível em http://www.youtube.com/watch?v=sZCym0DB7hA
Conheça a campanha pelo site http://www.kleercut.net/
abril 02, 2007
Climate Report Maps Out ‘Highway to Extinction’
by Seth Borenstein
WASHINGTON-A key element of the second major report on climate change being released Friday in Belgium is a chart that maps out the effects of global warming, most of them bad, with every degree of temperature rise.There’s one bright spot: A minimal heat rise means more food production in northern regions of the world.
However, the number of species going extinct rises with the heat, as does the number of people who may starve, or face water shortages, or floods, according to the projections in the draft report obtained by The Associated Press
Some scientists are calling this degree-by-degree projection a “highway to extinction.”
It’s likely to be the source of sharp closed-door debate, some scientists say, along with a multitude of other issues in the 20-chapter draft report from the Intergovernmental Panel on Climate Change. While the wording in the draft is almost guaranteed to change at this week’s meeting in Brussels, several scientists say the focus won’t.
The final document will be the product of a United Nations network of 2,000 scientists as authors and reviewers, along with representatives of more than 120 governments as last-minute editors. It will be the second volume of a four-volume authoritative assessment of the Earth’s climate being released this year. The last such effort was in 2001.
Andrew Weaver, a climate scientist with the University of Victoria in British Columbia, said the chart of results from various temperature levels is “a highway to extinction, but on this highway there are many turnoffs. This is showing you where the road is heading. The road is heading toward extinction.”
Weaver is one of the lead authors of the first report, issued in February.
While humanity will survive, hundreds of millions, maybe billions of people may not, according to the chart - if the worst scenarios happen.
The report says global warming has already degraded conditions for many species, coastal areas and poor people. With a more than 90 per cent level of confidence, the scientists in the draft report say man-made global warming “over the last three decades has had a discernible influence on many physical and biological systems.”
But as the world’s average temperature warms from 1990 levels, the projections get more dire. Add 1C and between 400 million and 1.7 billion extra people can’t get enough water, some infectious diseases and allergenic pollens rise, and some amphibians go extinct. But the world’s food supply, especially in northern areas, could increase. That’s the likely outcome around 2020, according to the draft.
Add another 1.8 degrees and as many as 2 billion people could be without water and about 20 per cent to 30 per cent of the world’s species near extinction. Also, more people start dying because of malnutrition, disease, heat waves, floods and droughts - all caused by global warming. That would happen around 2050, depending on the level of greenhouse gases from the burning of fossil fuels.
At the extreme end of the projections, a 7- to 9-degree average temperature increase, the chart predicts: “Up to one-fifth of the world population affected by increased flood events” … “1.1 to 3.2 billion people with increased water scarcity” … “major extinctions around the globe.”
Despite that dire outlook, several scientists involved in the process say they are optimistic that such a drastic temperature rise won’t happen because people will reduce carbon dioxide emissions that cause global warming.
“The worst stuff is not going to happen because we can’t be that stupid,” said Harvard University oceanographer James McCarthy, who was a top author of the 2001 version of this report.
março 20, 2007
Revista Brasileira de Educação Ambiental
Finalmente ficou pronta a impressão da Revista Brasileira de Educação Ambiental - RVBEA n. 2.
A revista já se encontra na Secretaria Executiva da REBEA e vamos
iniciar o processo de distribuição da mesma... Form impressos 5.000 exemplares, com financiamento da Diretoria de Educação Ambiental do MMA, sendo que 1000 exemplares serão disponibilizados nas Salas Verdes existentes nos estados e os 4000 exemplares restantes pensamos em distribuir para as Redes de Educação Ambiental articuladas no âmbito da REBEA.
Estamos trabalhando junto a Secretaria Executiva da REBEA para que possamos fazer essa distribuição... Até o final deste mês esse número da REVBEA estará também disponível em nossa página da REVBEA, em sua versão digital, sendo que os dois números anteriores já estão disponíveis na íntegra e em sua totalidade no endereço:http://www.ufmt.br/remtea/revbea/index.htm
Enviado por:
Heitor Queiroz de Medeiros
Ministério do Meio Ambiente
Diretoria de Educação Ambiental - DEA
Esplanada dos Ministérios - Bloco B - 5o andar - Sala 553
CEP 70068-900 Brasília - DF
Telefone: 0xx 61 4009 1207 - Fax: 4009 1757
http://www.mma.gov.br
março 16, 2007
Clima: O mundo ainda não tem pressa
Washington, 16/03/2007 – O mundo inteiro está preocupado com a mudança climática, segundo uma pesquisa internacional, mas não existem maiorias claras sobre a necessidade de tomar medidas imediatas e caras. O estudo coordenado pelo Conselho de Chicago sobre Assuntos Mundiais contou com a participação de vários institutos de pesquisa dos 17 países selecionados, que concentram mais de 55% da população mundial.
Noventa e dois por cento dos entrevistados na Austrália se mostraram a favor de medidas imediatas para combater o aquecimento, a maior proporção entre todas as nações analisadas. A seguir vêm China, cujas políticas ambientais costumam ser questionadas, e Israel, ambos com 83% dos entrevistados a favor de se tomar medidas imediatas. No outro extremo está a Índia, com apenas 49% dos entrevistados a favor de medidas imediatas e 24% contra.
Apesar destes resultados, um em cada quatro entrevistados concordou que, “enquanto não estivermos seguros de que o aquecimento global é um verdadeiro problema, não devemos tomar medidas que teriam custo econômico”. Isso indica que a maioria dos pesquisados não crê, ainda, neste fenômeno climático como fato cientificamente comprovado, apesar da coincidência nesse sentido manifestada pela maioria dos especialistas do mundo. As nações com maior proporção de entrevistados contra a adoção de medidas são Índia, com 24%, Rússia com 22% e Armênia com 19%. E os países com a menor porcentagem dos entrevistados contra ações são Argentina com 3% e Tailândia com 7%.
A grande maioria dos entrevistados em 10 países disse que a mudança climática supõe uma ameaça importante, com pequenas minorias diminuindo sua importância. A porcentagem mais alta de céticos a respeito deste fenômeno ambiental foi registrada na Armênia, com 16%, e em Israel, com 15%. Amplas maiorias consideraram que se trata de um assunto “crítico” na Austrália com 69%, Coréia do Sul com 67%, Índia com 51%, Irã com 61%, Israel com 52% e México com 70%.
A menor proporção dos entrevistados que concorda com essa apreciação foi constatada na Armênia e na China (47%) e nos Estados Unidos (46%), enquanto na Ucrânia se mostraram divididos: 33% disseram que é um assunto “crítico” e igual proporção considerou que é “importante, mas não crítico”. O “aquecimento global é um problema sério e grave. Devemos tomar medidas agora, mesmo que represente custos significativos” foi a postura mais comum em cinco dos 12 países onde foi feita a pergunta. Entre eles figuram Argentina (63%), Armênia (37%), Austrália (69%), Estados Unidos (43%) e Israel (54%).
A postura mais comum em outros cinco países foi que “se deve enfrentar o problema do aquecimento global, mas seus efeitos serão graduais para podermos lidar com ele adotando medidas de baixo custo”. Esta opinião foi majoritária nas Filipinas (49%), Índia (30%), Polônia (39%), Tailândia (41%) e Ucrânia (37%). Na China, os entrevistados se mostraram divididos entre os que estão a favor de medidas menos caras (41%) e os que acreditam que o problema representa gastos significativos (42%). Na Rússia, a proporção foi de 34% a 32%.
Na Argentina, Armênia, China, Índia e Tailândia foi perguntado: “Se as nações mais desenvolvidas estiverem disposta a dar maior assistência, acredita que as menos desenvolvidas devem se comprometer a limitar suas emissões de gases causadores do efeito estufa?”. Nesses cinco países do Sul em desenvolvimento, a maioria respondeu que sim, mas as respostas mais significativas se registraram na China, onde 79% dos entrevistados concordaram, enquanto na Índia 48% disseram estar a favor e 29% contra.
Todos esse países ratificaram ou aceitaram o Protocolo de Kyoto, convênio adotado nessa cidade japonesa e pelo qual 35 nações industrializadas, menos Austrália e Estados Unidos, se comprometem a reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa em pelo menos 5,2% até 2012, em relação aos níveis de 1990. Porém, nenhuma dessas nações é considerada industrializada por esse acordo, e, portanto, os compromissos de redução das emissões não se aplica a elas. A maioria dos cientistas atribui o aquecimento do planeta à presença cada vez maior de gases que provocam o efeito estufa, como o dióxido de carbono, metano e óxido nitroso.
Segundo esse Protocolo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, os países em desenvolvimento não têm obrigação legal de reduzir suas emissões contaminantes, mas poderiam se beneficiar de vários programas e fundos se reduzissem. Porém, no mês passado, a Organização das Nações Unidas divulgou um informe ressaltando o crescente fluxo de emissões desses gases liberados por China e Índia, que gozam de acelerado crescimento econômico. Segundo a Agência Internacional de Energia, em 2009 este país terá superado os Estados Unidos como maior emissor de gases causadores do efeito estufa ligados à energia.
Em três países industrializados foi perguntado se os entrevistados apoiariam ajuda às nações em desenvolvimento caso se comprometessem a reduzir suas emissões. A grande maioria se mostrou a favor desse tipo de programa: nos Estados Unidos 64%, Polônia 84% e Ucrânia 72%. Washington retirou sua assinatura do Protocolo de Kyoto com o argumento de que seria muito custoso para sua economia e que é injusto que grandes países em desenvolvimento como China e Índia estejam isentos de cumprir exigências semelhantes. A pesquisa foi feita na Argentina, Armênia, Austrália, China Coréia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Índia, Indonésia, Irã, Israel, México, Palestina, Peru, Polônia, Rússia, Tailândia e Ucrânia. (IPS/Envolverde)
Legenda: Campanha contra o aquecimento global.
Crédito da imagem: WWF/México
(Envolverde/ IPS)
Aquecimento global também reduz colheitas, aponta estudo
Segundo pesquisadores do "Carnegie Institution" e do Laboratório Nacional Lawrence Livermore dos Estados Unidos, o aumento das temperaturas significou uma perda de US$ 5 bilhões.
Entre 1981 e 2002, o aquecimento global reduziu a produção combinada de trigo, milho e cevada para cerca de 40 bilhões de toneladas métricas ao ano.
Segundo os cientistas, seu estudo demonstra que a redução é originada no aquecimento global causado pela atividade humana no planeta e que seus efeitos são imediatos.
"A maior parte das pessoas pensa que a mudança climática é algo que terá um impacto futuro", manifestou Christopher Field, um dos autores do estudo e diretor do Departamento de Ecologia Global do Carnegie Institution.
"Este estudo constata que o aquecimento registrado nas últimas duas décadas já tem conseqüências reais na provisão alimentícia mundial", acrescentou.
A conclusão dos cientistas se baseou em um estudo comparativo de números de produção gerados pela Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e as precipitações pluviais nas principais regiões agrícolas do mundo.
Os cientistas manifestaram que as colheitas de vários produtos responderam negativamente às temperaturas mais altas e se reduziram entre 3% e 5 % por cada grau Fahrenheit de aumento (0,17 graus centígrados).
"Embora o impacto é relativamente menor comparado com o aumento da produção devido ao progresso tecnológico, os resultados demonstram que os efeitos negativos estão se fazendo sentir", disse David Lobell, outro dos autores do estudo e cientista do Laboratório Nacional Lawrence Livermore.
Os cientistas concentraram sua investigação nas colheitas mundiais de trigo, arroz, milho, soja, cevada e sorgo, que representam perto de 55% das calorias não derivadas da carne consumidas pelos seres humanos.
Tirado do www.ecodebate.com.br, matéria da Agência EFE, originalmente publicada pelo UOL Notícias - 15/03/2007 - 21h24
março 11, 2007
The Bio Da Versity Code
março 06, 2007
The Big Green Fuel Lie
Published on Monday, March 5, 2007 by the lndependent/UK
The Big Green Fuel LieGeorge Bush says that ethanol will save the world. But there is evidence that biofuels may bring new problems for the planet
by Daniel Howden in Sao Paulo, Brazil
The ethanol boom is coming. The twin threats of climate change and energy security are creating an unprecedented thirst for alternative energy with ethanol leading the way.
President George W. Bush smells a bottle of ethanol as he tours Novozymes North America Inc. in Franklinton, North Carolina, February 22, 2007. The government's top energy forecaster said on Wednesday that fuel ethanol production in a decade will fall short of what President George W. Bush says is needed to help cut America's oil imports. (Jim Young/Reuters)An ethanol plant is seen by sugar cane fields in Piracicaba, Brazil, Friday, March 2, 2007. Just an hour's drive outside this traffic-choked metropolis where U.S. President George W. Bush kicks off a Latin American tour Thursday, sugar cane fields stretch for hundreds of kilometers, providing the ethanol that fuels eight out of every 10 new Brazilian cars. (AP Photo/Victor R. Caivano) That process is set to reach a landmark on Thursday when the US President, George Bush, arrives in Brazil to kick-start the creation of an international market for ethanol that could one day rival oil as a global commodity. The expected creation of an "OPEC for ethanol" replicating the cartel of major oil producers has spurred frenzied investment in biofuels across the Americas.
But a growing number of economists, scientists and environmentalists are calling for a "time out" and warning that the headlong rush into massive ethanol production is creating more problems than it is solving.
To its advocates, ethanol, which can be made from corn, barley, wheat, sugar cane or beet is a green panacea - a clean-burning, renewable energy source that will see us switch from dwindling oil wells to boundless fields of crops to satisfy our energy needs.
Dr Plinio Mario Nastari, one of Brazil's leading economists and an expert in biofuels, sees a bright future for an energy sector in which his country is the acknowledged world leader: "We are on the brink of a new era, ethanol is changing a lot of things but in a positive sense."
In its first major acknowledgment of the dangers of climate change, the White House this year committed itself to substituting 20 per cent of the petroleum it uses for ethanol by 2017.
In Brazil, that switch is more advanced than anywhere in the world and it has already substituted 40 per cent of its gasoline usage.
Ethanol is nothing new in Brazil. It has been used as fuel since 1925. But the real boom came after the oil crisis of 1973 spurred the military dictatorship to lessen the country's reliance on foreign imports of fossil fuels. The generals poured public subsidies and incentives into the sugar industry to produce ethanol.
Today, the congested streets of Sao Paolo are packed with flex-fuel cars that run off a growing menu of bio and fossil fuel mixtures, and all filling stations offer "alcohol" and "gas" at the pump, with the latter at roughly twice the price by volume.
But there is a darker side to this green revolution, which argues for a cautious assessment of how big a role ethanol can play in filling the developed world's fuel tank. The prospect of a sudden surge in demand for ethanol is causing serious concerns even in Brazil.
The ethanol industry has been linked with air and water pollution on an epic scale, along with deforestation in both the Amazon and Atlantic rainforests, as well as the wholesale destruction of Brazil's unique savannah land.
Fabio Feldman, a leading Brazilian environmentalist and former member of Congress who helped to pass the law mandating a 23 per cent mix of ethanol to be added to all petroleum supplies in the country, believes that Brazil's trailblazing switch has had serious side effects.
"Some of the cane plantations are the size of European states, these vast monocultures have replaced important eco-systems," he said. "If you see the size of the plantations in the state of Sao Paolo they are oceans of sugar cane. In order to harvest you must burn the plantations which creates a serious air pollution problem in the city."
Despite its leading role in biofuels, Brazil remains the fourth largest producer of carbon emissions in the world due to deforestation. Dr Nastarti rejects any linkage between deforestation and ethanol and argues that cane production accounts for little more than 10 per cent of Brazil's farmland.
However, Dr Nastari is calling for new legislation in Brazil to ensure that mushrooming sugar plantations do not directly or indirectly contribute to the destruction of vital forest preserves.
Sceptics, however, point out that existing legislation is unenforceable and agri-business from banned GM cotton to soy beans has been able to ignore legislation.
"In large areas of Brazil there is a total absence of the state and no respect for environmental legislation," said Mr Feldman.
"Ethanol can be a good alternative in the fight against global warming but at the same time we must make sure we are not creating a worse problem than the one we are trying to solve."
The conditions for a true nightmare scenario are being created not in Brazil, despite its environment concerns, but in the US's own domestic ethanol industry.
While Brazil's tropical climate allows it to source alcohol from its sugar crop, the US has turned to its industrialised corn belt for the raw material to substitute oil. The American economist Lester R Brown, from the Earth Policy Institute, is leading the warning voices: "The competition for grain between the world's 800 million motorists who want to maintain their mobility and its two billion poorest people who are simply trying to stay alive is emerging as an epic issue."
Speaking in Sao Paolo, where the ethanol boom is expected to take off with a US-Brazil trade deal this Thursday, Fabio Feldman, said: "We must stop and take a breath and consider the consequences."
Biofuel costs
When Rudolph Diesel unveiled his new engine at the 1900 World's Fair, he made a point of demonstrating that it could be run on peanut oil. "Such oils may become, in the course of time, as important as petroleum and the coal tar products of the present time," he said.
And so it has come to pass that US President George Bush has decreed that America must wean itself off oil with the help of biofuels made from corn, sugar cane and other suitable crops.
At its simplest, the argument for biofuels is this: By growing crops to produce organic compounds that can be burnt in an engine, you are not adding to the overall levels of carbon dioxide in the atmosphere.
The amount of CO2 that the fuel produces when burnt should balance the amount absorbed during the growth of the plants.
However, many biofuel crops, such as corn, are grown with the help of fossil fuels in the form of fertilisers, pesticides and the petrol for farm equipment.
One estimate is that corn needs 30 per cent more energy than the finished fuel it produces.
Another problem is the land required to produce it. One estimate is that the grain needed to fill the petrol tank of a 4X4 with ethanol is sufficient to feed a person for a year.
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fevereiro 22, 2007
Relatório culpa fazendas industriais pela gripe aviária.
Publicado na quarta-feira, fevereiro 21, 2007 pelo Inter Press Service
Relatório culpa fazendas industriais pela gripe aviária.
por Stephen Leahy
As fazendas industriais são responsáveis pela gripe aviária e pelas emissões dos gáses do efeito estufa, agora muito mais que as emitidas por carros e veículos utilitários (SUVs em inglês), de acordo com relatório liberado na segunda-feira.
Sessenta por cento da produção de animais para alimentação no mundo, incluindo a galinha e o porco criados em “operações de confinamento para alimentação” (CAFOs em inglês), ocorrem agora nos países em desenvolvimento. Ou o zoneamento e subsídios não regulados incentivam este tipo de operação, ou as fazendas industriais estão se movendo mais perto das áreas urbanas principais da China, Bangladesh, Índia e em muitos países da África, de acordo com o relatório “Vital Signs 2007-2008” do Worldwatch Institute .
Embora não haja nenhuma prova científica definitiva, tais fazendas são provavelmente a origem da gripe aviaria e continuarão a ser responsáveis pelos novos focos de contaminação, segundo a autora do relatório, Danielle Nierenberg, uma associada do departamento de pesquisa do Worldwatch.
Em Laos, 42 dos 45 focos de contaminação na primavera de 2004 ocorreram em fazendas industriais, e 38 estavam no capital, Vientiane. Na Nigéria, os primeiros focos da gripe aviária foram encontrados em uma operação industrial. Dessa fazenda, espalhou-se por 46.000 pássaros e até outras 30 fazendas industriais, e a seguir rapidamente aos rebanhos vizinhos de quintal, forçando fazendeiros, já pobres, a matar suas galinhas, Nierenberg escreve no relatório.
“O crescimento de fazendas industriais nos países em desenvolvimento está sendo dirigido pelo fato de que há mais pessoas nas cidades que têm mais dinheiro para comprar carne,” ela disse ao IPS em uma entrevista.
Levantar a renda, as populações e a demanda para a carne resultaram na população global de aves domésticas que quadruplicaram desde os anos 60 a aproximadamente 18 bilhão pássaros, hoje. Uma vez que no geral, as aves eram produzidas em pequenas granjas ou em quintais e agora, a maioria de aves criadas são mantidas em grandes rebanhos com números além de cem mil aves.
Condicionando 100.000 galinhas em uma única fábrica para produzir carne a baixo custo cria também a atmosfera perfeita para a propagação da doença. Por essa razão, sistemas desse tipo, com criação intensiva de animais exigem na Europa e América do Norte, o uso de grandes volumes de antibióticos em galinhas, porcos e até vacas, para o controle de doenças. Este uso difundido de antibióticos criou bactérias que são agora resistentes aos antibióticos e impondo, contudo, uma outra ameaça à saúde humana.
A gripe aviária é causada por um vírus, mas que tem estado por muito tempo em pássaros selvagens e domésticos, sendo normalmente inofensivos aos seres humanos. Em 2003, uma variação mortal chamada H5N1, tem matado até agora 167 pessoas de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
No último mês, a Inglaterra experimentou seu primeiro foco de H5N1 em uma imensa fazenda de peru com 160.000 pássaros e um galpão de processamento de carne. Acredita-se que a carne que tenha infectado os pássaros possa ter sido trazida para dentro das fazendas da fábrica por uma companhia da Hungria, de acordo com oficiais britânicos.
Na segunda-feira, os oficiais Russos de saúde confirmaram um foco H5N1 em cinco regiões diferentes em torno de Moscou. Os oficiais de lá responsabilizaram os pássaros selvagens migratórios, mesmo que fosse no meio do inverno da Rússia. Já a agência de notícias Novosti da Rússia, disse que os cientistas seguiram a fonte do vírus até um mercado do animais de estimação em Moscou.
A Organização Mundial de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO) em Roma e a OMS responsabilizaram também os pássaros e rebanhos selvagens de quintal pela propagação do vírus. Em conseqüência, pelo menos 15 nações restringiram ou proibiram a produção caseira ou não-industrial de aves.
Mas isso pode trazer mais danos do que benefícios, disse Nierenberg.
“Muitos dos estimados 800 milhão fazendeiros urbanos no mundo, que tem plantio e produção de animais para subsistência, para o transporte, como fonte de renda foram almejados injustiçadamente,” ela disse. “A importância socioeconomica dos animais domésticos para os pobres do mundo não pode ser ultrapassada”.
Há uma evidência crescente demonstrando que há outros vetores da doença. Nenhum pássaro selvagem foi detectado com o vírus na Europa ou África este inverno, contudo houveram fontes de contaminação na Nigéria, Egipto e Europa. O comércio ilegal e impróprio de aves domésticas pode ser a razão para estes focos.
“Nossa pesquisa mostra que o comércio global de aves e as aves migratórias estão envolvidos na propagação do H5N1,” disse Peter Daszak, diretor executivo do Consortium do Conservation Medicine em Nova York, e um perito na propagação de doenças em animais selvagens.
A combinação de um grande número de pássaros que estão sendo criados juntos, o comércio internacional de aves criadas e os pássaros migratórios são uma receita perfeita para a propagação global da doença, disse Daszak em uma entrevista.
Entretanto, há um “jogo de culpa que vai em” entre as fazendas-fábrica e os pássaros migratórios como fonte de H5N1.
“As doenças novas são um dos custos do desenvolvimento e crescimento,” disse.
Daszak e os colegas documentaram a ascensão de várias doenças tais como Ebola, gripe aviária, BSE, CJD, HIV/AIDS, e H5N1. Eles acreditam que isso é resultado da mudança ambiental, causada quase sempre por seres humanos. Porque os seres humanos compartilham tantos patógenos com os animais, que o impacto humano em controlar as doenças dos animais selvagens ameaça por sua vez a saúde pública.
“Muitos de nós subestimamos o poder do comércio,” disse Samuel Jutzi, diretor da produção animal e saúde da FAO, ao Herald Internacional Tribune na última semana.
“O setor de produção de aves é o a mais globalizado na agricultura,” disse Jutzi. “Há um deslocamento incrível desde pintinhos até outros produtos.”
A forma patogênica do H5N1 não se desenvolve geralmente em pássaros ou em aves domésticas selvagens ou de quintal porque suas populações são muito espalhadas e diversas, disse Cathy Holtslander, organizadora do projeto Beyond Factory Farming Coalition, uma ONG Canadense.
Estamos concentrando números enormes de animais em espaços pequenos, alimentando-os com o alimento mais barato possível, centralizando e acelerando seu crescimento – além de processar, e de distribuir o produto extensamente em torno do mundo, a receita perfeita para a doença se espalhar, disse Holtslander ao IPS.
Os números de crescimento da criação de animais em torno do mundo são responsáveis para 18 por cento de emissões de gases de efeito estufa globais (como medido no equivalente do dióxido de carbono), de acordo com a FAO. Não é apenas methane e manure -- a FAO mostra que nossas transformações no uso de terras como o desmatamento para expanssão de pastos e para o plantio especialmente de cultivos para alimentação desses animais, fazem grande diferença. Como também fazem o uso da energia para produzir fertilizantes, para fazer funcionar abatedouros e fábricas de processamento de carne, além do bombardeamento de água.
As emissões já ultrapassam o setor do transportes no mundo, e o números de animais de criação estão aumentando rapidamente.
“As pessoas pobres do mundo necessitam provavelmente de mais carne, mas nós na América do Norte e na Europa devemos comer muito menos,” disse Nierenberg.
E seria melhor e mais saudável obter carne de sistemas menores e locais de produção. As fazendas industriais fornecem a carne mais barata somente porque os custos reais em termos de poluição do ar e da água, as condições terríveis de trabalho e o confinamento e sofrimento de animais não são calculados e assim por diante, ela disse.
“A infra-estrutura dos ESTADOS UNIDOS mal pode controlar os problemas causados por fazendas industriais,” Nierenberg disse. “Eu não sei como podem direcionar isso a países em desenvolvimento.”
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Consumidor consciente pode ajudar a reduzir alagamentos e enchentes
Os alagamentos que ocorrem especialmente nos meses de verão, quando aumenta o volume de chuvas, têm relação bem próxima com as atividades humanas nas cidades. De acordo com os especialistas, as principais causas para a elevação do nível de água nas cidades durante as chuvas são o volume de lixo depositado em locais inapropriados e a ocupação urbana de áreas cada vez maiores. Além de provocar prejuízos materiais às famílias que sofrem por residirem nas áreas alagadas, muitas pessoas chegam a morrer ou a adoecer como conseqüência dos alagamentos . A situação é ainda pior nas regiões onde a prefeitura não destina o lixo de forma adequada, visto que, nestes casos, o lixo termina por se misturar à água das inundações, aumentando a probabilidade de doenças.
Boa parte dos gastos para solucionar esses problemas e para tratar das vítimas das águas são públicos, custeados pelos impostos que são pagos por todos nós.
Conforme Renato Lima, coordenador do Centro de Apoio Científico em Desastres (Cenacid) da Universidade Federal do Paraná e consultor da ONU para Desastres, as tubulações de esgoto, em geral, possuem um diâmetro suficiente para atender às necessidades de vazão de uma determinada região. Mas, explica que “o lixo jogado na rua, quando vai parar na tubulação, diminui a área útil do cano”. Assim, o encanamento não consegue escoar um volume suficiente de água, que acaba retornando e provocando as inundações. Segundo ele, o principal problema são os produtos feitos de plástico, como sacolas e garrafas PET, que não se decompõem e formam uma barreira impermeável para a água.
O cidadão pode contribuir para a redução da incidência de alagamentos e enchentes, conseqüentemente, para a redução dos danos causados pelas chuvas, não só estimulando políticas públicas que busquem uma solução, mas também atentando para a forma como descarta os produtos que consome. A recomendação dos especialistas é de que não se jogue o lixo nas ruas, em terrenos baldios ou em bueiros, por menor volume que tenham. Da mesma forma, não se deve jogar sedimentos, troncos e móveis em rios, pois impedem o curso da água e provocam transbordamentos.
Adicionalmente, uma recomendação da Defesa Civil é de que se limpe regularmente o telhado e as canaletas de água das residências. Desta forma, evita-se entupimentos, que podem levar a água da chuva a se dirigir para os terrenos e não para os escoadouros apropriados.
O Instituto Akatu lembra que, quando o consumidor planeja suas compras, reutiliza alimentos e produtos, e separa o lixo reciclável do comum, enviando-o para uma coleta seletiva, também está contribuindo para reduzir o problema. Todos os dias são descartadas mais de um milhão de quilos de lixo no Brasil, o suficiente para “pavimentar” uma estrada de 500 quilômetros, com duas pistas, e 11 centímetros de lixo. Mas, qualquer que seja o volume de lixo produzido diariamente pelo consumidor, se depositado em local incorreto, pode provocar enchentes e alagamentos.
Os resíduos de construção depositados nos rios em algumas cidades é uma outra prática, que, segundo Lima, provoca enchentes. Ela acontece quando o leito do rio extravasa a margem, causando prejuízos as populações ribeirinhas. “É muito comum encontrar resíduos de construção depositados nos rios em algumas cidades. É uma conduta inadequada da população, que acaba se tornando vítima”, comenta. Lima explica que isso funciona da mesma forma que o lixo nas tubulações, pois reduz a área útil para dar vazão ao volume de água. “
Segundo a Defesa Civil, outras ações que impermeabilizam e impedem a absorção da água pelo solo são: a pavimentação de ruas, construção de calçadas e a compactação. Nesses casos a área de infiltração natural no solo se reduz. Como o escoamento é direcionado para os próprios rios, córregos ou cursos de água, o excesso de água das chuvas que não foi absorvido pelo solo, transborda, provocando as enchentes.
Nesses dois últimos casos, o consumidor também pode contribuir: (a) ao realizar uma obra, deve certificar-se de que os resíduos de sua construção serão depositados em locais adequados e (b) deve preferir projetos arquitetônicos que valorizem as áreas de solo exposto, garantindo, assim, no terreno, uma área maior para absorção das águas das chuvas.
De acordo com Lima, alguns prédios – como os de supermercados – e as áreas de estacionamentos – com uma extensa área de cobertura do solo – podem implantar um sistema de coleta de água de chuva para posterior reutilização. Desta forma, não apenas contribuem para a redução do consumo de água tratada, como também para a redução das inundações.
O consumidor deve valorizar ações empresariais como essas, incentivando as empresas a terem e manterem esse comportamento e estimulando outras a adotarem essa prática. Essa é mais uma possibilidade de ação para o consumidor que quer contribuir para reduzir problemas como o dos alagamentos e enchentes.
Crédito da imagem: ONG Ecotrópica
(Envolverde/Instituto Akatu)
fevereiro 20, 2007
Memória do Apocalipse, por José de Souza Martins
Todos nós conhecemos evidências diretas da catástrofe ambiental que se arrasta há muito e cujo desfecho irreversível o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) anunciou há poucas semanas.
O mundo que nós conhecemos está acabando. Bilhões de pessoas terão morrido de sede dentro de 80 anos, cidades serão inundadas pela elevação do nível dos oceanos em conseqüência do aquecimento, em muitas regiões do mundo faltará o alimento.
Satanás já venceu a batalha de Armagedom. Os que sobreviverem terão que passar por grandes mudanças no modo de viver atual.
É praticamente certo que conhecemos pessoas, sobretudo crianças de hoje, nossos netos, que viverão em agonia o inferno do Apocalipse. Já não se trata de algo que acontecerá um dia, lá longe, remotamente.
Já podemos olhar nos olhos das pessoas que verão as cores desses dias de horror. Nem será aquele Apocalipse simbólico do testemunho de João. Será pior, porque nele não haverá remissão.
Com o impacto da notícia, num átimo condensaram-se minhas lembranças de um sem número de indicações de que o tempo desse Apocalipse já estava instaurado, praticamente desde quando nasci, no meio das chaminés das numerosas fábricas da região do ABC paulista e industrial.
Vi, lá por meados dos anos cinqüenta, no escritório do historiador João Baptista de Campos Aguirra, um mapa dos anos vinte, da região, em que estavam assinaladas as suas fontes de água mineral.
No que corresponde hoje ao município de São Caetano havia pelos menos cinco delas. Estão todas secas.
Participei um dia, nos anos noventa, de uma excursão organizada pela Cetesb, da foz do rio Tamanduateí, no Tietê, até sua nascente numa idílica gruta de pedra num bosque do município de Mauá.
Os técnicos queriam nos apresentar a degradação de um rio que já estava morto, dezenas de tubos despejando líquidos de todas as cores e fedores no que um dia fora um rio potável e navegável.
Ao longo do caminho, mesmo em áreas servidas pela coleta pública de lixo, vimos pessoas atravessando as ruas que beiram o rio para nele despejar o lixo doméstico. Na gruta, tomei a água cristalina e fria onde nascia o Tamanduateí.
Uma centena de metros abaixo, uma fabriqueta de blocos de cimento despejava seus resíduos na água que, se quisesse, dono e trabalhadores poderiam beber. Eram os primeiros porcos da lista.
Na minha infância, nos anos 40 e 50, os rios da região ainda tinham peixes e neles brinquei com a molecada da minha vizinhança.
Um dia, no começo dos anos 50, meu padrasto foi pescar de tarrafa nas lagoas da margem do rio dos Meninos, afluente do Tamanduateí. Pegou muito peixe.
Preparado, era impossível comê-lo, tinha gosto de combustível, estava contaminado. Li depois relatórios antigos, dos anos 20, que já denunciavam a poluição química dos dois rios.
Lá por meados dos anos 60, descobrimos um dia que a água limpa e tratada que chegava às nossas torneiras tinha cheiro de urina e fezes. Dava nojo.
O rio Pinheiros, que até hoje é puro esgoto, havia sido invertido para despejar na represa Billings a sua água suja, necessária ao volume de água que assegurasse o funcionamento da hidrelétrica de Cubatão.
Só que a água para abastecer toda a região do ABC também era captada nessa represa. Depois de muito protesto a captação passou a ser feita longe dos focos de contaminação e a inversão do rio foi proibida.
Não só as águas da região industrial se transformaram num grave problema. Um vizinho mostrou-me um dia que já não tinha o septo nasal, a cartilagem corroída pelos ácidos da fábrica de produtos químicos em que trabalhara, ali perto.
Seu nariz escondia um buraco desproporcional. Explicou-me que eram centenas os operários com o mesmo problema, todos batendo às portas da Justiça do Trabalho.
Anos depois, a fábrica foi demolida e o terreno interditado pela Cetesb, pois estava completamente envenenado. Serão necessários cem anos, pelo menos, para que volte a ter algum uso humano.
O afã do lucro desregulamentado, incondicional e irracional, destruiu um pedaço do planeta como se o mundo pudesse ser loteado e destroçado com a simples invocação do direito de propriedade. O empresário destruiu seu próprio patrimônio. Não foi na África nem na Ásia: aconteceu aqui no subúrbio de SP.
Nem foi caso isolado. Na noite de 2 de junho de 1975, uma fábrica de fertilizantes no vale do Tamanduateí, na Vila Industrial, em Santo André, liberou uma nuvem tóxica que alcançou os bairros Jardim e Campestre, de classe média.
Ambulâncias, a polícia e os bombeiros foram mobilizados para retirar os moradores, casas tiveram que ser arrombadas para salvar intoxicados. No dia seguinte, animais mortos foram recolhidos nos quintais.
O sociólogo Antonio de Andrade, que trabalhava na Cetesb, testemunhou os momentos de desespero da população local e os registrou em sua tese de mestrado.
Ricos e pobres, os poderosos e os sem-poder, se irmanam na cruzada genocida, na inconsciência e na inconseqüência, esquecidos de que estão consumindo hoje o amanhã de seus netos, antropofagicamente comendo a vida de seus próprios descendentes.
Em pouco mais de cem anos houve imensa mudança de mentalidade em todo mundo.
As populações camponesas historicamente se pautam pelo que o antropólogo americano George Foster, estudando as populações camponesas da América Latina, definiu como cultura do bem limitado.
Para elas, tudo é finito e, por isso, deve ser usado com parcimônia reguladora da vida, consumido o estritamente necessário, reposta na terra a semente como tributo de quem consumiu seus frutos, as águas preservadas, os detritos e resíduos reciclados.
Com a difusão da sociedade de consumo, surgiu e se difundiu rapidamente a cultura oposta, a do bem ilimitado, a cultura do desperdício, a idéia de que tudo existe em abundância sem fim, basta ir ao mercado e comprar.
O anúncio da catástrofe ambiental nos diz, tardiamente, que isso é engano fatal. A vida, que é patrimônio do gênero humano, não está à venda. José de Souza Martins é professor de sociologia na USP
(www.ecodebate.com.br) artigo originalmente publicado pelo Valor Econômico, EU - 16/02/2007
Cronologia sobre o aquecimento global
Confira a cronologia dos principais acontecimentos sobre aquecimento global e mudança climática:
1827: o cientista francês Jean-Baptiste Fourier é o primeiro a considerar o "efeito estufa", o fenômeno no qual os gases atmosféricos prendem a energia solar, elevando a temperatura da superfície terrestre, em vez de permitir que o calor volte para o espaço.
1896: o químico sueco Svante Arrhenius culpa a queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) pela produção de dióxido de carbono (CO2).
1958: o cientista americano Charles David Keeling detecta a elevação anual de CO2 atmosférico com o aumento do uso dos combustíveis fósseis no pós-guerra.
Anos 70: cientistas europeus e americanos identificam outros gases (clorofluorcarbonos, metano e óxido nitroso) como gases de efeito estufa.
1979: um relatório marco da Academia Nacional de Ciências americana vincula o efeito estufa à mudança climática e alerta que "uma política de esperar para ver pode significar esperar até que seja tarde demais".
1988: o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) é criado sob os auspícios da ONU. Referência para a criação de um consenso científico sobre a medição e a análise do aquecimento global, o IPCC é encarregado de publicar atualizações regulares sobre o estado de conhecimento a respeito do tema.
1990: o primeiro relatório de avaliação do IPCC diz que os níveis de gases de efeito estufa produzidos pelo homem estão aumentando na atmosfera e prevê que estes causarão o aquecimento global.
1992: criação da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês) durante a Cúpula do Rio, que também pede cortes voluntários nas emissões de gases de efeito estufa.
1995: o segundo relatório de avaliação do IPCC diz que os níveis de gases de efeito estufa ainda estão aumentando, e acrescenta: "o conjunto de evidências sugere uma discernível influência humana no clima global".
1997: os países do UNFCCC assinam o Protocolo de Kioto, que exige que os países industrializados reduzam as emissões de seis gases de efeito estufa em 5,2% para a meta 2008-2012, em comparação com os níveis de 1990. O protocolo é um "programa marco". O estabelecimento de seus complexos regulamentos legais é deixado para negociações futuras.
2000: os anos 1990 são considerados a década mais quente já registrada.
2001: o terceiro relatório do IPCC declara como incontestável a evidência de aquecimento global causado pelo homem, embora os efeitos sobre o clima sejam difíceis de detalhar. O documento prevê que, em 2100, a temperatura atmosférica global terá aumentado entre 1,4°C e 5,8°C e os níveis dos mares, entre 0,09 e 0,88 metro, dependendo da quantidade de emissões de gases de efeito estufa. Os Estados Unidos, o maior emissor individual de gases de efeito estufa, abandonam Kioto. O presidente americano, George W. Bush, questiona o consenso científico sobre o aquecimento global e diz que o pacto é injusto e caro demais para a economia americana. Em novembro, os signatários do Protocolo de Kioto, com exceção dos Estados Unidos, dão seu aval aos regulamentos do tratado.
2002: a pressão dos Estados Unidos força a saída do presidente do IPCC, Robert Watson, um dos cientistas líderes no alerta sobre a mudança climática.
2004: a Rússia ratifica o Protocolo de Kioto. Sua aprovação é necessária para transformar o esboço do pacto em um tratado internacional sob a aritmética de suas cláusulas de ratificação. A Agência Internacional de Energia (AIE) declara a China como o segundo maior poluidor de carbono do mundo, devido ao aumento do uso de combustíveis fósseis.
2005: em 16 de fevereiro, o Protocolo de Kioto entra em vigor. No dia 29 de agosto, o furacão Katrina devasta a costa do Golfo americana, gerando especulações de que a temporada excepcional de tempestades tropicais foi provocada pelo aquecimento global.
2006: novos estudos sugerem que a mudança climática já está em andamento, com a perda de gelo nos Alpes, na Europa, o derretimento da cobertura de gelo na Groenlândia e no Pólo Norte e a retração do subsolo permanentemente congelado na Sibéria. A Califórnia anuncia planos para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa aos níveis de 1990 até 2020 e processa seis empresas automobilísticas por sua contribuição para o aquecimento global. Um relatório britânico escrito pelo ex-economista do Banco Mundial, Nicholas Stern, diz que a mudança climática custará até 20% do PIB global se nada for feito.
2007: em 4 de janeiro, cientistas britânicos anunciam que 2007 será o ano mais quente já registrado em todo o mundo. Em 17 de janeiro, o Boletim de Cientistas Atômicos adianta em dois minutos o Relógio do Apocalipse, que agora marca cinco minutos para a meia-noite, citando a mudança climática como um risco tão grande para a humanidade quanto a proliferação nuclear. No dia 2 de fevereiro, o IPCC publica o primeiro de três volumes de seu quarto relatório de avaliação, que conclui com 90% de certeza que o aquecimento global foi causado pela ação humana. E que a temperatura da Terra aumentará, até o final do século XXI, entre 1,8°C e 4°C.
AFP