janeiro 18, 2006

Agrotóxicos são vendidos sem controle no Brasil

No Brasil, um dos cinco maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, falta uma política de controle dessas substâncias químicas que podem causar danos à saúde de agricultores, que lidam diretamente com os defensivos, e da população, que corre o risco de consumir alimentos com resíduos acima do que é permitido pela legislação.

“Não temos nenhum sistema oficial de informações sobre a venda de agrotóxicos no país, nem por tipo químico nem por quantidade vendida. A única informação disponível é a do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para a Defesa Agrícola (SINDAG), que não inclui todos os fabricantes nem informa dados sobre as quantidades vendidas por tipos químicos”, afirma Neice Faria, médica do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Para a pesquisadora, outro problema são os produtos ilegais. “Informalmente, ouvimos de vários trabalhadores rurais relato de uso de produtos proibidos, como o arsênico ou os organoclorados, que entram no país por contrabando”, relata. Faria realizou uma pesquisa com agricultores da Serra Gaúcha e verificou a relação entre a exposição ocupacional a essas substâncias químicas com o aumento de sintomas respiratórios. Neste trabalho, ela detectou que 95% dos estabelecimentos rurais pesquisados utilizaram algum tipo de agrotóxico na produção agrícola e 12% dos trabalhadores apresentavam sintomas de asma. O artigo sobre esta pesquisa foi publicado na Revista de Saúde Pública de dezembro de 2005.

Segundo Eloísa Caldas, coordenadora do Laboratório de Toxicologia da Universidade de Brasília (UnB), “a grande extensão territorial, a assistência técnica deficiente no campo e o baixo nível do agricultor brasileiro limitam a fiscalização e a aplicação da legislação.” De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os agrotóxicos causam, todos os anos, 20 mil mortes em todo mundo. “O trabalhador rural que aplica o produto em excesso e/ou sem a proteção adequada pode se intoxicar agudamente, desenvolvendo principalmente problemas neurológicos (que podem levar ao óbito) ou doenças crônicas como o câncer. O consumo de alimentos altamente contaminados pode causar intoxicação aguda e desenvolvimento de doenças crônicas”, alerta Caldas.

Meio Ambiente
Para prevenir os danos ao meio ambiente causados por agrotóxicos, pesquisadores desenvolveram uma metodologia que avalia os impactos causados no solo e águas subterrâneas pelo uso dessas substâncias. O trabalho foi realizado pelo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). A equipe do CDTN elaborou um banco de dados a partir de informações sobre o solo, as culturas e os tipos de agrotóxicos utilizados, mapeados individualmente e sobrepostos com a ajuda de um software.

As informações obtidas podem ser aplicadas a qualquer tipo de lavoura, antecipando um possível risco de contaminação. A área estudada foi a microbacia do Córrego de Lamas, afluente do rio Manso, localizada a 80 km ao sul de Belo Horizonte. “Os objetivos da pesquisa foram a caracterização das práticas agrícolas e a determinação da vulnerabilidade natural e específica do aqüífero ao uso de agrotóxicos nesta microbacia, região escolhida devido à utilização intensiva de agrotóxicos”, conta Peter Fleming, um dos coordenadores da pesquisa. Um levantamento do IBGE realizado no ano passado mostrou que os defensivos agrícolas são a segunda causa de contaminação de água no Brasil.

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Novas descobertas sobre fotossíntese podem mudar o ensino do processo

O capítulo dedicado à fotossíntese nos livros de biologia pode estar prestes a ser reescrito devido às novas descobertas sobre o processo alcançadas em 2005. David Kramer, da Universidade Estadual de Washington, e seu grupo de pesquisadores do Instituto de Química Biológica desvendaram o mecanismo de ajuste das plantas para a absorção de luz de acordo com suas necessidades metabólicas. Já Michael Haumann e Holger Dau, da Universidade Livre de Berlim, confirmaram a existência de um quinto passo no processo, que consiste na conversão de água em oxigênio.

Os resultados das duas pesquisas fornecem novas pistas para desvendar a forma com a qual as plantas absorvem quase 100% da luz solar que as alcança, e de como essa luz é transformada em outras formas de energia...“É através da fotossíntese que há a conversão da radiação (uma forma não utilizável de energia por organismos incapazes de produzir o próprio alimento) para formas de energias que podem ser utilizadas pela maioria dos seres vivos”, explica.

O grupo de pesquisadores de Washington demonstrou que as plantas ajustam sua absorção de luz em função de suas necessidades metabólicas, pelo controle do nível de prótons em câmaras fechadas (tilacóides) nos cloroplastos, que são as organelas ricas em clorofila, presentes nas células de algas e plantas. Dessa forma, eles desvendaram como as plantas regulam suas taxas de fotossíntese. Em entrevista à revista suíça Checkbiotech, Kramer disse que a descoberta foi possível porque seu laboratório voltou a atenção para o que acontece com os prótons dentro dos cloroplastos em folhas vivas intactas, ao contrário do que tradicionalmente focavam os fisiologistas: o papel dos elétrons na fotossíntese.

(...)Oliveira diz que desvendar o processo da fotossíntese é uma das esperanças para um melhor uso da energia solar na produção de energia. “A fotossíntese é um processo extremamente eficiente quanto ao uso da energia solar e pode servir como modelo para o desenvolvimento de formas mais eficientes de captação e conversão de energia solar em outras formas de energia utilizáveis pelos humanos”, avalia.

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Aquecimento já seria irreversível, diz Lovelock

17/01/2006

As mudanças climáticas já alcançaram um ponto irreversível ao qual a nossa civilização dificilmente sobreviverá. A previsão é do cientista James Lovelock, guru do movimento verde e autor da teoria de Gaia, segundo a qual a Terra é um organismo vivo, capaz de se regular automaticamente para garantir as condições de vida no planeta.

Numa nova hipótese, profundamente pessimista, Lovelock afirma que os esforços para conter o aquecimento global não serão eficazes e que, além disso, já é muito tarde para reverter as mudanças. Para o cientista, o mundo e a Humanidade estão diante de um desastre de proporções muito maiores do que as imaginadas, que acontecerá em bem menos tempo do que o previsto.

“Antes do fim do século, bilhões de pessoas morrerão e os seres humanos que sobrarem estarão no Ártico, onde o clima permanecerá tolerável”, escreveu Lovelock em artigo publicado no jornal britânico “Independent”.

Ao fazer tal análise, de longe a mais sombria já elaborada por um cientista de renome internacional, Lovelock admite estar assumindo uma posição arriscada. Mas, como o primeiro homem a conceber uma nova e integrada forma de olhar para o planeta desde Charles Darwin e, com base em suas próprias teorias, ele acredita que não lhe resta mais outra escolha.

Segundo ele, é justamente o mecanismo de auto-regulação de Gaia - cada dia mais aceito pela comunidade científica - que potencializará os efeitos do aquecimento.

Isso porque, para responder ao aquecimento, os diversos mecanismos terrestres vêm atuando para manter a Terra muito mais fria do que ela realmente é. Agora, no entanto, se reuniriam para amplificar o aquecimento que vem sendo causado pelas atividades humanas e suas volumosas emissões de CO2. E, segundo o cientista, isso tenderia a ocorrer de forma acelerada e incontrolável. Lovelock chamou o fenômeno de “A vingança de Gaia”, título de seu novo livro a ser lançado no mês que vem.

Segundo suas contas, as temperaturas na Europa, por exemplo, devem subir até oito graus Celsius. Ao longo dos próximos anos, a agricultura se tornará inviável e o aumento do nível do mar produzirá milhões de refugiados. “Acho que temos poucas opções além de nos prepararmos para o pior”, sustenta, no livro.

Por isso, afirma, os governos deveriam começar a se preparar para sobreviver ao inevitável, poupando energia, fazendo reservas de alimentos e elaborando estratégias contra a elevação do nível do mar. Sua visão de um mundo atingido pelo aquecimento é das mais assustadoras: “Uma multidão sem rumo”.

Em seu novo livro, Lovelock chega a sugerir a elaboração de um “guia para os sobreviventes do aquecimento global”, que reuniria o conhecimento científico básico acumulado pela Humanidade. (O Globo/ CarbonoBrasil)

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Crise polinizadora

Agência FAPESP — Pássaros, abelhas e demais insetos polinizadores estão fazendo menos o seu trabalho de contribuir para a reprodução das espécies florísticas. Isso, claro, por sofrerem pressão ambiental em praticamente todo o mundo.

Estudo publicado nesta terça-feira (17/1), pela revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que existe um déficit de polinização nas grandes florestas do planeta. A análise, que deixou de fora apenas a Antártica, mostra problemas em florestas com grande biodiversidade, com as da América do Sul, do sudeste da Ásia e da África.

Para chegar aos resultados, os cientistas, de universidades da Austrália, do Canadá e dos Estados Unidos, fizeram uma análise cruzada de 482 trabalhos de campo. No total, foram compiladas pesquisas realizadas com 241 espécies que produzem flores na natureza.

O grande indicador detectado pela pesquisa foi a diminuição na quantidade da produção de frutos por parte das plantas que não receberam a polinização. Os autores agora tentam descobrir se esse é um processo mais recente ou se começou há pelo menos duas décadas.

Para testar a hipótese da diminuição do processo de polinização, os pesquisadores fizeram o cruzamento manual de algumas das espécies estudadas. Todas elas produziram os frutos de forma normal. A preocupação é grande, dizem os autores do estudo. Como, além desse problema, as florestas sofrem cada vez mais com processos de desmatamento, a tendência para que extinções em massa ocorram se torna maior.

O artigo Pollination decays in biodiversity hotspots, de Jana C. Vamosi, Tiffany M. Knight, Janette A. Steets, Susan J. Mazer, Martin Burd e Tia-Lynn Ashman, pode ser lido no site da PNAS, em www.pnas.org.

Em: http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=4939

janeiro 17, 2006

A busca do equilíbrio socioeconômico da Amazônia

Por Marcello Brito

A agenda do milênio e as declarações de Johannesburgo colocaram a erradicação da pobreza no centro das estratégias globais para o desenvolvimento sustentável. Olhando para a Amazônia brasileira, torna-se eminente entendermos o impacto das operações empresariais e sociais na floresta e na vida de seus moradores.

Em primeiro lugar, temos que reconhecer que nenhuma solução para a Amazônia surgirá sem a somatória de esforços de governos, ONG’s, iniciativa privada e sociedade civil. Mas, governo após governo demonstra não entender a importância dessa região e a trata sempre com total descaso.

Um exemplo é a MP 2166, que restringe a exploração econômica na Amazônia a 20% da área total. Trata-se de um artifício jurídico-estratégico criado durante o governo FHC e perpetuado pelo governo Lula sem sequer ser discutido, que tem impacto sobre o destino de quase 50% do território brasileiro e permanece em repouso eterno no congresso nacional desde 1999.

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Vendendo a Amazônia por um punhado de grãos

Reportagem exclusiva da www.AlterNet.org revela documentos secretos que implicam o exército equatoriano e grandes companhias de petróleo atuando juntos na crescente indústria de extração de petróleo na Amazônia Equatoriana.

Veja também a crescente insatisfação das tribos indígenas locais com relação à indústria mais poderosa do planeta que através de contratos obscuros, assinados até por impressões digitais, negam o acesso de tais tribos aos locais que perteceram a seus ancestrais. Em muitos casos os acordos foram feitos entre os próprios militares e as empresas, acarretando assim a militarização das selvas em benefício das companhias de petróleo.

Infelizmente a matéria está em inglês...
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Mulher ecologista de cepa montanhosa

Por Diego Cevallos*

A premiada camponesa mexicana Celsa Valdovinos assegurou ao Terramérica que continuará defendendo as florestas do Estado de Guerrero, apesar de sua vida estar em jogo.

TLAPA, GUERRERO, México.- A camponesa mexicana Celsa Valdovinos, ganhadora do prêmio Chico Mendes 2005, se fez líder ecologista na pobreza, no analfabetismo e na violência de sua região natal. Pelas mãos de Valdovinos, algumas comunidades rurais do empobrecido Estado de Guerrero recuperaram florestas, conseguiram água e desenvolveram hortas familiares, avanços pagos com assédio militar, deslocamento forçado, ameaças e prisão de seu marido, também dirigente ecologista.

A calma e a doçura com que fala Valdovinos, que nunca foi à escola, não parecem corresponder à imagem de uma forte dirigente. E embora não se considere uma personagem importante, entidades ambientalistas e humanitárias a reconhecem como poderoso motor da recuperação das florestas, do cuidado com a água e da organização das camponesas, comumente marginalizadas por seus maridos. “Sabemos que não devemos nada a ninguém, que não temos motivo para fugir, mas ainda há quem (cortadores de árvores) fale coisas graves da gente”, disse Valdovinos ao Terramérica, entrevistada na cidade de Tlapa (Guerrero), aonde foi para uma reunião com camponeses.

“Fico triste pelo fato de eu e meu marido continuarmos correndo perigo. Podem nos matar”, disse. Aos 49 anos, mais de 20 dedicados ao meio ambiente, Valdovinos preside a Organização de Mulheres Ecologistas da Serra de Petatlán, uma região montanhosa de Guerrero, onde seu marido, Felipe Arreaga, e outros camponeses foram presos e perseguidos por resistirem à destruição das florestas. Nestas serras, mais de cinco em cada dez crianças sofrem desnutrição severa e o analfabetismo chega a 75% da população. Em 1998, Arreaga comandou ali mobilizações para deter o corte indiscriminado de madeira.

* O autor é correspondente da IPS

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Está em regime climático de formação do 2o deserto no Sul do Brasil

Você Governador, você Prefeito, você vereador, você deputado estadual, você deputado federal, você Senador, que recursos vocês utilizariam para atender aos impactos sócio-econômicos causados por uma pandemia, por um novo Catarina, ou por um inusitado período de 24 meses de secas com gigantescos incêndios florestais?

Nenhum desses senhores saberá dar essas respostas. Nunca se preocuparam com tais mudanças do clima em andamento.

Por Gert Roland Fischer(*)

Extensas áreas da planície gaúcha há décadas, vem-se transformando em dunas e áreas sem vegetação. Essa desertificação causada pelo mau uso do solo vem tendo a atenção dos técnicos do Rio Grande do Sul para tentar reverter o quadro, reduzir o crescimento e até planejar a sua recuperação.

A mais recente novidade que chama a atenção das autoridades não só do RS, mas também de SC, Paraná e Sul do MS, são os períodos de estiagem que a região Oeste desses estados, está sendo submetida nos últimos 5 anos, registrando-se períodos que vão até de 6 meses sem a ocorrência de chuvas regulares.

Os danos causados ao agronegócio, ao comércio, aos cofres desses Estados, esta se repetindo, fazendo com que essas regiões não mais ofereçam sustentabilidade econômica, social e ambiental para os seus moradores, empreendedores e proprietários rurais.

Começou a debandada para as cidades. A venda de propriedades rurais anda quente. O fechamento de agroindústrias, a diminuição da oferta de emprego, o desemprego que já assusta, a redução drástica dos negócios em todos os níveis e áreas e a redução de pagamento de impostos, são as primeiras conseqüências da falta de chuvas.

As estatísticas disponíveis dos prejuízos, são meras especulações. Estado Brasileiro não tem competência suficiente para avaliar - a curtíssimos prazos - as perdas sofridas pelas mudanças do clima. Assim fica impossibilitado para planejar e promover – rapidamente – ações emergenciais e de socorro aos flagelados ambientais.

Fazendo uso da bola-de-cristal, aliado às informações pouco confiáveis apresentadas pela imprensa regional na abordagem diária que faz do gravíssimo problema da escassez da água, pode-se arriscar em apresentar alguns números e dos prejuízos que certamente ultrapassarão bilhões de reais que não estão mais circulando nessas regiões castigadas.

Açudes secos, racionamento de água na zona rural e em cidades de significativo porte, rios que desaparecem expondo os leitos secos, comercio fechando, numero de falências em ascensão, aumento assustador de inadimplência bancária, venda de propriedades rurais sem cotação, tratores, equipamentos do agronegócio, abandono de propriedades rurais, suicídios, aumento de doenças nervosas, desespero e desesperança, são alguns dos sintomas gravíssimos que estão sendo mostrados nos últimos 3 anos com grande nitidez.

As autoridades dos Estados envolvidos devem se reunir, abandonando totalmente os mecanismos viciados de fazer negócios com o ainda restante dinheiro publico, e montar o quebra-cabeça da região da seca, buscando encontrar mecanismos que possam minimizar prejuízos, socorrer a população, e criar alternativas para o novo padrão de clima que esta se implantando em decorrência das mudanças climáticas ao qual o Planeta Terra está sendo submetido pela insanidade do ser humano.

As fotos estampadas nos periódicos estaduais e regionais não mentem. O que os olhos vêem o coração realmente sente mais. Acabaram-se os tempos de fartura. Nessas regiões castigadas e que não souberam respeitar os recursos naturais – Rios, Encostas, mananciais, cursos de água doce, e principalmente as florestas nativas que abasteciam as nuvens, renovavam pontualmente as chuvas, captavam as águas da chuva e mantinha tudo funcionando com um povo feliz a primavera risonha – infelizmente acabou.

O que fazer?
Existem sim, tecnologias a disposição que permitem aos Governos, aos proprietários rurais, aos empreendedores, as associações de classe, aos legislativos municipais, aos legislativos estaduais, procedimentos viáveis que minimizarão e modificarão o cenário de uso do solo nessas regiões fustigadas pela falta de água e de extremo calor.

Que soluções milagrosas seriam essas?
Se analisarmos a resistência à falta de água do milho, soja, trigo, centeio, alfafa, pastagens, entre outras culturas de ciclo curto, veremos que os vegetais de ciclo mais longo como o são as fruteiras de clima temperado e quente, as arvores nativas e as arvores exóticas, que não há outra escolha a fazer. Soluções que se adotadas imediatamente, salvarão a propriedade rural, diminuirá a tensão nervosa do povo e mostrará esperanças duma exploração florestal compensadora de médio e longo prazos. Nada que o financiamento racional e ético não solucione.

Mas esse sistema de reposição florestal em região que está se transformando em deserto, tem seus limites e características próprias. Exigirá um manejo diferenciado. Tais atitudes exigirão das autoridades quer publicas como do empresariado, que se portou até agora como um simples explorador dos recursos naturais, uma visão racional mais comedida e mais paciente.

Com a natureza ferida, as coisas caminham de forma mais lenta, a recuperação é demorada e dependendo da gravidade com que já se implantou a desertificação, talvez nem a silvicultura tenha ainda condições de ser implantada.

Temos informado aos nossos leitores, principalmente os profissionais ligados ao agronegócio dos estados do Sul e ligados ao sistema CREA-CONFEA, que - ao implantar um sistema florestal em região de pré-deserto, cuidados especiais devem ser tomados, principalmente quando a questão trata dos incêndios florestais. Quando as temperaturas ultrapassam os 30 graus centígrados, as águas evaporam com muito mais rapidez, secando açudes e rios caudalosos, até. Nesse cenário perigoso as chamas se manifestam espontaneamente nos reflorestamentos.

O suprimento de água para atender aos viveiros florestais, é de primordial importância. Cisternas deverão garantir essa água nos períodos longos de estiagem. As florestas deverão ter a proteção de equipes de combate aos incêndios. Os equipamentos usados nas regiões em regime de deserto, deverão contar obrigatoriamente com aviões tanques de combate às chamas. Para abastecer essas aeronaves ainda não disponíveis no Brasil, não só campos de pouso deverão ser previstos e construídos, como açudes de grande porte deverão estar a disposição para o abastecimento dos tanques feito em pleno vôo feito sobre esses reservatórios a céu aberto.

Os Estados atingidos - pelo 5º ano consecutivo, com as estiagens nas regiões Oeste respectivamente, não desenvolveram ainda legislação competente. Também não dispõe de fundos especiais de grande monta. Não tem equipes técnicas preparadas. Sequer elaboraram políticas publicas para regimes de guerra.

Infelizmente, ainda não se defrontaram com o pior. Uma exceção deverá ser creditada ao Governo de Esperidião Amim, que nos anos de 1963 e 1964, se defrontou com as catastróficas enchentes em SC. A maioria das autoridades vive no limbo e na plena ignorância dos fatos que poderão ser desencadeados em regimes de surpresa e bola da vez. Não fazem esses senhores da política de paises de 3ª categoria, a mínima idéia – (e ainda livres de catástrofes em seus estados), o que são os incêndios florestais que ocorreram recentemente na Califórnia, na Espanha, em Portugal, na Austrália, na China, etc., onde - também – as condições e os regimes climáticos estão sendo modificados pelo aquecimento global, mudando a disponibilidade de água nos ecossistemas.

Recomenda-se – urgentemente - nos estados envolvidos e nos demais, onde também o clima esta se ajustando globalmente à destruição causada pelo ser humano, que criem – imediatamente - grupos de trabalho que venha oferecer:

- a minimização do sofrimento de grandes contingentes populacionais,

- que planejem onde alojar os flagelados dos furacões, das enchentes, das trombas d’água, dos granizos descomunais, dos fortes ventos programados, dos “Catarinas”, dos incêndios e da calamidade publica pela falta total de água.

Esta tudo por fazer. Nós gaúchos, catarinenses, paranaenses e mato-grossenses do sul, passageiros dessa embarcação que navega em atmosfera turbulenta, sabemos que:

1. os mais pobres morrerão primeiro,

2. os mais pobres morrerão por falta de assistência,

3. os mais pobres morrerão de doenças climáticas que estão chegando,

4. passaremos a utilizar cada vez mais vernáculos que estavam esquecidos, como é o caso das pandemias.


Cabe ao sistema CREA-CONFEA abrir a discussão desses temas que envolvem obrigatoriamente todos os profissionais da engenharia, arquitetura e agronomia.

(*) – engenheiro agrônomo, estudioso do clima, Laureado pela ONU com o premio Global 500, Premio Von Martius e auditor ambiental.

Pela via láctea

16/01/2006

"...símbolo da maternidade perpetuado nas telas renascentistas de Madonnas com seus bambini, não reduziu sua motivação em investigar os benefícios do aleitamento materno para os recém-nascidos. Também não abrandou a busca de formas de aumentar a proporção bastante baixa – apenas 14% – de brasileiras que oferecem a seus filhos apenas o leite materno durante os primeiros 6 meses de vida, como orienta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Após quase três décadas de procura, Sonia chegou a uma fórmula simples e barata de estimular o aleitamento: a orientação de agentes comunitários da saúde em visitas domiciliares às mães de recém-nascidos...

O programa da UFPE foi implantado experimentalmente durante dois anos em quatro municípios (Palmares, Joaquim Nabuco, Catende e Água Preta) da Zona da Mata, no interior de Pernambuco, uma das mais pobres regiões do país. Ali, de cada grupo de mil crianças, 77 morrem antes de completar 5 anos de vida. O programa revelou-se um sucesso: elevou de 13% para 45% a proporção de mulheres que alimentam os filhos exclusivamente no peito até o sexto mês de vida, segundo artigo publicado recentemente na revista Lancet.

A divulgação desses resultados representa mais que o reconhecimento internacional ao programa: é a consagração do modelo de combate à desnutrição infantil que a Pastoral da Criança desenvolve no país há quase 20 anos. Nos 3.921 municípios brasileiros em que atua, em média, 76% das mães amamentam seus filhos exclusivamente no peito até o quarto mês de vida, índice muito superior à média do país."

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janeiro 16, 2006

Las enseñanzas de Don Sebastião (Pinheiro)

Por Fernando Glenza
Estas son las enseñanzas actuales de un trashumante brasileño que nos visitó para descorrer el velo que cubre nuestras mentes en una época en donde hemos extraviado el rumbo para timonear nuestra propia existencia. Ciudadanos a la deriva a merced de las fuerzas del capitalismo financiero(...)

¿Cuál es nuestra dieta?, que nunca comimos soja. Hoy pasamos a comerla. Este es el sencillo ejemplo de una leche materna que fue cambiada, de una agricultura que fue cambiada y de una soja que se transformó, entonces, en un producto de mercado. ¿Qué cambia?: cambia la ciudadanía por el consumo, pierdo mi ciudadanía y paso a ser objeto del mercado para consumir. Fue eso lo que ocurrió con mi tía cuando dijeron que tenía que cambiar la sagrada leche de su pecho por una lata de leche en polvo (...)

Yo creo que nuestra soberanía sanitaria, nuestra soberanía alimentaria, la leche materna, nuestra soberanía intelectual, tiene que continuar siendo como aquel negro que no va a recibir eucaliptos en su tierra y dice: “yo quiero la mata igualita como ustedes la recibieron cuando a mí me expulsaron”. Yo creo que el indígena va a decir la misma cosa: “no, eso no lo quiero”. Yo quiero mis árboles, mis animales, mis ambientes y ahí sí nosotros estaremos consiguiendo rescatar una ciudadanía que hoy en nosotros está ausente.

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Alguém viu II ?

Todo fim de ano o governo brasileiro aproveita o período de festas para adotar medidas polêmicas e, principalmente, impopulares. Em 2005 não foi diferente. No dia 26 de dezembro, o ministro Sergio Rezende (Ciência e Tecnologia) publicou portaria instalando a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e, já no dia seguinte, a primeira reunião foi realizada. Nela foi escolhido o calendário de reuniões ordinárias de 2006 e agendado para os dias 15 e 16 de fevereiro a votação do regimento interno da comissão e a eleição do seu presidente.

Na portaria assinada pelo ministro Rezende, também são designados 24 titulares e 23 suplentes para a CTNBio. Segundo Jean Marc von der Weid, diretor da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), a escolha destes membros foi marcada pela completa falta de transparência. A exceção foram os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e do Desenvolvimento Agrário (MDA), que publicaram portaria entregando ao Fórum Brasileiro de Organizações Não-Governamentais e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Fboms) a responsabilidade de formar listas tríplices com seus indicados para a comissão.

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Alguém viu I ?


"Eu moro em Belém.
Acreditem, isso NÃO É FAKE!

Isso que vocês estão vendo aconteceu semana passada, durante o recesso de final de ano. Essa praia que vocês estão vendo é a 200km daqui, em um balneário chamado Salinópolis, e boa parte da população de Belém passa o reveillon nessa cidade.

Vou explicar o que aconteceu.
Essa praia não tem estacionamento, e as pessoas entram com os carros na areia. É normal estacionar o carro na areia e armar uma barraca ao lado. O problema é que essa praia tem uma área de várzea muito grande; quando a maré está completamente vazia a água chega a ficar 1km da "beira" da praia (é na beira que estão localizados os bares notados nas fotos); e quando a maré está cheia, a água chega bem próximo aos bares. É assim o ano inteiro, mesmo sem chuvas! O que acontece é que quando a maré enche e chega perto dos carros, as pessoas só os afastam da água, chegando cada vez mais perto dos bares. E sempre há espaço pra todos os carros fazerem isso.

O problema é que no final do ano, enquanto vocês estão aí no sul com o maior solzão, nós aqui estamos no nosso "inverno". Chove torrencialmente quase todo dia! Muito mesmo! E as pessoas esquecem disso.

O que aconteceu na foto é que a maré encheu, e com a ajuda da chuva, o nível da água subiu mais do que o normal! Os carros ficaram "entalados" na areia porque só existe uma entrada/saída para a praia (quando a maré está cheia, ninguém entra nem sai da praia, porque não há espaço. Só que ninguém liga; todo mundo espera baixar de novo pra poder sair. E, imaginenm, recesso de final de ano... Um quinto da população de Belém nesse balneário (que só tem essa praia). Deu nisso! Mais de trinta carros perdidos, levados pela maré da praia(...)

Ps: Não foi um "tsunami"... essa água toda subiu lentamente; não veio de uma vez não. O pessoal é que foi "esperto" e achou que tinha espaço pra todos em local seco. Mas com tanta chuva, não existiu "local seco" (...)"

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Mais desastres "não naturais" no horizonte dos EUA

Por Stephen Leahy

Toronto, 16/01/2006 – As condições climáticas extremas dos Estados Unidos continuarão este ano, e os cientistas alertam que poderão a ser a “nova normalidade” no país por causa do aquecimento do planeta. Incêndios descontrolados consumiram centenas de milhares de hectares nos Estados de Novo México, Oklahoma e Texas, açoitados por uma severa seca desde o Natal, enquanto inundações e transbordamentos de rios afetaram a Califórnia e Nevada. Em 2005, foram batidos vários recordes em relação ao clima: julho teve a onda de calor mais intensa já registrada no país, as chuvas de outubro no noroeste foram as mais fortes, e a zona costeira no golfo do México sofreu a pior temporada de furacões que se tem memória.

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Presidente da Funai assume discurso dos fazendeiros e diz que índios têm terra demais

"Em matéria da agência de notícias Reuters, o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, deu declarações questionando o direito dos indígenas às terras que tradicionalmente ocupam. "É terra demais. Até agora, não há limites para suas reivindicações fundiárias, mas estamos chegando a um ponto em que o Supremo Tribunal Federal terá de definir um limite", disse Gomes.

Para o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), causa estranheza que um presidente da Funai reproduza o discurso da imposição de limites para as terras indígenas no país, pois esta é uma das reivindicações antigas dos setores antiindígenas. "Isso revela o atrelamento de Mércio Gomes e do governo Lula ao agronegócio e às antigas oligarquias rurais do país", afirma Saulo Feitosa, vice-presidente do Cimi. Feitosa lembra que existe no Senado Federal uma proposta de emenda constitucional que propõe limitar a extensão de terras indígenas por estado brasileiro, de autoria do Senador Mozarildo Cavalcanti, que tem histórica atuação contra a demarcação de terras indígenas.

Ao defender a atuação da Funai, Gomes afirmou também que "o Brasil deveria ser citado como exemplo para outros países. Retiramos de terras indígenas fazendeiros que estavam ali havia duas gerações. Quem mais faz isso?", ignorando os direitos originários dos indígenas às terras que tradicionamente ocupam, garantidos pela Constituição Federal de 1988."

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Impacto da soja no meio ambiente causa discordância entre ambientalistas e produtores

Eduardo Mamcasz
Repórter da Rádio Nacional

Brasília - Ambientalistas e produtores rurais discordam quanto ao nível dos impactos ambientais negativos que a monocultura da soja tem provocado no Brasil desde a sua chegada, no Rio Grande do Sul, em 1914. Segundo o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Speroto, houve impactos, tanto que foi preciso fazer um intenso trabalho de recuperação das matas e rios depois de alguns anos de plantio. O assunto é o tema desta segunda-feira (16) do especial "Soja, um grande negócio", que a Rádio Nacional transmite.

A discussão em torno do impacto ambiental da monocultura da soja se agravou com o início do cultivo nas regiões do cerrado brasileiro, a partir do final dos anos 80. Segundo o cientista Charles Clement, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o agronegócio da soja acabou com o cerrado "sem saber o valor de sua biodiversidade e este foi um dos grandes crimes dos últimos vinte anos".

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janeiro 13, 2006

O clima no Brasil e os alertas da ciência

Washington Novaes

Brasil não pode continuar contribuindo (sobretudo com desmatamentos, queimadas e mudanças no uso da terra, que representam uns 75% das nossas emissões) com cerca de 4% do total mundial de emissões de gases, que nos colocam entre os principais emissores.