agosto 27, 2007

Grilagem e desmatamento

É necessário que as políticas públicas para a Amazônia parem de estimular a invasão de terras.
por Roberto Smeraldi para SciAmerican

O governo anuncia planos antidesmatamento para a Amazônia, mas a derrubada de árvores aumenta. Uma explicação é que falta foco no que mais influencia o problema. A grilagem de terras se confirmou, em 2004, fator primordial, abrindo novas fronteiras antes mesmo da chegada de atividades econômicas. Há duas ações concretas e complementares, ao alcance do governo e de grande impacto, a se realizar.

A primeira seria reverter os estímulos à grilagem gerados pela perspectiva de valorização da terra, principalmente graças ao anúncio de obras de infra-estrutura que atraem fluxos invasores. Tais obras demoram para iniciar ou até não acontecem, mas seu anúncio é suficiente para gerar especulação. Os dados de 2004 são claros. Os principais aumentos do desmatamento - Jacareacanga, PA, com mais 688%, assim como as vizinhas Itaituba e Novo Progresso - refletem diretamente o anúncio, em 2003, do asfaltamento do trecho paraense da BR-163: mesmo sem ter asfaltado um só quilômetro até hoje, o chamado foi suficiente para atingir os picos na taxa de desmatamento.

O governo não retirou do plano plurianual (PPA) obras que provocam expectativa de ocupação de terras públicas, principalmente na Amazônia sul-ocidental, a partir de Rondônia: o asfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho) e BR-210 (Humaitá-Lábrea), o gasoduto Urucu-Porto Velho, as usinas e hidrovia do Alto Madeira. No caso da BR-319, chegou-se ao paradoxo de destinar verbas orçamentárias, em 2005, para uma obra inviável e ilegal.

Os fluxos de grilagem oriundos de Rondônia foram responsáveis pelo recorde absoluto de desmatamento, em Aripuanã-MT-, com 1.041 km2, um aumento de 47%. Os mesmos fluxos levaram, pela primeira vez, um município do Amazonas à lista dos dez mais desmatados: Lábrea registrou aumento de 87%. Dentro de Rondônia, associados ao avanço da estrada federal ilegal BR-421 provocaram o quarto maior aumento no Brasil, em Buritis (mais 188%).

Também Altamira, PA, registra um forte desmatamento (quinto em absoluto, com 682 km2) em função do efeito BR-163 (que atinge parte de seu território), além dos anúncios de asfaltamento da Transamazônica e de construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Todos os anúncios reforçaram a indústria de grilagem na região.

agosto 26, 2007

O dilema do ser humano

Esses dias foi exibido no Rio o festival de cinema ambiental FICA , não pude ver a todos, mas aquele que recomendo é MEU PRIMEIRO CONTATO, um documentário comovente sobre a história de uma tribo amazônica transferida para o Xingú pela equipe do Orlando Villas Boas.

O filme mostra o primeiro contato dessas pessoas com a cultura dos "brancos" e o processo de interferência causado por nós ao tentarmos olhar culturas alheias sob nossas perspectivas. Há o registro da inocência e do medo de seus personagens no primeiro encontro, em contraste à situação de arrependimento de hoje. A história termina com depoimentos de pessoas enclausuradas em suas esperanças de retornar à terra de suas origens e que agora são utilizadas para pasto.

E em meio à exibição dos filmes, pessoas de grande importância na disseminação da linguagem ambiental vieram expor suas posições frente aos nossos dilemas atuais. Leonardo Boff, André Trigueiro e Marcos Sá Correa foram perfeitos e complementares em suas conclusões e limitações como seres humanos que tentam "fazer a sua parte" abrindo o debate ambiental a todas às culturas e populações desse Brasil. Iniciativas como o FICA, assim como os novos meios de comunicação desenvolvidos pelas novas ferramentas tecnológicas servem, especialmente, à disseminação do debate ambiental.

Concluímos que não é preciso anos de academia, ou a leitura de milhares de títulos, para chegarmos a simples conclusão do tamanho do problema que enfrentamos, assim como a falta de perspectivas vergonhosamente empurrada às futuras gerações. "Qual o futuro para a humanidade?", "Temos jeito?" foram questionamentos colocados a todos os participantes pela platéia.

Como resposta, todos os palestrantes foram uníssonos ao apontar o consumo como a grande origem desse desequilíbrio catastrófico. Pois é o consumo e, a forma como consumimos, que geram esse modelo de produção que vem literalmente consumido todos os recursos da Terra até sua exaustão.

Contexto, personagem e roteiro
Identificadas os papéis do drama ambiental planetário, a platéia volta para casa sabendo que algo tem de ser feito e que de alguma maneira vamos ter que "fazer a nossa parte". É extremamente desconfortante voltar para casa sem tentar pensar numa idéia, sem questionar uma solução antes que nossas vidas tornem-se desesperançosas. Uma idéia torna-se uma esperança e, uma ação, um alívio. E foi assim que decidi não comer mais carne alguns punhados de anos atrás, como uma atitude que me trouxesse algum alívio. Mas jamais imaginei a tamanha dor de cabeça que declarar-se vegetariano pode causar. Convido todos a experimentar, declare-se vegetariando, mesmo que de brincadeira.

Digo que é desconfortante, não como o desconforto anterior de sentir-se perdendo a estrada por onde seguir, mas é o desconforto de tornar-se um espelho nítido; colocando na frente de todos a resposta para perguntas que ninguém ousa fazer.

Até quando deixaremos oculto, velado, trancado e maquiado nosso maior "bem" de consumo, aquele nosso maior "produto" que para ser "fabricado" utiliza quantos planetas forem necessários a saciar uma fome sem fim? E ainda quais as forças culturais que nos levam a esconder de nós mesmos tamanha verdade? Você conhece a violência gerada num prato de comida? Abaixo uma indicação de livro para quem não entendeu "patavinas" dessa história.

Por Clarissa Taguchi, decidida a encarar-se vegana (uma consumidora vegetariana ética) há quase uma semana.

O Dilema do Onívoro de Michael Pollan, Editora Intrínseca, 2006
A insensatez do agronegócio é objeto deste livro fascinante, que faz sucesso crescente à medida que os leitores descobrem a importância de saber como se estrutura a indústria dos alimentos que chegam diariamente às suas mesas

Por Luiz Prado para Planeta Sustentável

Nos EUA, são necessárias duas calorias de fertilizantes sintetizados a partir do petróleo para produzir uma caloria de milho. E como o gado bovino é alimentado com milho, quase um barril de petróleo é consumido para cada animal abatido. Os excedentes da produção de milho estão na origem tanto da abundância quanto da obesidade. Os subsídios governamentais são generosos, o alimento industrializado tem preços baixos, mas dão origem aos altos índices de obesidade que custam algo em torno de 90 bilhões de dólares por ano em despesas médicas. Ou esses excedentes atravessam a fronteira do México, onde liquidam com os pequenos produtores.

Toda uma complexa cadeia de interesses gira em torno da produção de milho, impedindo que cessem os subsídios. A insensatez do agronegócio é objeto de um fascinante livro intitulado "O Dilema do Onívoro", que faz sucesso crescente à medida que os leitores descobrem a importância de saber como se estrutura a indústria dos alimentos que chegam diariamente às suas mesas. O livro de Michael Pollan certamente é um importante alerta para um Brasil que se pretende transformar numa Arábia Saudita dos biocombustíveis.

O livro começa pela descrição da gigantesca monocultura de milho no estado de Iowa e volta até a origem da alta produtividade, com raízes na produção de sementes híbridas na década de 30, permitindo a mecanização da lavoura e dando início a um processo que rapidamente transformará os agricultores em reféns - mais do que em beneficiários - da agroindústria. Ao final da segunda guerra mundial, quando os Estados Unidos detinham imensos estoques de nitrato de amônia para a fabricação de explosivos, a solução encontrada foi o uso intensivo de fertilizantes. Também a indústria de pesticidas se estrutura com base nos estoques de produtos químicos destinados à fabricação de gases venenosos para uso militar.

Os excedentes da produção de milho precisam encontrar mercados e logo começam a ser utilizado na alimentação de animais, mesmo dos ruminantes, cujo sistema digestivo não é adaptado ao consumo de cereais.

Seguindo em busca da cadeia produtiva da agroindústria, Pollan viaja até Garden City, no estado de Kansas, e descreve a criação de gado bovino confinado, alimentado com milho, antibióticos e outros medicamentos, suplementos alimentares e estrogênio, gordura liquefeita e uréia sintetizada a partir do gás natural. Trinta e sete mil cabeças numa instalação que na linguagem da agroindústria norte-americana é conhecida como Operação Concentrada de Alimentação Animal (CAFO - Concentrated Animal Feeding Operation).

"Essa instalação se parece como uma cidade pré-moderna, sem espaço, imunda e mal-cheirosa, com o esgoto a céu aberto, ruas sem pavimentação e o ar tornado visível pela poeira. (...) A concentração de animais em meio à falta de higiene sempre foi uma receita para doenças. A única razão pela qual não ocorrem epidemias como nas cidades humanas medievais é o uso intensivo de antibióticos. (...) Essa alimentação da à carne a textura e o sabor que os consumidores norte-americanos passaram a gostar. No entanto, essa carne é menos saudável para nós, já que contem teor mais elevado de gorduras saturadas e menos ômega-3 do que as carnes do bovino alimentado no pasto. (...) Na medida em que se avança na compreensão desse sistema de produção, torna-se inevitável questionar se o que parece racional não é também uma loucura total".

Depois, o autor disseca o processamento dos alimentos consumidos nos EUA. Pode-se dizer que o cereal matinal é o protótipo desse modelo: a indústria transforma 4 centavos de dólar de milho comprado como commodity em 4 dólares de alimentos processados, com novas formas e sabores, vendidos em embalagens que atraem o olhar do consumidor, tudo com o apoio de grandes campanhas publicitárias. Para cada caloria de alimento assim processado são necessárias 10 calorias de combustível fóssil.

"Na General Mills eu ouvi, pela primeira vez, a expressão sistema alimentar. Essa expressão é mais atrativa e indicadora da alta tecnologia do que a palavra comida. E evita as conotações negativas de sua antecessora, alimento processado industrialmente. Os especialistas do setor falam, também, em proteína vegetal texturizada e em nutracêuticos".

Daí, o caminho até o McDonald's é denso de truques apoiados em estudos de mercado e na "ciência da alimentação". Foi o esforço para aumentar a receita de cadeias de cinema que, depois de muitas experiências, levou à criação dos imensos sacos de pipoca e copos de soda que hoje estão presentes em todos os locais dos EUA, tendo as crianças como alvo principal. Três em cada cinco norte-americanos têm o peso mais elevado do que o recomendável, um em cada cinco é obeso, e cada criança nascida depois de 2000 tem 33% de possibilidades de desenvolver diabetes.

"Atualmente, 19% das refeições norte-americanas são feitas em automóveis. Refeições compradas sem que a porta do veículo precise ser aberta, comidas sem que o carro tenha que parar, com o uso de uma só mão. De fato, essa é a genialidade dos nuggets de frango: poder consumir sem o uso de prato ou garfo. Não há dúvidas de que os pesquisadores do McDonald's estão neste momento trabalhando para que se possa fazer o mesmo com uma simples salada."

O livro de Pollan segue por caminhos fascinantes e sua leitura nos faz perguntar se é isso que queremos. A afirmação de que não haverá necessidade de desmatamento para a produção e a exportação de imensas quantidades de biodiesel se baseia na avaliação de que grandes áreas de pastagens podem ser convertidas para monoculturas de oleaginosas com um pouco de modernização de nossa agricultura... Isso, apenas para começar uma reflexão mais profunda sobre estilos de vida na era pós-petróleo.
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The Shift Movie -Trailer

"The biggest moviment in human history". Saiba qual é assistindo esse trailer.

THE SHIFT movie raises awareness to the story of our roles in an evolutionary shift in our collective consciousness.

As it chronicles the faces, the stories and leaders assisting in this social transformation, the film reveals its emergence & meaning.

agosto 23, 2007

Cientistas alertam: biocombustíveis podem gerar mais CO2 que gasolina

Produzir cada vez mais biocombustíveis com o intuito de combater as mudanças climáticas irá lançar na atmosfera uma quantidade ainda maior de gases derivados do carbono. A constatação é de um estudo publicado hoje na revista de divulgação científica Science.

Os pesquisadores Renton Righelato e Dominick Spracklen, da Universidade de Leeds (Reino Unido), compararam por 30 anos a quantidade de CO2 emitido por veículos movidos a biocombustíveis com a quantidade de CO2 absorvida pelas florestas no mesmo período de tempo, num estudo chamado "Carbon Mitigation by Biofuels or by Saving and Restoring Forests?" (A Mitigação do Carbono pelos Biocombustíveis ou pela Conservação e Recuperação das Florestas?).

Segundo os pesquisadores medidas ligadas à preservação de áreas verdes, como o reflorestamento, são de duas a nove vezes mais eficazes para a redução de CO2 na atmosfera do que o uso de biocombustíveis no lugar da gasolina.

Na opinião dos autores da pesquisa, governos preocupados em reduzir a quantidade de gases poluentes deveriam incentivar medidas de conservação e cuidado das florestas enquanto são desenvolvidos motores totalmente limpos para o meio-ambiente, já que o uso de biocombustíveis não se mostrou tão eficiente com relação à gasolina.

Os pesquisadores utilizaram um período de 30 anos, pois acreditam que este será o tempo para o surgimento de novas tecnologias totalmente livres da emissão de CO2.


César Tizo para Auto Estrada.

agosto 22, 2007

Conheça os acordos internacionais que visam a um mundo mais sustentável

Por: Flávia Furlan Nunes
21/08/07 - 15h45
InfoMoney

SÃO PAULO - Políticas e ações de diversos países são necessárias para que se preserve o planeta. Afinal, a emissão de gases poluentes em uma nação gera o aquecimento em todo o mundo.

O Fórum das Nações Unidas ajuda os países a seguirem o caminho do desenvolvimento sustentável e mostra que há milhares de pessoas dispostas a agir e contribuir neste sentido.

Acordos
Para que este objetivo seja alcançado, são elaborados documentos, a serem assinados pelos países, com obrigações a cumprir durante alguns anos em prol da sociedade e do meio ambiente. Conheça, abaixo, alguns deles listados pela ONG Vitae Civilis - Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz:

Declaração Universal dos Direitos Humanos: é um importante documento aprovado, em 1948, pela Assembléia Geral das Nações Unidas, para definir e detalhar os direitos humanos que devem ser seguidos por todos os países;

Declaração da ONU sobre o Ambiente Humano: mais comumente chamada de Declaração de Estocolmo, contém mais de vinte princípios que devem ser respeitados sobre cuidados relativos ao ambiente e aos seres humanos. Foi firmado em 1972;

Declarações Nações Unidas Meio Ambiente e Desenvolvimento: firmadas durante o RIO-92, contêm 27 princípios que devem ser adotados pelos Estados para garantir a integridade da vida no planeta, inclusive sobre instrumentos e políticas que devem ser implementados para se garantir a participação dos cidadãos em processos de tomada de decisões. Em seu Princípio 10, por exemplo, afirma a importância de se permitir o acesso às informações que facilitem a participação e a tomada de decisões;

Agenda 21: é um processo participativo que envolve o poder público, o setor privado e a sociedade civil, para a elaboração de uma agenda de compromissos, ações e metas, para transformar o desenvolvimento de uma região (Agenda 21 Local), de um país (Agenda 21 Brasileira) e até mesmo do mundo todo (Agenda 21 Global), com base nos princípios da sustentabilidade da Vida. Em outras palavras, sustentabilidade refere-se a proteger o meio ambiente, valorizar a diversidade cultural, promover a justiça e a melhoria da qualidade de vida para todos, da geração atual e das gerações futuras, e orientar as atividades econômicas e geração de renda para essas finalidades;

Agenda ya wananchi: documento aprovado em conferência realizada em Paris, em dezembro de 1991 como uma plataforma de ONGs, povos indígenas e comunidades tradicionais para a Rio-92;

Carta da Terra: trata-se de um documento com princípios éticos fundamentais e diretrizes de condutas para orientar pessoas, organizações e países para a sustentabilidade do planeta;

Protocolo de Cartagena de Biossegurança: fruto da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), é o último importante passo em busca da conservação da biodiversidade no cenário internacional. O Governo Brasileiro, na qualidade de país rico em biodiversidade, isto é, um megabiodiverso, tem exercido importante atuação nas discussões internacionais que acontecem dentro da CDB, cujo avanço social importante é o reconhecimento da relevância dos conhecimentos, práticas e inovações dos Povos Indígenas para a preservação da biodiversidade;

Conferência sobre as Metas de Desenvolvimento da ONU: os objetivos foram estabelecidos pela ONU, na Conferência do Milênio no ano de 2000, com base em compromissos da Agenda 21 (Rio-92), da Cúpula de Desenvolvimento Social (Copenhague, 1995) e de outras grandes conferências das Nações Unidas nos anos 1990. Para cada objetivo geral foram definidas várias metas, para serem concretizadas até 2005 em todos os países. Os oito objetivos são: a erradicação da pobreza e da fome; a universalização do acesso à educação primária; a promoção da igualdade entre os gêneros; a redução da mortalidade infantil; a melhoria da saúde materna; o combate à AIDS, malária e outras doenças; a promoção da sustentabilidade ambiental; o desenvolvimento de parcerias para o desenvolvimento;

Declaração de Collevecchio: Com seis compromissos que orientam os bancos, a declaração serve de exemplo para diversos setores da economia global que também precisam de práticas sustentáveis para evitar o envolvimento com indivíduos ou empresas que desconsideram ações que valorizam os direitos humanos, sociais, entre outros;

Protocolo de Kyoto: estabelece uma meta média de cerca de 5% de redução das emissões de gases de efeito estufa nos países industrializados, a qual deverá ser atingida, individual ou conjuntamente, no período entre 2008 e 2012. As metas de redução das emissões acordadas no Protocolo são inferiores às esperadas por cientistas e ambientalistas, e para alguns países (como os da União Européia) são menores que as promessas feitas pelos seus próprios governantes. Os EUA e a Austrália anunciaram que não vão ratificar o Protocolo.

agosto 20, 2007

Consumo é o grande tabu da mídia da catástrofe climática

Por Mariano Senna da Costa (*) para Ambiente Já

Tentar entender a mudança climática pelos grandes veículos é um convite à esquizofrenia. Desde que o Painel Intergovernamental da Mudança Climática (IPCC, sigla em inglês) divulgou em fevereiro seu segundo relatório confirmando a responsabilidade humana sobre o fenômeno, alternam-se na mídia versões e contra-versões a respeito das causas e efeitos do problema.

Um exemplo interessante foi o da edição de junho da revista alemã Cicero. "A mentira do clima - Um dossiê contra o Eco-pânico", dizia o título. Entre análises parciais sobre o interesse de ONGs no assunto e um glossário com as dúvidas que ainda persistem na discussão, a revista criticou a forma sensacionalista como a grande imprensa tem abordado a questão. Logo na primeira página do texto há uma reprodução da capa de dois jornais de Berlim, o Die Tageszeitung e o Berliner Zeitung. Ambos publicados no dia 03 de Fevereiro, noticiando a profecia da ONU para a catástrofe climática, mas exibindo em suas capas cenários opostos. Um trazia uma montagem do portão de Brandenburgo, símbolo turístico da capital alemã, inundado. O outro ilustrava o mesmo lugar transformado em um deserto. Independente das diferentes interpretações, o fato é que mesmo prevendo catástrofes, a grande mídia ainda se nega a debater o ponto nevrálgico para enfrentar a mudança climática: o consumo. Seja na Europa, nos EUA ou na América Latina e salvo raríssimas exceções, nenhum veículo toca no assunto. E ele não é nenhuma novidade. "Como pode a economia crescer infinitamente num planeta finito? De onde virão os recursos? Temos que mudar a forma de contabilizar o uso dos nossos recursos", defendia o ecologista José Lutzenberger jà na década de 90.

Clima de consumo

Ultimamente o alerta vem sendo reforçado por experts do aquecimento global. "Nós vamos ter problemas tanto com a quantidade de consumo quanto com o padrão das coisas que compramos", declarou o pesquisador do INPE, Carlos Nobre, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo no dia 8 de março deste ano. Como uma das maiores autoridades brasileiras sobre a mudança climática, Nobre faz coro com outros nomes conhecidos internacionalmente. Em seu último livro "The Revenge of Gaia" (A Vingança de Gaia), James Lovelock diz que o maior desafio mundial na luta contra a mudança climática é o que ele chamou de "inércia social". "Pense em como será difícil para nações como China, Índia e Estados Unidos mudar o comportamento de suas populações", traz o texto publicado em fevereiro de 2006.

Uma das tentativas de abordar o tema de forma mais profunda e abrangente foi feita pelos norte-americanos Michael Maniates, Thomas Princen e Ken Conca no livro "Confronting Consumption" (Confrontando o Consumo). Publicado em 2002 o livro descreve cases, faz análises e reflexões sobre conceitos tipo "imersão social do consumo", "soberania do consumidor" e "políticas do consumo". "O desafio não é apenas confrontar o consumo, mas transformar as estruturas que o sustentam", diz a conclusão do livro.

A publicidade é uma dessas estruturas. "Realmente é uma questão ainda sem respostas. Como mudar a mentalidade das pessoas, como fazê-las refletir sobre a abundância de que dispõe, se o sistema de comunicação que as condiciona e educa diariamente depende primordialmente da publicidade, das vendas e do consumo? Eu realmente não sei", declara Michael Maniates,
professor de ciência política e ciência ambiental no Allegheny College na Pennsylvania.

Iniciativa x Inércia

Entre as iniciativas que tentam enfrentar o desafio está a revista "Adbusters". Com sede no Canadá e 90 mil "apoiadores" em todo o mundo, ela visa combater o que chama de "poluição física e mental" das grandes corporações. Na capa de Agosto do site há um artigo sobre a iniciativa da Prefeitura de São Paulo de regular a publicidade ao ar livre.

A idéia vem sendo seguida por outras capitais brasileiras, como Porto Alegre, mas em ambos os casos os argumentos para a implementação de leis que regulem a publicidade não tem a ver com a "racionalização do consumo", mas com o que se pode chamar de "bem-estar urbano".

De maneira geral mídia e governos falam confortavelmente sobre uma solução tecnológica ou política para o controle das emissões de gases estufa. Porém, parecem não querer ver que quando o foco é o indivíduo as contradições continuam cada vez maiores. "Conheço uma mulher absolutamente convencida de que algo precisa ser feito. Mas ela nem cogita deixar de ter a água da sua piscina na temperatura de uma taça de chá bem quente durante
todo o inverno, não importa o que isto custe", exemplifica a jornalista britânica Deborah Orr em artigo no 'The Independent'.

Uma das poucas vozes a atacar sistematicamente a incoerência de políticos e grandes empresas de comunicação, ela usa a autocrítica como forma de abordar temas escamoteados do noticiário. "Em alguns momentos, a habilidade para convencer a nós mesmos de que desastres são coisas que acontecem com outras pessoas é realmente muito poderosa", comenta ela em outro artigo.

Sentado confortavelmente em seu jardim no subúrbio de Berlim, o médico aposentado Claus Kuhlmann, sabe que o consumo é um ponto importante no debate para "salvar o mundo". Mas ele também sabe quão difícil é imaginar uma mudança de hábitos. "Dói só de pensar em reduzir aquilo que normalmente compro, mesmo que seja algo supérfluo", admite. Aos 64 anos, Claus acredita que só depois que "algo muito grave acontecer" é que as pessoas talvez acordem. "Dificíl imaginar um mundo sem crescimento econômico, sem capitalismo. É como pensar numa volta à idade média", comenta ele, concordando com o slogam da cúpula do G8 deste ano: "Nenhuma política do clima sem a economia".

Otimismo e Ceticismo

Para Wolfgang Pomrehn, geofísico e meteorologista que atua como jornalista especializado em assuntos do clima e energia desde meados da década de 90, a redução do consumo não é nem desejável, nem factível. "Eu sou cético quanto a isso. Primeiro há uma questão moral aí, pois mesmo na Alemanha, há pessoas que já consomem o mínimo, que dirá em outros países do mundo".

Outro aspecto, segundo ele, diz respeito a questões como a estrutura e a tecnologia de geração, sobre as quais o cidadão comum tem pouca ou nenhuma influência. "Para os proprietários de apartamentos e casas alugadas, por exemplo, pouco interessa se os inquilinos precisam gastar mais ou menos energia com aquecimento por conta das condições do isolamento térmico dos
imóveis". Wolfgang defende assim, uma série de medidas políticas de difícil implementação. Entre elas está uma valorização do transporte coletivo, em detrimento da "cultura do automóvel". Isso sem afetar o bem estar social.

"Algumas medidas já estão sendo postas em prática, mas ainda são muito poucas e vem aparecendo muito devagar", avalia ele que em setembro estará lançando um livro sobre o tema. Apesar da inércia do debate, o otimismo continua sendo a base do discurso oficial. "Uma das coisas maravilhosas do capitalismo é que a economia consegue aperfeiçoar aquilo que o público deseja comprar", acredita o secretário de meio ambiente da Embaixada brasileira em Berlim, Flávio Mello. E essa visão também é válida para a "sustentabilidade da mídia". "Eu acho que é possível que os órgãos publicitários e a iniciativa privada de modo geral se antecipem a essa necessidade de mudança. Acho que o 'consumo destrutivo' tende a diminuir progressivamente porque ele é autodestrutivo e as pessoas têm instinto de preservação", pondera o secretário que é um dos interlocutores da política brasileira para biocombustíveis na Alemanha.

Aliás, uma das grandes promessas para combater os problemas provocados pela queima de combustíveis fósseis é a sua substituição por produtos de origem vegetal. Pelo menos para o Brasil. "Para discutir a questão climática com seriedade, tem que olhar a questão dos biocombustíveis. E olhar com muito carinho", avisou o presidente Lula durante o encontro do G8 na Alemanha. O objetivo, segundo o presidente, seria convencer o mundo de que os biocombustíveis são a solução para a substituição dos combustíveis fósseis, para a despoluição do planeta e para a geração de renda. "Os países ricos precisam aceitar que os países em desenvolvimento têm o direito de crescer como eles cresceram, para conquistar a mesma qualidade de vida que eles conquistaram", arrematou Lula.

Na contramão desse discurso estão entidades malditas para o establishment. "Não creio que os países em desenvolvimento precisam ser ajudados pelos países desenvolvidos. Devemos lutar todos juntos por uma mudança de paradigma", acredita a agricultora francesa, Isabelle Rouet, de 27 anos.

Integrante da Via Campesina, ela defende que antes de falar em substituição de combustíveis é fundamental reduzir o seu consumo. "As pessoas na Europa devem entender que elas usam muito mais recursos do que dispõe. Esse excedente vem de fora, através de uma relação comercial bastante desequilibrada". Para Isabelle a simples mudança de produtos, ou insumos não tornará as relações entre ricos e pobres mais justa. "É uma questão de cultura e filosofia". Mas movimentos como a Via Campesina, que só na França tem cerca de 10 mil membros, estão fora do governo e da grande mídia.


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(*) Mariano Senna da Costa é da Ambiente JÁ.

agosto 09, 2007

Linhagem quebrada

Agência FAPESP – A evolução humana nos últimos dois milhões de anos é descrita como uma sucessão de espécies: do Homo habilis ao Homo erectus e desse para o Homo sapiens. Fim de uma, começo da outra. Costumava ser assim, mas um novo estudo coloca seriamente em dúvida essa linhagem evolutiva.

A análise de fósseis encontrados em 2000 no Lago Turkana, no Quênia, indica que as espécies Homo habilis e Homo erectus coexistiram no leste da África. E não por pouco tempo, mas por quase 500 mil anos. A descoberta está descrita na edição de 9 de agosto da revista Nature.

“A coexistência faz com que seja improvável que uma tenha evoluído a partir da outra”, disse Meave Leakey, uma das líderes do estudo. Segundo a paleontóloga, as duas espécies teriam surgido entre 2 milhões e 3 milhões de anos atrás, período do qual apenas poucos fósseis foram encontrados até o momento.

Os pesquisadores apontam que, como as duas se mantiveram como espécies separadas por tanto tempo, elas provavelmente tiveram seus próprios nichos ecológicos e evitaram competição direta.

Até então, o H. erectus era considerado o primeiro ancestral a compartilhar muitas similaridades com o homem moderno. Mas, de acordo com os pesquisadores responsáveis pela descoberta, o fóssil do H. erectus, o menor até hoje encontrado, sugere que a espécie não era tão humana como se imaginava.

Os fragmentos fósseis encontrados do H. habilis têm idade estimada em 1,44 milhão de anos, o que o torna muito mais “jovem” do que seria de se esperar. O especialmente bem preservado crânio do H. erectus é mais velho: tem 1,55 milhão de anos. A análise também indicou que as espécies apresentavam dimorfismo sexual, com os machos sendo muito maiores do que as fêmeas – como nos gorilas atuais.

O estudo foi liderado por Meave Leakey e por sua filha, Louise. Nascida no Quênia, Louise é filha de Richard Leakey, que por sua vez tem como pais Louis e Mary, todos antropólogos renomados e com importantes descobertas em seus currículos. A dupla Louise e Meave descobriu, em 1999, o Kenyanthropus platyops, o “homem de rosto achatado do Quênia”, que teria vivido há cerca de 3,5 milhões de anos e que seria um ancestral do Homo sapiens.

O artigo Implications of new early Homo fossils from Ileret, east of Lake Turkana, Kenya, de Louise Leakey e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

agosto 08, 2007

Ecoturismo ou Greenwashing?

Thiago Cássio D'Ávila Araújo (*) para Ambiente Brasil

Greenwashing é um termo em língua inglesa usado quando uma empresa, organização não governamental (ONG), ou mesmo o próprio governo, propaga práticas ambientais positivas e, na verdade, possui atuação contrária aos interesses e bens ambientais. Trata-se do uso de idéias ambientais para construção de uma imagem pública positiva de "amigo do meio ambiente" que, porém, não é condizente com a real gestão, negativa e causadora de degradação ambiental.

O greenwashing tem sido uma prática de gestão (nociva, diga-se de passagem) muito adotada por empresas ligadas a diversos ramos da atividade econômica (corporate greenwashing). Em brilhante artigo intitulado "Green is the colour of money" (www.goodmagazine.com), a jornalista norte-americana Amanda Witherell denuncia que empresas estão investindo dinheiro em iniciativas ambientais para encobrir ofensas do passado ao meio ambiente. Organizações não governamentais, mal intencionadas, praticam greenwashing para captação de recursos públicos ou privados, que posteriormente serão em boa parte desviados para aplicação em atividades ou empreendimentos causadores de degradação ambiental. Governos praticam greenwashing para seduzir cidadãos e determinar os rumos da economia.

O greenwashing, diga-se de passagem, não se confunde com o greenmarketing. Greenwashing é termo pejorativo, e é nocivo ao meio ambiente.

No turismo, o greenwashing tem sido usado como instrumento para iludir turistas. De fato, muitos escolhem destinos turísticos acreditando que estão participando de projetos respeitadores da natureza e dos valores culturais locais, quando, na verdade, estão apenas contribuindo para destruição do ambiente. Por exemplo, é muito comum vermos hotéis divulgados como meios de hospedagem ecológicos, por estarem inseridos em uma floresta, quando na verdade tais hotéis não têm um programa de hospedagem sustentável e contribuem para a degradação do ambiente. Há prática de greenwashing.

Em alguns casos concretos, temos visto até mesmo desentendimentos, existentes entre secretarias municipais de Turismo, de um lado, e secretarias municipais do Meio Ambiente, de outro, que acabam por gerar a prática de greenwashing governamental, para prevalência da atividade econômica em detrimento da efetiva política de proteção ambiental. É um absurdo, mas é verdade: governos têm praticado greenwashing!

Para combater essa praga que pretende macular os verdadeiros propósitos ambientalistas do desenvolvimento sustentável, na atividade turística é preciso que haja verdadeira compreensão, principalmente por cidadãos e órgãos fiscalizadores, do verdadeiro entendimento do que seja ecoturismo.

O "ecoturismo" conhece várias outras denominações correlatas, tais como: turismo de natureza, turismo verde, turismo ecológico, turismo ambiental, turismo de aventura, turismo de selva, turismo antropológico, turismo étnico e turismo rural. Importante é identificar que o ecoturismo se insere no contexto maior do "turismo sustentável", uma idéia propagada a partir do conceito de "desenvolvimento sustentável" advindo do Relatório Brundtland de 1987.

No ano de 2002, eleito pela ONU como "Ano Internacional do Ecoturismo", e também ano no qual se realizaria a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo (como prorrogação da ECO-92), foi expedida, no mês de maio, a "Declaração de Québec", após discussão de representantes de 132 países que formaram a Cúpula de Especialistas em Ecoturismo.

A Declaração de Québec reconhece que o ecoturismo abraça os princípios do turismo sustentável, adere aos princípios de contribuição ativa para a conservação do patrimônio natural e cultural, inclui as comunidades locais e indígenas em seu planejamento, desenvolvimento e exploração, contribuindo para seu bem-estar, interpreta o patrimônio natural e cultural do destino para os visitantes, e melhor se presta a viajantes independentes ou circuitos organizados para grupos de tamanho reduzido. Assim é que o verdadeiro ecoturismo proporciona emprego e renda de forma sustentável à comunidade local.

Para evitar maiores engodos, o Ministério do Turismo vem incentivando expedientes de certificação em ecoturismo. Aliás, a certificação de empreendimentos e pessoas inclusive está prevista no Plano Nacional de Turismo (2007-2010).

Sou um entusiasta da economia de mercado e da apropriação econômica dos bens ambientais como meio de crescimento. O importante, porém, é que tal crescimento se dê sob a ótica do desenvolvimento sustentável. Abrir os olhos para os males causados pelo greenwashing é um passo importante para consagrarmos a adequada utilização dos recursos ambientais, inclusive no turismo.

O Planeta Terra, a economia mundial e o turismo internacional não aceitam mais a mera maquiagem. Ecoturismo é turismo com ética, essa sim uma bandeira que, levantada por empresas, ONGs e governos, trará os verdadeiros benefícios, inclusive econômicos.

* É advogado, membro da Advocacia-Geral da União, consultor jurídico da Embratur em Brasília/DF e ex-procurador do INSS e do Incra. Autor dos livros "Direito Agrário" e "Direito Ambiental", ambos pela Editora Fortium.
thiago-davila@uol.com.br

Fusão colossal

Agência FAPESP – Um dos maiores espetáculos espaciais já registrados acontece a cerca de 5 bilhões de anos-luz da Terra. Quatro galáxias estão se chocando umas com as outras e arremessando bilhões de estrelas como resultado das gigantescas colisões.

As galáxias foram observadas por astrônomos com a ajuda do telescópio espacial Spitzer, da Nasa, a agência espacial norte-americana, e do telescópio Wiyn, parceria entre as universidades de Indiana, Wisconsin e Yale com o Observatório Astronômico Nacional, nos Estados Unidos.

Segundo os astrônomos envolvidos, as quatro eventualmente se fundirão em uma única e colossal galáxia, cerca de dez vezes maior do que a Via Láctea. O registro das colisões, de acordo com os cientistas, fornece um olhar inédito e valioso a respeito de como se forma a maioria das galáxias massivas no Universo.

“A maioria das fusões de galáxias já observadas se parece com o choque de automóveis pequenos, mas o que temos aqui é algo como quatro enormes caminhões carregados de areia, batendo uns nos outros e jogando areia para tudo quanto é lugar”, disse Kenneth Rines, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, e um dos autores da descoberta, que será publicada futuramente pela revista Astrophysical Journal Letters.

Colisões, ou fusões, entre galáxias são comuns. A gravidade faz com que galáxias que estejam próximas se enrosquem e ultimamente se reúnam após alguns milhões de anos. A própria Via Láctea se fundirá com a galáxia de Andrômeda em estimados 5 bilhões de anos.

A fusão quádrupla foi descoberta durante a análise de um distante agrupamento de galáxias, conhecido como CL0958+4702. O Spitzer e o Wiyn primeiramente identificaram uma emissão luminosa incomum, na forma de um leque, a partir de quatro galáxias elípticas.

“As imagens feitas pelo telescópio Wiyn mostram que as quatro galáxias têm centros bem definidos e que se mantiveram durante a fusão, de forma parecida com a qual gemas de ovos continuam juntas por mais tempo do que as claras quando mexidas em uma vasilha”, disse Jeffrey Rines, chefe do Departamento de Astronomia de Yale, outro dos autores do estudo. “Quando a fusão se completar, o resultado será uma das maiores galáxias no Universo.”

Mais informações: www.spitzer.caltech.edu/spitzer

agosto 01, 2007

Risco transgênico

Peru proíbe variedade transgênica Bt da batatinha

Nagib Nassar, professor titular de genética da UnB, publica a seguinte nota no jornal Folha de S. Paulo, 30-07-2007:

"Em seu último número, a revista "Nature" relatou a notícia sobre a proibição da variedade transgênica Bt da batatinha pelo governo peruano. A decisão foi tomada porque aquele país é centro da origem e da biodiversidade dessa cultura e onde centenas de espécies nativas e cultivares indígenas crescem silvestremente. Há perigo de contaminá-las pelos genes do Bt. Antes de o governo peruano tomar essa decisão, o México proibiu totalmente o plantio ou o consumo do milho Bt pelas mesmas razões. A Grécia estendeu a proibição a 20 variedades do milho transgênico Bt. Será que essas notícias chegaram aos ouvidos de certos senhores da CTNBio?"

julho 30, 2007

Extinção

Antônio Abujamra lê o poema "Extinção", de Régis Bonvicino, no programa Provocações/TV Cultura. Lobo Guará ou bicho-homem, nas leis da sobrevivência a espécie não tem nome.


julho 28, 2007

Sumiço de abelhas e caos no trânsito

GILBERTO DUPAS*

Aprendiz de feiticeiro, nossa civilização só desperta para os perigos de seus caminhos tecnológicos quando tragédias acontecem

OQUE tem a ver o recente sumiço das abelhas em várias partes do mundo com os imensos congestionamentos que infernizam a vida dos cidadãos das grandes cidades? Mais do que parece. O caos do trânsito, resultado da primazia do transporte individual, tem dramáticos efeitos sobre o tempo e a saúde das pessoas. Ao lado da emissão de gases e toxinas industriais, a poluição do ar por veículos é variável crítica tanto do aquecimento global e dos efeitos no clima como de doenças.

A British Air Foundation conduziu pesquisas provando que bastam seis horas pedalando no tráfego intenso para causar danos aos vasos sangüíneos, tornando-os menos flexíveis, reduzindo proteínas que previnem coágulos e favorecendo riscos cardíacos. O Laboratório de Poluição Atmosférica da USP estima que a poluição ambiental encurte em média dois anos da vida do paulistano.

O índice de abortos também aumenta, porque o fluxo arterial na placenta diminui; e há suspeitas de efeitos severos na fertilidade. Dados do banco de sêmen do hospital Albert Einstein confirmam que a concentração de espermatozóides no sêmen dos paulistanos caiu significativamente nos últimos dez anos. Entre as hipóteses estão poluição, excessivo consumo de produtos industrializados, estresse, medicamentos, produtos para queda de cabelo, exposição à radiação, substâncias tóxicas dos plásticos de embalagem, pesticidas e outros venenos da vida moderna.

"São coisas que as pessoas vão incorporando em sua dieta e fazem um estrago tremendo nas mitocôndrias e no DNA, causando não só a morte celular como também danos à motilidade e à morfologia", afirma Dirceu Mendes Pereira, da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Porém, o século 21 ficará conhecido como a era do automóvel popular. Carros de US$ 6.000, produzidos no padrão chinês, abarrotarão o mundo e farão crescer a degradação ambiental gerada ao fabricá-los e usá-los. Logo agora, quando questões vitais relativas ao clima e à saúde humana exigiriam o abandono radical do transporte individual em benefício do coletivo.

Mas, como convencer o cidadão chinês, indiano ou brasileiro de que a festa vai acabar justo quando ela chega à sua porta? Ou as grandes corporações globais, que já fazem os cálculos dos lucros em grande escala propiciados por essa nova fronteira de acumulação no "mercado dos pobres"? Mas o que têm abelhas com isso? Muito. No último outono do hemisfério Norte, elas deram para desaparecer. O mesmo fenômeno foi notado em vários países, inclusive no Brasil, causando perplexidade entre cientistas, apicultores -que chegaram a perder 50% de suas colméias- e ecologistas, todos alarmados com os danos ao ambiente e à agricultura se uma crise permanente ocorrer.

Afinal, abelhas são os grandes polinizadores naturais que viabilizam a formação de frutos e sementes. Cientistas da Universidade Harvard fazem hipóteses que incluem intoxicação por inseticidas, infecções por vírus e até radiação de telefones celulares. Quanto aos pesticidas, há inúmeras tragédias humanas que alguns já causaram. Por que não atingiriam as abelhas? Nos anos 1970-80, utilizados nos bananeirais da América Central, esterilizaram 30 mil homens.

Na ilha de Kyushu, no Japão, milhares de pessoas que consumiram óleo de arroz contaminado por dibromo cloropropano ficaram doentes e 112 morreram de intoxicação aguda, câncer e outras afecções; seus filhos herdaram distúrbios imunológicos e do desenvolvimento. A OMS estimou em 3 milhões o número de casos de contaminação desse tipo no mundo. Resíduos tóxicos como metais pesados são encontrados em animais das regiões mais distantes do mundo, numa poluição sistêmica global que atinge vegetais e humanos.

Quanto às ondas magnéticas, o planeta se tornou um imenso emissor delas, produto das múltiplas transmissões de rádio, TV, celular e radar, cujas conseqüências exatas sobre o meio ambiente e a saúde humana estamos longe de conhecer. Basta imaginar a brutal quantidade de emissão de ondas que poluem o espaço para que funcionem os 2 bilhões de celulares que abarrotam nosso globo. É razoável supor que afetem as abelhas?

Aprendiz de feiticeiro, nossa civilização só desperta para os perigos de seus caminhos tecnológicos quando tragédias acontecem. O sumiço temporário das abelhas pode ser mais um grave sintoma para que fiquemos em estado de alerta.

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GILBERTO DUPAS*, 64, é presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI) e coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP. É autor de "O Mito do Progresso", entre outras obras.

Iniciativas individuais em um mundo globalizado

Um sujeito, escritor, pai de família, morador de Manhatan, decide fazer a sua parte: Tentar tornar-se um "no impact man" expondo ao mundo sua façanha cotidiana num blogue. Funciona? Não sei. Mas como iniciativa e auto promoção, sim. Clique no título e opine.

julho 19, 2007

Necrocombustibles

Frei Betto

ALAI AMLATINA, 19/07/2007, Sao Paulo.- "Vamos a alimentar vehículos y desnutrir personas. Hay 800 millones de vehículos automotores en el mundo. El mismo número de personas sobrevive en desnutrición crónica"

El prefijo griego bio significa vida; necro, muerte. ¿El combustible extraído de plantas trae vida? En mi tiempo de escuela primaria, la historia de Brasil se dividía en ciclos: madera-brasil, oro, caña, café etc. La clasificación no es del todo insensata. Ahora estamos en pleno ciclo de los agro-combustibles, incorrectamente llamados de biocombustibles.

Este nuevo ciclo provoca el aumento de los precios de los alimentos, ya denunciado por Fidel Castro. Un estudio de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico (OCDE) y de la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO), divulgado el 4 de julio, indica que “los biocombustibles tendrán un fuerte impacto en la agricultura entre 2007 y 2016”.

Los precios agrícolas estarán por encima de la media de los últimos 10 años. Los granos deberán costar del 20% a un 50% más. En Brasil, la población pagó tres veces más por los alimentos en el primer semestre de este año, si comparado al mismo periodo de 2006. Vamos a alimentar vehículos y desnutrir personas. Hay 800 millones de vehículos automotores en el mundo. El mismo número de personas sobrevive en desnutrición crónica. Lo que inquieta es que ninguno de los gobiernos entusiasmados con los agro-combustibles cuestiona el modelo de transporte individual, como si las ganancias de la industria automovilística fueran intocables.

Los precios de los alimentos ya suben en ritmo acelerado en Europa, en China, en la India y en los EUA. La agroflación – la inflación de los productos agrícolas – debe llegar, este año, a un 4% en los EUA, comparada al aumento del 2,5% en 2006. Allá, como el maíz está casi todo destinado a la producción de etanol, el precio del pollo subió un 30% en los últimos 12 meses. Y la leche debe subir un 14% este año. En Europa, la mantequilla ya está un 40% más cara. En México, hubo movilización
popular contra el aumento del 60% en el precio de las tortillas, hechas de maíz.

El etanol made in USA, producido a partir del maíz, hizo duplicar el precio de este grano en un año. No es que los yanquis gusten tanto del maíz (excepto palomita). Sin embargo, el maíz es componente esencial en la alimentación de cerdos, bovinos y aves, lo que eleva el costo de cría de esos animales, encareciendo derivados como carne, leche, mantequilla y huevos.

Como hoy quien manda es el mercado, ocurre en los EUA lo que se reproduce en Brasil con la caña: los productores de soja, algodón y otros bienes agrícolas abandonan sus cultivos tradicionales por el nuevo “oro” agrícola: el maíz allá, la caña aquí. Eso repercute en los precios de la soja, del algodón y de toda la cadena alimentar, considerando que los EUA son responsables por mitad de la exportación mundial de granos.

En los EUA, existen hay lobbies de productores de bovinos, porcinos, caprinos y aves presionando el Congreso para que se reduzca el subsidio a los productores de etanol. Prefieren que se importe etanol de Brasil, a partir de caña, de modo de evitar aún más el alta del precio de la ración animal.

La desnutrición amenaza, hoy, a 52,4 millones de latinoamericanos y caribeños, un 10% de la población del continente. Con la expansión de las áreas de cultivo destinadas a la producción de etanol, se corre el riesgo de transformarse, de hecho, en necrocombustible – predador de vidas humanas. En Brasil, el gobierno ya castigó, este año, a haciendas cuyos cañaverales dependían de trabajo esclavo. Y todo indica que la expansión de ese cultivo en el Sudeste empujará la producción de soja Amazonia adentro, provocando la deforestación de una región que ya perdió, en área forestal, el equivalente al territorio de 14 estados de Alagoas.

La producción de caña en Brasil es históricamente conocida por la superexplotación del trabajo, destrucción del medio ambiente y apropiación indebida de recursos públicos. Los centrales se caracterizan por la concentración de tierras para el monocultivo dedicado a la exportación. Utilizan en general mano de obra emigrante, los boyas-frías (trabajadores agrícolas que no poseen sus propias tierras), sin derechos laborales reglamentados. Los trabajadores son (apenas) remunerados por la cantidad de caña cortada, y no por el número de horas trabajadas. Y aun así no tienen control sobre la medición del peso de lo que producen.

Algunos llegan a cortar, obligados, 15 toneladas por día. Tamaño esfuerzo causa serios problemas de salud, como calambres y tendinitis, afectando la columna y los pies. La mayoría de las contrataciones se da por intermediarios o los llamados “gatos”, agentes de trabajo esclavo o semi-esclavo. Después de 1850, un esclavo solía trabajar en el corte de caña de 15 a 20 años. Hoy, el trabajo excesivo redujo este tiempo medio para 12 años.

El entusiasmo de Bush y Lula por el etanol hace con que centrales alagoanos y paulistas disputen, palmo a palmo, cada pedazo de tierra del Triángulo Minero. Según el reportero Amaury Ribeiro Jr., en menos de cuatro años, 300 mil hectáreas de caña fueron plantados en antiguas áreas de pastizales y de agricultura. La instalación de una decena de centrales nuevos, próximos a Uberaba, generó la creación de 10 mil
empleos e hizo la producción de alcohol en Minas saltar de 630 millones de litros en 2003 para 1,7 mil millones este año. La migración de mano de obra descalificada rumbo a los cañaverales – 20 mil boyas-frías por año – produce, además del aumento de favelas, asesinatos, tráfico de drogas, comercio de niños y de adolescentes destinados a la prostitución.

El gobierno brasileño necesita librarse de su síndrome de Coloso (la famosa tela de Goya). Antes de transformar el país en un inmenso cañaveral y soñar con la energía atómica, debería priorizar fuentes de energía alternativa abundantes en Brasil, como hidráulica, solar y eólica. Y cuidar de alimentar a los sufridos hambrientos, antes de enriquecer los “heroicos” dueños de centrales.

- Frei Betto es escritor, autor de Calendario del poder (Rocco), entre otros libros.

Más información: http://alainet.org
ALAI - 30 AÑOS

julho 18, 2007

CO2 pode não ser o grande causador das mudanças climáticas?

http://bioneconomy.blogspot.com/

Finalmente uma reportagem sobre mudanças climáticas feita pelo Chanel 4 mostra que o CO2, parte de todos os seres vivos do planeta, não é o grande vilão das mudanças climáticas que enfrentamos. E apresenta o Sol, e suas explosões, como o grande controlador das temperaturas de nosso sistema.

Bem, nada que as plantas já não saibam... mas voltando: O CO2 está relacionado à industrialização e desenvolvimento econômico, conter a produção dele é conter a forma como o capitalismo está direcionado, pela concentração de riquesas. Como mostra o video, depois da queda do muro de Berlim, o movimento ambientalista contou com o apoio dos neo-marxistas e o Aquecimento Global hoje é colocado como a mais nova, melhor e única maneira de controlar a imensa opinião pública.

Que o clima está mudando, não temos dúvidas. Que as geleiras estão sumindo, também não. Seu reflexo é visível, disso não duvidamos. Mas até que ponto isso faz parte de nossas vidas individuais e até que ponto faz e fez parte da história da Terra?

A comoção e envolvimento que presenciamos atualmente, é a busca pelo verdadeiro preenchimento que procuramos. Conquistamos o mundo exterior e, agora que continuar conquistando está sendo cada dia mais concorrido, e de certo modo, cada dia menos prometido, estamos procurando no interior de nós mesmos as verdadeiras respostas. Encarar as mudanças climáticas como uma oportunidade de nos apaziguarmos (e não desesperarmos) talvez seja o maior desafio.

Não deixem de assistir a esse programa, com legendas em português e, não deixe de questionar as perguntas básicas de todo ser humano: quem sou, por que estou e para onde vou?

Clique aqui: http://br.youtube.com/watch?v=1JCVjg7H94s

julho 17, 2007

Glaciers in Retreat

By SOMINI SENGUPTA
Published: July 17, 2007
ON CHORABARI GLACIER, India — This is how a glacier retreats.

See the video here.

At nearly 13,000 feet above sea level, in the shadow of a sharp Himalayan peak, a wall of black ice oozes in the sunshine. A tumbling stone breaks the silence of the mountains, or water gurgles under the ground, a sign that the glacier is melting from inside. Where it empties out — scientists call it the snout — a noisy, frothy stream rushes down to meet the river Ganges.

D.P. Dobhal, a glaciologist who has spent the last three years climbing and poking the Chorabari glacier, stands at the edge of the snout and points ahead. Three years ago, the snout was roughly 90 feet farther away. On a map drawn in 1962, it was plotted 860 feet from here. Mr. Dobhal marked the spot with a Stonehenge-like pile of rocks.

Mr. Dobhal’s steep and solitary quest — to measure the changes in the glacier’s size and volume — points to a looming worldwide concern, with particularly serious repercussions for India and its neighbors. The thousands of glaciers studded across 1,500 miles of the Himalayas make up the savings account of South Asia’s water supply, feeding more than a dozen major rivers and sustaining a billion people downstream. Their apparent retreat threatens to bear heavily on everything from the region’s drinking water supply to agricultural production to disease and floods.

Indian glaciers are among the least studied in the world, lacking the decades of data that scientists need to deduce trends. Nevertheless, the nascent research offers a snapshot of the consequences of global warming for this country and raises vital questions about how India will respond to them.

According to Mr. Dobhal’s measurements, the Chorabari’s snout has retreated 29.5 feet every year for the last three years, and while that is too short a time to draw scientific conclusions about the glacier’s health, it conforms to a disquieting pattern of glacial retreat across the Himalayas.

A recent study by the Indian Space Research Organization, using satellite imaging to gauge the changes to 466 glaciers, has found more than a 20 percent reduction in size from 1962 to 2001, with bigger glaciers breaking into smaller pieces, each one retreating faster than its parent. A separate study found the Parbati glacier, one of the largest in the area, to be retreating by 170 feet a year during the 1990s. Another glacier that Mr. Dobhal has tracked, known as Dokriani, lost 20 percent of its size in three decades. Between 1991 and 1995, its snout inched back 55 feet each year.

Similar losses are being seen around the world. Lonnie G. Thompson, a glaciologist at Ohio State University, found a 22 percent loss of ice on the Qori Kalis glacier in Peru between 1963 and 2002. He called it “a repeating theme whether you are in tropical Andes, the Himalayas or Kilimanjaro in Africa.”

The Chorabari, sweeping down from Kedarnath peak across 2.3 square miles, is relatively lucky. It is blessed with a thick cover of rocks and boulders, which acts as a sort of insulation and slows the melting. Since Mr. Dobhal began collecting data here in 2003, the Chorabari has been shedding its weight — that is to say, melting faster than the rate at which snow and ice accumulates, and as a result, thinning out by roughly five feet each year. The snow line, in addition, is gradually moving higher.

A vast and ancient sheet of ice, a glacier is in effect the planet’s most sensitive organ, like an aging knee that feels the onset of winter. Its upper reaches accumulate snow and ice when it is cold; its lower reaches melt when it is warm. Its long-term survival depends on the balance between the buildup and the melting. Glaciers worldwide serve as a barometer for global warming, which has, according to a report this year by the Intergovernmental Panel on Climate Change, been spurred in recent decades by rising levels of greenhouse gas emissions.

Even the Himalayas have grown measurably warmer. A recent study found that mean air temperature in the northwestern Himalayan range had risen by 2.2 degrees Celsius in the last two decades, a rate considerably higher than the rate of increase over the last 100 years.
In its report, the international panel predicted that as these glaciers melt, they would increase the likelihood of flooding over the next three decades and then, as they recede, dry up the rivers that they feed. “In the course of the century,” it warned darkly, “water supply stored in glaciers and snow cover are projected to decline, reducing water availability in regions supplied by meltwater from major mountain ranges, where more than one-sixth of the world population currently lives.”

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julho 16, 2007

The Cruel Winds of Change

International Medical Veritas Association

A lot of people think climate change and the ecological repercussions are 50 years away," said Thomas Swetnam, head of the Laboratory of Tree-Ring Research at the University of Arizona in Tucson. "But it's happening now in the West. The data is telling us that we are in the middle of one of the first big indicators of climate change impacts in the continental United States.” We don't need Al Gore to tell us something is up with the weather. Not if you have been driven from your home in recent days by cyclones in Pakistan, by raging floods in Texas or Yorkshire, by forest fires in California or have sweltered in intense heat in southern Europe.



AP Summer temperatures across Utah are running 10 to 15 degrees F. above normal. Brandon Smith Meteorologist

Temperatures in parts of the West have been climbing so high recently that authorities warned residents of southern Nevada, southeastern California and northwestern Arizona that outdoor activities could be dangerous except during the cooler early morning hours. The intense heat wave that has baked much of Europe for weeks, fueling deadly forest fires, causing drought and damaging crops is threatening lives and livelihoods in many parts of Europe. The hot weather is taking its toll on agriculture, with forecasts for cereal production in Germany and the EU being cut. Provinces in western and northern China are facing food shortages due to a prolonged drought that has left hundreds of reservoirs dry and tens of thousands of wells either dry or nearly empty.

Each new scientific paper seems to carry a message grimmer than the last.

Barring a surprise arrival of the kind of gully washers Texas is getting these days, Los Angeles' driest year in 130 years of record-keeping will go into the books in July of 2007. The nation's second-largest city is missing nearly a foot of rain for the year counted from July 1 to June 30. Just 3.21 inches have fallen downtown in those 12 months, closer to Death Valley's numbers than the normal average of 15.14 inches. And it's much the same all over the West, from the measly snow pack and fire-scarred Lake Tahoe in the Sierra Nevada to Arizona's shrinking Lake Powell and the withering Colorado River watershed.

Global grain harvest has not met demand for most of the past eight years.

Erik S. Lesser for The New York Times Our future looks as bleak as farmers’ fields.
On Monday July 2, 2007 the entire state of Alabama was declared a drought disaster area by the federal Department of Agriculture. “Nobody alive has ever seen it like this,” said Perry Mobley, and the National Weather Service says conditions are unlikely to change until fall. The true reckoning will come later this year as food stocks fall and prices rise. The drought is wilting much of the Southeast, causing watering restrictions and curtailed crops in Georgia, premature cattle sales in Mississippi and Tennessee, and rivers so low that power companies in the region are scrambling and barges are unable to navigate.[i]



A team led by Dr. James Hansen at NASA suggests that the grim reports issued by the Intergovernmental Panel on Climate Change could be absurdly optimistic.[ii] The IPCC predicts that sea levels could rise by as much as 59cm this century. Hansen’s paper argues that the slow melting of ice sheets the panel expects doesn’t fit the data. The geological record suggests that ice at the poles does not melt in a gradual and linear fashion, but flips suddenly from one state to another. When temperatures increased to 2-3 degrees above today’s level 3.5 million years ago, sea levels rose not by 59 centimeters but by 25 meters. The ice responded immediately to changes in temperature.



As well as drowning most of the world’s centers of population, a sudden disintegration could lead to much higher rises in global temperature, because less ice means less heat reflected back into space.


Throughout the early 1960s, world grain reserves were equal to at least 1 year's global demand for these commodities. By this year, that excess had fallen to just 20 percent of what's now consumed annually. Most people have not realized it yet but cheap food is about to become a thing of the past. Agflation is an increase in the price of food that occurs as a result of increased demand from human consumption, falling production and the diversion of crops into usage as an alternative energy resource. Yes this diversion works quite well for a country like Brazil but the recent American lust for it will affect the entire world and kill many through starvation.


Agriculture is central to human survival, and is the human enterprise most vulnerable to changes in climate. Understanding the current and future effects of changes in climate on world food supplies is crucial for our lives depend on it. A warming world means much more than hotter temperatures and rising seas, it means disease, hunger, starvation and death and even more work for overworked doctors. Agriculture is highly sensitive to climate variability and weather extremes, such as droughts, floods and severe storms. The forces that shape our climate are also critical to farm productivity.

The enduring changes in climate, water supply and soil moisture could make it less feasible to continue crop production in certain regions. US EPA

The World Health Organization estimates climate change has already directly or indirectly killed more than 1 million people globally since 2000. More than half of those deaths have occurred in the Asia-Pacific area, the world's most populous region. Those figures do not include deaths linked to urban air pollution, which kills about 800,000 worldwide each year, according to WHO.
An ever-rising tide of sand has claimed grasslands, ponds, lakes and forests, swallowed whole villages and forced tens of thousands of people to flee as it surges south and threatens to leave this ancient Silk Road greenbelt uninhabitable. Farmers dig wells down hundreds of feet. If they find water, it is often brackish, poisonous. R oughly the size of Rhode Island, is buried each year. Nearly all of north central China, including Beijing, is at risk.


Severe events are going to be more frequent.


Last week, EU Environment Commissioner Stavros Dimas said: "In Britain, there is bad flooding and destruction on a scale rarely seen before, and more bad weather is on the way. For some people in Europe it will be a case of adapt or die." If you get the idea that very soon we will have a massive refugee problem in the world and that people with money will be desperate to escape to safer more environmentally friendly environments you could not be more correct.


Mark Sircus Ac., OMDDirector International Medical Veritas Association http://www.imva.info/http://www.magnesiumforlife.com/

Special Note: Though I am now building Sanctuary in the interior of Brazil into a cancer clinic and retreat center for radical cure I have not given up my vision of creating an underground railroad (via jet plane) for people to escape from the north to one of the most beautiful pristine environments left. With one of the lowest population densities in the world and plenty of water it’s an ideal place to ride out The Cruel Winds of Change. During my last trip to the interior I created a construction company with my builder and made contacts with several old friends who have quite a bit of land for sale. Though the region is vast in terms of space I would guess that the maximum amount of new families the local area could support in terms of immigration is only about 200 and even that would be pushing it. I can imagine that many people buying land but it would take a few years for the local people to be able to build for so many people.

Authorities in the world are already predicting massive refugee problems but in reality there are few places to go and if one waits till everyone wakes up to the obvious it will be too late and most options will be cut off. Part three of The Cruel Winds of Change has to do with the deadly risks of air pollution and the gas like chamber effect of living in large urban centers. In my book HeartHealth is the following prose:


To listen is to suffer because we do not want to listen to anything that might require a change. To listen is to change.We cannot change without listening. Listening implies a change.We need to change just to listen.


Actually I am an uncomfortable person to be around too much because I am always suggesting change. It is just the natural position of my being and it emanates from me with ease. Everything is always changing, everything is in a state of flux but our ego centered minds resist change and this is where we are all going to be tested in the years ahead.

After I publish part three tomorrow I will change directions, as far as my publications to the IMVA are concerned, and publish materials that have to do with solutions, medical solutions that will help us survive despite all the pressures that are accumulating around us and perhaps in about ten days I will finish the first edition of Survival Medicine for the 21st Century. These past few days as I have written extensively about late stage fungus infections, cancer and sodium bicarbonate I have been stimulated with medical creativity.

In discovering that Dr. Tullio Simoncini's bicarbonate protocol demands simultaneous high carbohydrate consumption I have envisioned combining the bicarbonate protocol with an intensive regime of high level anti-oxidant fruits that have known anti tumor effects. So threatened was the FDA by cherry farmers speaking out about the medical effects of purple colored fruits that they had to give gag orders to make sure they would not threaten orthodox oncologists and their work. Purple (Concord) grapes (with their skin and seeds), and to a slightly lesser degree red and black grapes, contain several nutrients that are known to kill cancer cells. These kinds of grapes also contain nutrients to stop the spread of cancer. They also help detoxify the body. Down here in Brazil it's fruit heaven and in the local area of the clinic are two fruits, Graviola and Jabuticaba and from more distant regions Açaí and acerola. My building crew brought a two liter bottle of Graviola juice freshly made and I never tasted anything so delicious in my life. Açaì is sold everywhere as an ice-cream type of treat and who would have ever thought it would be excellent in a cancer protocol.

The key is to be eating these berries in their raw, whole fruit form rather than trying to eat processed berries. In order to get the healing phytonutrients, you must get the berries in the freshest form possible -- that means no processed berries, just raw berries, right off the bush or straight from the grocery store. It is very disturbing to examine how much of the nutritional value is lost in commercially available fruits and in food in general, whose nutritional values have been dropping steadily for the last fifty years.

On the internet one will find references to using such fruits as a primary cancer treatment thus they will be excellent supportive therapies to the bicarbonate. Because the central substances in our cancer protocol are concentrated nutritional items (stolen from emergency rooms and intensive care wards) we are free to shape treatments in a more complex and dynamic way. What is life threatening with pharmaceutical drugs (dangerous to mix them) is life saving with nutritional substances like sodium bicarbonate, magesium chloride, iodine and ALA (Alpha Lipoic Acid).


Also of special note: Dr. Tullio Sumoncini has traveled to the United States and has spoken to about 40 doctors some of which might be coming online to give sodium bicarbonate treatments but in the US this will be touchy with the FDA hound dogs ready to bite just about anyone who does not do things THEIR WAY. Since their way is the wrong way we have to do everything opposite to what they indicate to be sure that we are going the right way. I imagine people in the States who cannot afford to go to Mexico or here to Brazil or to Italy and Switerland, where this treatment is also going to be available. It will be possible that individuals will be able to do at home many of the sodium bicarbonate treatments with some simple medical supervision and proper equipment. We will assist people where we can and make either the appropriate referals when possible or take people into our own online clinic to give suppport from a distance.

For many reasons, including the difficulty of receiving bicarbonate via a necessary catheter for certain forms of cancer, the IMVA protocol does not depend too much on any one medicinal agent to effect a cure for cancer. We will have our cocktails but they will not be chemical or toxic. We will be supporting physicians and clinics that choose to take multi-dimensional approaches that catch cancer/late stage fungus infections in a lethal cross fire of concentrated nutritional agents.

Claudia French RN, LPHA, the assistant director to the IMVA, traveled to meet Dr. Simoncini and it was thrilling to hear her reports and the fact that when the organizer of the lecture started the days events he shouted out to the audience, "Is there anyone in the house from the IMVA?" We brought Transdermal Magnesium Therapy books, magnesium oil and a wonderful iodine to give out to everyone.
[i] http://www.nytimes.com/2007/07/04/us/04drought.html?_r=1&th&emc=th&oref=slogin
[ii] We now have a pretty good idea of why ice sheets collapse. The buttresses that prevent them from sliding into the sea break up; meltwater trickles down to their base, causing them suddenly to slip; and pools of water form on the surface, making the ice darker so that it absorbs more heat. These processes are already taking place in Greenland and West Antarctica. Rather than taking thousands of years to melt, as the IPCC predicts, Hansen and his team find it “implausible” that the expected warming before 2100 “would permit a West Antarctic ice sheet of present size to survive even for a century.” The new paper suggests that the temperature could therefore be twice as sensitive to rising greenhouse gases than the IPCC assumes. “Civilization developed,” Hansen writes, “during a period of unusual climate stability, the Holocene, now almost 12,000 years in duration. That period is about to end.”
http://www.monbiot.com/archives/2007/07/03/a-sudden-change-of-state/#more-1072

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julho 14, 2007

USDA Buzzing With New Plan to Fight Collapse of Bee Colonies

Saturday 14 July 2007

Washington - Agriculture Department scientists are mobilizing to fight the puzzling and potentially catastrophic collapse of the nation's honey bee colonies.

Citing a "perfect storm for beekeepers," alarmed officials admitted Friday they still don't know why bees are dying in large numbers in more than 22 states. But prodded by Congress and farmers alike, the scientists will be devoting new resources to protecting the diligent pollinators some call six-legged livestock.

"There were enough honey bees to provide pollination for U.S. agriculture this year, but beekeepers could face a serious problem next year and beyond," Agriculture Undersecretary Gale Buchanan warned Friday.

Nationwide, honey bees pollinate more than 130 crops. They are particularly dutiful in some areas, such as California's nearly $3 billion-a-year almond industry. Of the nation's 2.4 million commercial bee colonies, 1.3 million pollinate almond orchards.

"The bee industry is facing difficulty meeting the demand for pollination in almonds because of bee production shortages in California," the Agricultural Research Service noted.

Prepared with the help of scientists at North Carolina State University and Pennsylvania State University, among others, the 28-page action plan issued Friday proposes:

* Spending more money. The Agricultural Research Service has a bee research budget of $7.4 million this year. Officials will redirect new funds to the cause, including an additional $1 million annually for work on honey bee health.

* Conducting new surveys. Officials cautioned Friday that current colony surveys have been either "limited in scope (or) fundamentally flawed." Agriculture Department agencies will collaborate with university researchers to obtain "an accurate picture of bee numbers," as well as a better understanding of the pesticides, pests and environmental stresses plaguing the bees.

* Finding fixes. This is particularly hard, since no one really knows why the bee colonies are collapsing. But officials say they will focus on "developing general best management practices" and distributing information through the Internet.

The new work will focus on so-called "colony collapse disorder." This is when the colony's adult bee population abruptly dies, leaving only the queen and a few attendants alive. Typically, there is no sign of mite or beetle damage. Some think toxic exposure or nutritional deficits might be undermining the bees' immune systems.

Gene Brandi, a beekeeper in California's San Joaquin Valley, told lawmakers that 800 of his 2,000 bee colonies collapsed inexplicably last winter. Brandi lost an estimated $60,000 in pollination income from his Los Banos-based operation, and he's spent an additional $48,000 to restock his lost colonies.

"This is the greatest winter colony mortality I have ever experienced in 30 years of beekeeping," Brandi testified earlier this year.

A draft farm bill scheduled for House Agriculture Committee approval next week includes new funding to study colony collapse disorder. Separately, Rep. Alcee Hastings, D-Fla., has introduced legislation to authorize an additional $7.25 million annually for related research.

"Colony collapse disorder is a looming disaster on the horizon," Rep. Dennis Cardoza, D-Calif., said Friday. "We must continue to devote significant resources to understanding and treating the disorder."

Earlier this year, as chair of the House horticulture and organic agriculture subcommittee, Cardoza convened the first congressional hearing into the colony collapses. Spokesman Jamie McInerney said Friday that Cardoza and other lawmakers might seek additional honey bee funding as part of the fiscal 2008 Agriculture Department appropriations package.

The Agriculture Department plan sets out goals for both the short and long term. Immediately, for instance, scientists will "refine" symptoms to define what colony collapse disorder "is and what it is not." Longer term, the National Agricultural Statistics Service will develop a more reliable annual survey on honey bee colony production and health.

At the same time, officials are ruling out some theories.

"Based on misleading news reports, the public has become concerned that cell-phone use may be causing bee die-offs," the Agricultural Research Service noted Friday. "However, scientists have largely dismissed this theory, because exposure of bees to high levels of electromagnetic fields is unlikely."

julho 06, 2007

NÓS nos recusamos!

Pois NÓS nos recusamos a permanecer num mundo onde isso acontece, pois NÓS descobrimos que juntos certas coisas não acontecem. Pois NÓS queremos ter orgulho de sermos quem somos e deixar para os que virão a alegria de saber QUEM realmente somos.

Somos TODOS criadores desse planeta.

(não deixe de ver o vídeo até o fim)

julho 03, 2007

Aquecimento Global: Uni- vos!

O Aquecimento Global parece estar mobilizando todas as áreas da manifestação humana para uma reavaliação de seus processos. Aqui um vídeo sobre solo, colocado como mais outra ótima solução ao Aquecimento Global.

Pena que está em inglês...

http://www.quantumshift.tv/v/1181028043/