Enquanto o país bate recordes de produção e exportação de grãos, cursos d'água são contaminados, animais entram em listas de extinção e uma área do tamanho do Estado de Alagoas é desmatada, anualmente, no Cerrado.
Iberê Thenório* – Especial para a Carta Maior
SÃO PAULO - Considerado, até a década de 1980, um local de solos pobres e vegetação minguada, o Cerrado vem ganhando importância para dois grupos de interesses distintos. De um lado, os biólogos, pesquisadores e ecologistas, que anunciam descobertas atrás de descobertas sobre a biodiversidade e importância desse bioma dentro dos ecossistemas brasileiros. Do outro, figuram os expoentes do agronegócio, representados principalmente pelos sojicultores que, depois de descobrirem a potencialidade da exploração agrícola da região, vêem o Cerrado como terra vazia a ser conquistada. O que está longe da realidade.
Na queda de braço entre os dois grupos, o poder econômico tem levado vantagem. Segundo o relatório "Estimativas de perda da área do Cerrado brasileiro", lançado pela ONG Conservação Internacional em julho de 2004, o total de soja plantada no Cerrado subiu de 45 mil quilômetros quadrados, em 1995, para 100 mil km² em 2002. A área corresponde ao território do estado de Pernambuco, e significa 5% da área total do Cerrado, que abrange 2 milhões de km².
A expansão da agricultura foi possibilitada pelo uso de fertilizantes e de técnicas de correção de solo, enquanto a vegetação pouco densa e o relevo plano permitiram a rápida ocupação. Diferentemente da Amazônia, onde, após a derrubada a floresta, há um período de utilização da terra pela pecuária, o Cerrado pode ser utilizado pela agricultura em menos de um ano após o desmate. "No Cerrado, a ocupação é muito mais rápida, pois a vegetação não oferece empecilhos. O cara coloca um trator e já sai derrubando", conta o zoólogo e pesquisador da Universidade de Brasília, Guarino Colli.
Uma estimativa realizada em 1998 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontou que restam apenas 34,22% das áreas nativas remanescentes do Cerrado. Considerando os números atuais de desmatamento - cerca de 26 mil km² ao ano - e as áreas protegidas (2,2% em unidades de conservação e 2,3% em terras indígenas), a Conservação Internacional estima que o bioma deixe de existir até o ano de 2030.
Apesar da previsão assustadora, há perspectivas ainda piores para o ritmo de destruição. Hoje, o cultivo da soja padece do alto custo do transporte, com rodovias precárias para o escoamento da produção. A pavimentação da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), contudo, pode baratear o transporte e tornar mais lucrativo o cultivo do grão, estimulando a abertura de novas áreas de plantio no Cerrado.
Para Sergio Schlesinger, do Fórum Brasileiro de Organizações Não-governamentais (Fbons), o cultivo de monoculturas, como a soja e a cana, é incompatível com a conservação do bioma. "Pela sua natureza, [essas monoculturas] são altamente destruidoras. Uma colheitadeira de soja, por exemplo, só trabalha em grandes áreas devastadas." Sérgio destaca, ainda, que o pequeno produtor sofre mais com a destruição do meio ambiente e por isso tende a cuidar melhor dele. "As famílias que viviam da agricultura familiar, da silvicultura, estão sendo expulsas. A poluição do solo e das águas obriga as pessoas vizinhas às grande plantações a se mudarem. O grande proprietário não mora no local. Mora na cidade. É um empresário."
De acordo com a bióloga Rosane Bastos, integrante da Rede Cerrado - um grupo de organizações que se juntou para criar projetos de preservação do bioma, há dois pesos e duas medidas no momento de aplicar a legislação ambiental. Enquanto os grandes produtores realizam grandes desmatamentos sem serem incomodados, os pequenos são cobrados por qualquer mudança mínima no ambiente. "Hoje, a lei é muito cobrada do pequeno, que não pode derrubar uma árvore."
As investigações da Polícia Federal corroboram com a afirmação da bióloga. Em junho de 2005, um conjunto de ações batizado de Operação Curupira prendeu o então secretário estadual do Meio Ambiente do Mato Grosso, Moacir Pires, acusado de envolvimento num esquema de extração ilegal de madeira. A descoberta do esquema levou à extinção da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema), órgão que fiscalizava a derrubada de matas no estado. Pires fora nomeado por Blairo Maggi, governador do Mato Grosso, que já foi chamado de "Rei da Soja", devido às grandes plantações de sua família.
Sinais de exaustão
Não são poucos os indícios de que já se passou da hora de ter uma discussão séria sobre uma exploração racional do Cerrado. Além dos dados da alta destruição da vegetação nativa, a perda do solo e a invasão de vegetais estranhos ao bioma dão sinais de que não é apenas o desmatamento que pode causar perdas irreversíveis à região, inclusive com prejuízos para os fazendeiros que fazem uso dela.
A rápida degradação do solo é um exemplo disso. De acordo relatório da Conservação Internacional, o plantio tradicional da soja, como é feito no Cerrado, causa a perda de cerca de 25 toneladas de solo por hectare ao ano. Caso fossem aplicadas técnicas de conservação, como a aragem mínima, o número poderia ser reduzido a 3 toneladas por ano. Para Rosane Bastos, a improdutividade pode impulsionar a destruição de outros ecossistemas: "se os grandes produtores ficarem sem solo, vão subir para a Amazônia", prevê.
Problema semelhante acontece com a pecuária. Metade dos pastos plantados - cerca de 250.000 km² - estão degradados, com pouca cobertura vegetal, plantas não comestíveis e cupinzeiros. Com alimentação escassa, cai o número máximo de animais por hectare, aumentando a área total voltada à pecuária.
Para aumentar o pasto, plantaram-se capins estrangeiros, que ressecam e transformam-se em um combustível altamente inflamável. Apesar do ecossistema do Cerrado ser adaptado a queimadas anuais, a combustão desse capim causa um fogo de temperatura mais alta que as usuais, matando as plantas nativas.
Patinho feio
Apesar de ocupar 21% do território brasileiro, o Cerrado acabou ficando de lado na discussão da necessidade de preservação ambiental. Estudiosos do bioma afirmam que o desprezo pode ter acontecido por causa da cobertura vegetal mais rarefeita e a concorrência com outros biomas exuberantes, como a Amazônia e a Mata Atlântica. "Isso começa desde a comunidade internacional. Um estrangeiro, em geral, não sabe nem que o Cerrado existe", aponta Guarino Colli.
Um dos grandes sintomas do abandono do ecossistema é o número de Unidades de Conservação. Atualmente, apenas 2,2% do bioma estão protegidos pelo governo. Somando-se às áreas particulares, como as Reservas Particulares do Patrimônio Natural, o número alcança 4,4%.
De acordo com Fabiana Aquino, pesquisadora da Embrapa Cerrados, com poucas áreas de proteção, muitas espécies de animais e vegetais que ocorrem somente em alguns lugares do Cerrado correm o risco de desaparecer rapidamente. "Estima-se que 20% das espécies ameaçadas ou endêmicas não ocorram nas áreas legalmente protegidas. Ou seja, é necessário que outras áreas fora das Unidades de Conservação sejam preservadas para que, a fauna e flora do Cerrado persistam em longo prazo", alerta.
O baixo número de UCs também impede a ocorrência de Corredores de Biodiversidade - redes de parques, reservas e áreas privadas próximas uma das outras que impedem o isolamento das florestas, garantindo a sobrevivência do maior número de espécies e o equilíbrio dos ecossistemas. Grandes predadores, como a onça, dependem de áreas como essas para viver.
Não bastasse a pequena área destinada à proteção ambiental no Cerrado, o governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PSDB), aprovou em abril de 2005 uma lei que reduz em 81% o território da Área de Proteção Ambiental da Ilha do Bananal/Cantão. A reserva tinha 1,7 milhões de hectares, que seriam diminuídos para cerca de 185 mil.
Na época, Miranda alegou que a redução atendia a pedidos de comunidades da região, que ficaram com seu sustento comprometido. O Ministério Público Federal (MPF) do Tocantins, contudo, entendeu que o intuito da lei era favorecer o agronegócio, e seria prejudicial ao meio ambiente. Com uma ação impetrada na Justiça Federal, o MPF conseguiu impedir que a legislação entrasse em vigor.
Outros planos
Na última quarta-feira, uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de projeto de emenda constitucional (PEC) que dá ao Cerrado e a Caatinga o status de patrimônio nacional. A medida agora precisa passar pelo plenário da casa e pelo Senado e, se aprovada, permitirá que se criem regras de proteção para esses ecossistemas em locais que estão fora de unidades de conservação. Regras semelhantes existem para Amazônia, onde só é permitido desmatar 20% das propriedades. No Cerrado, a conta é inversa: 80% da cobertura vegetal pode ser retirada. A PEC estava emperrada há 11 anos, quando foi proposta pelos deputados Gervásio Oliveira (PMDB-AP) e Pedro Wilson (PT-GO).
Para a Rosane Bastos, o projeto de desenvolvimento que conta com o Cerrado apenas como terra a ser explorada é o que determina a sua destruição. "A visão do Cerrado como um celeiro do Brasil tem determinado essa falta de políticas e essa ação predatória da soja, cana, milho, algodão e pecuária". Guarino Colli concorda com a colega, e destaca os olhos mais voltados à balança comercial do que ao meio ambiente: "O Brasil depende muito da exportação de grãos. Por isso, o governo não está nem aí para o que acontece com o Cerrado".
Valorização tardia
O ritmo acelerado de destruição do ecossistema fez com que estudiosos e organizações voltassem os olhos para o segundo maior bioma brasileiro. Hoje, o Cerrado ocupa o posto de savana que tem mais biodiversidade no mundo, à frente até mesmo das suas equivalentes africanas.
De acordo com uma classificação elaborada pela Conservação Internacional, o Cerrado é um dos 34 hotspots mundiais, como são identificadas as regiões naturais mais biodiversas e ameaçadas do planeta, ou seja, local rico em espécies endêmicas (que só ocorrem na região) e elevado grau de ameaça. O Fundo Mundial para a Vida Silvestre (WWF) o classifica como uma das ecorregiões mais importantes do planeta.
Enquanto se descobre a biodiversidade, números da Fundação Biodiversitas mostram que até 2003 havia pelo menos 65 espécies animais que dependiam do bioma e estavam em risco de extinção. Entre elas figuram o Lobo Guará, a Jaguatirica, a Ariranha, o Tatu Canastra e o Tamanduá Bandeira. A principal causa da morte desses animais é a perda do seu habitat natural. Apesar do número alto, Colli afirma que ele é subdimensionado. "O Cerrado está mal representado nas listas de espécies de extinção Ainda temos um conhecimento restrito sobre a distribuição das espécies no Cerrado", explica.
Os recursos hídricos do Cerrado são outra questão preocupante para os pesquisadores. Hoje, a região já padece da contaminação dos rios, causada principalmente pelo alto uso de agrotóxicos e insumos agrícolas para a correção dos solos pobres e ácidos. Como o Cerrado é um grande centro dispersor de água para as três principais bacias brasileiras (Tocantins-Amazônica, Paranaíba-Paraná e São Francisco), os problemas ambientais que o afetam podem desencadear efeitos negativos por quase todo o país.
* Iberê Thenório integra a ONG Repórter Brasil
agosto 31, 2006
Declaración Paraguay contra Conferencia sobre Soja Responsable
Los movimientos indígenas, campesinos, urbanos y organizaciones sociales del Paraguay, así como otros movimientos, grupos y ciudadanos solidarios que se adhieren a esta Declaración, rechazamos el modelo económico exportador de materia prima de los monocultivos de soja, basado en el uso masivo de biocidas y tóxicos, y en la introducción del peligro de los transgénicos.
La Segunda Conferencia sobre Soja Responsable (antes llamada Sustentable) se realizará en un hotel de lujo el Yacht y Golf Club, desde el 31 de agosto al 2 de setiembre.
Su supuesta meta: 'la definición de una producción, procesamiento y comercio responsable con criterios que atiendan los aspectos económicos, ambientales y sociales. Esta conferencia 'participativa' estará integrada por ONGs como WWF, Solidaridad, Guyra Paraguay e IDEA, quienes compartirán la mesa con empresas multi-nacionales como Unilever, Grupo Andre Maggi, Bancos como el ABN-AMRO y Gremios como CAPECO, CAP y AAPRESID.
Lee la Declaración de los movimientos en contra del modelo de agronegocios propuesto por estos grupos. ¡SUMATE Y FIRMA!
Declaración: El Modelo de Desarrollo Irresponsable, Insustentable y Antidemocrático en el Paraguay actual
El papel de la Megaproducción de soja en la destrucción de los territorios del agua, de las comunidades y de los ecosistemas del Paraguay.
Los movimientos indígenas, campesinos, urbanos y organizaciones sociales del Paraguay, así como otros movimientos, grupos y ciudadanos solidarios que se adhieren a esta Declaración, rechazamos el modelo económico exportador de materia prima de los monocultivos de soja, basado en el uso masivo de biocidas y tóxicos, y en la introducción del peligro de los transgénicos. Este modelo es responsable por la expoliación del patrimonio natural y cultural; la expulsión de la población local y la concentración del poder sobre los procesos de decisión en las economías nacionales y sobre los territorios ocupados por la soja, poniendo en grave riesgo la misma soberanía de los Estados nacionales, de sus pueblos y comunidades.
La producción de soja a gran escala es inevitablemente insustentable y responde claramente a un modelo agroindustrial antidemocrático, excluyente; irresponsable, egoísta y concentrador de beneficios. El mismo Presidente de la República del Paraguay, a pesar de no haber tomado acción alguna para modificar esta situación, ha declarado recientemente: “América Latina no necesita esta clase de modelo económico.”[1]
La expansión de los “desiertos verdes” que son todos los monocultivos como los de soja, pasturas y árboles exóticos, promueve una agricultura con máquinas, sin campesinos, sin gente. Todos los monocultivos son destructores de los ecosistemas en que se instalan; genera pobreza; desempleo; excluyen y expulsan a la población local; dañan la salud de las comunidades y del ambiente; destruyen la diversidad natural y de la producción; envenenan el agua y los suelos productivos y comprometen gravemente la seguridad y la soberanía alimentaria de la población de los países donde se instalan.
La llamada “producción responsable” de soja a gran escala es una falacia, una expresión demagógica usada para esconder los intereses del sector empresarial aliado con las corporaciones transnacionales frente al creciente estado de conciencia ciudadana sobre alternativas económicas nacionales y regionales en decidido proceso de construcción, basadas en la democracia, la participación, la inclusión y la sustentabilidad social, política, económica y ambiental.
En el Paraguay: ¿Dónde está el cobro de responsabilidad por la contaminación ambiental ya causada por los más de 20 millones de litros de químicos vertidos cada año sólo en territorio paraguayo?; ¿por la destrucción de arroyos, ríos, manantiales y humedales?; ¿por la expulsión de casi cien mil campesinos por año de sus moradas y tierras productivas?; ¿por el asesinato de más de 100 dirigentes campesinos?; ¿por el etnocidio de comunidades y pueblos indígenas?; ¿por la imputación de más de 2.000 campesinos a causa de su legítima resistencia a este sistema predador? NO hay megaproducción de monocultivos de soja posible sin estos efectos y daños.
El concepto de “sustentabilidad” aplicado a los monocultivos de soja nos entrampa en un discurso conservacionista y conservador desarrollado recientemente por algunos sectores en Europa, y ahora en la región latinoamericana, frente a las perspectivas de demanda mundial de soja para asegurar forraje a la producción de animales en Europa y China (se espera un aumento del 60% hasta alcanzar unas 300 millones de toneladas por año en el 2020, lo que supondría una ocupación de alrededor 1,5 millones de km2, equivalentes a casi la mitad de la superficie de la Cuenca del Plata, y destruiría otros 220 mil Km2 de bosques y sabanas, además de lo ya destruido).
La iniciativa de la Mesa Redonda de Soja Responsable no cuestiona al modelo agroexportador, a los sistemas de megaproducción dependientes del uso de biocidas ni a las compañías transnacionales productoras de semillas transgénicas y de agroquímicos, como Monsanto, Pioneer, Syngenta, Dupont, y Cargill entre otras. Tampoco cuestiona las operaciones de las Instituciones Financieras Internacionales y Bancos de “Desarrollo” que promueven las economías basadas en los monocultivos; la agroexportación y la insustentabilidad.
El modelo agroexportador, para asegurar su continuidad, ha generado e impulsado procesos de criminalización de la lucha social y se ha ocupado de promover la criminalización de la misma pobreza. El modelo sojero viola sistemáticamente las leyes laborales, las leyes sociales y las leyes ambientales en su implantación. Es opuesto a las conquistas de los derechos humanos fundamentales, especialmente de los derechos económicos, sociales, culturales y ambientales. Es incompatible con un Estado de pleno derecho.
El interés de las naciones y de los pueblos obliga a defender los derechos de las comunidades a una vida sana y soberana, con garantías de plena vigencia de los derechos humanos fundamentales y del pleno ejercicio de soberanía sobre los territorios, sobre los alimentos, sobre la propia cultura y sobre la economía.
Repudiamos la realización en el Paraguay de esta segunda Mesa Redonda de Soja “Responsable” ya que la consideramos una afrenta a las miserias causadas a todo un pueblo.
NOTAS COMPLEMENTARIAS DE INTERÉS:
1. El establecimiento de un mercado de “servidumbres de conservación” está basado en los llamados “Principios de Basilea” sobre producción responsable de soja, que permiten el cultivo de soja en tierras deforestadas después de 1994, siempre y cuando la deforestación haya sido compensada con una “afectación a la biodiversidad” (que podría asumir la forma de contribución financiera a las mismas organizaciones que promueven la adopción de estos principios). Los movimientos sociales, por el contrario, temen que estas afectaciones a la biodiversidad lleven a una mayor concentración de la tenencia de la tierra y desvíen la atención de los otros problemas ambientales y sociales creados por la expansión a gran escala de monocultivos como la soja.
2. Más de 24.000.000 litros de agrotóxicos son empleados en cultivos de soja en el Paraguay cada año. Los agrotóxicos contaminan el agua, el aire y el suelo, atentando contra la biodiversidad existente. Entre los plaguicidas usados en la producción de soja, se encuentran algunos situados dentro de la “franja roja”, o sea, considerados como “sumamente peligrosos” y “muy peligrosos”, según la clasificación de la Resolución 295/03 del Ministerio de Agricultura y Ganadería. Entre estos se encuentran el Paraquat, contra el cual no existe antídoto para casos de intoxicación, el Gramoxone, el Metamidofos, que tiene la capacidad de reducir el número de espermatozoides y la viabilidad de los mismos en varones expuestos al él y el Endosulfan, catalogado como teratogénico (capaz de ocasionar malformaciones en niños recién nacidos cuyas madres hayan tenido contactos sucesivos con el producto) por la Agencia de Protección Ambiental de los Estados Unidos –EPA.
3. En el caso concreto de la soja transgénica, debe agregarse que la soja RR viene acompañada de la introducción de un potente herbicida que es utilizado sin que se tomen las mínimas normas de precaución. Por otro lado, la modificación genética de las semillas utilizadas tiene efectos aún desconocidos, pero amenazantes, sobre el germoplasma nativo y la salud de las personas. Se estima que al menos 95% de la producción de soja en el Paraguay es transgénica y por causa de la contaminación genética y la pertinencia de la ilegalidad, es imposible garantizar la producción no transgénica de soja en el Paraguay.
4. El área de siembra de granos y pasturas a gran escala (no sólo en el Paraguay sino en todo el Cono Sur sudamericano) coincide casi completamente con la extensión del acuífero Guaraní, lo que significa que la ya escasa cobertura boscosa de esta área de importancia estratégica para la región, continuará siendo rápidamente destruida incluyendo zonas de extrema importancia como las áreas de recarga del acuífero, lo que resultará en aguas subterráneas contaminadas por el uso de los agrotóxicos utilizados.
5. Proponemos la creación de un nuevo modelo de gestión de país, que promueva la sustentabilidad y la soberanía de las comunidades, aprovechando las oportunidades que las características del territorio presentan para la producción de bienes realmente sanos y competitivos; promoviendo la desconcentración del poder sobre la tierra y la producción, con una distribución equitativa de la tierra que elimine la exclusión, la expulsión y el éxodo forzado, a través de una revisión de la tenencia legal de tierras y de un ordenamiento territorial que regule y limite la producción agrícola extensiva
6. Exigimos el respeto a los derechos humanos fundamentales, que incluye el respeto al derecho a modos de producción propios y vida rural sustentables. La producción natural, ecológica y orgánica es posible, y no se debe desmeritar su posibilidad, ni su rentabilidad. Sus ganancias están al alcance de pequeños productores a diferencia de los monocultivos cuya ganancia se concentra en unos pocos productores. www.ecoportal.net
[1] Presidente Nicanor Duarte Frutos de Paraguay, en un discurso público en Coronel Oviedo, 26 de julio 2006.
Firma la declaración abajo para fortalecer nuestro grito denunciando el modelo exportador de monocultivos y el gatoverdismo de los empresarios transnationales agro alimentarios.
Para adherirse a la declaracion envie un mensaje a ortega@baseis.org.py
El documento está firmado por la MCNOC (Mesa Coordinadora Nacional de Organizaciones Campesinas), la FNC (Federación Nacional Campesina), la ONAC (Organización Nacional Campesina), la CNOCIP (Central Nacional de Organizaciones Campesinas Indígenas y Populares), la CONAMURI (Coordinadora Nacional de Organizaciones de Mujeres Rurales e Indígenas), las organizaciones BASE IS, SOBREVIVENCIA-Amigos de la Tierra Paraguay, todas de Paraguay; las organizaciones internacionales GFC (Coalición Mundial por los Bosques, Global Forest Coalition) y A SEED Europa, y sigue siendo suscripta por otras. Envia tu adhesion.
La Segunda Conferencia sobre Soja Responsable (antes llamada Sustentable) se realizará en un hotel de lujo el Yacht y Golf Club, desde el 31 de agosto al 2 de setiembre.
Su supuesta meta: 'la definición de una producción, procesamiento y comercio responsable con criterios que atiendan los aspectos económicos, ambientales y sociales. Esta conferencia 'participativa' estará integrada por ONGs como WWF, Solidaridad, Guyra Paraguay e IDEA, quienes compartirán la mesa con empresas multi-nacionales como Unilever, Grupo Andre Maggi, Bancos como el ABN-AMRO y Gremios como CAPECO, CAP y AAPRESID.
Lee la Declaración de los movimientos en contra del modelo de agronegocios propuesto por estos grupos. ¡SUMATE Y FIRMA!
Declaración: El Modelo de Desarrollo Irresponsable, Insustentable y Antidemocrático en el Paraguay actual
El papel de la Megaproducción de soja en la destrucción de los territorios del agua, de las comunidades y de los ecosistemas del Paraguay.
Los movimientos indígenas, campesinos, urbanos y organizaciones sociales del Paraguay, así como otros movimientos, grupos y ciudadanos solidarios que se adhieren a esta Declaración, rechazamos el modelo económico exportador de materia prima de los monocultivos de soja, basado en el uso masivo de biocidas y tóxicos, y en la introducción del peligro de los transgénicos. Este modelo es responsable por la expoliación del patrimonio natural y cultural; la expulsión de la población local y la concentración del poder sobre los procesos de decisión en las economías nacionales y sobre los territorios ocupados por la soja, poniendo en grave riesgo la misma soberanía de los Estados nacionales, de sus pueblos y comunidades.
La producción de soja a gran escala es inevitablemente insustentable y responde claramente a un modelo agroindustrial antidemocrático, excluyente; irresponsable, egoísta y concentrador de beneficios. El mismo Presidente de la República del Paraguay, a pesar de no haber tomado acción alguna para modificar esta situación, ha declarado recientemente: “América Latina no necesita esta clase de modelo económico.”[1]
La expansión de los “desiertos verdes” que son todos los monocultivos como los de soja, pasturas y árboles exóticos, promueve una agricultura con máquinas, sin campesinos, sin gente. Todos los monocultivos son destructores de los ecosistemas en que se instalan; genera pobreza; desempleo; excluyen y expulsan a la población local; dañan la salud de las comunidades y del ambiente; destruyen la diversidad natural y de la producción; envenenan el agua y los suelos productivos y comprometen gravemente la seguridad y la soberanía alimentaria de la población de los países donde se instalan.
La llamada “producción responsable” de soja a gran escala es una falacia, una expresión demagógica usada para esconder los intereses del sector empresarial aliado con las corporaciones transnacionales frente al creciente estado de conciencia ciudadana sobre alternativas económicas nacionales y regionales en decidido proceso de construcción, basadas en la democracia, la participación, la inclusión y la sustentabilidad social, política, económica y ambiental.
En el Paraguay: ¿Dónde está el cobro de responsabilidad por la contaminación ambiental ya causada por los más de 20 millones de litros de químicos vertidos cada año sólo en territorio paraguayo?; ¿por la destrucción de arroyos, ríos, manantiales y humedales?; ¿por la expulsión de casi cien mil campesinos por año de sus moradas y tierras productivas?; ¿por el asesinato de más de 100 dirigentes campesinos?; ¿por el etnocidio de comunidades y pueblos indígenas?; ¿por la imputación de más de 2.000 campesinos a causa de su legítima resistencia a este sistema predador? NO hay megaproducción de monocultivos de soja posible sin estos efectos y daños.
El concepto de “sustentabilidad” aplicado a los monocultivos de soja nos entrampa en un discurso conservacionista y conservador desarrollado recientemente por algunos sectores en Europa, y ahora en la región latinoamericana, frente a las perspectivas de demanda mundial de soja para asegurar forraje a la producción de animales en Europa y China (se espera un aumento del 60% hasta alcanzar unas 300 millones de toneladas por año en el 2020, lo que supondría una ocupación de alrededor 1,5 millones de km2, equivalentes a casi la mitad de la superficie de la Cuenca del Plata, y destruiría otros 220 mil Km2 de bosques y sabanas, además de lo ya destruido).
La iniciativa de la Mesa Redonda de Soja Responsable no cuestiona al modelo agroexportador, a los sistemas de megaproducción dependientes del uso de biocidas ni a las compañías transnacionales productoras de semillas transgénicas y de agroquímicos, como Monsanto, Pioneer, Syngenta, Dupont, y Cargill entre otras. Tampoco cuestiona las operaciones de las Instituciones Financieras Internacionales y Bancos de “Desarrollo” que promueven las economías basadas en los monocultivos; la agroexportación y la insustentabilidad.
El modelo agroexportador, para asegurar su continuidad, ha generado e impulsado procesos de criminalización de la lucha social y se ha ocupado de promover la criminalización de la misma pobreza. El modelo sojero viola sistemáticamente las leyes laborales, las leyes sociales y las leyes ambientales en su implantación. Es opuesto a las conquistas de los derechos humanos fundamentales, especialmente de los derechos económicos, sociales, culturales y ambientales. Es incompatible con un Estado de pleno derecho.
El interés de las naciones y de los pueblos obliga a defender los derechos de las comunidades a una vida sana y soberana, con garantías de plena vigencia de los derechos humanos fundamentales y del pleno ejercicio de soberanía sobre los territorios, sobre los alimentos, sobre la propia cultura y sobre la economía.
Repudiamos la realización en el Paraguay de esta segunda Mesa Redonda de Soja “Responsable” ya que la consideramos una afrenta a las miserias causadas a todo un pueblo.
NOTAS COMPLEMENTARIAS DE INTERÉS:
1. El establecimiento de un mercado de “servidumbres de conservación” está basado en los llamados “Principios de Basilea” sobre producción responsable de soja, que permiten el cultivo de soja en tierras deforestadas después de 1994, siempre y cuando la deforestación haya sido compensada con una “afectación a la biodiversidad” (que podría asumir la forma de contribución financiera a las mismas organizaciones que promueven la adopción de estos principios). Los movimientos sociales, por el contrario, temen que estas afectaciones a la biodiversidad lleven a una mayor concentración de la tenencia de la tierra y desvíen la atención de los otros problemas ambientales y sociales creados por la expansión a gran escala de monocultivos como la soja.
2. Más de 24.000.000 litros de agrotóxicos son empleados en cultivos de soja en el Paraguay cada año. Los agrotóxicos contaminan el agua, el aire y el suelo, atentando contra la biodiversidad existente. Entre los plaguicidas usados en la producción de soja, se encuentran algunos situados dentro de la “franja roja”, o sea, considerados como “sumamente peligrosos” y “muy peligrosos”, según la clasificación de la Resolución 295/03 del Ministerio de Agricultura y Ganadería. Entre estos se encuentran el Paraquat, contra el cual no existe antídoto para casos de intoxicación, el Gramoxone, el Metamidofos, que tiene la capacidad de reducir el número de espermatozoides y la viabilidad de los mismos en varones expuestos al él y el Endosulfan, catalogado como teratogénico (capaz de ocasionar malformaciones en niños recién nacidos cuyas madres hayan tenido contactos sucesivos con el producto) por la Agencia de Protección Ambiental de los Estados Unidos –EPA.
3. En el caso concreto de la soja transgénica, debe agregarse que la soja RR viene acompañada de la introducción de un potente herbicida que es utilizado sin que se tomen las mínimas normas de precaución. Por otro lado, la modificación genética de las semillas utilizadas tiene efectos aún desconocidos, pero amenazantes, sobre el germoplasma nativo y la salud de las personas. Se estima que al menos 95% de la producción de soja en el Paraguay es transgénica y por causa de la contaminación genética y la pertinencia de la ilegalidad, es imposible garantizar la producción no transgénica de soja en el Paraguay.
4. El área de siembra de granos y pasturas a gran escala (no sólo en el Paraguay sino en todo el Cono Sur sudamericano) coincide casi completamente con la extensión del acuífero Guaraní, lo que significa que la ya escasa cobertura boscosa de esta área de importancia estratégica para la región, continuará siendo rápidamente destruida incluyendo zonas de extrema importancia como las áreas de recarga del acuífero, lo que resultará en aguas subterráneas contaminadas por el uso de los agrotóxicos utilizados.
5. Proponemos la creación de un nuevo modelo de gestión de país, que promueva la sustentabilidad y la soberanía de las comunidades, aprovechando las oportunidades que las características del territorio presentan para la producción de bienes realmente sanos y competitivos; promoviendo la desconcentración del poder sobre la tierra y la producción, con una distribución equitativa de la tierra que elimine la exclusión, la expulsión y el éxodo forzado, a través de una revisión de la tenencia legal de tierras y de un ordenamiento territorial que regule y limite la producción agrícola extensiva
6. Exigimos el respeto a los derechos humanos fundamentales, que incluye el respeto al derecho a modos de producción propios y vida rural sustentables. La producción natural, ecológica y orgánica es posible, y no se debe desmeritar su posibilidad, ni su rentabilidad. Sus ganancias están al alcance de pequeños productores a diferencia de los monocultivos cuya ganancia se concentra en unos pocos productores. www.ecoportal.net
[1] Presidente Nicanor Duarte Frutos de Paraguay, en un discurso público en Coronel Oviedo, 26 de julio 2006.
Firma la declaración abajo para fortalecer nuestro grito denunciando el modelo exportador de monocultivos y el gatoverdismo de los empresarios transnationales agro alimentarios.
Para adherirse a la declaracion envie un mensaje a ortega@baseis.org.py
El documento está firmado por la MCNOC (Mesa Coordinadora Nacional de Organizaciones Campesinas), la FNC (Federación Nacional Campesina), la ONAC (Organización Nacional Campesina), la CNOCIP (Central Nacional de Organizaciones Campesinas Indígenas y Populares), la CONAMURI (Coordinadora Nacional de Organizaciones de Mujeres Rurales e Indígenas), las organizaciones BASE IS, SOBREVIVENCIA-Amigos de la Tierra Paraguay, todas de Paraguay; las organizaciones internacionales GFC (Coalición Mundial por los Bosques, Global Forest Coalition) y A SEED Europa, y sigue siendo suscripta por otras. Envia tu adhesion.
agosto 19, 2006
Brasil: FAO evalúa programa “Hambre Cero”
17 de agosto, 2006 La Organización de las Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación (FAO) envió un equipo especial a Brasil para hacer un balance del programa “Hambre Cero” a tres años y medio de su inicio.
Tras la evaluación, la FAO listó una serie de conclusiones que considera relevantes para los países que están implementando políticas de seguridad alimentaria y lucha contra el hambre.
En esta lista, el organismo de la ONU subrayó que el crecimiento agrícola basado en el dinamismo del sector empresarial no reduce automáticamente el hambre, sino que puede llegar exacerbarla.
“El crecimiento económico tampoco resulta en una reducción proporcional de la pobreza y el hambre, debido a la desigualdad existente en la distribución del ingreso y la riqueza. La erradicación del hambre sólo puede ser alcanzada por medio de programas específicos que aborden directamente las causas subyacentes del hambre y la pobreza”, puntualizó la FAO.
Asimismo, señaló que para adoptar la erradicación del hambre como un objetivo nacional, se requiere de un compromiso político fuerte y sostenido –idealmente multipartidista-, que cuente con un amplio apoyo popular.
Agregó que también es necesario plasmar este compromiso en leyes y políticas públicas, para garantizar su continuidad, independientemente de quien este al frente del gobierno.
La FAO resaltó también la importancia de ampliar lo más pronto posible la capacidad de producción o adquisición de alimentos por parte de la población que padece inseguridad alimentaría y, al mismo tiempo, de establecer instituciones, políticas y programas que enfrenten las causas complejas de su vulnerabilidad.
Otra punto destacado es la coordinación efectiva de los recursos públicos y su canalización mediante una agencia pública líder.
Por otra parte, la FAO indicó que la sociedad civil, al igual que el sector privado, puede jugar un papel vital en el diseño y la implementación de los programas a través de su involucramiento en la creación de instituciones que fortalezcan las relaciones entre el gobierno y la sociedad civil a nivel nacional y local.
Añadió que se requiere de inversiones sustanciales en un sistema de administración de los programas implementados, incluyendo un catastro único que permita identificar a los beneficiarios, garantizar la transparencia en el manejo de los recursos, y perfeccionar el proceso de selección de los beneficiarios.
Por último, la FAO sostuvo que los programas de seguridad alimentaria y reducción de la pobreza a gran escala pueden ser fiscalmente sostenibles, aún en países con un menor desarrollo económico que Brasil. “Existe cada vez más evidencia de que los principales componentes de “Hambre Cero” están comenzando a generar beneficios económicos y que, por lo tanto, no deberían considerarse sólo como beneficencia, sino también como inversiones viables”, puntualizó.
Tras la evaluación, la FAO listó una serie de conclusiones que considera relevantes para los países que están implementando políticas de seguridad alimentaria y lucha contra el hambre.
En esta lista, el organismo de la ONU subrayó que el crecimiento agrícola basado en el dinamismo del sector empresarial no reduce automáticamente el hambre, sino que puede llegar exacerbarla.
“El crecimiento económico tampoco resulta en una reducción proporcional de la pobreza y el hambre, debido a la desigualdad existente en la distribución del ingreso y la riqueza. La erradicación del hambre sólo puede ser alcanzada por medio de programas específicos que aborden directamente las causas subyacentes del hambre y la pobreza”, puntualizó la FAO.
Asimismo, señaló que para adoptar la erradicación del hambre como un objetivo nacional, se requiere de un compromiso político fuerte y sostenido –idealmente multipartidista-, que cuente con un amplio apoyo popular.
Agregó que también es necesario plasmar este compromiso en leyes y políticas públicas, para garantizar su continuidad, independientemente de quien este al frente del gobierno.
La FAO resaltó también la importancia de ampliar lo más pronto posible la capacidad de producción o adquisición de alimentos por parte de la población que padece inseguridad alimentaría y, al mismo tiempo, de establecer instituciones, políticas y programas que enfrenten las causas complejas de su vulnerabilidad.
Otra punto destacado es la coordinación efectiva de los recursos públicos y su canalización mediante una agencia pública líder.
Por otra parte, la FAO indicó que la sociedad civil, al igual que el sector privado, puede jugar un papel vital en el diseño y la implementación de los programas a través de su involucramiento en la creación de instituciones que fortalezcan las relaciones entre el gobierno y la sociedad civil a nivel nacional y local.
Añadió que se requiere de inversiones sustanciales en un sistema de administración de los programas implementados, incluyendo un catastro único que permita identificar a los beneficiarios, garantizar la transparencia en el manejo de los recursos, y perfeccionar el proceso de selección de los beneficiarios.
Por último, la FAO sostuvo que los programas de seguridad alimentaria y reducción de la pobreza a gran escala pueden ser fiscalmente sostenibles, aún en países con un menor desarrollo económico que Brasil. “Existe cada vez más evidencia de que los principales componentes de “Hambre Cero” están comenzando a generar beneficios económicos y que, por lo tanto, no deberían considerarse sólo como beneficencia, sino también como inversiones viables”, puntualizó.
Monsanto to Buy Delta & Pine Land for $1.5 Billion
- Bloomberg, Aug. 15, 2006 http://www.bloomberg.com/
Monsanto Co., the world's biggest developer of genetically modified corn and soybeans, agreed to buy cottonseed maker Delta & Pine Land Co. for $1.5 billion, ending a six-year dispute that started when their last merger accord failed.
Investors in Scott, Mississippi-based Delta & Pine Land will get $42 a share, 16 percent above yesterday's closing share price. Cash and debt will be used to finance the deal, St. Louis-based Monsanto said today in a statement.
Monsanto Chief Executive Officer Hugh Grant said the seed industry has become "much more competitive,'' making the transaction possible. Monsanto abandoned its 1998 accord on concern U.S. antitrust regulators would impose stiff conditions to approve the deal. When it collapsed, Delta & Pine sued, saying the cancellation cost investors $1 billion.
The acquisition by Monsanto "makes a lot strategic sense,'' Gulley & Associates analyst Mark Gulley said. "In cotton they were very small. This gives them a market share that you are accustomed to a leader having in a major row crop.'' He recommends buying Monsanto shares.
Shares of Monsanto rose 34 cents to $45.41 at 3:01 p.m. in New York Stock Exchange composite trading. They have climbed 40 percent from a year ago. Delta & Pine Land surged $3.79, or 11 percent, to $40.03. Before today, the stock had jumped 58 percent this year.
Market Share Drops
Delta & Pine CEO Thomas Jagodinski said his company has 50 percent of U.S. cottonseed sales, down from a peak of almost 80 percent. Monsanto licenses its technologies to rival seed companies, which should help win U.S. antitrust approval, Grant said on a separate call.
Monsanto would pay Delta & Pine Land as much as $600 million should antitrust regulators block the transaction, Jagodinksi said. Cottonseed competition is intensifying amid sales gains by Bayer AG's Fibermax seed and new technologies companies including Dow Chemical Co., Jagodinski said. Bayer has 20 percent to 30 percent of U.S. sales, he said.
The Delta & Pine Land acquisition will "modestly'' boost earnings after one year, Chief Financial Officer Terrell Crews said on the Monsanto call. Delta & Pine Land had sales of $411.4 million in the nine months ended May 31, up 21 percent from a year earlier.
Monsanto probably will shed its Stoneville cottonseed business to gain antitrust approval, Grant said. The company acquired Stoneville with its $300 million purchase of Emergent Genetics Inc., which had 12 percent of U.S. cottonseed sales when the deal was announced last year.
'Antitrust Scrutiny'
"Combined U.S. market share of more than 60 percent will likely attract antitrust scrutiny,'' Banc of America Securities analyst Kevin McCarthy said in a report. McCarthy, who rates the shares "neutral,'' said the "valuation appears steep'' at 16.3 times estimated pretax earnings this year.
Monsanto in May 1998 agreed to pay $1.82 billion in stock for Delta & Pine Land. That was a "significantly higher'' earnings multiple than Monsanto is now paying, CEO Jagodinski said. The acquisition would boost Monsanto's sales by 6 percent, Gulley of Gulley & Associates said. Seeds will benefit from Monsanto's gene technology because cotton faces a large variety of pests, he said. "Delta & Pine Land has strong cotton genetics, and we believe Monsanto's leadership in providing the best cotton traits can improve on this already strong base,'' Grant said in the statement.
To enhance Delta & Pine Land seeds, Monsanto plans to increase modifications including Roundup Ready Flex for withstanding Monsanto's weed killer and Bollgard II for resisting the bollworm insect, Grant said on the call.
'Grasp Opportunities' Genetically modified cottonseeds account for 11 percent of about 220 million acres sown with seeds engineered by Monsanto, the company said in June. The companies began negotiations on the merger Aug. 10, and talks concluded last night, Jagodinski said. "You have to grasp opportunities when they are there,'' Grant said.
Monsanto Co., the world's biggest developer of genetically modified corn and soybeans, agreed to buy cottonseed maker Delta & Pine Land Co. for $1.5 billion, ending a six-year dispute that started when their last merger accord failed.
Investors in Scott, Mississippi-based Delta & Pine Land will get $42 a share, 16 percent above yesterday's closing share price. Cash and debt will be used to finance the deal, St. Louis-based Monsanto said today in a statement.
Monsanto Chief Executive Officer Hugh Grant said the seed industry has become "much more competitive,'' making the transaction possible. Monsanto abandoned its 1998 accord on concern U.S. antitrust regulators would impose stiff conditions to approve the deal. When it collapsed, Delta & Pine sued, saying the cancellation cost investors $1 billion.
The acquisition by Monsanto "makes a lot strategic sense,'' Gulley & Associates analyst Mark Gulley said. "In cotton they were very small. This gives them a market share that you are accustomed to a leader having in a major row crop.'' He recommends buying Monsanto shares.
Shares of Monsanto rose 34 cents to $45.41 at 3:01 p.m. in New York Stock Exchange composite trading. They have climbed 40 percent from a year ago. Delta & Pine Land surged $3.79, or 11 percent, to $40.03. Before today, the stock had jumped 58 percent this year.
Market Share Drops
Delta & Pine CEO Thomas Jagodinski said his company has 50 percent of U.S. cottonseed sales, down from a peak of almost 80 percent. Monsanto licenses its technologies to rival seed companies, which should help win U.S. antitrust approval, Grant said on a separate call.
Monsanto would pay Delta & Pine Land as much as $600 million should antitrust regulators block the transaction, Jagodinksi said. Cottonseed competition is intensifying amid sales gains by Bayer AG's Fibermax seed and new technologies companies including Dow Chemical Co., Jagodinski said. Bayer has 20 percent to 30 percent of U.S. sales, he said.
The Delta & Pine Land acquisition will "modestly'' boost earnings after one year, Chief Financial Officer Terrell Crews said on the Monsanto call. Delta & Pine Land had sales of $411.4 million in the nine months ended May 31, up 21 percent from a year earlier.
Monsanto probably will shed its Stoneville cottonseed business to gain antitrust approval, Grant said. The company acquired Stoneville with its $300 million purchase of Emergent Genetics Inc., which had 12 percent of U.S. cottonseed sales when the deal was announced last year.
'Antitrust Scrutiny'
"Combined U.S. market share of more than 60 percent will likely attract antitrust scrutiny,'' Banc of America Securities analyst Kevin McCarthy said in a report. McCarthy, who rates the shares "neutral,'' said the "valuation appears steep'' at 16.3 times estimated pretax earnings this year.
Monsanto in May 1998 agreed to pay $1.82 billion in stock for Delta & Pine Land. That was a "significantly higher'' earnings multiple than Monsanto is now paying, CEO Jagodinski said. The acquisition would boost Monsanto's sales by 6 percent, Gulley of Gulley & Associates said. Seeds will benefit from Monsanto's gene technology because cotton faces a large variety of pests, he said. "Delta & Pine Land has strong cotton genetics, and we believe Monsanto's leadership in providing the best cotton traits can improve on this already strong base,'' Grant said in the statement.
To enhance Delta & Pine Land seeds, Monsanto plans to increase modifications including Roundup Ready Flex for withstanding Monsanto's weed killer and Bollgard II for resisting the bollworm insect, Grant said on the call.
'Grasp Opportunities' Genetically modified cottonseeds account for 11 percent of about 220 million acres sown with seeds engineered by Monsanto, the company said in June. The companies began negotiations on the merger Aug. 10, and talks concluded last night, Jagodinski said. "You have to grasp opportunities when they are there,'' Grant said.
abril 25, 2006
CAMBIO CLIMÁTICO: Se corta la cadena alimentaria marina
por Stephen Leahy
TORONTO, abr (IPS) - Vastas franjas de arrecifes de coral en el mar Caribe y el océano Pacífico Sur están muriendo, mientras que los recién descubiertos corales de agua fría, en el norte, no sobrevivirán al siglo. Y todo por culpa del cambio climático.
La pérdida de arrecifes tendrá un impacto catastrófico sobre toda la vida marina.
Un tercio del coral en sitios de control oficial en el área de Puerto Rico y las islas Vírgenes de Estados Unidos pereció hace poco. Se trata de una extinción "sin precedentes", según los científicos.
Las temperaturas marinas extremadamente altas en el verano y otoño boreal de 2005 que dieron pie a una temporada récord en materia de huracanes también causaron decoloración de los corales desde las islas conocidas como Cayos de Florida hasta Trinidad y Tobago y Barbados, más al sur, y Panamá y Costa Rica, según el Observatorio de Arrecifes de Coral de la Oficina Nacional Oceánica y Atmosférica de Estados Unidos.
Las elevadas temperaturas del mar también están liquidando partes de la Gran Barrera de Coral, la mayor formación coralina del mundo, en Australia. Mientras el verano llega a su fin en el hemisferio Sur, los científicos investigan el alcance de la decoloración del coral. Hasta 98 por ciento de los corales de una zona fueron afectados, informó el Instituto Australiano de Ciencias Marinas a inicios de abril.
"La Gran Barrera de Coral ha vivido en este planeta durante 18 millones de años, y hemos debilitado su existencia", dijo Brian Huse, director ejecutivo de la Alianza de Arrecifes de Coral, una organización no gubernamental con sede en Estados Unidos.
"Veinte por ciento de los arrecifes de la Tierra se perdieron, y 50 por ciento soportan amenazas de moderadas a severas", dijo Huse a IPS.
El valor económico de los arrecifes se estima globalmente en 375.000 millones de dólares, señaló.
Los arrecifes de coral son muy raros. Se hallan en menos de uno por ciento de los océanos del mundo. Sin embargo, se los considera las selvas tropicales de los océanos porque albergan entre 25 y 33 por ciento de toda la vida marina. La Unión Mundial para la Naturaleza (UICN) sostiene que los arrecifes de coral son uno de los sistemas de soporte de la vida esenciales para la supervivencia humana.
Los arrecifes están compuestos por animales diminutos llamados pólipos, que crean a su alrededor esqueletos de piedra caliza con forma de taza usando calcio del agua marina.
A medida que los pólipos coralinos viven, construyen y mueren, generación tras generación, van construyendo esos muros que constituyen un hábitat para sí mismos y para muchas otras especies animales y vegetales.
El coral obtiene sus hermosos colores de las algas que recubren a los pólipos. Éstas producen oxígeno y azúcares para que los pólipos se alimenten, mientras que los pólipos producen dióxido de carbono y nitrógeno, que potencia el crecimiento de las algas. Si los pólipos son afectados por aguas demasiado cálidas o por la contaminación, pierden su cobertura de algas y se vuelven blancos.
Los corales decolorados pueden recuperarse si la presión ambiental es temporaria y dura semanas y no meses. En 2002, una amplia decoloración de la Gran Barrera dio como resultado una mortalidad de cinco por ciento de los corales. En los últimos años, los arrecifes del océano Índico y otras áreas del Pacífico fueron incluso más duramente afectados por las elevadas temperaturas de sus aguas.
Los arrecifes soportan otras amenazas, como la pesca de red, el uso de dinamita para atrapar peces, la contaminación, el turismo descontrolado y las enfermedades, dijo Huse. El cambio climático es el mayor peligro, en gran parte porque pocas personas se dan cuenta de los impactos que las emisiones humanas de dióxido de carbono tienen en los océanos, dijo.
La mayoría de científicos creen que ese y otros gases producidos por la humanidad y llamados de efecto invernadero están recalentando la atmósfera y provocando el cambio climático.
Cada día, una persona cualquiera del planeta quema en promedio suficiente combustible fósil para emitir casi 11 kilogramos de dióxido de carbono a la atmósfera, y aproximadamente cuatro de ellos son luego absorbidos por el océano. Combinado el dióxido de carbono con el agua del mar se forma un ácido, en un proceso conocido como acidificación oceánica.
No hay debates sobre el fenómeno de la acidificación de los mares por el cambio climático, dijo Scott Doney, científico de la Institución Oceanográfica Woods Hole en Estados Unidos.
"Lo que no se sabe es cómo reaccionará la vida marina", dijo Doney en una entrevista.
Los arrecifes de coral en áreas tropicales parecen resistentes a la acidificación actual y futura, pero nuevas investigaciones muestran que los corales de agua fría, recientemente descubiertos, son mucho más sensibles, dijo.
Los corales de agua fría se encuentran a profundidades de entre 2.000 y 3.000 metros en el Atlántico norte y sur, y en menor medida en el Pacífico norte. Descubiertos hace apenas unos 20 años, parecen ser bastante grandes y estar llenos de formas raras de vida marina, pero su extensión total no está documentada.
Y aunque casi todos los arrecifes conocidos fueron dañados por la pesca de arrastre, la acidificación de los océanos puede ser la peor amenaza.
Los pólipos coralinos de agua fría toman igualmente el calcio de ella para elaborar sus esqueletos de piedra caliza. Pero en las profundidades hay mucho menos calcio (en rigor aragonita, una forma de carbonato de calcio) y las aguas más ácidas reducen drásticamente su concentración.
Por lo tanto, los corales esqueletos coralinos son más débiles y más delgados, o simplemente no logran formarse.
Las concentraciones de calcio en el agua de mar ya son menores en muchas áreas de los océanos del mundo y, para 2100, 70 por ciento de esas zonas ya no podrán alimentar a los corales fríos, dijo John Guinotte, científico del Instituto Biológico de Conservación Marina, en el estado de Washington.
"Los corales no tienen experiencia de habitar en estas condiciones ambientales y es improbable que se adapten a tiempo", señaló Guinotte a IPS.
Mientras Guinotte solamente observó los impactos sobre los corales, Doney halló que muchas otras importantes especies marinas, como ciertos tipos de fitoplancton y pequeños caracoles, resultan afectados de modo similar.
"Antes de 2100, estas especies no podrán elaborar los caparazones que necesitan para vivir", dijo.
Estas especies muy abundantes constituyen una parte importante de la cadena alimentaria marina, y su desaparición podría tener un resultado devastador en la ecología del océano.
"Podría producirse un gran impacto, pero aún no sabemos cuál será", expresó Guinotte. "Lo que sí sabemos es que para 2050 los océanos serán muy diferentes a como son ahora". (FIN/2006)
TORONTO, abr (IPS) - Vastas franjas de arrecifes de coral en el mar Caribe y el océano Pacífico Sur están muriendo, mientras que los recién descubiertos corales de agua fría, en el norte, no sobrevivirán al siglo. Y todo por culpa del cambio climático.
La pérdida de arrecifes tendrá un impacto catastrófico sobre toda la vida marina.
Un tercio del coral en sitios de control oficial en el área de Puerto Rico y las islas Vírgenes de Estados Unidos pereció hace poco. Se trata de una extinción "sin precedentes", según los científicos.
Las temperaturas marinas extremadamente altas en el verano y otoño boreal de 2005 que dieron pie a una temporada récord en materia de huracanes también causaron decoloración de los corales desde las islas conocidas como Cayos de Florida hasta Trinidad y Tobago y Barbados, más al sur, y Panamá y Costa Rica, según el Observatorio de Arrecifes de Coral de la Oficina Nacional Oceánica y Atmosférica de Estados Unidos.
Las elevadas temperaturas del mar también están liquidando partes de la Gran Barrera de Coral, la mayor formación coralina del mundo, en Australia. Mientras el verano llega a su fin en el hemisferio Sur, los científicos investigan el alcance de la decoloración del coral. Hasta 98 por ciento de los corales de una zona fueron afectados, informó el Instituto Australiano de Ciencias Marinas a inicios de abril.
"La Gran Barrera de Coral ha vivido en este planeta durante 18 millones de años, y hemos debilitado su existencia", dijo Brian Huse, director ejecutivo de la Alianza de Arrecifes de Coral, una organización no gubernamental con sede en Estados Unidos.
"Veinte por ciento de los arrecifes de la Tierra se perdieron, y 50 por ciento soportan amenazas de moderadas a severas", dijo Huse a IPS.
El valor económico de los arrecifes se estima globalmente en 375.000 millones de dólares, señaló.
Los arrecifes de coral son muy raros. Se hallan en menos de uno por ciento de los océanos del mundo. Sin embargo, se los considera las selvas tropicales de los océanos porque albergan entre 25 y 33 por ciento de toda la vida marina. La Unión Mundial para la Naturaleza (UICN) sostiene que los arrecifes de coral son uno de los sistemas de soporte de la vida esenciales para la supervivencia humana.
Los arrecifes están compuestos por animales diminutos llamados pólipos, que crean a su alrededor esqueletos de piedra caliza con forma de taza usando calcio del agua marina.
A medida que los pólipos coralinos viven, construyen y mueren, generación tras generación, van construyendo esos muros que constituyen un hábitat para sí mismos y para muchas otras especies animales y vegetales.
El coral obtiene sus hermosos colores de las algas que recubren a los pólipos. Éstas producen oxígeno y azúcares para que los pólipos se alimenten, mientras que los pólipos producen dióxido de carbono y nitrógeno, que potencia el crecimiento de las algas. Si los pólipos son afectados por aguas demasiado cálidas o por la contaminación, pierden su cobertura de algas y se vuelven blancos.
Los corales decolorados pueden recuperarse si la presión ambiental es temporaria y dura semanas y no meses. En 2002, una amplia decoloración de la Gran Barrera dio como resultado una mortalidad de cinco por ciento de los corales. En los últimos años, los arrecifes del océano Índico y otras áreas del Pacífico fueron incluso más duramente afectados por las elevadas temperaturas de sus aguas.
Los arrecifes soportan otras amenazas, como la pesca de red, el uso de dinamita para atrapar peces, la contaminación, el turismo descontrolado y las enfermedades, dijo Huse. El cambio climático es el mayor peligro, en gran parte porque pocas personas se dan cuenta de los impactos que las emisiones humanas de dióxido de carbono tienen en los océanos, dijo.
La mayoría de científicos creen que ese y otros gases producidos por la humanidad y llamados de efecto invernadero están recalentando la atmósfera y provocando el cambio climático.
Cada día, una persona cualquiera del planeta quema en promedio suficiente combustible fósil para emitir casi 11 kilogramos de dióxido de carbono a la atmósfera, y aproximadamente cuatro de ellos son luego absorbidos por el océano. Combinado el dióxido de carbono con el agua del mar se forma un ácido, en un proceso conocido como acidificación oceánica.
No hay debates sobre el fenómeno de la acidificación de los mares por el cambio climático, dijo Scott Doney, científico de la Institución Oceanográfica Woods Hole en Estados Unidos.
"Lo que no se sabe es cómo reaccionará la vida marina", dijo Doney en una entrevista.
Los arrecifes de coral en áreas tropicales parecen resistentes a la acidificación actual y futura, pero nuevas investigaciones muestran que los corales de agua fría, recientemente descubiertos, son mucho más sensibles, dijo.
Los corales de agua fría se encuentran a profundidades de entre 2.000 y 3.000 metros en el Atlántico norte y sur, y en menor medida en el Pacífico norte. Descubiertos hace apenas unos 20 años, parecen ser bastante grandes y estar llenos de formas raras de vida marina, pero su extensión total no está documentada.
Y aunque casi todos los arrecifes conocidos fueron dañados por la pesca de arrastre, la acidificación de los océanos puede ser la peor amenaza.
Los pólipos coralinos de agua fría toman igualmente el calcio de ella para elaborar sus esqueletos de piedra caliza. Pero en las profundidades hay mucho menos calcio (en rigor aragonita, una forma de carbonato de calcio) y las aguas más ácidas reducen drásticamente su concentración.
Por lo tanto, los corales esqueletos coralinos son más débiles y más delgados, o simplemente no logran formarse.
Las concentraciones de calcio en el agua de mar ya son menores en muchas áreas de los océanos del mundo y, para 2100, 70 por ciento de esas zonas ya no podrán alimentar a los corales fríos, dijo John Guinotte, científico del Instituto Biológico de Conservación Marina, en el estado de Washington.
"Los corales no tienen experiencia de habitar en estas condiciones ambientales y es improbable que se adapten a tiempo", señaló Guinotte a IPS.
Mientras Guinotte solamente observó los impactos sobre los corales, Doney halló que muchas otras importantes especies marinas, como ciertos tipos de fitoplancton y pequeños caracoles, resultan afectados de modo similar.
"Antes de 2100, estas especies no podrán elaborar los caparazones que necesitan para vivir", dijo.
Estas especies muy abundantes constituyen una parte importante de la cadena alimentaria marina, y su desaparición podría tener un resultado devastador en la ecología del océano.
"Podría producirse un gran impacto, pero aún no sabemos cuál será", expresó Guinotte. "Lo que sí sabemos es que para 2050 los océanos serán muy diferentes a como son ahora". (FIN/2006)
Cidadania ambiental é tema de pesquisa
Por Sophia Gebrim
Como está a cidadania ambiental dos nossos jovens? Este é o tema de uma pesquisa que a professora Regina Viegas, docente do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), vem realizando junto aos alunos de ensino médio técnico do centro. O objetivo da pesquisa é gerar um banco de dados de informações sobre o perfil da cidadania ambiental desses jovens, permitindo, a partir daí, definir ações específicas complementares de educação ambiental voltadas a contribuir, direcionar e ampliar a visão ambiental dos jovens brasileiros.
“Percepção ambiental é como cada pessoa observa o ambiente que o cerca. A partir daí, avalia-se como cada um interage com o meio a sua volta, influenciando positiva ou negativamente as pessoas e o ambiente em que vive”, explica a professora Regina.
Foram aplicados 272 questionários aos alunos que freqüentavam o ensino médio técnico do Cefet-RJ em 2005, envolvendo as turmas do terceiro ano do ensino médio e os alunos que cursam o ensino técnico no centro. Este quantitativo representa quase a totalidade dos alunos concluintes da escola no ano de 2005.
“Após a análise dos dados pesquisados, apesar de confirmar vários pontos positivos do perfil da cidadania ambiental dos jovens, foram apresentados alguns pontos preocupantes”, adverte Regina.
Resultados – A metade dos alunos admite que os assuntos relacionados ao meio ambiente não vêm sendo tratados com freqüência nas escolas, enquanto que 90,8% admitem que este assunto também não é abordado no âmbito das famílias. Além disso, 75% não acessam sítios ligados à temática ambiental, enquanto a maioria não acredita na ação dos órgãos normativos de controle ambiental, sendo que apenas 59,2% acreditam nos trabalhos das ONGs ambientalistas.
Do grupo amostrado, verificou-se que 73,1% não acreditam que a ação de um cidadão sozinho possa alterar a continuidade de uma ação danosa ao meio ambiente, sendo que 33,3% deles admitem não causar nenhum tipo de agressão ao meio ambiente.
As indústrias (35,5%) são vistas como agentes que não investem em meio ambiente e não atendem à legislação ambiental, enquanto o governo apresenta um índice elevado (74,2%) para o mesmo tipo de avaliação, sendo exigida por 31,9% dos jovens a criação de novas leis na área ambiental. Estes mesmos jovens acabam por decidir a compra de produtos e serviços apenas à luz dos critérios preço e qualidade, descartando a opção potencial da análise de agressão ao meio ambiente.
Otimismo – Entre os aspectos positivos, 77,5% se interessam por assuntos ligados à temática ambiental e 85,5% acreditam que o conhecimento da problemática ambiental é essencial para a sua formação profissional. Além disso, 85,6% admitem a viabilidade da adoção do princípio do desenvolvimento sustentável e 88% recusam aceitar mais poluição por um aumento do nível de emprego.
“Esses dados são de extrema importância para nós, pesquisadores. Reflete o perfil dos alunos do Rio de Janeiro e do Brasil como um todo. Agora, devemos avaliar os resultados e ver onde podemos melhorar”, finaliza a professora.
(Envolverde/MEC)
Como está a cidadania ambiental dos nossos jovens? Este é o tema de uma pesquisa que a professora Regina Viegas, docente do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), vem realizando junto aos alunos de ensino médio técnico do centro. O objetivo da pesquisa é gerar um banco de dados de informações sobre o perfil da cidadania ambiental desses jovens, permitindo, a partir daí, definir ações específicas complementares de educação ambiental voltadas a contribuir, direcionar e ampliar a visão ambiental dos jovens brasileiros.
“Percepção ambiental é como cada pessoa observa o ambiente que o cerca. A partir daí, avalia-se como cada um interage com o meio a sua volta, influenciando positiva ou negativamente as pessoas e o ambiente em que vive”, explica a professora Regina.
Foram aplicados 272 questionários aos alunos que freqüentavam o ensino médio técnico do Cefet-RJ em 2005, envolvendo as turmas do terceiro ano do ensino médio e os alunos que cursam o ensino técnico no centro. Este quantitativo representa quase a totalidade dos alunos concluintes da escola no ano de 2005.
“Após a análise dos dados pesquisados, apesar de confirmar vários pontos positivos do perfil da cidadania ambiental dos jovens, foram apresentados alguns pontos preocupantes”, adverte Regina.
Resultados – A metade dos alunos admite que os assuntos relacionados ao meio ambiente não vêm sendo tratados com freqüência nas escolas, enquanto que 90,8% admitem que este assunto também não é abordado no âmbito das famílias. Além disso, 75% não acessam sítios ligados à temática ambiental, enquanto a maioria não acredita na ação dos órgãos normativos de controle ambiental, sendo que apenas 59,2% acreditam nos trabalhos das ONGs ambientalistas.
Do grupo amostrado, verificou-se que 73,1% não acreditam que a ação de um cidadão sozinho possa alterar a continuidade de uma ação danosa ao meio ambiente, sendo que 33,3% deles admitem não causar nenhum tipo de agressão ao meio ambiente.
As indústrias (35,5%) são vistas como agentes que não investem em meio ambiente e não atendem à legislação ambiental, enquanto o governo apresenta um índice elevado (74,2%) para o mesmo tipo de avaliação, sendo exigida por 31,9% dos jovens a criação de novas leis na área ambiental. Estes mesmos jovens acabam por decidir a compra de produtos e serviços apenas à luz dos critérios preço e qualidade, descartando a opção potencial da análise de agressão ao meio ambiente.
Otimismo – Entre os aspectos positivos, 77,5% se interessam por assuntos ligados à temática ambiental e 85,5% acreditam que o conhecimento da problemática ambiental é essencial para a sua formação profissional. Além disso, 85,6% admitem a viabilidade da adoção do princípio do desenvolvimento sustentável e 88% recusam aceitar mais poluição por um aumento do nível de emprego.
“Esses dados são de extrema importância para nós, pesquisadores. Reflete o perfil dos alunos do Rio de Janeiro e do Brasil como um todo. Agora, devemos avaliar os resultados e ver onde podemos melhorar”, finaliza a professora.
(Envolverde/MEC)
Pesquisa mostra que desnutrição infantil diminuiu no semi-árido brasileiro
Por Bruno Bocchini
São Paulo – A pesquisa Chamada Nutricional 2005 – divulgada segunda-feira (24) – mostra que a desnutrição infantil diminuiu na região mais pobre do país, o semi-árido. Os pesquisadores colheram informações sobre a alimentação de 17 mil crianças com até cinco anos de idade em 307 municípios da região. Oito estados do Nordeste e também o norte de Minas Gerais foram estudados.
A pesquisa foi realizada em agosto de 2005 pelos ministério da Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em parceria com prefeituras, governos estaduais, dez universidades públicas e com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Segundo a pesquisa, apenas 6,6% das crianças da região apresentam desnutrição crônica. Em uma pesquisa anterior, feita em 1996, o porcentual de desnutridos entre as crianças era de 17,9%. Em 1989, esse núero era de 27,3%. No entanto, o texto do estudo ressalva que as pesquisas anteriores não focalizaram de forma abrangente a região.
"A porcentagem de 6,6% ainda é muito alta. Do ponto de vista de comparação internacional, a gente não atingiu ainda 1% ou 2% que a gente esperaria, porcentagem que é encontrada no Chile, por exemplo. Mas, a gente está numa situação melhor que a maior parte dos países. E eu diria que até da maioria da América Latina", avalia o coordenador da pesquisa e professor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Augusto Monteiro.
Segundo o pesquisador, em algumas regiões da Índia, por exemplo, cerca de 50% das crianças sofrem de desnutrição crônica. Esse número é de 30% ou 40% em países africanos, como Angola e Moçambique.
O estudioso afirma que a diminuição da desnutrição na região entre 1996 e 2006 pode ser explicada principalmente por dois fatores: queda de natalidade, e a melhoria dos serviços públicos básicos, como saneamento, saúde e educação.
A pesquisa destaca ainda que os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, têm um impacto bastante positivo na queda de desnutridos. Segundo o texto, crianças beneficiárias, de seis a 11 meses de idade, se não fossem atendidas, correriam risco 62,1% maior de apresentar desnutrição crônica.
O documento ressalta que a freqüência de desnutrição crônica observada nas crianças da região varia de acordo com os indicadores socioeconômicos, alcançando 10% das crianças da classe E; 6,8% nas da classe D e apenas 2,5% nas da classe C. Registrou-se que, na região, 14,1% dos filhos de mães analfabetas são desnutridos. Já nas categorias de 1 a 4 anos, 5 a 8 anos e 9 ou mais anos de escolaridade as porcentagens de desnutridos foram de 8,4%, 7,4% e 3,2%, respectivamente.
(Envolverde/Agência Brasil)
São Paulo – A pesquisa Chamada Nutricional 2005 – divulgada segunda-feira (24) – mostra que a desnutrição infantil diminuiu na região mais pobre do país, o semi-árido. Os pesquisadores colheram informações sobre a alimentação de 17 mil crianças com até cinco anos de idade em 307 municípios da região. Oito estados do Nordeste e também o norte de Minas Gerais foram estudados.
A pesquisa foi realizada em agosto de 2005 pelos ministério da Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em parceria com prefeituras, governos estaduais, dez universidades públicas e com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Segundo a pesquisa, apenas 6,6% das crianças da região apresentam desnutrição crônica. Em uma pesquisa anterior, feita em 1996, o porcentual de desnutridos entre as crianças era de 17,9%. Em 1989, esse núero era de 27,3%. No entanto, o texto do estudo ressalva que as pesquisas anteriores não focalizaram de forma abrangente a região.
"A porcentagem de 6,6% ainda é muito alta. Do ponto de vista de comparação internacional, a gente não atingiu ainda 1% ou 2% que a gente esperaria, porcentagem que é encontrada no Chile, por exemplo. Mas, a gente está numa situação melhor que a maior parte dos países. E eu diria que até da maioria da América Latina", avalia o coordenador da pesquisa e professor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Augusto Monteiro.
Segundo o pesquisador, em algumas regiões da Índia, por exemplo, cerca de 50% das crianças sofrem de desnutrição crônica. Esse número é de 30% ou 40% em países africanos, como Angola e Moçambique.
O estudioso afirma que a diminuição da desnutrição na região entre 1996 e 2006 pode ser explicada principalmente por dois fatores: queda de natalidade, e a melhoria dos serviços públicos básicos, como saneamento, saúde e educação.
A pesquisa destaca ainda que os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, têm um impacto bastante positivo na queda de desnutridos. Segundo o texto, crianças beneficiárias, de seis a 11 meses de idade, se não fossem atendidas, correriam risco 62,1% maior de apresentar desnutrição crônica.
O documento ressalta que a freqüência de desnutrição crônica observada nas crianças da região varia de acordo com os indicadores socioeconômicos, alcançando 10% das crianças da classe E; 6,8% nas da classe D e apenas 2,5% nas da classe C. Registrou-se que, na região, 14,1% dos filhos de mães analfabetas são desnutridos. Já nas categorias de 1 a 4 anos, 5 a 8 anos e 9 ou mais anos de escolaridade as porcentagens de desnutridos foram de 8,4%, 7,4% e 3,2%, respectivamente.
(Envolverde/Agência Brasil)
Economia: Administrando a voracidade chinesa
Por Felipe Seligman da Envolverde
Nações Unidas, 25/04/2006 – Se as relações econômicas da América Latina com a China não sofrerem uma mudança estrutural, a região não conseguirá atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio, afirmou a especialista argentina Graciela Chichilnisky no Latin Economic Fórum (Fórum Econômico Latino), realizado na semana passada, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York. “As relações existentes hoje entre China e América Latina representam uma oportunidade histórica, já que a demanda chinesa por produtos básicos e combustível experimenta um enorme crescimento”, disse à IPS Chichilnisky, professora de Estatística e diretora do Centro de Manejo de Risco da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.
“Por outro lado, há uma situação histórica que exige que estes países deixem de se especializar na exportação de recursos naturais e entrem na economia do conhecimento”, acrescentou a especialista, que moderou um painel sobre as Metas de Desenvolvimento da ONU para o Milênio durante o Fórum. A China é o país cuja necessidade de produtos naturais mais cresce no mundo. Já é o maior consumidor de cobre, estanho, zinco, platina, aço e ferro. Em 2003, absorveu quase 40% do cimento produzido no mundo, 30% do carvão, outro tanto do aço e 25% do alumínio e do cobre.
A América Latina é a região que mais fornece estes recursos para o gigante asiático. O Chile é o maior produtor e exportador mundial de cobre, item que representa cerca de 40% de suas exportações. Boa parte do cobre chileno é embarcada para a China, que é hoje o segundo comprador. Outro exemplo está no petróleo da Venezuela, cujos principais clientes são Estados Unidos e China. O petróleo representa 85% das exportações venezuelanas e 15% de seu produto interno bruto e 50% dos gastos do governo, segundo dados do banco internacional HSBC. As tensões políticas entre Washington e Caracas levaram as autoridades venezuelanas a revisar suas políticas de exportação de petróleo.
A Venezuela quer aumentar as vendas de petróleo para a China e reduzir as vendas para o mercado norte-americano, disse no Fórum o ministro-conselheiro para Assuntos Econômicos e Comerciais da Embaixada da Venezuela nos Estados Unidos, José Sojo. Entretando, este caminho não levará ao desenvolvimento da região, segundo Chichilnisky. “Exportar produtos básicos é uma base ruim para o desenvolvimento. É um tipo de política não sustentável. Há duas regiões do mundo que não cresceram depois da Segunda Guerra Mundial: África e América Latina, as duas que se especializam em produtos básicos. Isso não é coincidência”, disse a professora à IPS.
Por esse motivo, “a América Latina está em um dilema esquizofrênico, uma situação limite: a melhor oportunidade de exportar matérias-primas é equivalente à sua pior situação”, a de estar acabando com suas riquezas naturais por causa das exportações, afirmou. “Estamos acabando com nosso meio ambiente e, ao fazê-lo, liberamos muito mais dióxido de carbono na atmosfera”, disse com relação aos gases que aquecem o clima. Na reunião, organizada por representantes de empresas e organizações da comunidade latino-americana nos Estados Unidos, diplomatas da região exigiram avaliações positivas sobre o cumprimento dos objetivos do milênio. Além do representante venezuelano, embaixadores da Argentina, Bolívia, República Dominicana e do Chile participaram do painel.
O embaixador chileno na ONU, Heraldo Muñoz, afirmou que três países da América Latina cumprirão as metas e que outros cinco têm possibilidades de cumpri-las, mas não citou o nome de nenhum. Essas oito Metas do Milênio foram estabelecidas em 2000 pela Assembléia Geral da ONU. Entre elas, figuram garantir a sustentabilidade ambiental e o acesso universal à educação primária, e reduzir à metade, com base em dados de 1990, a proporção de pobres, famintos e pessoas sem água potável até 2015. Somente o Chile alcançou o primeiro objetivo, de reduzir pela metade a proporção de pessoas em situação de pobreza extrema.
A América Latina e o Caribe são a região com maior brecha entre ricos e pobres do mundo. Em 2005, havia 213 milhões de pessoas na pobreza, equivalente a 40,6% da população total, segundo a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). Muñoz disse que “a principal questão para o desenvolvimento são as políticas sociais para a eliminação da pobreza e para a inclusão das mulheres no mercado de trabalho”. O embaixador dominicano, Erasmo Lara-Pena, afirmou a necessidade de investimentos externos “para que possamos deixar de exportar frutas e passar a exportar sucos”. Contudo, a situação não é tão simples. “Não podemos atrair capital se, por outro lado, não temos tecnologia nem pessoal qualificado”, acrescentou.
Nesse contexto, Chichilnisky considerou muito difícil alcançar as Metas, e estimou que as avaliações positivas expostas no Fórum eram esperadas, devido à participação de representantes oficiais dos países. Porém, como modificar o tipo de intercâmbio com uma potência como a China? Segundo a professora, deve-se estabelecer novas formas de relação. “Uma solução é criar pequenas e médias empresas na região e, assim, gerar emprego e respeitar o meio ambiente. Desta forma, se pode construir uma relação de cadeia de produção com a China, de intercâmbio de produtos e de exportação-importação de tecnologias”, finalizou. (IPS/Envolverde)
(Envolverde/ IPS)
Nações Unidas, 25/04/2006 – Se as relações econômicas da América Latina com a China não sofrerem uma mudança estrutural, a região não conseguirá atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio, afirmou a especialista argentina Graciela Chichilnisky no Latin Economic Fórum (Fórum Econômico Latino), realizado na semana passada, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York. “As relações existentes hoje entre China e América Latina representam uma oportunidade histórica, já que a demanda chinesa por produtos básicos e combustível experimenta um enorme crescimento”, disse à IPS Chichilnisky, professora de Estatística e diretora do Centro de Manejo de Risco da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.
“Por outro lado, há uma situação histórica que exige que estes países deixem de se especializar na exportação de recursos naturais e entrem na economia do conhecimento”, acrescentou a especialista, que moderou um painel sobre as Metas de Desenvolvimento da ONU para o Milênio durante o Fórum. A China é o país cuja necessidade de produtos naturais mais cresce no mundo. Já é o maior consumidor de cobre, estanho, zinco, platina, aço e ferro. Em 2003, absorveu quase 40% do cimento produzido no mundo, 30% do carvão, outro tanto do aço e 25% do alumínio e do cobre.
A América Latina é a região que mais fornece estes recursos para o gigante asiático. O Chile é o maior produtor e exportador mundial de cobre, item que representa cerca de 40% de suas exportações. Boa parte do cobre chileno é embarcada para a China, que é hoje o segundo comprador. Outro exemplo está no petróleo da Venezuela, cujos principais clientes são Estados Unidos e China. O petróleo representa 85% das exportações venezuelanas e 15% de seu produto interno bruto e 50% dos gastos do governo, segundo dados do banco internacional HSBC. As tensões políticas entre Washington e Caracas levaram as autoridades venezuelanas a revisar suas políticas de exportação de petróleo.
A Venezuela quer aumentar as vendas de petróleo para a China e reduzir as vendas para o mercado norte-americano, disse no Fórum o ministro-conselheiro para Assuntos Econômicos e Comerciais da Embaixada da Venezuela nos Estados Unidos, José Sojo. Entretando, este caminho não levará ao desenvolvimento da região, segundo Chichilnisky. “Exportar produtos básicos é uma base ruim para o desenvolvimento. É um tipo de política não sustentável. Há duas regiões do mundo que não cresceram depois da Segunda Guerra Mundial: África e América Latina, as duas que se especializam em produtos básicos. Isso não é coincidência”, disse a professora à IPS.
Por esse motivo, “a América Latina está em um dilema esquizofrênico, uma situação limite: a melhor oportunidade de exportar matérias-primas é equivalente à sua pior situação”, a de estar acabando com suas riquezas naturais por causa das exportações, afirmou. “Estamos acabando com nosso meio ambiente e, ao fazê-lo, liberamos muito mais dióxido de carbono na atmosfera”, disse com relação aos gases que aquecem o clima. Na reunião, organizada por representantes de empresas e organizações da comunidade latino-americana nos Estados Unidos, diplomatas da região exigiram avaliações positivas sobre o cumprimento dos objetivos do milênio. Além do representante venezuelano, embaixadores da Argentina, Bolívia, República Dominicana e do Chile participaram do painel.
O embaixador chileno na ONU, Heraldo Muñoz, afirmou que três países da América Latina cumprirão as metas e que outros cinco têm possibilidades de cumpri-las, mas não citou o nome de nenhum. Essas oito Metas do Milênio foram estabelecidas em 2000 pela Assembléia Geral da ONU. Entre elas, figuram garantir a sustentabilidade ambiental e o acesso universal à educação primária, e reduzir à metade, com base em dados de 1990, a proporção de pobres, famintos e pessoas sem água potável até 2015. Somente o Chile alcançou o primeiro objetivo, de reduzir pela metade a proporção de pessoas em situação de pobreza extrema.
A América Latina e o Caribe são a região com maior brecha entre ricos e pobres do mundo. Em 2005, havia 213 milhões de pessoas na pobreza, equivalente a 40,6% da população total, segundo a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). Muñoz disse que “a principal questão para o desenvolvimento são as políticas sociais para a eliminação da pobreza e para a inclusão das mulheres no mercado de trabalho”. O embaixador dominicano, Erasmo Lara-Pena, afirmou a necessidade de investimentos externos “para que possamos deixar de exportar frutas e passar a exportar sucos”. Contudo, a situação não é tão simples. “Não podemos atrair capital se, por outro lado, não temos tecnologia nem pessoal qualificado”, acrescentou.
Nesse contexto, Chichilnisky considerou muito difícil alcançar as Metas, e estimou que as avaliações positivas expostas no Fórum eram esperadas, devido à participação de representantes oficiais dos países. Porém, como modificar o tipo de intercâmbio com uma potência como a China? Segundo a professora, deve-se estabelecer novas formas de relação. “Uma solução é criar pequenas e médias empresas na região e, assim, gerar emprego e respeitar o meio ambiente. Desta forma, se pode construir uma relação de cadeia de produção com a China, de intercâmbio de produtos e de exportação-importação de tecnologias”, finalizou. (IPS/Envolverde)
(Envolverde/ IPS)
Cerca de 6% de crianças do Semi-árido estão desnutridas
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome divulgou hoje, em São Paulo, os resultados da Chamada Nutricional 2005, realizada com 17.586 crianças menores de 5 anos de idade em 307 municípios do Semi-árido brasileiro. De acordo com o levantamento, 6,6% dos meninos e meninas estão com baixa altura para a idade, caracterizando desnutrição crônica. São mais de 1,1 mil crianças apenas nos municípios pesquisados.
As prevalências de formas crônicas de desnutrição (déficits de altura para idade) variaram intensamente com indicadores socioeconômicos, alcançando, por exemplo, 10% das crianças na classe E; 6,8% na classe D; e 2,5 % na classe C. Entre mães analfabetas, 14,1% das crianças estavam desnutridas; enquanto, nas categorias de um a quatro anos, cinco a oito anos e nove ou mais anos de escolaridade, as prevalências foram de 8,4%, 7,4% e 3,2%, respectivamente. Entre os fatores estudados, o de maior risco foi número de refeições por dia da família: 16,4% das crianças eram desnutridas quando o número de refeições era menor do que três por dia – prevalência que cai para 5,8% de desnutridos nas famílias que faziam três ou mais refeições por dia.
A Chamada Nutricional foi realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e pelo Ministério da Saúde, com o apoio do UNICEF. O inquérito estudou uma amostra probabilística das crianças menores de 5 anos que compareceram aos postos de vacinação de 30 municípios sorteados em nove Estados do Semi-árido (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe).
Para mais informações: João Luiz Mendes – (61) 3225 9518 ou 3313 1132
As prevalências de formas crônicas de desnutrição (déficits de altura para idade) variaram intensamente com indicadores socioeconômicos, alcançando, por exemplo, 10% das crianças na classe E; 6,8% na classe D; e 2,5 % na classe C. Entre mães analfabetas, 14,1% das crianças estavam desnutridas; enquanto, nas categorias de um a quatro anos, cinco a oito anos e nove ou mais anos de escolaridade, as prevalências foram de 8,4%, 7,4% e 3,2%, respectivamente. Entre os fatores estudados, o de maior risco foi número de refeições por dia da família: 16,4% das crianças eram desnutridas quando o número de refeições era menor do que três por dia – prevalência que cai para 5,8% de desnutridos nas famílias que faziam três ou mais refeições por dia.
A Chamada Nutricional foi realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e pelo Ministério da Saúde, com o apoio do UNICEF. O inquérito estudou uma amostra probabilística das crianças menores de 5 anos que compareceram aos postos de vacinação de 30 municípios sorteados em nove Estados do Semi-árido (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe).
Para mais informações: João Luiz Mendes – (61) 3225 9518 ou 3313 1132
Annan pede fim dos subsídios agrícolas
Washington, 25/04/2006
da Rádio das Nações Unidas
O Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, defendeu o fim dos subsídios agrícolas que distorcem o mercado e considerou perigosa e suspeita a falta de progresso nas negociações sobre comércio internacional.
Falando na sede da ONU em Nova York, durante abertura da reunião de alto nível do Conselho Econômico e Social com as instituições do acordo de Bretton Woods (Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial), mais a Organização Mundial do Comércio, OMC, Annan pediu rapidez nas negociações econômicas.
Kofi Annan conclamou os países desenvolvidos a adotarem medidas econômicas ousadas para liberalização de seus mercados, a fim de que as negociações da Rodada de Doha sejam bem sucedidas. Annan defendeu a abertura destes mercados para os produtos e serviços de países em desenvolvimento, sem a imposição de impostos ou estabelecimento de limites de cotas.
O Secretário-Geral da ONU também insistiu na necessidade do Fundo Monetário Internacional aumentar a participação dos países em desenvolvimento no processo decisório do FMI.
da Rádio das Nações Unidas
O Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, defendeu o fim dos subsídios agrícolas que distorcem o mercado e considerou perigosa e suspeita a falta de progresso nas negociações sobre comércio internacional.
Falando na sede da ONU em Nova York, durante abertura da reunião de alto nível do Conselho Econômico e Social com as instituições do acordo de Bretton Woods (Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial), mais a Organização Mundial do Comércio, OMC, Annan pediu rapidez nas negociações econômicas.
Kofi Annan conclamou os países desenvolvidos a adotarem medidas econômicas ousadas para liberalização de seus mercados, a fim de que as negociações da Rodada de Doha sejam bem sucedidas. Annan defendeu a abertura destes mercados para os produtos e serviços de países em desenvolvimento, sem a imposição de impostos ou estabelecimento de limites de cotas.
O Secretário-Geral da ONU também insistiu na necessidade do Fundo Monetário Internacional aumentar a participação dos países em desenvolvimento no processo decisório do FMI.
Fogo destrói pelo menos 15 hectares da plantação de pinus no Paraná
24/04/2006
Um incêndio na tarde de domingo (23) queimou parte de uma plantação de pinus na fazenda experimental da Embrapa em Ponta Grossa, região dos Campos Gerais.
De acordo com reportagem do Bom Dia Paraná, o fogo teria começado numa propriedade vizinha e, com o vento e a vegetação seca, as chamas atingiram a fazenda da Embrapa.
Os moradores da região ajudaram os bombeiros no combate ao incêndio usando um arado para impedir que o fogo fosse ainda mais longe. O incêndio foi controlado depois de quatro horas de muito trabalho. Foram destruídos pelo menos 15 hectares da plantação de pinus. (Gazeta do Povo/PR)
Um incêndio na tarde de domingo (23) queimou parte de uma plantação de pinus na fazenda experimental da Embrapa em Ponta Grossa, região dos Campos Gerais.
De acordo com reportagem do Bom Dia Paraná, o fogo teria começado numa propriedade vizinha e, com o vento e a vegetação seca, as chamas atingiram a fazenda da Embrapa.
Os moradores da região ajudaram os bombeiros no combate ao incêndio usando um arado para impedir que o fogo fosse ainda mais longe. O incêndio foi controlado depois de quatro horas de muito trabalho. Foram destruídos pelo menos 15 hectares da plantação de pinus. (Gazeta do Povo/PR)
TRANSNACIONAL: Cai a máscara do McDonald's
Igor Ojeda
da Redação Brasil de Fato
Agricultores da Flórida (sudeste dos EUA) deram início a uma campanha de conscientização sobre as péssimas condições de trabalho impostas pelos fornecedores de tomate da rede McDonald's ao realizarem, entre os dias 26 de março e 1º de abril, o McDonald's Truth Tour (Caravana da Verdade McDonald's).
Os manifestantes saíram de Immokalee e seguiram em direção à sede da transnacional em Chicago (Estado de Illinois, no norte do país), divididos em três frentes. Durante o percurso, feito de ônibus, passaram por 17 cidades, onde realizaram dezenas de protestos, palestras e comícios.
ESCRAVIDÃO
Os trabalhadores, praticamente todos de origem hispânica, reivindicam, entre outras coisas, o pagamento, por parte do McDonald's, de dois centavos de dólar a mais por cada quilo de tomate comprado de seus fornecedores e a criação de um código de conduta baseado em padrões trabalhistas mais justos.
Mas se não conseguiu tal compromisso da rede de lanchonetes, o protesto serviu para causar um grande impacto na opinião pública da região percorrida, de acordo com Lucas Benitez, da Coalizão dos Trabalhadores de Immokalee (CIW, a sigla em inglês), a organizadora da caravana. "Falamos com milhares de pessoas sobre a avareza do McDonald´s e como ele não quer fazer uma mudança real nas vidas dos trabalhadores que colhem seus tomates", diz Benitez.
EXPLORAÇÃO
Em março do ano passado, usando a mesma estratégia da caravana para protestar, a CIW conseguiu arrancar da rede de restaurantes Taco Bell um aumento dos valores pagos a seus fornecedores de tomates, assim como um monitoramento conjunto das condições de trabalho impostas por estes. Desde então, a entidade vem convocando o McDonald's a seguir o mesmo exemplo. Segundo a CIW, a prática da empresa de comprar tomates em alta quantidade permite que ela consiga preços extremamente baixos, o que faz com que seus fornecedores explorem seus trabalhadores, pagando salários baixíssimos e, em alguns casos, submetendo-os inclusive a condições de escravidão moderna, como denuncia Benitez. "Estamos falando de trabalhadores que estão detidos contra sua vontade, com guardas armados que os vigiam 24 horas por dia, e recebem entre 20 e 40 dólares por semana. Se um deles escapa e é resgatado, o patrão o reprime em frente dos outros para que sirva como exemplo." É o caso do guatemalteco Cruz Salucio Perez, 21 anos. Deixou a cidade de Concepción Huista, no departamento de Huehuetenango, rumo aos EUA "com um sonho de alcançar uma vida melhor".
O jovem contou ao Brasil de Fato que acorda todos os dias às 4 horas da manhã para trabalhar. Ao chegar à plantação, começa a exploração. "O patrão te entrega um balde e a primeira coisa que diz é: 'quero tomate limpo, quero um bom tamanho'. Temos que fazer o que eles pedem, se você não cumpre, não te dão trabalho no dia seguinte", afirma. Sempre com a preocupação na produtividade, os agricultores param apenas por dois minutos para almoçar. Mas tamanho esforço está muito longe de ser recompensado. "Não temos benefícios nem seguro médico. Há maus-tratos, baixos salários. Não temos direito de nos organizar."
Perez conta que, trabalhando seis dias por semana, um agricultor ganha algo em torno de 300 dólares, insuficientes para comprar comida, pagar o aluguel e mandar uma parte para a família no país de origem. Cobra-se pelo aluguel de um quarto 200 dólares, semanalmente. "Temos que buscar outras cinco pessoas para dividir o espaço.
Vivemos todos amontoados." Para Lucas Benitez, do CIW, enquanto o McDonald's seguir comprando apenas de grandes fazendeiros, "que são os menos interessados em ver mudanças nas vidas dos trabalhadores", não pode assegurar que seus tomates não sejam colhidos por meio de exploração e escravidão.
da Redação Brasil de Fato
Agricultores da Flórida (sudeste dos EUA) deram início a uma campanha de conscientização sobre as péssimas condições de trabalho impostas pelos fornecedores de tomate da rede McDonald's ao realizarem, entre os dias 26 de março e 1º de abril, o McDonald's Truth Tour (Caravana da Verdade McDonald's).
Os manifestantes saíram de Immokalee e seguiram em direção à sede da transnacional em Chicago (Estado de Illinois, no norte do país), divididos em três frentes. Durante o percurso, feito de ônibus, passaram por 17 cidades, onde realizaram dezenas de protestos, palestras e comícios.
ESCRAVIDÃO
Os trabalhadores, praticamente todos de origem hispânica, reivindicam, entre outras coisas, o pagamento, por parte do McDonald's, de dois centavos de dólar a mais por cada quilo de tomate comprado de seus fornecedores e a criação de um código de conduta baseado em padrões trabalhistas mais justos.
Mas se não conseguiu tal compromisso da rede de lanchonetes, o protesto serviu para causar um grande impacto na opinião pública da região percorrida, de acordo com Lucas Benitez, da Coalizão dos Trabalhadores de Immokalee (CIW, a sigla em inglês), a organizadora da caravana. "Falamos com milhares de pessoas sobre a avareza do McDonald´s e como ele não quer fazer uma mudança real nas vidas dos trabalhadores que colhem seus tomates", diz Benitez.
EXPLORAÇÃO
Em março do ano passado, usando a mesma estratégia da caravana para protestar, a CIW conseguiu arrancar da rede de restaurantes Taco Bell um aumento dos valores pagos a seus fornecedores de tomates, assim como um monitoramento conjunto das condições de trabalho impostas por estes. Desde então, a entidade vem convocando o McDonald's a seguir o mesmo exemplo. Segundo a CIW, a prática da empresa de comprar tomates em alta quantidade permite que ela consiga preços extremamente baixos, o que faz com que seus fornecedores explorem seus trabalhadores, pagando salários baixíssimos e, em alguns casos, submetendo-os inclusive a condições de escravidão moderna, como denuncia Benitez. "Estamos falando de trabalhadores que estão detidos contra sua vontade, com guardas armados que os vigiam 24 horas por dia, e recebem entre 20 e 40 dólares por semana. Se um deles escapa e é resgatado, o patrão o reprime em frente dos outros para que sirva como exemplo." É o caso do guatemalteco Cruz Salucio Perez, 21 anos. Deixou a cidade de Concepción Huista, no departamento de Huehuetenango, rumo aos EUA "com um sonho de alcançar uma vida melhor".
O jovem contou ao Brasil de Fato que acorda todos os dias às 4 horas da manhã para trabalhar. Ao chegar à plantação, começa a exploração. "O patrão te entrega um balde e a primeira coisa que diz é: 'quero tomate limpo, quero um bom tamanho'. Temos que fazer o que eles pedem, se você não cumpre, não te dão trabalho no dia seguinte", afirma. Sempre com a preocupação na produtividade, os agricultores param apenas por dois minutos para almoçar. Mas tamanho esforço está muito longe de ser recompensado. "Não temos benefícios nem seguro médico. Há maus-tratos, baixos salários. Não temos direito de nos organizar."
Perez conta que, trabalhando seis dias por semana, um agricultor ganha algo em torno de 300 dólares, insuficientes para comprar comida, pagar o aluguel e mandar uma parte para a família no país de origem. Cobra-se pelo aluguel de um quarto 200 dólares, semanalmente. "Temos que buscar outras cinco pessoas para dividir o espaço.
Vivemos todos amontoados." Para Lucas Benitez, do CIW, enquanto o McDonald's seguir comprando apenas de grandes fazendeiros, "que são os menos interessados em ver mudanças nas vidas dos trabalhadores", não pode assegurar que seus tomates não sejam colhidos por meio de exploração e escravidão.
abril 18, 2006
Cientista brasileiro analisa o impacto do aquecimento global
São José dos Campos (SP), 17 de Abril de 2006
Para a agricultura, em quase todo o Brasil, haverá perdas em quase todas as culturas. O Programa Internacional da Geosfera-Biosfera (International Geosphere-Biosphere Program - IGBP), considerado um dos mais importantes no universo científico, tem pela primeira vez como presidente um pesquisador oriundo de um país em desenvolvimento. Trata-se do brasileiro Carlos Nobre, PhD em Meteorologia pelo MIT-Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) e cientista de carreira do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Formado no Instituto de Tecnologia de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), foi fundador e diretor por 12 anos do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) – um dos principais órgãos de pesquisa em meteorologia das Américas – ligado ao Inpe. Os resultados dos estudos de Nobre se notabilizaram, transformando-o numa referência mundial sobre as alterações climáticas na América do Sul, principalmente na Amazônia. O IGBP lidera a Parceria da Ciência do Sistema Terrestre (Earth System Science Partnership-ESSP), que envolve quatro grandes programas de estudos de mudanças ambientais na Terra.
Nesta entrevista exclusiva à Gazeta Mercantil, o cientista opina sobre várias questões ligadas às mudanças climáticas.
Atraso nas pesquisas
Como em todos os países ainda em desenvolvimento, estamos ainda na fase que a comunidade científica tem que acelerar suas pesquisas sobre os impactos das mudanças globais sobre a economia, a sociedade e os recursos naturais. Já há sinais positivos que isto venha a fazer parte da agenda de desenvolvimento do País, mais ainda é muito incipiente. O Brasil é o país mais atrasado nos estudos sobre esses impactos entre as nações em desenvolvimento.
Mudanças na Amazônia
Na Amazônia não se tem ainda um cenário muito definido. Há uma ligeira tendência a secar. É bom desmistificar, que mesmo ao longo do tempo a Amazônia nunca se tornará um deserto no sentido meteorológico, ou seja, com pouca chuva. Isto não existe em nenhum cenário pesquisado. O que pode acontecer com o uso errado da terra é o surgimento de uma degradação tão acentuada que a região fique com uma aparência neste sentido. Isso em geografia se chama ‘estado de desertificação’, referindo-se a um solo muito degradado. Mas não há nada que indique que se extinga a vegetação de grande porte por falta de chuva.
Sul e Sudeste
Esse é um enorme debate. É muito difícil responder. A maioria dos cenários mostra a diminuição das chuvas na Amazônia, mas apresenta um aumento de chuvas no Sul e no Sudeste. Não dá para ser conclusivo ainda.
Aquecimento global
Fui o primeiro cientista da área a dizer que esse fenômeno já está acontecendo e não é mais algo do futuro. Não estou falando das alterações locais, mas das globais. Eu também disse que as observações das mudanças climáticas globais seriam tão avassaladoras que teríamos um ‘paper’ nas revistas científicas por semana. Disse isto muito tempo atrás e é o que ocorre hoje.
O furacão brasileiro
Sobre o Catarina, posso e tenho de dizer que foi o maior erro do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos ( Cptec) dos últimos anos, inclusive em dimensão. E o pior não foi o erro da previsão, mas o fato de não se desculpar perante a sociedade brasileira. Aquilo foi um furacão, sim. Não há mais dúvida. Erraram porque nunca houve nada parecido e foi uma lição para o Cptec. Três centros de furacão do mundo, dos Estados Unidos, da Inglaterra e do Canadá, alertaram o Cptec, Brasília, o Instituto Nacional de Meteorologia ( Inmet) e a Marinha que se tratava de um furacão. Somente a Marinha acreditou e interditou a área costeira e, por isso, apenas duas pequenas embarcações sem sistema de comunicação afundaram e sete pessoas morreram.
Fenômenos raros
Em todos os relatórios desde o início da década de 90 apareciam a expressão ‘esperem surpresas’. Esse fenômeno de aquecimento global é muito lento, mas ele acontece todos os dias. A probabilidade de haver condições para um novo Catarina vai aumentar, principalmente com a subida das temperaturas do oceano. Porém nunca chegaremos, por exemplo, ao que ocorre no Caribe.
Fronteira agrícola
Os grãos, que são a grande fonte de alimentação da sociedade moderna, diminuem sua produção com temperaturas mais altas. A produção da soja brasileira por hectare é menor que a norte-americana, mas aqui plantamos o ano inteiro e lá não. Mas as pesquisas preliminares da Embrapa não mostram uma situação muito confortável para o Brasil. Os estudos mostram que há dois efeitos competindo e conflitantes. Um deles é o efeito negativo quanto à temperatura mais elevada. Por outro lado, a quantidade maior de gás carbônico na atmosfera pode ser positiva. Os pouquíssimos estudos no Brasil indicam que na soja o efeito do CO² compensa o aumento da temperatura, mas isto somente no Sul. Para o restante do território haverá uma queda de produção. Para a agricultura, em quase todo o Brasil, haverá perdas para quase todas as culturas.
Júlio Ottoboni
(www.ecodebate.com.br) Fonte - Gazeta Mercantil/Caderno A - 17/04/2006
Para a agricultura, em quase todo o Brasil, haverá perdas em quase todas as culturas. O Programa Internacional da Geosfera-Biosfera (International Geosphere-Biosphere Program - IGBP), considerado um dos mais importantes no universo científico, tem pela primeira vez como presidente um pesquisador oriundo de um país em desenvolvimento. Trata-se do brasileiro Carlos Nobre, PhD em Meteorologia pelo MIT-Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) e cientista de carreira do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Formado no Instituto de Tecnologia de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), foi fundador e diretor por 12 anos do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) – um dos principais órgãos de pesquisa em meteorologia das Américas – ligado ao Inpe. Os resultados dos estudos de Nobre se notabilizaram, transformando-o numa referência mundial sobre as alterações climáticas na América do Sul, principalmente na Amazônia. O IGBP lidera a Parceria da Ciência do Sistema Terrestre (Earth System Science Partnership-ESSP), que envolve quatro grandes programas de estudos de mudanças ambientais na Terra.
Nesta entrevista exclusiva à Gazeta Mercantil, o cientista opina sobre várias questões ligadas às mudanças climáticas.
Atraso nas pesquisas
Como em todos os países ainda em desenvolvimento, estamos ainda na fase que a comunidade científica tem que acelerar suas pesquisas sobre os impactos das mudanças globais sobre a economia, a sociedade e os recursos naturais. Já há sinais positivos que isto venha a fazer parte da agenda de desenvolvimento do País, mais ainda é muito incipiente. O Brasil é o país mais atrasado nos estudos sobre esses impactos entre as nações em desenvolvimento.
Mudanças na Amazônia
Na Amazônia não se tem ainda um cenário muito definido. Há uma ligeira tendência a secar. É bom desmistificar, que mesmo ao longo do tempo a Amazônia nunca se tornará um deserto no sentido meteorológico, ou seja, com pouca chuva. Isto não existe em nenhum cenário pesquisado. O que pode acontecer com o uso errado da terra é o surgimento de uma degradação tão acentuada que a região fique com uma aparência neste sentido. Isso em geografia se chama ‘estado de desertificação’, referindo-se a um solo muito degradado. Mas não há nada que indique que se extinga a vegetação de grande porte por falta de chuva.
Sul e Sudeste
Esse é um enorme debate. É muito difícil responder. A maioria dos cenários mostra a diminuição das chuvas na Amazônia, mas apresenta um aumento de chuvas no Sul e no Sudeste. Não dá para ser conclusivo ainda.
Aquecimento global
Fui o primeiro cientista da área a dizer que esse fenômeno já está acontecendo e não é mais algo do futuro. Não estou falando das alterações locais, mas das globais. Eu também disse que as observações das mudanças climáticas globais seriam tão avassaladoras que teríamos um ‘paper’ nas revistas científicas por semana. Disse isto muito tempo atrás e é o que ocorre hoje.
O furacão brasileiro
Sobre o Catarina, posso e tenho de dizer que foi o maior erro do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos ( Cptec) dos últimos anos, inclusive em dimensão. E o pior não foi o erro da previsão, mas o fato de não se desculpar perante a sociedade brasileira. Aquilo foi um furacão, sim. Não há mais dúvida. Erraram porque nunca houve nada parecido e foi uma lição para o Cptec. Três centros de furacão do mundo, dos Estados Unidos, da Inglaterra e do Canadá, alertaram o Cptec, Brasília, o Instituto Nacional de Meteorologia ( Inmet) e a Marinha que se tratava de um furacão. Somente a Marinha acreditou e interditou a área costeira e, por isso, apenas duas pequenas embarcações sem sistema de comunicação afundaram e sete pessoas morreram.
Fenômenos raros
Em todos os relatórios desde o início da década de 90 apareciam a expressão ‘esperem surpresas’. Esse fenômeno de aquecimento global é muito lento, mas ele acontece todos os dias. A probabilidade de haver condições para um novo Catarina vai aumentar, principalmente com a subida das temperaturas do oceano. Porém nunca chegaremos, por exemplo, ao que ocorre no Caribe.
Fronteira agrícola
Os grãos, que são a grande fonte de alimentação da sociedade moderna, diminuem sua produção com temperaturas mais altas. A produção da soja brasileira por hectare é menor que a norte-americana, mas aqui plantamos o ano inteiro e lá não. Mas as pesquisas preliminares da Embrapa não mostram uma situação muito confortável para o Brasil. Os estudos mostram que há dois efeitos competindo e conflitantes. Um deles é o efeito negativo quanto à temperatura mais elevada. Por outro lado, a quantidade maior de gás carbônico na atmosfera pode ser positiva. Os pouquíssimos estudos no Brasil indicam que na soja o efeito do CO² compensa o aumento da temperatura, mas isto somente no Sul. Para o restante do território haverá uma queda de produção. Para a agricultura, em quase todo o Brasil, haverá perdas para quase todas as culturas.
Júlio Ottoboni
(www.ecodebate.com.br) Fonte - Gazeta Mercantil/Caderno A - 17/04/2006
abril 07, 2006
Soja é principal vetor do desmatamento, diz pesquisa do Greenpeace
Greenpeace lança simultaneamente no Brasil, na Europa e nos EUA estudo que aponta a expansão da soja como principal culpada pelo desmatamento da Amazônia. Campanha da ONG quer constranger empresas européias a não comprar, e consumidores a não comerem alimentos derivasdos da soja amazônica. McDonald’s foi alvo principal.
Verena Glass - Carta Maior
SÃO PAULO – A Campanha Internacional de Florestas do Greenpeace lançou nesta quinta (6), de forma simultânea na Europa, nos EUA e no Brasil, um relatório resultante de três anos de investigação que aponta não mais a indústria madeireira, velha vilã do desmatamento, mas a expansão da soja como principal vetor da destruição da floresta amazônica no Brasil.
O estudo, que incluiu várias expedições ao arco do desmatamento – região que se estende do sul do Pará ao norte do Mato Grosso, incluindo áreas do Tocantins, Maranhão e Rondônia -, entrevistas com comunidades afetadas e análise de imagens de satélite, avançou para além do registro da devastação e dos impactos sócio-ambientais. Com o objetivo de cobrir todos os aspectos da cadeia da soja da Amazônia, foram colhidos dados sobre exportação, comercialização e processamento da soja, incluindo o monitoramento de navios para o mercado internacional e o destino final do produto, os alimentos consumidos pela população européia.
Segundo a ONG, o relatório, que, no Brasil, se concentra na ação de três das maiores multinacionais do agronegócio - Archer Daniels Midland (ADM), Bunge Corporation e Cargill -, traz “o retrato de uma indústria vigorosa e devastadora, e inclui novas evidências da responsabilidade das empresas norte-americanas e do papel involuntário de consumidores europeus na destruição da floresta, na grilagem de terras, expulsão de comunidades locais e uso de trabalho escravo na Amazônia”.
Na Europa, o estudo se concentrou no sistema de compra, distribuição e processamento da soja, e nas empresas envolvidas nesta cadeia.
AVANÇOS DA SOJA
O avanço da soja sobre a floresta amazônica, depois de ter tomado e destruído praticamente todo o cerrado do Centroeste brasileiro, teve um boom a partir de 2003, quando o mal da vaca louca na Europa multiplicou a demanda pelo grão para alimentação animal. Campeão nacional de produção de soja, o Mato Grosso, depois das áreas de cerrado, pôs abaixo grande parte da floresta amazônica do seu território, tornando-se também o campeão de desmatamento e queimadas (48% do total) em 2003.
Outro ponto focal do avanço da soja é o entorno das rodovias que permitem o escoamento da produção, como a BR 163, que liga Cuiabá, no MT, a Santarém, no PA, e que deve ser completamente asfaltada num futuro próximo, segundo promessas do Governo Federal.
“Oitenta e cinco por cento de todo o desmatamento ocorre nos 50 quilômetros de cada lado das rodovias. Nos últimos anos, a produção de soja ao longo da parte pavimentada da BR-163 saltou de 2,4 mil hectares em 2002 para mais de 44 mil hectares em 2005 – um crescimento de quase 20 vezes em três anos. Os grandes desmatamentos terminam junto com o asfaltamento da estrada, ao sul da divisa com o estado do Pará. Tanto a Cargill quanto a Bunge têm comprado soja de fazendas localizadas na área de influência da BR-163. Pior: Cargill, ADM e Bunge são parceiras no financiamento do projeto de US$ 175 milhões para pavimentar o restante da estrada, acelerando o acesso ao novo porto graneleiro construído ilegalmente pela Cargill em Santarém”, afirma o relatório do Greenpeace.
Também de acordo com o estudo da ONG, “uma segunda rodovia da soja, construída ilegalmente, se estende por 120 quilômetros, saindo da cidade de Feliz Natal, no Mato Grosso, até terminar de forma abrupta na fronteira oeste do Parque Indígena do Xingu. Tanto a Cargill quanto a Bunge construíram silos com capacidade para armazenar 60 toneladas de grãos nesta ‘estrada para lugar nenhum’. Além disso, oferecem crédito e mercado garantido para qualquer fazenda já desmatada na região.Nos dois últimos anos, mais de 40 mil hectares de soja foram produzidos perto desta estrada e o Greenpeace descobriu outros 99,2 mil hectares para venda na internet. Documentos mostram que tanto a Cargill quanto a Bunge estão comprando soja destas novas áreas. Análise das imagens de satélite mostram que os impactos da rodovia da soja devem se estender por mais de 1 milhão de hectares de florestas da região. Este número contabiliza apenas os impactos diretos do desmatamento. Os impactos indiretos produzidos por grandes quantidades de produtos químicos e pelo crescimento populacional devem ser ainda maiores”.
PASSIVO SOCIAL
Paralelamente ao estudo, o Greenpeace também realizou um documentário focado no impacto social da expansão da soja, principalmente na região Sul do Pará, onde, após a construção ilegal do porto graneleiro da Cargill em Santarém, e a promessa de asfaltamento da BR 163, o assédio de sojicultores sobre as comunidades locais, tradicionais e indígenas tem levado a recordes de conflitos de terra e assassinatos de trabalhadores rurais.
Na maioria dos casos, mostra o documentário, ocorre a expulsão – consentida ou violenta – dos pequenos agricultores de suas terras, incorporadas às fazendas de soja. Ao venderem seus sítios, com os recursos da transação os agricultores passam a viver nas periferias dos centros urbanos, como Santarém, aprofundando rapidamente o processo de favelização destas áreas. Mas também são cada vez mais comuns os ataques às famílias que se negam a vender, com ameaças de morte e destruição das casas.
No estudo, outro exemplo do passivo social da sojicultur apontado pelo Greenpeace são casos como o da Fazenda Membeca, no Mato Grosso, que, desde 2003, “tem promovido o desmatamento ilegal de mais de 8 mil hectares de florestas da Terra Indígena Manoki, e continua a desmatar novas áreas para expandir sua plantação de soja. Tanto a Cargill quanto a Bunge instalaram silos em Brasnorte e têm comprado soja da Fazenda Membeca”.
Fruto de uma parceria com a ONG Repórter Brasil, especializada na temática do trabalho escravo no país, o estudo do Greenpeace relata também os casos das fazendas Roncador, onde foram libertado, entre 1998 e 2004, 215 trabalhadores escravos, Vale do Rio Verde, onde os agentes federais encontraram 263 trabalhadores escravos em junho de 2005, Vó Gercy e Tupy Barão, todas no MT. Segundo as duas ONGs, as multinacionais Cargill e ADM continuaram comprando a produção destas fazendas mesmo depois do indiciamento por prática de trabalho escravo.
“COMENDO A AMAZÔNIA”
Ao mesmo tempo em que divulgou o relatório, chamado de “Comendo a Amazônia (eating up the Amazon)”, em vários países europeus e nos EUA, o Greenpeace lançou uma campanha na Europa que visa constranger as empresas que compram a soja da região, bem como a população que consome alimentos derivados. Segundo a ONG, isto não seria complicado, já que a rota da exportação é basicamente Santarém-Holanda, de onde ocorre a distribuição para o resto do continente.
A campanha exige que as empresas envolvidas no comércio de alimentos e ração animal devem garantir que não estão usando soja da Amazônia, e que grandes traders, incluindo a Cargill, ADM e Bunge, parem de comprar soja produzida na Amazônia e assinem o Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Também demanda que os bancos deixem de financiar empresas envolvidas no comércio de soja da Amazônia, e que os governos europeus apóiem as políticas públicas brasileiras de implementação de unidades de conservação na região.
Em relação aos consumidores, o Greenpeace investiu com sua conhecida criatividade contra a rede McDonald’s, cujos produtos de frango, principalmente na Inglaterra, são produzidos a partir da avicultura da empresa Sun Valley, concessionária da Cargill. No país, segundo a ONG, dezenas de frangos de dois metros de altura invadiram várias lanchonetes da rede e se acorrentaram às cadeiras. Na Alemanha, ativistas vestidos de Ronald McDonald’s segurando motosserras, protestaram nas lojas e na frente da sede européia do departamento de assuntos ambientais do McDonald’s.
“O McDonald’s está estimulando um comércio que está destruindo a Amazônia. A Floresta esta sendo derrubada para o plantio de soja que alimenta os animais da Europa. Toda vez que você dá uma mordida num Chicken McNugget, você pode estar mordendo um pedaço da Amazônia”, afirmou Pat Vendetti, coordenador do Greenpeace em Londres.
Verena Glass - Carta Maior
SÃO PAULO – A Campanha Internacional de Florestas do Greenpeace lançou nesta quinta (6), de forma simultânea na Europa, nos EUA e no Brasil, um relatório resultante de três anos de investigação que aponta não mais a indústria madeireira, velha vilã do desmatamento, mas a expansão da soja como principal vetor da destruição da floresta amazônica no Brasil.
O estudo, que incluiu várias expedições ao arco do desmatamento – região que se estende do sul do Pará ao norte do Mato Grosso, incluindo áreas do Tocantins, Maranhão e Rondônia -, entrevistas com comunidades afetadas e análise de imagens de satélite, avançou para além do registro da devastação e dos impactos sócio-ambientais. Com o objetivo de cobrir todos os aspectos da cadeia da soja da Amazônia, foram colhidos dados sobre exportação, comercialização e processamento da soja, incluindo o monitoramento de navios para o mercado internacional e o destino final do produto, os alimentos consumidos pela população européia.
Segundo a ONG, o relatório, que, no Brasil, se concentra na ação de três das maiores multinacionais do agronegócio - Archer Daniels Midland (ADM), Bunge Corporation e Cargill -, traz “o retrato de uma indústria vigorosa e devastadora, e inclui novas evidências da responsabilidade das empresas norte-americanas e do papel involuntário de consumidores europeus na destruição da floresta, na grilagem de terras, expulsão de comunidades locais e uso de trabalho escravo na Amazônia”.
Na Europa, o estudo se concentrou no sistema de compra, distribuição e processamento da soja, e nas empresas envolvidas nesta cadeia.
AVANÇOS DA SOJA
O avanço da soja sobre a floresta amazônica, depois de ter tomado e destruído praticamente todo o cerrado do Centroeste brasileiro, teve um boom a partir de 2003, quando o mal da vaca louca na Europa multiplicou a demanda pelo grão para alimentação animal. Campeão nacional de produção de soja, o Mato Grosso, depois das áreas de cerrado, pôs abaixo grande parte da floresta amazônica do seu território, tornando-se também o campeão de desmatamento e queimadas (48% do total) em 2003.
Outro ponto focal do avanço da soja é o entorno das rodovias que permitem o escoamento da produção, como a BR 163, que liga Cuiabá, no MT, a Santarém, no PA, e que deve ser completamente asfaltada num futuro próximo, segundo promessas do Governo Federal.
“Oitenta e cinco por cento de todo o desmatamento ocorre nos 50 quilômetros de cada lado das rodovias. Nos últimos anos, a produção de soja ao longo da parte pavimentada da BR-163 saltou de 2,4 mil hectares em 2002 para mais de 44 mil hectares em 2005 – um crescimento de quase 20 vezes em três anos. Os grandes desmatamentos terminam junto com o asfaltamento da estrada, ao sul da divisa com o estado do Pará. Tanto a Cargill quanto a Bunge têm comprado soja de fazendas localizadas na área de influência da BR-163. Pior: Cargill, ADM e Bunge são parceiras no financiamento do projeto de US$ 175 milhões para pavimentar o restante da estrada, acelerando o acesso ao novo porto graneleiro construído ilegalmente pela Cargill em Santarém”, afirma o relatório do Greenpeace.
Também de acordo com o estudo da ONG, “uma segunda rodovia da soja, construída ilegalmente, se estende por 120 quilômetros, saindo da cidade de Feliz Natal, no Mato Grosso, até terminar de forma abrupta na fronteira oeste do Parque Indígena do Xingu. Tanto a Cargill quanto a Bunge construíram silos com capacidade para armazenar 60 toneladas de grãos nesta ‘estrada para lugar nenhum’. Além disso, oferecem crédito e mercado garantido para qualquer fazenda já desmatada na região.Nos dois últimos anos, mais de 40 mil hectares de soja foram produzidos perto desta estrada e o Greenpeace descobriu outros 99,2 mil hectares para venda na internet. Documentos mostram que tanto a Cargill quanto a Bunge estão comprando soja destas novas áreas. Análise das imagens de satélite mostram que os impactos da rodovia da soja devem se estender por mais de 1 milhão de hectares de florestas da região. Este número contabiliza apenas os impactos diretos do desmatamento. Os impactos indiretos produzidos por grandes quantidades de produtos químicos e pelo crescimento populacional devem ser ainda maiores”.
PASSIVO SOCIAL
Paralelamente ao estudo, o Greenpeace também realizou um documentário focado no impacto social da expansão da soja, principalmente na região Sul do Pará, onde, após a construção ilegal do porto graneleiro da Cargill em Santarém, e a promessa de asfaltamento da BR 163, o assédio de sojicultores sobre as comunidades locais, tradicionais e indígenas tem levado a recordes de conflitos de terra e assassinatos de trabalhadores rurais.
Na maioria dos casos, mostra o documentário, ocorre a expulsão – consentida ou violenta – dos pequenos agricultores de suas terras, incorporadas às fazendas de soja. Ao venderem seus sítios, com os recursos da transação os agricultores passam a viver nas periferias dos centros urbanos, como Santarém, aprofundando rapidamente o processo de favelização destas áreas. Mas também são cada vez mais comuns os ataques às famílias que se negam a vender, com ameaças de morte e destruição das casas.
No estudo, outro exemplo do passivo social da sojicultur apontado pelo Greenpeace são casos como o da Fazenda Membeca, no Mato Grosso, que, desde 2003, “tem promovido o desmatamento ilegal de mais de 8 mil hectares de florestas da Terra Indígena Manoki, e continua a desmatar novas áreas para expandir sua plantação de soja. Tanto a Cargill quanto a Bunge instalaram silos em Brasnorte e têm comprado soja da Fazenda Membeca”.
Fruto de uma parceria com a ONG Repórter Brasil, especializada na temática do trabalho escravo no país, o estudo do Greenpeace relata também os casos das fazendas Roncador, onde foram libertado, entre 1998 e 2004, 215 trabalhadores escravos, Vale do Rio Verde, onde os agentes federais encontraram 263 trabalhadores escravos em junho de 2005, Vó Gercy e Tupy Barão, todas no MT. Segundo as duas ONGs, as multinacionais Cargill e ADM continuaram comprando a produção destas fazendas mesmo depois do indiciamento por prática de trabalho escravo.
“COMENDO A AMAZÔNIA”
Ao mesmo tempo em que divulgou o relatório, chamado de “Comendo a Amazônia (eating up the Amazon)”, em vários países europeus e nos EUA, o Greenpeace lançou uma campanha na Europa que visa constranger as empresas que compram a soja da região, bem como a população que consome alimentos derivados. Segundo a ONG, isto não seria complicado, já que a rota da exportação é basicamente Santarém-Holanda, de onde ocorre a distribuição para o resto do continente.
A campanha exige que as empresas envolvidas no comércio de alimentos e ração animal devem garantir que não estão usando soja da Amazônia, e que grandes traders, incluindo a Cargill, ADM e Bunge, parem de comprar soja produzida na Amazônia e assinem o Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Também demanda que os bancos deixem de financiar empresas envolvidas no comércio de soja da Amazônia, e que os governos europeus apóiem as políticas públicas brasileiras de implementação de unidades de conservação na região.
Em relação aos consumidores, o Greenpeace investiu com sua conhecida criatividade contra a rede McDonald’s, cujos produtos de frango, principalmente na Inglaterra, são produzidos a partir da avicultura da empresa Sun Valley, concessionária da Cargill. No país, segundo a ONG, dezenas de frangos de dois metros de altura invadiram várias lanchonetes da rede e se acorrentaram às cadeiras. Na Alemanha, ativistas vestidos de Ronald McDonald’s segurando motosserras, protestaram nas lojas e na frente da sede européia do departamento de assuntos ambientais do McDonald’s.
“O McDonald’s está estimulando um comércio que está destruindo a Amazônia. A Floresta esta sendo derrubada para o plantio de soja que alimenta os animais da Europa. Toda vez que você dá uma mordida num Chicken McNugget, você pode estar mordendo um pedaço da Amazônia”, afirmou Pat Vendetti, coordenador do Greenpeace em Londres.
abril 04, 2006
Fueling Our Addiction
Daniel Becker
April 04, 2006
Daniel Becker is the director of the Sierra Club's Global Warming program.
The final fuel economy standards released last week by the Bush administration fail to break America's oil addiction. Higher fuel economy and good jobs come from using better technology. By failing to require Detroit to make significantly cleaner, more efficient vehicles to compete with Toyota, the Bush administration is giving the Big Three enough rope to hang themselves.
The Bush administration ignored the opportunity and obligation to cut America's oil dependence by requiring automakers to use modern fuel-saving technology to reduce oil consumption, curb global warming pollution and save consumers money at the gas pump. While the new standards do finally include the largest SUVs, they fail to include the largest pickup trucks, which constitute 80 percent of the largest vehicles on the road. Instead of weak standards, the Bush administration should be putting American innovation to work by requiring automakers make all of their vehicles—from sedans, to SUVs, to pickup trucks—go farther on a gallon of gas.
The technology exists today to make all vehicles average 40 miles per gallon within 10 years. Taking this step would save more oil than the United States currently imports from the entire Persian Gulf and could ever get out of the Arctic National Wildlife Refuge, combined. As a result, the average driver would save over $2,200 at the gas pump over the lifetime of their vehicle and U.S. global warming pollution would be reduced by close to 600 million tons.
President George W. Bush says America is addicted to oil, but this new standard is like telling a two pack-a-day smoker to cut out one cigarette. The new standard will for the first time include large SUVs and vans—between 8,500-10,000 pounds gross vehicle weight—as part of the automakers' light truck fleet. As a result, automakers will need to ensure that their light-truck fleet average meets the fuel economy standards—also known as CAFÉ standards—even with these low fuel economy vehicles added to the mix. However, 80 percent of the vehicles in that weight class are pick-up trucks—not SUVs, and thus will remain exempt from any fuel economy standards. Because the administration continues to exclude heavy pickup trucks and is only including a handful of the heaviest gas guzzlers, the resulting oil savings from including these vehicles are minimal. Using the administration's estimate of oil savings, today's rule will save less than two weeks worth of oil consumption at current levels over the next four years.
In 1975, Congress directed the National Highway Traffic Safety Administration to set new light truck fuel economy standards for each new model year at the "maximum technically feasible level." With today's technology, that maximum level is at least a 40 miles per gallon average for all cars, trucks and SUVs. Last year, the administration released the proposed light truck fuel economy standards for model years 2008-2011—made final last week. In its proposal, the administration proposed an increase of just 1.8 miles per gallon over four years. At the same time, the new proposal abandoned the concept of a fleet-wide fuel economy standard. Instead, it created a new size-based system that divides the current light truck fleet. While the original proposal created six size classes, the final rule released last week replaces these size "bins" with a separate bin for each size vehicle.
This means that there will be a separate fuel economy standard for every size of light truck. A size-based system can create a perverse incentive, encouraging automakers to build larger vehicles in order to qualify for weaker fuel economy standards, resulting in lower fleet-wide fuel economy. Moving to a continuous function means that any increase in size will allow automakers to qualify for weaker fuel economy standards for that vehicle.
Another consequence of the size-based system is that it abdicates the oil savings requirements of CAFÉ. It puts the nation's oil savings policy in the hands of automakers, who determine what size vehicles to make. For example, they could legally comply with the new Bush CAFÉ standard if they cease making their most efficient trucks, make more guzzlers and their overall fuel economy declines.
President Bush says we are addicted to oil. If he were serious about breaking that addiction, he would require automakers to use modern fuel-saving technology. Instead, the Bush administration is promoting weak fuel economy standards while continuing the push to drill for more oil in the Arctic Refuge and off America's coasts.
So much for kicking the habit.
April 04, 2006
Daniel Becker is the director of the Sierra Club's Global Warming program.
The final fuel economy standards released last week by the Bush administration fail to break America's oil addiction. Higher fuel economy and good jobs come from using better technology. By failing to require Detroit to make significantly cleaner, more efficient vehicles to compete with Toyota, the Bush administration is giving the Big Three enough rope to hang themselves.
The Bush administration ignored the opportunity and obligation to cut America's oil dependence by requiring automakers to use modern fuel-saving technology to reduce oil consumption, curb global warming pollution and save consumers money at the gas pump. While the new standards do finally include the largest SUVs, they fail to include the largest pickup trucks, which constitute 80 percent of the largest vehicles on the road. Instead of weak standards, the Bush administration should be putting American innovation to work by requiring automakers make all of their vehicles—from sedans, to SUVs, to pickup trucks—go farther on a gallon of gas.
The technology exists today to make all vehicles average 40 miles per gallon within 10 years. Taking this step would save more oil than the United States currently imports from the entire Persian Gulf and could ever get out of the Arctic National Wildlife Refuge, combined. As a result, the average driver would save over $2,200 at the gas pump over the lifetime of their vehicle and U.S. global warming pollution would be reduced by close to 600 million tons.
President George W. Bush says America is addicted to oil, but this new standard is like telling a two pack-a-day smoker to cut out one cigarette. The new standard will for the first time include large SUVs and vans—between 8,500-10,000 pounds gross vehicle weight—as part of the automakers' light truck fleet. As a result, automakers will need to ensure that their light-truck fleet average meets the fuel economy standards—also known as CAFÉ standards—even with these low fuel economy vehicles added to the mix. However, 80 percent of the vehicles in that weight class are pick-up trucks—not SUVs, and thus will remain exempt from any fuel economy standards. Because the administration continues to exclude heavy pickup trucks and is only including a handful of the heaviest gas guzzlers, the resulting oil savings from including these vehicles are minimal. Using the administration's estimate of oil savings, today's rule will save less than two weeks worth of oil consumption at current levels over the next four years.
In 1975, Congress directed the National Highway Traffic Safety Administration to set new light truck fuel economy standards for each new model year at the "maximum technically feasible level." With today's technology, that maximum level is at least a 40 miles per gallon average for all cars, trucks and SUVs. Last year, the administration released the proposed light truck fuel economy standards for model years 2008-2011—made final last week. In its proposal, the administration proposed an increase of just 1.8 miles per gallon over four years. At the same time, the new proposal abandoned the concept of a fleet-wide fuel economy standard. Instead, it created a new size-based system that divides the current light truck fleet. While the original proposal created six size classes, the final rule released last week replaces these size "bins" with a separate bin for each size vehicle.
This means that there will be a separate fuel economy standard for every size of light truck. A size-based system can create a perverse incentive, encouraging automakers to build larger vehicles in order to qualify for weaker fuel economy standards, resulting in lower fleet-wide fuel economy. Moving to a continuous function means that any increase in size will allow automakers to qualify for weaker fuel economy standards for that vehicle.
Another consequence of the size-based system is that it abdicates the oil savings requirements of CAFÉ. It puts the nation's oil savings policy in the hands of automakers, who determine what size vehicles to make. For example, they could legally comply with the new Bush CAFÉ standard if they cease making their most efficient trucks, make more guzzlers and their overall fuel economy declines.
President Bush says we are addicted to oil. If he were serious about breaking that addiction, he would require automakers to use modern fuel-saving technology. Instead, the Bush administration is promoting weak fuel economy standards while continuing the push to drill for more oil in the Arctic Refuge and off America's coasts.
So much for kicking the habit.
PL Mata Atlântica
O Projeto de Lei (PL) da Mata Atlântica, que há 14 anos tramita no Congresso Nacional, deverá entrar em votação nesta terça-feira, dia 4 de abril.
O PL entrou na pauta de três sessões da Câmara dos Deputados nas últimas semanas -
incluindo uma extraordinária na quarta-feira (22). Não foi votado devido a articulações de deputados da bancada ruralista, ligados aos setores madeireiro,
e outros interessados na especulação imobiliária.
O PL corre o risco de continuar mais um ano parado. O projeto já foi aprovado na Câmara e no Senado por unanimidade e agora depende apenas que os deputados aceitem as emendas para que o Brasil tenha uma legislação apropriada para este Bioma
que já foi devastado em mais de 93%.
Esta futura lei trará muitos avanços, como a criação de um fundo de restauração, a
redução de impostos e a facilidade de acesso a linhas de crédito para proprietários de terras com áreas preservadas. Ao longo deste tempo de negociação, o texto passou
por mudanças, pois foi construído em um processo participativo, com contribuições
de todos os setores da a sociedade civil, parlamentares, empresários e representantes do setor ruralista.
Devido à articulação dos contrários à proteção ao que resta de Mata Atlântica, vários que já apoiaram a idéia estão mudando de posição. Vale destacar os nomes dos deputados federais Odacir Zonta (PP-SC), Ronaldo Caiado (PFL-GO) e Rodrigo Maia (PFL-RJ), que estão empenhados em derrubar a proposta.
Rede de ONGs da Mata Atlântica
Secretaria Executiva
SCLN 210 bloco C salas 207/8
Tel. +55 (61) 3349-9162
email: rma@rma.org.br
web: www.rma.org.br
acesse: http://www.apremavi.com.br/rmaplma
O PL entrou na pauta de três sessões da Câmara dos Deputados nas últimas semanas -
incluindo uma extraordinária na quarta-feira (22). Não foi votado devido a articulações de deputados da bancada ruralista, ligados aos setores madeireiro,
e outros interessados na especulação imobiliária.
O PL corre o risco de continuar mais um ano parado. O projeto já foi aprovado na Câmara e no Senado por unanimidade e agora depende apenas que os deputados aceitem as emendas para que o Brasil tenha uma legislação apropriada para este Bioma
que já foi devastado em mais de 93%.
Esta futura lei trará muitos avanços, como a criação de um fundo de restauração, a
redução de impostos e a facilidade de acesso a linhas de crédito para proprietários de terras com áreas preservadas. Ao longo deste tempo de negociação, o texto passou
por mudanças, pois foi construído em um processo participativo, com contribuições
de todos os setores da a sociedade civil, parlamentares, empresários e representantes do setor ruralista.
Devido à articulação dos contrários à proteção ao que resta de Mata Atlântica, vários que já apoiaram a idéia estão mudando de posição. Vale destacar os nomes dos deputados federais Odacir Zonta (PP-SC), Ronaldo Caiado (PFL-GO) e Rodrigo Maia (PFL-RJ), que estão empenhados em derrubar a proposta.
Rede de ONGs da Mata Atlântica
Secretaria Executiva
SCLN 210 bloco C salas 207/8
Tel. +55 (61) 3349-9162
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web: www.rma.org.br
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março 31, 2006
Marina Silva pede aprovação de projeto de lei para a mata atlântica & Ministério do Meio Ambiente lança plano de monitoramento da mata atlântica *
31/3/2006
Marina Silva pede aprovação de projeto de lei para a mata atlântica
Thaís Brianezi
Enviada especial
Agência Brasil - 30/03/2006 - 20:02
Curitiba - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, fez hoje (30) aos delegados da 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8) um apelo para que eles pressionem os deputados federais e senadores a votarem o projeto de lei para a mata atlântica, que tramita no Congresso há quase 14 anos.
"Vamos sair daqui com o compromisso de que cada um de nós mandará um e-mail afetuoso aos parlamentares, dizendo que não dá para esperar mais. Sempre que o projeto entra na pauta de votações, alguém o tira. E a cada ano que passa, perdemos 100 mil hectares de floresta", denunciou a ministra. Segundo ela, o governo federal já fez um acordo com todo os partidos pela aprovação, "mas ainda falta os membros de cada legenda cumprirem o combinado".
O presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Marcus Barros, disse acreditar que a votação "acontecerá ainda nessa legislatura" e culpou a "situação tensa em Brasília" pelo adiamento. Para a coordenadora-geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Míriam Prochman, o Paraná continua a autorizar desmatamentos em áreas de araucárias devido à falta de legislação. "O Decreto 750, de 1993, estabelece o domínio amplo da mata atlântica, que deve ser preservada. Mas enquanto isso não for lei, o estado não vai reconhecer", disse.
Outro prejuízo que a falta da lei traz para o bioma, segundo Prochman, é a aprovação de planos de manejo em áreas de floresta primária (permitida pelo decreto 750). "O projeto de lei só permite planos de manejo em áreas de vegetação secundária [reflorestadas]".
Prochman afirmou ainda que a rede fará um "corpo-a-corpo" com os parlamentares pela aprovação do projeto. "Já fizemos várias manifestações, já até invadimos o Congresso. Agora, vamos procurar cada parlamentar e submeter ao constrangimento público aqueles que estão impedindo a aprovação do projeto", prometeu.
Ministério do Meio Ambiente lança plano de monitoramento da mata atlântica
Thaís Brianezi
Enviada especial
Agência Brasil - 30/03/2006 - 19:45
Curitiba - Com o objetivo de proteger os 8% da cobertura original que ainda restam, o Ministério do Meio Ambiente lançou hoje (30) o Plano de Monitoramento e Controle da Mata Atlântica, na 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8). A conferência reúne 3.600 representantes de 173 países.
"Estamos chegando tarde, sim. O Estado deveria ter começado esta ação no início do século 19, quando Percival Facquar [grande empresário da época] derrubou as florestas do sul do país para construir ferrovias", disse o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Marcus Barros. "Mas nossa intenção é deixar bem claro aos destruidores que daqui 'no passarán' [em português, não passarão]".
O programa, segundo Barros, foi inspirado nas ações de comando e controle que conseguiram reduzir em 31% a taxa de desmatamento na Amazônia [entre agosto de 2004 e agosto de 2005, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais]. "Na mata atlântica há a vantagem de se contar com órgãos estaduais de meio ambiente mais bem estruturados. Fazer a fiscalização aqui será menos difícil que na Amazônia, porque as distâncias são menores e há maior facilidade de acesso", afirmou.
O plano prevê monitoramento em tempo real do desmatamento na mata atlântica, com imagens de satélite fornecidas pelo Inpe, como acontece na Amazônia desde 2004. Outras linhas de atuação são: constituir uma rede de vigilância, com apoio de agentes ambientais voluntários; compartilhar informações entre órgãos do governo federal e dos governos estaduais (sobre processos de licenciamento ambiental, aprovação de planos de manejo, gerenciamento de unidades de conservação, reservas legais das propriedades rurais e áreas de proteção permanente); e promover a comunicação, educação e capacitação (por meio de campanhas de conscientização, viabilizadas com apoio do setor privado).
A coordenadora-geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Míriam Prochman, lembrou que parte do plano é fruto de um seminário realizado em Tamandaré (PE), com a presença do Ibama. "A maior fragilidade que vemos é o baixo poder dos agentes ambientais voluntários", avaliou a coordenadora da rede, que atualmente conta com cerca de 300 entidades participantes.
A mata atlântica é considerada pela Unesco (Organização das Naçõs Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) um patrimônio da humanidade. Está presente em todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e seus principais rios (Paraná, Tietê, São Francisco, Doce, Paraíba do Sul, Paranapanema e Ribeira do Iguape) abastecem os cerca de 120 milhões de habitantes da região mais populosa do país.
EcoDebate, www.ecodebate.com.br, 31/03/2006
Nota do EcoDebate
Concordamos com a ministra Marina Silva na necessidade da sociedade pressionar deputados e senadores pela aprovação do projeto de lei da Mata Atlântica.
Cabe, no entanto, a ressalva de que o governo também tem que fazer a sua parte através de seus líderes no Congresso. Afinal, o governo já demonstrou que sabe como aprovar o que quer e realmente precisa querer a aprovação deste projeto de lei.
E continuamos aguardando, pelo menos, a apresentação de um projeto de lei que regulamente o acesso aos recursos genéticos e conhecimento tradicional associado e à repartição dos benefícios provenientes desse uso.
Na COP-8, por exemplo, não podemos continuar a falar das obrigações da comunidade internacional, sem, ao menos, tentar fazer a nossa própria obrigação.
Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador do EcoDebate
Marina Silva pede aprovação de projeto de lei para a mata atlântica
Thaís Brianezi
Enviada especial
Agência Brasil - 30/03/2006 - 20:02
Curitiba - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, fez hoje (30) aos delegados da 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8) um apelo para que eles pressionem os deputados federais e senadores a votarem o projeto de lei para a mata atlântica, que tramita no Congresso há quase 14 anos.
"Vamos sair daqui com o compromisso de que cada um de nós mandará um e-mail afetuoso aos parlamentares, dizendo que não dá para esperar mais. Sempre que o projeto entra na pauta de votações, alguém o tira. E a cada ano que passa, perdemos 100 mil hectares de floresta", denunciou a ministra. Segundo ela, o governo federal já fez um acordo com todo os partidos pela aprovação, "mas ainda falta os membros de cada legenda cumprirem o combinado".
O presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Marcus Barros, disse acreditar que a votação "acontecerá ainda nessa legislatura" e culpou a "situação tensa em Brasília" pelo adiamento. Para a coordenadora-geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Míriam Prochman, o Paraná continua a autorizar desmatamentos em áreas de araucárias devido à falta de legislação. "O Decreto 750, de 1993, estabelece o domínio amplo da mata atlântica, que deve ser preservada. Mas enquanto isso não for lei, o estado não vai reconhecer", disse.
Outro prejuízo que a falta da lei traz para o bioma, segundo Prochman, é a aprovação de planos de manejo em áreas de floresta primária (permitida pelo decreto 750). "O projeto de lei só permite planos de manejo em áreas de vegetação secundária [reflorestadas]".
Prochman afirmou ainda que a rede fará um "corpo-a-corpo" com os parlamentares pela aprovação do projeto. "Já fizemos várias manifestações, já até invadimos o Congresso. Agora, vamos procurar cada parlamentar e submeter ao constrangimento público aqueles que estão impedindo a aprovação do projeto", prometeu.
Ministério do Meio Ambiente lança plano de monitoramento da mata atlântica
Thaís Brianezi
Enviada especial
Agência Brasil - 30/03/2006 - 19:45
Curitiba - Com o objetivo de proteger os 8% da cobertura original que ainda restam, o Ministério do Meio Ambiente lançou hoje (30) o Plano de Monitoramento e Controle da Mata Atlântica, na 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8). A conferência reúne 3.600 representantes de 173 países.
"Estamos chegando tarde, sim. O Estado deveria ter começado esta ação no início do século 19, quando Percival Facquar [grande empresário da época] derrubou as florestas do sul do país para construir ferrovias", disse o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Marcus Barros. "Mas nossa intenção é deixar bem claro aos destruidores que daqui 'no passarán' [em português, não passarão]".
O programa, segundo Barros, foi inspirado nas ações de comando e controle que conseguiram reduzir em 31% a taxa de desmatamento na Amazônia [entre agosto de 2004 e agosto de 2005, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais]. "Na mata atlântica há a vantagem de se contar com órgãos estaduais de meio ambiente mais bem estruturados. Fazer a fiscalização aqui será menos difícil que na Amazônia, porque as distâncias são menores e há maior facilidade de acesso", afirmou.
O plano prevê monitoramento em tempo real do desmatamento na mata atlântica, com imagens de satélite fornecidas pelo Inpe, como acontece na Amazônia desde 2004. Outras linhas de atuação são: constituir uma rede de vigilância, com apoio de agentes ambientais voluntários; compartilhar informações entre órgãos do governo federal e dos governos estaduais (sobre processos de licenciamento ambiental, aprovação de planos de manejo, gerenciamento de unidades de conservação, reservas legais das propriedades rurais e áreas de proteção permanente); e promover a comunicação, educação e capacitação (por meio de campanhas de conscientização, viabilizadas com apoio do setor privado).
A coordenadora-geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Míriam Prochman, lembrou que parte do plano é fruto de um seminário realizado em Tamandaré (PE), com a presença do Ibama. "A maior fragilidade que vemos é o baixo poder dos agentes ambientais voluntários", avaliou a coordenadora da rede, que atualmente conta com cerca de 300 entidades participantes.
A mata atlântica é considerada pela Unesco (Organização das Naçõs Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) um patrimônio da humanidade. Está presente em todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e seus principais rios (Paraná, Tietê, São Francisco, Doce, Paraíba do Sul, Paranapanema e Ribeira do Iguape) abastecem os cerca de 120 milhões de habitantes da região mais populosa do país.
EcoDebate, www.ecodebate.com.br, 31/03/2006
Nota do EcoDebate
Concordamos com a ministra Marina Silva na necessidade da sociedade pressionar deputados e senadores pela aprovação do projeto de lei da Mata Atlântica.
Cabe, no entanto, a ressalva de que o governo também tem que fazer a sua parte através de seus líderes no Congresso. Afinal, o governo já demonstrou que sabe como aprovar o que quer e realmente precisa querer a aprovação deste projeto de lei.
E continuamos aguardando, pelo menos, a apresentação de um projeto de lei que regulamente o acesso aos recursos genéticos e conhecimento tradicional associado e à repartição dos benefícios provenientes desse uso.
Na COP-8, por exemplo, não podemos continuar a falar das obrigações da comunidade internacional, sem, ao menos, tentar fazer a nossa própria obrigação.
Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador do EcoDebate
março 30, 2006
Nova esperança de sucesso para a COP
Da Gazeta do Povo
As discussões na COP8 a respeito da criação do Regime Internacional de Acesso a Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios, que pareciam caminhar para o fracasso, nesta terça-feira ganharam uma nova esperança de avanço. O secretário-executivo da Convenção da Biodiversidade da ONU, o argelino Ahmed Djoghlaf, disse que já haveria consenso para que se estabeleça 2008, quando ocorre a COP9, como possível data de criação do regime, que criaria normas internacionais para que empresas estrangeiras desenvolvam produtos a partir da biodiversidade de outro país ou dos conhecimentos tradicionais de povos indígenas.
Segundo a assessoria do secretariado, a proposta surgiu nos grupos consultivos que tratam do tema e ela teria um forte indicativo de consenso. A proposição ainda sugere que se realizem duas reuniões intermediárias até a COP9 para se discutir a elaboração do texto de um projeto de resolução sobre o regime. Porém, ainda não há nenhuma decisão tomada e a proposição deve ser submetida à plenária da COP8 na sexta-feira.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, nesta terça-feira reconheceu que as negociações sobre o regime são complexas. Mas disse acreditar que haverá avanços nesta COP. “Queremos sair daqui [COP8] com um mandato claro para que o regime seja avaliado na COP9”, disse a ministra. Ela ainda afirmou que o Brasil ganhou dois aliados dentro da União Européia para mudar a posição do bloco: Portugal e Espanha, que estariam simpáticos à posição do Brasil. A União Européia, como bloco, até agora tem preferido manter cautela para iniciar as negociações – bem como outros países, tais como a Austrália.
Por Fernando Martins - Gazeta do Povo
As discussões na COP8 a respeito da criação do Regime Internacional de Acesso a Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios, que pareciam caminhar para o fracasso, nesta terça-feira ganharam uma nova esperança de avanço. O secretário-executivo da Convenção da Biodiversidade da ONU, o argelino Ahmed Djoghlaf, disse que já haveria consenso para que se estabeleça 2008, quando ocorre a COP9, como possível data de criação do regime, que criaria normas internacionais para que empresas estrangeiras desenvolvam produtos a partir da biodiversidade de outro país ou dos conhecimentos tradicionais de povos indígenas.
Segundo a assessoria do secretariado, a proposta surgiu nos grupos consultivos que tratam do tema e ela teria um forte indicativo de consenso. A proposição ainda sugere que se realizem duas reuniões intermediárias até a COP9 para se discutir a elaboração do texto de um projeto de resolução sobre o regime. Porém, ainda não há nenhuma decisão tomada e a proposição deve ser submetida à plenária da COP8 na sexta-feira.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, nesta terça-feira reconheceu que as negociações sobre o regime são complexas. Mas disse acreditar que haverá avanços nesta COP. “Queremos sair daqui [COP8] com um mandato claro para que o regime seja avaliado na COP9”, disse a ministra. Ela ainda afirmou que o Brasil ganhou dois aliados dentro da União Européia para mudar a posição do bloco: Portugal e Espanha, que estariam simpáticos à posição do Brasil. A União Européia, como bloco, até agora tem preferido manter cautela para iniciar as negociações – bem como outros países, tais como a Austrália.
Por Fernando Martins - Gazeta do Povo
Belo Monte: Greenpeace comemora liminar e Ibama prevê mudança na decisão
São Paulo, 29/03/2006 da Amazônia.org.br
ONG vê consagração de mandamentos da Constituição Federal; Ibama aponta gastos públicos desnecessários
A liminar concedida ontem para o pedido de uma Ação Civil Pública no Pará contra o processo de licenciamento ambiental da Usina de Belo Monte foi comemorada no meio ambientalista. "É uma vitória jurídica, no sentido de que corrige um erro constitucional do Decreto Legislativo que previa o início do licenciamento ambiental de Belo Monte", afirma Carlos Rittl, coordenador da campanha de clima do Greenpeace no Brasil.
De fato, Antonio Carlos Almeida Campelo, o juiz que concedeu a liminar em Altamira, entendeu que o Decreto passava por cima do artigo 231, § 6.º, da Constituição Federal, na medida em que não respeitou a previsão de consulta aos povos indígenas ao se tratar de um projeto a ser realizado em terras tradicionais.
Visto por alguns conservadores como mera norma programática, esse preceito na Constituição estaria sendo cumprido pela previsão de "estudos antropológicos" na análise do impacto ambiental, segundo o Decreto. "De estudo antropológico para consulta à população, há uma distância muito grande", afirma Rittl.
Para ele, essa grande diferença, da análise técnica para a consulta real, levaria a conclusões muito distintas quanto à vontade do povo local sobre a construção da Usina. "A consulta aos povos indígenas certamente levaria à desistência do projeto; eles não querem a construção, serão prejudicados com os impactos ambientais e não serão beneficiados com a energia gerada, que só deve favorecer as mineradoras na região", alega.
No Ibama, perplexidade
No Ibama, a notícia repercutiu de maneira diferente. "Ficamos perplexos", diz Luiz Felippe Kunz, Diretor de Licenciamento e Qualidade Ambiental do Instituto. Kunz afirma que ficou assustado ao saber que a Justiça suspendia as audiências públicas previstas para antes mesmo da consolidação do Termo de Referência que está em fase de preparação - uma consulta que nem é obrigatória, ressalta. "Se alguém tinha que ser citado como réu nesse processo, era o Congresso Nacional, não o Ibama, que apenas segue os procedimentos de licenciamento ambiental", defende.
O raciocínio de Kunz segue a linha de que não faz sentido suspender as consultas públicas previstas pelo Ibama se o propósito da liminar é justamente garantir a consulta às populações locais. Para Rittl, do Greenpeace, o pensamento alcança uma fase preliminar: se consultadas antes do Decreto que previa a autorização para o início dos levantamentos para a construção da Usina, nem mesmo o tal Decreto teria sido aprovado.
"Sabe-se desde os anos 80 que as populações indígenas são contra a usina. Em 89, a pressão era tanta que houve até o episódio da índia que colocou um facão na cabeça de um presidente da Eletronorte, dizendo que não queria a obra", lembra o coordenador. Ele explica que o que a população e os movimentos locais querem é o Xingu livre de qualquer barragem, mesmo que de impactos reduzidos ou com o "devido licenciamento". Isso porque são inevitáveis as conseqüências em pequena e larga escala da construção de uma barragem de dimensões comparáveis às de Tucuruí.
Estudos ambientais apontam que não só ocorreria o alagamento da cidade inteira de São Félix do Xingu, por exemplo, mas também que a pressão social decorrente do deslocamento da atividade pesqueira do rio Xingu poderia ocasionar novas relações conflituosas nas imediações do rio Tapajós ou do rio Amazonas. "Muito do agravamento da pressão social na Terra do Meio veio do deslocamento de barcos pesqueiros antes no rio Tocantins", exemplifica Rittl.
Decisão provisória?
Para Kunz, no entanto, a liminar, que foi uma "interferência indevida no processo legal", deve ser derrubada em breve por recurso. Ele aponta que o cancelamento das audiências públicas já marcadas e em fase de organização representa um desperdício de dinheiro público neste momento, dado que em breve o licenciamento deve ser retomado: "à medida que houver a mudança da decisão, retomaremos o licenciamento e as atividades de consulta à população local, não só indígena, como não-indígena", prevê.
No Greenpeace a expectativa é menos jurídica e mais esperançosa: "se a gente acredita na Justiça, não vê como mera norma programática a consulta à população indígena. O preceito constitucional é claro e ele deve ser cumprido", diz Rittl. A conclusão natural, para ele, é de que, com a consulta, haverá a desistência do projeto de Belo Monte.
ONG vê consagração de mandamentos da Constituição Federal; Ibama aponta gastos públicos desnecessários
A liminar concedida ontem para o pedido de uma Ação Civil Pública no Pará contra o processo de licenciamento ambiental da Usina de Belo Monte foi comemorada no meio ambientalista. "É uma vitória jurídica, no sentido de que corrige um erro constitucional do Decreto Legislativo que previa o início do licenciamento ambiental de Belo Monte", afirma Carlos Rittl, coordenador da campanha de clima do Greenpeace no Brasil.
De fato, Antonio Carlos Almeida Campelo, o juiz que concedeu a liminar em Altamira, entendeu que o Decreto passava por cima do artigo 231, § 6.º, da Constituição Federal, na medida em que não respeitou a previsão de consulta aos povos indígenas ao se tratar de um projeto a ser realizado em terras tradicionais.
Visto por alguns conservadores como mera norma programática, esse preceito na Constituição estaria sendo cumprido pela previsão de "estudos antropológicos" na análise do impacto ambiental, segundo o Decreto. "De estudo antropológico para consulta à população, há uma distância muito grande", afirma Rittl.
Para ele, essa grande diferença, da análise técnica para a consulta real, levaria a conclusões muito distintas quanto à vontade do povo local sobre a construção da Usina. "A consulta aos povos indígenas certamente levaria à desistência do projeto; eles não querem a construção, serão prejudicados com os impactos ambientais e não serão beneficiados com a energia gerada, que só deve favorecer as mineradoras na região", alega.
No Ibama, perplexidade
No Ibama, a notícia repercutiu de maneira diferente. "Ficamos perplexos", diz Luiz Felippe Kunz, Diretor de Licenciamento e Qualidade Ambiental do Instituto. Kunz afirma que ficou assustado ao saber que a Justiça suspendia as audiências públicas previstas para antes mesmo da consolidação do Termo de Referência que está em fase de preparação - uma consulta que nem é obrigatória, ressalta. "Se alguém tinha que ser citado como réu nesse processo, era o Congresso Nacional, não o Ibama, que apenas segue os procedimentos de licenciamento ambiental", defende.
O raciocínio de Kunz segue a linha de que não faz sentido suspender as consultas públicas previstas pelo Ibama se o propósito da liminar é justamente garantir a consulta às populações locais. Para Rittl, do Greenpeace, o pensamento alcança uma fase preliminar: se consultadas antes do Decreto que previa a autorização para o início dos levantamentos para a construção da Usina, nem mesmo o tal Decreto teria sido aprovado.
"Sabe-se desde os anos 80 que as populações indígenas são contra a usina. Em 89, a pressão era tanta que houve até o episódio da índia que colocou um facão na cabeça de um presidente da Eletronorte, dizendo que não queria a obra", lembra o coordenador. Ele explica que o que a população e os movimentos locais querem é o Xingu livre de qualquer barragem, mesmo que de impactos reduzidos ou com o "devido licenciamento". Isso porque são inevitáveis as conseqüências em pequena e larga escala da construção de uma barragem de dimensões comparáveis às de Tucuruí.
Estudos ambientais apontam que não só ocorreria o alagamento da cidade inteira de São Félix do Xingu, por exemplo, mas também que a pressão social decorrente do deslocamento da atividade pesqueira do rio Xingu poderia ocasionar novas relações conflituosas nas imediações do rio Tapajós ou do rio Amazonas. "Muito do agravamento da pressão social na Terra do Meio veio do deslocamento de barcos pesqueiros antes no rio Tocantins", exemplifica Rittl.
Decisão provisória?
Para Kunz, no entanto, a liminar, que foi uma "interferência indevida no processo legal", deve ser derrubada em breve por recurso. Ele aponta que o cancelamento das audiências públicas já marcadas e em fase de organização representa um desperdício de dinheiro público neste momento, dado que em breve o licenciamento deve ser retomado: "à medida que houver a mudança da decisão, retomaremos o licenciamento e as atividades de consulta à população local, não só indígena, como não-indígena", prevê.
No Greenpeace a expectativa é menos jurídica e mais esperançosa: "se a gente acredita na Justiça, não vê como mera norma programática a consulta à população indígena. O preceito constitucional é claro e ele deve ser cumprido", diz Rittl. A conclusão natural, para ele, é de que, com a consulta, haverá a desistência do projeto de Belo Monte.
Calote ecológico
Brasília, 29/03/2006 do Correio Braziliense
Empresário sueco compra parte da floresta para preservá-la e afirma que outros milionários estão interessados. Mas a titularidade da área, equivalente a 16 mil campos de futebol, pode ser irregular
A ambição de possuir uma floresta particular no coração da Amazônia brasileira levou o magnata sueco Johan Eliasch a negligenciar os riscos e fechar um amargo negócio de R$ 30 milhões, montante pago por 161 mil hectares de mata em Manicoré, ao norte do Rio Madeira. Uma área equivalente a 16 mil campos de futebol e cuja titularidade é investigada pela Superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no estado do Amazonas. Produtor de cinema, diretor-executivo da empresa britânica de artigos esportivos Head e ambientalista nas horas vagas, Eliasch disse ao Correio que desconhecia os problemas legais quando adquiriu a propriedade do grupo americano GMO Renewable Resources.
“Antes de concretizar o negócio, falei com o governo do Amazonas, com seu secretário do Meio Ambiente (Virgílio Viana) e o ex-senador (Gilberto Miranda) Batista. Todos foram muito solícitos”, conta. A reportagem apurou que o GMO era até poucos meses o controlador da Gethal Amazonas, então a maior madeireira em atividade na região, com 40,8 mil hectares de floresta de manejo. Mas Eliasch, que é vice-tesoureiro do Partido Conservador britânico e tem patrimônio estimado em R$ 1,3 bilhão, promete “não derrubar mais nenhuma árvore” e comprar novas áreas de floresta com o lucro da venda dos chamados créditos de carbono (leia o Para Saber Mais) ao Reino Unido — um dos maiores emissores de gases poluentes. A idéia, apelidada de “colonialismo verde”, vem conquistando adeptos.
“Muita gente me procurou, demonstrando interesse nesse tipo de projeto. Acho que é algo muito importante, porque se não fizermos nada teremos problemas no futuro”, afirma. O magnata, de 43 anos, calcula em US$ 50 bilhões o montante necessário para lotear o resto da Amazônia, e faz lobby junto a seguradoras para que o acompanhem, como disse ao diário britânico The Sunday Times. “Um furacão como o Katrina (que devastou o centro-sul dos EUA no ano passado) custaria às seguradoras uma quantia semelhante em indenizações”, explica. Além de fazer campanha para que conservacionistas recebam créditos pela preservação de árvores, Eliasch tem convidado cientistas estrangeiros para pesquisar a fauna e a flora local.
Limites
Para o diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo, a pretensão de Eliasch esbarra na Constituição. “É impossível comprar toda a Amazônia, pois só 25% são títulos privados. O resto está agora sob tutela da nova lei de gestão de florestas públicas”, sancionada no início do mês. Azevedo disse ao Correio que o magnata sueco não é o único estrangeiro a comprar gato por lebre. “Um grupo chinês comprou 700 mil hectares e depois descobriu que eram 300 mil. Só que metade dessa área era reserva indígena e boa parte dos títulos não era legal”, conta. Para ele, não há sentido em transformar “uma área florestal bem manejada em zona de proteção”.
Além disso, o Protocolo de Kyoto “não prevê um mecanismo de comércio de carbono com florestas naturais”, apenas para área de replantio. “Ele pode conseguir que lhe paguem para manter a floresta em pé, mas estará congelando uma área que poderia gerar benefícios para a comunidade local. Vender a intocabilidade não é a solução”, adverte.
Carlos Rittl, coordenador da campanha de clima do Greenpeace, apóia iniciativas individuais na conservação de florestas — onde há um déficit de recursos de US$ 25 bilhões por ano —, mas alerta para a segurança. “A compra não garante a preservação. Quem vai fiscalizar uma floresta de 160 mil hectares?”, questiona.
Democracia
A Gethal, uma das poucas madeireiras no Amazonas a ostentar o selo do FSC (Conselho de Manejo Florestal), sofreu com o arrocho aplicado pelo Ibama a partir de 2002, quando apenas empresas com títulos regulares passaram a ter seus planos de manejo aprovados. No final de 2005, anunciou a demissão de 400 funcionários e fechou as portas. Suas terras são alvo de três processos em análise no departamento jurídico do Incra/AM, sendo um deles de reconhecimento de título e outro de regularização fundiária.
O município de Manicoré, no sul do estado do Amazonas, onde Eliasch pagou pelo terreno, é considerado “sensível” pelo Incra. “Existem centenas de títulos expedidos de maneira ilegal e outros com área alterada indevidamente. Muita gente negocia de má-fé”, diz um funcionário do Incra que pediu anonimato. Ele ressalta que grileiros e fazendeiros tentam expulsar as comunidades locais para vender as terras, e lembra o assassinato do líder comunitário Gideão Rodrigues da Silva, no último dia 26 de fevereiro, no acampamento Nova Esperança, em Lábria — região vizinha a Manicoré. “Na propriedade da Gethal vive a comunidade Democracia, que ganha dinheiro com a extração da castanha-do-Pará. O sueco vai expulsá-los de lá?”.
Magnata diz que não é colonizador
Johan Eliasch se considera um homem de sorte por ser dono de uma parte considerável da Amazônia, mas não quer ser comparado aos “colonizadores verdes” — milionários que exploram grandes florestas em países subdesenvolvidos. “Sou exatamente o oposto. Não estou aqui para explorar a floresta, mas para preservá-la”, explicou ao Correio por telefone. De passagem por São Paulo, onde tem uma distribuidora de filmes, ele contou ter recebido telefonemas de outros milionários interessados em “conquistar” o paraíso amazônico.
Como proprietário de uma floresta de 160 mil hectares na Amazônia, quais são seus planos?
A idéia é preservar a floresta, não cortar nenhuma árvore. Não concordo com a classificação de “colonialista verde”, como o jornal Sunday Times publicou. Estou fazendo o contrário do colonialismo. Comprei essa área para preservar, não para explorar a floresta e as pessoas. Sou o oposto do colonizador e minha filosofia é simples: se não fizermos algo agora, teremos de pagar um alto preço depois. A questão climática é um problema urgente.
Quanto o senhor pagou pela área?
Comprei a propriedade de um investidor particular que a tinha adquirido de uma madereira, mas parece que deixou de cumprir os acordos que deveria… Não gostaria de falar do preço. Mas posso dizer que depois da notícia do Sunday Times muita gente me procurou, demonstrando interesse nesse tipo de projeto.
Para os brasileiros, a Amazônia é uma riqueza nacional sem preço, e a titularidade dessas terras está sendo questionada na Justiça…
Antes de concretizar o negócio tive garantias. Falei com o governo do Amazonas, com seu secretário do Meio Ambiente (Virgílio Viana) e o ex-senador (Gilberto Miranda) Batista. Sobre a proteção do meio ambiente, está claro que nada foi feito até agora. A preservação de florestas maduras, como a Amazônia, é essencial para impedir o aquecimento global. Florestas maduras retêm mais o gás carbônico e são potenciais geradoras de créditos de carbono, como prevê o Protocolo de Kyoto. Não cabe a mim dizer o que o governo do Brasil deve fazer, mas ele poderia usar esses créditos para abater sua dívida externa.
O senhor espera ter lucro com a venda desses créditos?
Sim. E espero poder comprar novas áreas da floresta. Pelos meus cálculos, seriam necessários US$ 50 bilhões para a totalidade da Amazônia. Além disso, conversei com um executivo de uma das maiores seguradoras do mundo e ele me contou que o setor perde cerca de US$ 150 bilhões por ano com os furacões. Há uma relação direta entre corte de árvores e aquecimento global. Se seguradoras comprassem pedaços da Amazônia, o retorno seria rápido pelo impacto que isso teria na incidência de furacões, como o Katrina.
Por Claudio Dantas Sequeira
Empresário sueco compra parte da floresta para preservá-la e afirma que outros milionários estão interessados. Mas a titularidade da área, equivalente a 16 mil campos de futebol, pode ser irregular
A ambição de possuir uma floresta particular no coração da Amazônia brasileira levou o magnata sueco Johan Eliasch a negligenciar os riscos e fechar um amargo negócio de R$ 30 milhões, montante pago por 161 mil hectares de mata em Manicoré, ao norte do Rio Madeira. Uma área equivalente a 16 mil campos de futebol e cuja titularidade é investigada pela Superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no estado do Amazonas. Produtor de cinema, diretor-executivo da empresa britânica de artigos esportivos Head e ambientalista nas horas vagas, Eliasch disse ao Correio que desconhecia os problemas legais quando adquiriu a propriedade do grupo americano GMO Renewable Resources.
“Antes de concretizar o negócio, falei com o governo do Amazonas, com seu secretário do Meio Ambiente (Virgílio Viana) e o ex-senador (Gilberto Miranda) Batista. Todos foram muito solícitos”, conta. A reportagem apurou que o GMO era até poucos meses o controlador da Gethal Amazonas, então a maior madeireira em atividade na região, com 40,8 mil hectares de floresta de manejo. Mas Eliasch, que é vice-tesoureiro do Partido Conservador britânico e tem patrimônio estimado em R$ 1,3 bilhão, promete “não derrubar mais nenhuma árvore” e comprar novas áreas de floresta com o lucro da venda dos chamados créditos de carbono (leia o Para Saber Mais) ao Reino Unido — um dos maiores emissores de gases poluentes. A idéia, apelidada de “colonialismo verde”, vem conquistando adeptos.
“Muita gente me procurou, demonstrando interesse nesse tipo de projeto. Acho que é algo muito importante, porque se não fizermos nada teremos problemas no futuro”, afirma. O magnata, de 43 anos, calcula em US$ 50 bilhões o montante necessário para lotear o resto da Amazônia, e faz lobby junto a seguradoras para que o acompanhem, como disse ao diário britânico The Sunday Times. “Um furacão como o Katrina (que devastou o centro-sul dos EUA no ano passado) custaria às seguradoras uma quantia semelhante em indenizações”, explica. Além de fazer campanha para que conservacionistas recebam créditos pela preservação de árvores, Eliasch tem convidado cientistas estrangeiros para pesquisar a fauna e a flora local.
Limites
Para o diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo, a pretensão de Eliasch esbarra na Constituição. “É impossível comprar toda a Amazônia, pois só 25% são títulos privados. O resto está agora sob tutela da nova lei de gestão de florestas públicas”, sancionada no início do mês. Azevedo disse ao Correio que o magnata sueco não é o único estrangeiro a comprar gato por lebre. “Um grupo chinês comprou 700 mil hectares e depois descobriu que eram 300 mil. Só que metade dessa área era reserva indígena e boa parte dos títulos não era legal”, conta. Para ele, não há sentido em transformar “uma área florestal bem manejada em zona de proteção”.
Além disso, o Protocolo de Kyoto “não prevê um mecanismo de comércio de carbono com florestas naturais”, apenas para área de replantio. “Ele pode conseguir que lhe paguem para manter a floresta em pé, mas estará congelando uma área que poderia gerar benefícios para a comunidade local. Vender a intocabilidade não é a solução”, adverte.
Carlos Rittl, coordenador da campanha de clima do Greenpeace, apóia iniciativas individuais na conservação de florestas — onde há um déficit de recursos de US$ 25 bilhões por ano —, mas alerta para a segurança. “A compra não garante a preservação. Quem vai fiscalizar uma floresta de 160 mil hectares?”, questiona.
Democracia
A Gethal, uma das poucas madeireiras no Amazonas a ostentar o selo do FSC (Conselho de Manejo Florestal), sofreu com o arrocho aplicado pelo Ibama a partir de 2002, quando apenas empresas com títulos regulares passaram a ter seus planos de manejo aprovados. No final de 2005, anunciou a demissão de 400 funcionários e fechou as portas. Suas terras são alvo de três processos em análise no departamento jurídico do Incra/AM, sendo um deles de reconhecimento de título e outro de regularização fundiária.
O município de Manicoré, no sul do estado do Amazonas, onde Eliasch pagou pelo terreno, é considerado “sensível” pelo Incra. “Existem centenas de títulos expedidos de maneira ilegal e outros com área alterada indevidamente. Muita gente negocia de má-fé”, diz um funcionário do Incra que pediu anonimato. Ele ressalta que grileiros e fazendeiros tentam expulsar as comunidades locais para vender as terras, e lembra o assassinato do líder comunitário Gideão Rodrigues da Silva, no último dia 26 de fevereiro, no acampamento Nova Esperança, em Lábria — região vizinha a Manicoré. “Na propriedade da Gethal vive a comunidade Democracia, que ganha dinheiro com a extração da castanha-do-Pará. O sueco vai expulsá-los de lá?”.
Magnata diz que não é colonizador
Johan Eliasch se considera um homem de sorte por ser dono de uma parte considerável da Amazônia, mas não quer ser comparado aos “colonizadores verdes” — milionários que exploram grandes florestas em países subdesenvolvidos. “Sou exatamente o oposto. Não estou aqui para explorar a floresta, mas para preservá-la”, explicou ao Correio por telefone. De passagem por São Paulo, onde tem uma distribuidora de filmes, ele contou ter recebido telefonemas de outros milionários interessados em “conquistar” o paraíso amazônico.
Como proprietário de uma floresta de 160 mil hectares na Amazônia, quais são seus planos?
A idéia é preservar a floresta, não cortar nenhuma árvore. Não concordo com a classificação de “colonialista verde”, como o jornal Sunday Times publicou. Estou fazendo o contrário do colonialismo. Comprei essa área para preservar, não para explorar a floresta e as pessoas. Sou o oposto do colonizador e minha filosofia é simples: se não fizermos algo agora, teremos de pagar um alto preço depois. A questão climática é um problema urgente.
Quanto o senhor pagou pela área?
Comprei a propriedade de um investidor particular que a tinha adquirido de uma madereira, mas parece que deixou de cumprir os acordos que deveria… Não gostaria de falar do preço. Mas posso dizer que depois da notícia do Sunday Times muita gente me procurou, demonstrando interesse nesse tipo de projeto.
Para os brasileiros, a Amazônia é uma riqueza nacional sem preço, e a titularidade dessas terras está sendo questionada na Justiça…
Antes de concretizar o negócio tive garantias. Falei com o governo do Amazonas, com seu secretário do Meio Ambiente (Virgílio Viana) e o ex-senador (Gilberto Miranda) Batista. Sobre a proteção do meio ambiente, está claro que nada foi feito até agora. A preservação de florestas maduras, como a Amazônia, é essencial para impedir o aquecimento global. Florestas maduras retêm mais o gás carbônico e são potenciais geradoras de créditos de carbono, como prevê o Protocolo de Kyoto. Não cabe a mim dizer o que o governo do Brasil deve fazer, mas ele poderia usar esses créditos para abater sua dívida externa.
O senhor espera ter lucro com a venda desses créditos?
Sim. E espero poder comprar novas áreas da floresta. Pelos meus cálculos, seriam necessários US$ 50 bilhões para a totalidade da Amazônia. Além disso, conversei com um executivo de uma das maiores seguradoras do mundo e ele me contou que o setor perde cerca de US$ 150 bilhões por ano com os furacões. Há uma relação direta entre corte de árvores e aquecimento global. Se seguradoras comprassem pedaços da Amazônia, o retorno seria rápido pelo impacto que isso teria na incidência de furacões, como o Katrina.
Por Claudio Dantas Sequeira
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